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304 pages, Hardcover
First published January 1, 1932
Primeiro romance de Riichi Yokomitsu, Shanghai toma como inspiração a experiência da visita do autor à cidade de Xangai e como pano de fundo as greves e protestos que lá ocorreram em 1925 para construir um romance que visa retratar o caráter fragmentado e profundamente contraditório da experiência de uma cidade dividida pela violência da luta de classes e da colonização.
Por meio da utilização de técnicas modernistas — e considerando a filiação do autor ao neosensorialismo enquanto escola do modernismo japonês — o romance, ainda que privilegiando o ponto de vista japonês, capta a atmosfera contraditória da experiência de suas personagens. Funcionários de empresas e estabelecimentos japoneses na China, esses personagens são confrontados com as contradições do que viria a se consolidar como a ideologia da criação de uma esfera de coprosperidade da grande Ásia Oriental, que na verdade escondia a violência do imperialismo japonês — materializada na repressão política e na exploração econômica tanto dos trabalhadores japoneses quanto dos países colonizados pelo Japão — sob uma retórica de defesa contra o imperialismo ocidental e de defesa da Ásia Oriental.
A cidade de Xangai, cindida pela divisão política, econômica e territorial promovida pelos colonizadores (europeus, americanos e japoneses), é o cenário onde os projetos políticos e suas respectivas ideologias, tensionados ao limite em sua capacidade de oferecer respostas às diversas frações das burguesias (nacionais e internacionais) e do proletariado (nacional ou estrangeiro), deixam escapar o verdadeiro interesse de classe que representam, obrigando suas personagens a se posicionar em meio a um conflito iminente que terá em seu cerne a articulação entre a luta de classes e a questão nacional.