Brasil Colônia, Século XVII. Um homem negro desperta em uma praia sem memória de quem é, onde está ou de onde veio. Obrigado a se aventurar na mata em busca de água e alimentos, encontra acidentalmente uma entidade chamada Anansi, um deus aranha que lhe oferece uma barganha. O homem deverá ajudar a Anansi a libertar seu povo que está sendo escravizado em uma fortaleza, como recompensa para as missões cumpridas, Anansi, o senhor das histórias, devolverá suas lembranças. O que ele irá descobrir sobre seu passado? Quais perigos aguardam no coração da mata? A jornada não será fácil, especialmente se os maiores perigos moram dentro de você. Mas com a ajuda de Sanko, Onini e Kuki há esperança
A historia se passa no brasil colonial onde um homem acorda em uma praia sem memória e precisa fazer um pacto com uma divindade antiga ardilosa para se salvar dos perseguidores. Mas tem muito mais na história do que essa frase poderia resumir. Não é uma leitura longa e te prende: Li todo o de uma só vez. Mas é uma experiência incrível: Ri, me revoltei, e até senti o coração apertado e as lágrimas nos olhos.
A história é uma aventura perfeitamente estruturada em cada detalhe e elemento do gênero que o autor demostra dominar com conhecimento e maturidade. As reviravoltas são realmente interessantes e o final realmente surpreende. Trama Ancestral além de trazer uma história dinâmica e repleta de personagens cativantes e que ficam na sua cabeça, é uma declaração de amor ao ato de contar histórias. O autor tem mais um livro no mesmo universo (Fios de Ferro e Sal) que já está na minha lista.
Estou em uma jornada para conhecer a ficção especulativa brasileira, do realismo fantástico a fantasia e ficção científica. Acompanhe em meu substack: https://adamante.substack.com/
Trama Ancestral de Wilson Júnior é um livro de projeto gráfico lindo do poder da ancestralidade, uma literatura infantil juvenil onde a natureza é corpo da palavra é ser espiral do tempo, herança dos antigos, os caminhos abertos, o solo preparado e fértil para desenhar os pés com seus sonhos. Mais do que a origem, a linguagem, o histórico a maior busca e orgulho é o sonho ancestral. escutar o chão e a história ancestral, e com equilíbrio, a formação certa do tom assertivo da obra abre espaço não só para constituição da história, mas para a natureza de literatura bonita e histórica com uma poética e lírica que se guiam em ambientes onde os personagens são vivos. A estrutura ficcional e literária tem a materialização da experiência, e o nível diaspórico de formato é reluzente. Um livro bem estruturado, que ganha o leitor pelo formato infantojuvenil e pelo retorno da máquina da vida a ancestralidade. #literaturacontemporanea #literaturanacional
Espalhem as Histórias e nunca a deixem morrer Como foi maravilhoso ler esse livro e terminar chorando, ao mesmo tempo de tristeza por tanta dor e sofrimento que ainda se vive e viveu, quantas histórias ainda não conhecemos e talvez nunca iremos conhecer das pessoas que estão jogadas na rua e dos povos que foram silenciados pela cultura branca, e isso dói e muito. Mas esse livro também é de Liberdade, liberdade da história e mostrando que ela tem que ser libertada, não perca sua história e espalhe por aí, Wilson, seu livro foi excepcional, principalmente Kuki, a raposa do pântano, o fim do livro principalmente, entendo bem Kunda e até mesmo Anansi, como foi bom esse livro e acho que só descobrirão se o lerem e passarem adiante para não deixar a história morrer!
Amador demais Ultimamente tenho me interessado muito por histórias afrocentradas e de protagonismo negro, mas uma hora as pessoas vão precisar entender que nem só com boas intenções se escreve uma história. Nem vou entrar no mérito do embasamento histórico - a ficção dispensa rigores documentais e factuais e nessa obra o autor levou isso ao extremo. Mas esse não é o problema da história. A narrativa é maçante e arrastada, e o protagonista é tão apagado que demorei um bom tempo para me lembrar do nome dele (e já esqueci novamente). Outro problema são o ritmo e a consistência - a história se arrasta por páginas e mais páginas de monotonia e depois tudo se resolve às pressas. Não gostei.
É um livro curtinho que traz como cenário o Brasil Colonial do século XVII, lá para os lados de Porto Seguro. Mas é um cenário muito mais fantástico do que realista. Acompanhamos Ekundayo, um homem que acordou na praia da Bahia sem nenhuma memória e então entra em um acordo com a entidade Anansi (a Aranha que tece histórias e memórias) para libertar o povo dela em troca de ter de volta sua memória. Nessa aventura vemos a resistência anti-escravagista dos negros e a resistência anticolonial dos povos indígenas atuando na formação de um quilombo, e caramba, isso é muito legal! Outro detalhe que me chama a atenção é que temos finalmente uma reparação histórica-literária aqui: os personagens negros e indígenas recebem bastante nuance. São pessoas diferentes, com histórias diferentes, e com passados diferentes. Wilson traz aqui até algumas polêmicas (que não deveriam ser polêmicas) e nos dá essa visão humanizante -> indígenas que, em troca da sobrevivência, chegaram a trabalhar para os brancos; povos africanos que venderam escravos para os europeus; isso tudo aparece aqui e vemos como cada um lida com o peso de seu passado enquanto constrói um futuro. ENTRETANTO, os brancos são personagens planos, sem dimensões, só uns inimigos abobados que a gente fica feliz de ver a derrota.