"As fronteiras que temos cruzado, repararíamos nelas se não nos deparássemos com o marco físico que as anuncia? Se ninguém nos lembrasse que um passo mais e o solo por baixo dos nossos pés pertenceria a outra pátria, quantas ocasiões entraríamos noutros países sem que nenhum apercebimento nos chegasse? Talvez o mesmo se passe dentro de nós: quantas coisas mudaram, quanto se poliu à nossa personalidade, quantas vezes se alterou a disposição da nossa sala interior, e esse facto apenas é descortinado — meses, ou mesmo anos, mais tarde — quando alguém o anuncia? Tu não eras assim, asseveram, como se a nossa evolução fosse um aborrecimento que aos outros devemos poupar. Aliás, progresso apenas existe se percorrer as suas pavimentadas estradas. Orienta-te, rapaz, orienta-te, passei a vida a ouvir, e, que curioso, foi quando me marimbei fortemente para as resoluções alheias que cheguei ao Oriente."
É mágico sentir-se tanta verdade através das palavras. Este livro é uma porta aberta de resiliência, coragem e, sobretudo, de questionamento relativamente ao mundo, à sociedade e à diferença. Em Sever do Vouga ou em qualquer parte do mundo, sempre será um privilégio acompanhar o desfilar de capítulos, de monumentos, capitais, terras isoladas, pensamentos. Adorei!
Nesta Parte II da sua viagem, o Tiago transporta-nos muito naturalmente para dentro do livro, com uma escrita genuína, remates mordazes, descrições pouco exaustivas, curiosidades históricas e pensamentos e opiniões do próprio, que nos levam sempre a "pausar" a leitura para absorver o que acabámos de ler.
Repleto de peripécias (por exemplo, o Tiago foi preso!); sítios pouco habitados, encontros com pessoas generosas e verdadeiras e reflexões e sentimentos muito pessoais, este livro deixou um sentimento agridoce no fim da leitura, como se os tivesse acompanhado na viagem e regressado com eles. A escrita do Tiago cria esta sensação de proximidade com quem está a ler.
Esta continuação da viagem do Tiago e da Joana é uma leitura obrigatória e é um privilégio ter conhecido esta história e todas as vidas nela contidas.
Aguardo ansiosamente por mais um livro do Tiago, desafi-o até a escrever sobre algo diferente do mundo das viagens. Tenho a certeza que será um sucesso.
O Tiago já nos habituou a uma leitura desconcertante onde o humor e a humanidade andam sempre de mãos dadas. Neste segundo livro, li estórias e aventuras que me tocaram pela sua simplicidade e humanidade: quem pouco tem, é geralmente quem mais nos tem a dar. Que alegria ter encontrado este pequeno tesouro, que me fez companhia durante as minhas viagens. Obrigado Tiago, por partilhares a forma como humanamente esta viagem te tocou.
À semelhança da primeira parte do livro que relata a experiência, mais uma vez um abrir de olhos para o mundo e humildade para com outros. Os relatos tornam-se diferentes em perspetiva quando o Tiago continua na viagem sozinho mas super interessantes também.
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