Combinando estudos científicos e histórias pessoais emocionantes, este livro apresenta uma abordagem radicalmente nova sobre o vício – de onde ele surge, seu lugar na sociedade e a importância da autocompaixão no processo de cura.
Dr. Gabor Maté é um dos mais respeitados pensadores em saúde mental. Sua vasta experiência como médico, trabalhando com dependentes químicos em situação de extrema vulnerabilidade, lhe deu uma visão única dos mecanismos do vício e de como ele se relaciona com as dores e angústias da vida.
Neste livro, ele esclarece muitas crenças preconceituosas sobre a dependência, apresentando-a não como uma doença ou uma falha de caráter, mas como o resultado de uma complexa interação entre experiências pessoais, fatores neurológicos e padrões de comportamento.
Contando comoventes histórias de seus pacientes, Maté mostra que os vícios se desenvolvem como uma tentativa de escapar da dor e buscar em algo externo – álcool, drogas, jogos, sexo, trabalho, etc. – um meio de preencher um vazio interior.
Ele revela também como quebrar ciclos de sofrimento e abrir espaço para o processo de recuperação, que passa pelo autoconhecimento, pelo autoperdão e pela surpreendente capacidade do cérebro de se remodelar e se curar.
Dr Gabor Maté (CM) is a Hungarian-born Canadian physician who specializes in the study and treatment of addiction and is also widely recognized for his unique perspective on Attention Deficit Disorder and his firmly held belief in the connection between mind and body health.
Born in Budapest, Hungary in 1944, he is a survivor of the Nazi genocide. His maternal grandparents were killed in Auschwitz when he was five months old, his aunt disappeared during the war, and his father endured forced labour at the hands of the Nazis.
He emigrated to Canada with his family in 1957. After graduating with a B.A. from the University of British Columbia in Vancouver and a few years as a high school English and literature teacher, he returned to school to pursue his childhood dream of being a physician.
Maté ran a private family practice in East Vancouver for over twenty years. He was also the medical co-ordinator of the Palliative Care Unit at Vancouver Hospital for seven years. Currently he is the staff physician at the Portland Hotel, a residence and resource centre for the people of Vancouver's Downtown Eastside. Many of his patients suffer from mental illness, drug addiction and HIV, or all three.
Most recently, he has written about his experiences working with addicts in In the Realm of Hungry Ghosts.
He made national headlines in defense of the physicians working at Insite (a legal supervised safe injection site) after the federal Minister of Health, Tony Clement, attacked them as unethical.
Gabor Maté, médico e autor húngaro canadense, compartilha sua vasta experiência de 12 anos trabalhando com pessoas afetadas pela dependência, enfatizando que o vício não é uma escolha ou falha moral, mas uma resposta ao sofrimento humano, frequentemente ligada a traumas da infância. Ele critica a forma como a sociedade retrata os dependentes, que são vistos como desesperados sem entender as causas de seu desespero. Maté argumenta que a dependência é uma tentativa de aliviar uma dor emocional profunda, resultante de experiências traumáticas, e que o que essas pessoas realmente precisam é de ajuda para curar seus traumas, não de julgamento. Ele relata sua própria experiência de abandono na infância, que moldou sua percepção sobre a relação entre trauma e vício. Maté também discute a interconexão entre emoções e biologia, afirmando que experiências emocionais impactam diretamente o desenvolvimento do cérebro e a saúde física. Ele refuta a ideia de que transtornos como o TDAH são puramente genéticos, sugerindo que são respostas adaptativas ao estresse. A relação emocional com o ambiente de criação é crucial para o desenvolvimento saudável do cérebro, e a falta de apoio emocional dos pais pode ter consequências duradouras. Maté usa sua própria história, marcada por traumas da Segunda Guerra Mundial, para ilustrar como o estresse materno afetou seu desenvolvimento e como isso se refletiu em sua vida adulta e na de seus filhos, que, apesar de crescerem em um ambiente menos traumático, também apresentaram sintomas semelhantes. Essa dinâmica familiar e os padrões aprendidos na infância influenciam a forma como lidamos com o estresse e as relações ao longo da vida.Maté destaca que a sensação de não ser desejado por parte dos pais, muitas vezes, não se deve à falta de amor, mas à ausência emocional que pode ter efeitos profundos no desenvolvimento da criança. Ele enfatiza que a presença emocional dos pais é crucial para que a criança se sinta verdadeiramente valorizada. O desenvolvimento cerebral está intimamente ligado às interações emocionais nos primeiros anos de vida, e traumas não resolvidos dos pais podem ser transmitidos para os filhos, moldando suas personalidades como adaptações a essas experiências. Maté compartilha uma experiência pessoal em que uma simples mensagem de atraso de sua esposa desencadeou uma raiva inexplicável, revelando como memórias implícitas podem governar nossas reações até que tomemos consciência delas. Essa necessidade de ser indispensável, resultante de sua infância, levou-o a se dedicar excessivamente ao trabalho, prejudicando sua relação com a família. Ele observa que a dinâmica familiar pode perpetuar traumas e estresses de geração em geração, refletindo-se no aumento de transtornos de desenvolvimento infantil, como autismo e problemas de comportamento. Em vez de abordar as causas fundamentais, a sociedade frequentemente recorre a medicamentos e estratégias de controle comportamental. Maté critica a forma como os sistemas de saúde ocidentais, apesar de investirem bilhões, falham em reconhecer o papel do trauma na saúde mental e física, ignorando como a cultura atual afeta nosso bem-estar. A visão limitada do sistema jurídico sobre a adição, que a considera uma escolha, desconsidera a realidade de que é uma resposta ao sofrimento emocional. Ele argumenta que a crença de que a adição é uma escolha é anticientífica e suas consequências são trágicas. A definição de normalidade na medicina é frequentemente distorcida, pois o que é comum não é necessariamente saudável. Maté ilustra isso com um exemplo extremo, mostrando que práticas normais em uma sociedade não são sinônimos de saúde. Ele propõe que a saúde mental e física deve ser vista como um espectro, onde muitas condições são respostas normais a um ambiente culturalmente insalubre. O estado emocional das mães, desde a gestação, impacta o desenvolvimento dos filhos, e essa conexão biopsicossocial é fundamental para entender a saúde. As taxas crescentes de ansiedade e transtornos infantis refletem uma resposta a uma cultura que promove competição e isolamento. Maté questiona se a mudança é realmente possível, afirmando que as pessoas não precisam mudar, mas sim se reconectar com sua verdadeira essência. Ele acredita que essa reconexão é viável e já testemunhou transformações significativas em pessoas, mesmo aquelas com doenças graves. A desconexão da verdadeira natureza gera sofrimento, e a adição é um processo complexo que se manifesta em comportamentos que proporcionam alívio temporário, mas que têm consequências negativas a longo prazo. Essa definição de adição abrange não apenas substâncias, mas também comportamentos como sexo, apostas, uso da internet, compras e alimentação.Maté argumenta que a adição pode se manifestar em diversas atividades, como trabalho, esportes extremos, exercícios e pornografia, e critica a definição oficial da Sociedade Americana de Medicina da Adição, que a considera um distúrbio primário do cérebro, principalmente por motivos genéticos. Ele refuta a ideia de que a adição é uma escolha consciente, uma crença que sustenta o sistema legal, e propõe que, além das necessidades físicas, os seres humanos têm duas necessidades fundamentais: apego e autenticidade. O apego refere-se à necessidade de conexão com outros seres humanos, essencial para a sobrevivência, enquanto a autenticidade é a capacidade de se conectar consigo mesmo e agir de acordo com seus sentimentos. Maté explica que o estresse e o trauma na infância podem prejudicar o desenvolvimento dos sistemas que facilitam o apego, levando a comportamentos de busca de alívio, como o uso de substâncias que imitam as endorfinas. A autenticidade, que era vital para a sobrevivência em tempos primitivos, se torna uma ameaça nas relações modernas, levando as crianças a reprimir seus sentimentos para manter o apego. Esse processo resulta em uma desconexão com os instintos e emoções, criando um conflito trágico que muitos enfrentam na infância. Ele diferencia experiências traumáticas, como divórcios ou abusos, do trauma em si, que é a desconexão interna resultante dessas experiências. O trauma cria uma visão negativa de si mesmo e do mundo, manifestando-se em comportamentos defensivos. Maté afirma que a adição não é o problema principal, mas uma tentativa de lidar com os efeitos do trauma, oferecendo alívio temporário, mas gerando problemas maiores a longo prazo. O verdadeiro trabalho envolve reconhecer essas manifestações no presente e superá-las, restaurando a conexão com o corpo e as emoções perdidas. A recuperação, segundo Maté, é o processo de reencontrar o que foi perdido, e a essência do trauma é a perda do eu. O objetivo do tratamento de adições e da saúde mental é a reintegração. Ele também reflete sobre sua evolução pessoal em relação à compreensão de Deus, que passou de uma visão de uma entidade onipotente para uma representação da unidade e conexão do universo, reconhecendo que essa experiência de santidade e conexão é mais importante do que uma crença rígida.