3,5*
A forma como a autora nos enreda nas várias camadas de um relacionamento estão muito bem descritas. Como tudo começa. Como tudo é e parece perfeito. Como começam a surgir situações de alerta mas que se desvalorizam porque podem ser por diversas causas e o amor... o amor prevalece. Como essas brechas evoluem para buracos muito grandes que, eventualmente engolem as pessoas envolvidas...
Temos a história de quatro amigos: Olívia, Joana, Simão e Dário.
Cada parzinho envolve-se na faculdade. Sendo o parzinho Olívia e Dário o que vamos acompanhar por toda a trama.
Joana, a amiga de Olívia perde-se no meio... mas atribuo às relações que todos temos de amizades que... também se perdem pelo meio...
Olívia segue a vida e sai do país, deixando Dário para trás e conhecendo a melhor amiga para a vida: Júlia.
Júlia, mais tarde, ao regressarem ambas a Portugal, apaixona-se por Simão.
Olívia, de volta aos braços de Dário...
No meio disto, há casamentos e no meio disto, temos partes do livro a terem lugar no passado e é aí, que vemos que duas raparigas estão desaparecidas... o livro segue outra linha de acção muito interessante.
Não sabemos nada sobre Dário, apenas o vamos conhecendo pela sua relação obssessiva com Olívia, como a isola, como a fragiliza, como a monopoliza até Olívia perceber que não está na relação que idealizou...
Temos então acesso ao passado de Dário.......
Criamos um pouco de empatia pelo mesmo mas, sinto que as explicações foram apressadas... mas, percebem-se os traumas...
A investigadora Noronha, apaixonada pelo trabalho, contra tudo e todos, faz realmente o seu trabalho. Aparecendo sem me fazer desconfiar de quem era e quando desconfiei, estava a autora a revelar quem era.
O impacto das revelações de quem somos... como nos questionamos, quando perdemos a noção da realidade, quando parece que estamos num nevoeiro que nos está a tapar a noção da realidade, como não temos noção de quem somos ou mesmo, do bem e do mal...
O fim, apesar de ser um excelente fim, um fim com emoção e que nos faz virar páginas... senti que foi apressado e pouco desenvolvido... mas será que é aí que entra... a distorção do leitor?
Cá estarei para o próximo policial de Liliana.
Liliana fez-me querer ler mais autores portugueses.
P.S. Adorei os sítios mencionados de Portugal.