Equilibrando-se entre temas como maternidade, morte, aprendizado e diferentes formas de medo, o novo livro da autora de Rabo de baleia e Pé do ouvido.
* Prêmio Jabuti 2025 na categoria Capa.
Acrobata é um livro de poemas que pode ser lido como um romance. Ao trazer a experiência da vida para a escrita, os versos descrevem momentos marcados pela mudança — como o nascimento de um filho, a morte de alguém próximo e a adaptação a uma nova cidade. O inesperado surge tanto no corte dos versos quanto nas diferentes vozes, entreouvidas ou lidas, que se entrelaçam com a do eu lírico. Um poema puxa o outro em surpreendentes trocas de assuntos, cenas e situações. Algumas perguntas, contudo, parecem costurar a é melhor partir ou ficar? Para que servem os medos? Qual a diferença entre coragem e cautela?
"Acrobata deve ser lido em voz alta, como escuta de si mesmo e de tantos outros, e com a emoção do que pode ser vislumbrado através do espelho de cada página." — Milton Hatoum
Born in Rio de Janeiro in 1988, Alice Sant’Anna is the author of Dobradura (2008), Pingue-pongue (co-authored with Armando Freitas Filho, 2012) and Rabo de baleia (2013). Her poetry examines the small delights and inconveniences of daily life through a curious and creative gaze, finding unexpected meanings where we expect the trivial and routine. She works at the magazine Serrote, published by the Instituto Moreira Salles, writes a regular Friday column for O Globo’s “Transcultura” page, and is currently studying for a Master’s degree in literature at PUC-Rio.
Linda reunião de poemas. Adoro livros em que reconheço a cidade e consigo olhar através das palavras da autora, esse ponto de vista diferente, que me tira do corriqueiro. Adorei!
Meu segundo livro da Alice e gostei bastante (li Rabo de Baleia anos atrás.)
São poemas que falam bastante de maternidade (mas não de uma forma romantizada), a morte do avô, medo e de imaginar/perceber o mundo ao redor.
Acho que o meu favorito foi o primeiro, Sabiá, em q uma mãe percebe a mãe sabiá que mora perto de sua casa.
Também gostei muito de Salto Ornamental (uma atleta vai fazer o seu salto e surpreende a todos), Os medos (sobre como o medo muda de idade pra idade) e trechos de vários outros. "se bem que pensar em ter medo de morrer é uma certa vaidade e pensar que se morrer morreu também é"
Alice escreve poemas como eu penso dentro da minha cabeça: muda de assunto de uma a três vezes no meio, muda o eu-lírico, não rima mas rima quase acidental, não pontua nem capitaliza e então a responsabilidade do ritmo é sua, introduz um ou mais elementos surpresa, deixa a trama aberta ou a arremata como um mic-drop com microfonia... Fazia tempo que eu andava cansada de poesia - e olha que gosto de poesia. "Acrobata" me fez descansar.
há coisas que beiram a fantasia para quem está o tempo todo sendo apresentado ao mundo se aparecesse um cachorro de duas cabeças você não se espantaria
Bela coleção de poemas, dá pra perceber muito esmero e que os versos aqui foram bem lapidados ao longo dos 10 anos de reunião. A escrita de Alice Sant'Anna tem algo que nos situa dentro de vivências, memórias e sonhos escondidos. Algo como uma acrobacia - em estado de permanência no ar.