«Para Mário Cláudio, a fenomenologia da arte, a composição da narrativa e a biografia como desígnio são os grandes vetores que sustentam um extenso trajeto de indagação meta-artística e meta-literária, praticamente encetado com Amadeo. […] De certa forma, é esse movimento que Amadeo inaugura. Porque ele se desenrola e aprofunda no quadro de uma produção literária coerente, muito exigente e com qualidade reconhecida, podemos bem dizer que, 40 anos depois da sua primeira edição, Amadeo reafirma a sua posição de marco decisivo daquilo a que chamo, no seu conjunto ainda inacabado, uma obra literária, indo muito além da acumulação de títulos que a mera indústria literária requer. Não é esse o modo de agir de um escritor da dimensão de Mário Cláudio e este seu livro aqui está para o atestar.» - Do Prefácio de Carlos Reis a esta edição.
Este romance notável de Mário Cláudio relata o percurso do pintor Amadeo de Souza-Cardoso, entre as terras de Amarante e Paris dos inícios do século XX. Ficcionalizando a vida do pintor modernista, estabelece-se neste livro uma relação entre privilegiada entre a palavra e a imagem. Esta obra venceu, em 1984, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e, passados quarenta anos da sua edição original, disponibiliza-se agora uma edição comemorativa bastante cuidada, com um prefácio de Carlos Reis, reprodução de recortes de imprensa da época, uma carta de Saramago a Mário Cláudio sobre a polémica atribuição desse prémio e algumas páginas do manuscrito original.
Mário Cláudio, pseudónimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1941. Frequentou o curso de Direito em Lisboa, tendo-o terminado na Universidade de Coimbra. Frequentou a Universidade de Londres, graduando-se como Master of Arts. De regresso a Portugal, tem exercido funções como técnico do Museu Nacional de Literatura e como professor universitário. Ganhou o prémio APE de Romance e Novela em 1984 com a obra 'Amadeo'. É considerado um dos mais importantes autores portugueses das últimas décadas. Embora se tenha dedicado à poesia, ao teatro e ao ensaio, é no romance que Mário Cláudio mais se tem destacado. Em 2004 foi agraciado com o Prémio Fernando Pessoa. Criou um heterónimo, o poeta Tiago Veiga, hipotético bisneto de Camilo, de quem publicou em 2011 uma extensa biografia. Vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2014, com a obra 'Retrato de Rapaz'. Grande Prémio de Romance e Novela, da APE, em 2019.
Livro demasiado intelectual. Palavras muito caras para mostrar erudição. Episódios em fugachos da vida de amadeo souza cardoso, entrecortada por uma ou duas não se percebe bem investigações da atualidade de pai e filho ou tio e sobrinho. essa "realidade" das investigações (sobre amadeo souza cardoso, e a história criada nessa investigação cruzam-se no livro de forma confusa.
Em 1984 o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB foi atribuído a "Amadeo" de Mário Cláudio. É um romance ininteligível, denso na linguagem e no sentido, que conta de forma resumida e pouco interessante a vida de Amadeo de Souza-Cardoso.
A prosa deste livro é, analogamente à pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, vitalmente imagética. Mario Claudio sem dúvida transpôs a concretude da vida de um homem para o âmbito poético, de maneira que cada frase, cada pausa e parágrafo constitui-se como um esforço muscular da linguagem na retratação da agitada vida de Amadeo, cuja memória é redimida neste romance.
Such a disappointment. Through all the baroque language and the pseudo-intellectual writing, one cannot feel the subject's personality once. And how interesting it should be a proper novel about Amadeo de Souza-Cardoso, such a genius painter! I hated this book.
Uma biografia inusitada, rebelde inconstante, retocada com nomes de obras reais do pintor/artista e ideias do próprio e do seu pai. Arquitetura, escultura e Arte, pintura e enfim homem, seus âmago.