Jump to ratings and reviews
Rate this book

O pobre de direita: A vingança dos bastardos

Rate this book
Jessé Souza não é um sociólogo que se esconde atrás de palavras difíceis. Seu trabalho, que ganha cada vez mais destaque na opinião pública, não apenas dá as linhas de uma teoria social inovadora como também investe em explicações para questões urgentes que são espelho da situação sociopolítica do Brasil.

É isso o que vemos neste O pobre de direita , um livro que põe no alvo um dos debates atuais mais acalorados. Afinal, o aumento do apoio popular à extrema direita é um fenômeno recente que, a partir de 2018, mudou completamente o panorama das corridas eleitorais no Brasil. No entanto, como explicar essa adesão repentina? Por que boa parcela das classes empobrecidas aderiu às pautas da extrema direita justamente no momento histórico em que houve uma melhora significativa das condições de vida? O que justifica o apoio dos mais pobres a políticos que retiram direitos e benefícios?

Para responder a essas questões, Jessé Souza se concentra em dois grupos – o branco pobre e o negro evangélico – como modelos desse engajamento. Ao ouvir diretamente as reclamações das pessoas de tais grupos, o sociólogo nos faz perceber, por exemplo, como as demandas racistas da maioria populacional branca da região Sul e do estado de São Paulo passam também a ser defendidas pela população racializada, que, muitas vezes, sofre forte influência dos segmentos evangélicos que apostam na dominação política. Por esse caminho, Jessé Souza propõe uma interpretação inédita e mais profunda do Brasil, na qual o novo arranjo conservador, que alimenta a extrema direita, se revela além das demandas econômicas ou da pauta dos costumes.

É por dentro dessa colcha de identificações, estratificações sociais, fervor religioso, diferenças regionais e imaginação política que o autor reflete sobre as principais causas da “vingança dos bastardos”. Assim, torna-se possível examinar, de fato, como pensam esses grupos sociais ressentidos que passaram a se organizar nas sombras da principal promessa da Constituição Cidadã – a construção de um Brasil democrático, justo e igualitário, sem discriminações e com garantias universais.

224 pages, Paperback

Published October 14, 2024

69 people are currently reading
346 people want to read

About the author

Jessé Souza

43 books130 followers
Jessé José Freire de Souza is a sociologist, university professor and Brazilian researcher who works in the areas of Social Theory, Brazilian Social Thought and theoretical / empirical studies on inequality and social classes in contemporary Brazil. He is the author of the books 'A Ralé Brasileira', A Radiografia do Golpe', 'A Elite do Atraso' and 'A Classe Média no Espelho'.

Graduated in Law from the University of Brasília (1981), he completed his Master's degree in Sociology from the same institution in 1986. In 1991, he obtained a PhD in Sociology from the Karl Ruprecht Universität Heidelberg (Germany), where he obtained free teaching and PhD in the same discipline at the Universität Flensburg in 2006. He also did postdoctoral studies in Sociology at the New School for Social Research, New York, (1994/1995).

From 2009, Souza undertook sociological research across the country to confront the thesis that a "new middle class" had emerged in the country. The result was the configuration of new nomenclature, namely, "ralé", "batalhadores", "classe média" and "elite", the latter two having privileges that the first two do not have.

He wrote and organized 22 books in Portuguese, English and German on political sociology, peripheral modernization theory, and inequality in contemporary Brazil. He is currently a full professor of political science at the Fluminense Federal University, in Niterói, Rio de Janeiro.

On April 2, 2015, he was appointed by the Presidency of the Republic to the position of president of the Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea (Institute of Applied Economic Research), formerly occupied by Sergei Suarez Dillon Soares, but resigned in 2016 shortly after Vice President Michel Temer temporarily took over presidency.

The importance of the scientific production of Jessé de Souza to different fields of study in Brazil, mainly to sociology, is important in the discussion of expensive subjects, both for the political, social, economic and cultural spheres, and for the academy that produces knowledge who aspire to disclose content not given to them.

He is currently writing articles for Carta Capital magazine.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
80 (35%)
4 stars
97 (42%)
3 stars
29 (12%)
2 stars
19 (8%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 37 reviews
Profile Image for Tauan Tinti.
199 reviews3 followers
May 1, 2025
Não é ruim ou totalmente equivocado nem nada - eu só esperava algo mais substancial do que a reiteração continuada do que eu já vi ele dizendo antes (Sérgio Buarque é do mal e Gilberto Freyre é do bem, eu fui o primeiro a falar direito sobre racismo no Brasil etc.). Também esperava mais das entrevistas, que acabam não iluminando nada que já não estivesse relativamente claro antes.
Profile Image for Leonardo Bianchi.
85 reviews1 follower
November 8, 2024
Jessé, mais uma vez, mostra lucidez e clareza na análise do problemas sociais brasileiros. Neste livro, o tema central é a votação em massa em Bolsonaro pelos eleitores brancos pobres e negros evangélicos, que ele alcunha de "ressentidos". Pessoas que, segundo o autor, tem comprometidas a sua autoconfiança e autoestima, pois são, especialmente no caso dos negros, humilhados diariamente pela pobreza, e expostos à falta de acesso à educação de qualidade, violência policial seletiva e condições degradantes de trabalho. Jessé lembra que "a necessidade primária dos seres humanos enquanto classe social não é angariar dinheiro e sim reconhecimento social e valoração da auto-estima".
No caso do brancos pobres, fica evidente o mecanismo do racismo, revestido de preconceito cultural contra os mestiços e negros nordestinos. Muitos se dizem italianos ou alemães, como um mecanismo de se aproximar do padrão europeu e se sentirem superiores aos demais. Há então uma "guerra entres os pobres", em que o branco sente-se superior aos negros e mestiços e, esses, superiores aos seus "irmãos de cor" paupérrimos. É a perpetuação do mecanismo do opressor.
A extrema direita soube canalizar a insatisfação dos oprimidos, especialmente através da religião, por meio de uma sensação de pertencimento. A difusão maciça de fake news, numa população pouco esclarecida, encontra terreno fértil. Os movimentos de rua, antes uma seara da esquerda, passam a ser dominados pela direita, na falsa bandeira do combate à corrupção.
O texto deste livro é recheado de entrevistas que ilustram bem as opniões e reforçam o argumento do autor.
Embora concorde com o autor que existe um pacto antipopular na elite e na classe média - lembremos os golpes de Estados quando se tentou um governo voltado para a melhoria de vida da população (Vargas, Jango, Dilma) - o autor generaliza excessivamente quando trata dos grandes meios de comunicação, colocando todos sob a pecha de vendidos aos interesses da elite.

Vale a leitura.
Profile Image for Raphael Donaire.
Author 2 books37 followers
February 13, 2025
Entender o que leva as pessoas a adotarem determinados comportamentos é um convite a entender de forma ampla a complexidade do ser humano. Em um mundo dividido, onde não é possível falar em polarização, já que não há conexões que unam os polos, o livro de Jessé é uma carta aberta ao ato de escutar um grupo de pessoas que, em suas diferentes vivências, foram humilhadas, rotuladas como "não gente" e enclausuradas em conceitos genéricos que não buscam compreender suas motivações, pensamentos e comportamentos. Como o autor destaca, as pessoas têm como razão última de sua ação social a dimensão moral, ou seja, a luta por reconhecimento social que garante autoconfiança. Sem isso, ninguém se levanta da cama para fazer qualquer coisa. Como seres influenciados pelas percepções da sociedade (o externo), somos construídos pela visão positiva e negativa do outro.

As unidades de análise do livro "O Pobre de Direita" são pessoas brancas pobres do Sul e de São Paulo e pessoas negras evangélicas, dois grupos que têm direcionado seu voto a candidatos da extrema direita do país nos últimos dois ciclos eleitorais presidenciais. Jessé relata que a confusão e desorientação no mundo social complexo, que é dos desadaptados, abrem espaço considerável para a manipulação das necessidades dos indivíduos. Com esse mote, o autor mergulha em uma jornada para compreender o que leva essas pessoas a se identificarem com políticos como Bolsonaro.

O livro começa traçando um paralelo entre as unidades de análise e o personagem Coringa. O elo entre os dois grupos é serem pessoas constantemente humilhadas, com baixa autoestima, que buscam na fantasia um refúgio para tornar a vida minimamente aceitável.

No segundo capítulo, Jessé faz uma conexão entre como os EUA influenciam o restante do globo, promovendo construções sociais como a do "self-made man". Ele detalha como o Estado interveio na dinâmica econômica e como os EUA construíram uma máquina propagandista que posicionou o país como um modelo a ser seguido por outras nações. Isso ajuda a entender por que algumas pessoas no Brasil idealizam o modo de vida estadunidense, acreditando que lá tudo funciona melhor, que o mérito é a base da sociedade e que não há corrupção nas dinâmicas políticas.

O terceiro capítulo de "O Pobre de Direita" explora o desenvolvimento da extrema direita no Brasil. Jessé Souza argumenta que as populações dos estados de São Paulo e do Sul, que se consideram herdeiras de uma sociedade de origem europeia, se veem como superiores ao restante do país. Esta percepção alimenta um racismo regional, transformando o preconceito que antes era marcado pela cor da pele em uma divisão geográfica, onde São Paulo e o Sul são vistos como regiões de progresso, enquanto o restante do país é estereotipado como pobre, carente de conhecimento e propenso a eleger políticos corruptos. Neste contexto, Jessé também discute como a mídia atua como um canal vital para que a elite perpetue discursos que defendem seus interesses. Ele desmistifica a noção de que a corrupção está limitada ao setor político, apontando para benefícios fiscais concedidos a grandes conglomerados empresariais através de isenções, muitas vezes ignorados pelo discurso público.

Os capítulos finais do livro apresentam análises e conclusões sobre as pessoas pobres brancas do Sul do país e as pessoas negras evangélicas. Sobre os brancos, Jessé conclui que o discurso de extrema direita se conecta com essas pessoas porque oferece o velho racismo, agora repaginado como uma luta política idealista e rebelde, aglutinando também todos os frustrados que culpam a vida e os outros por sua decadência e desgraça. Além disso, propicia excitação, participação política simulada e uma sensação de direção para esse grupo que havia perdido o rumo da vida. Esse grupo agora pode compreender o mundo social de uma maneira que lhe convém, trazendo uma certeza de sua superioridade moral sobre os outros, de modo a aplacar e mitigar seu sentimento de fracasso pessoal.

Sobre o negro evangélico, Jessé conclui que a religiosidade oferece uma boia de salvação a um grupo que, historicamente e sistemicamente, se encontra desamparado e abandonado. Como em nossa sociedade a honra é branca e a desonra é negra, então a pessoa negra que deseja ascender socialmente é levada a perceber que o único modo de isso acontecer é quando ela aceita se embranquecer, colocando-se ao lado do “bem” e da “virtude”. Como homem negro, me identifiquei bastante com a oposição que o autor apresenta no livro entre o pobre honesto e o pobre delinquente. Essa dicotomia, alimentada por uma busca de pertencimento, dificulta a solidariedade entre as pessoas que sofrem e permite a adesão subordinada de muitos oprimidos ao código das classes brancas e dominantes.

Sobre a escrita, às vezes a achei redundante, com repetições de argumentos e conclusões ao longo dos capítulos. A ausência de um esclarecimento sobre a metodologia de pesquisa também deixa a desejar, pois parece que o autor generaliza um grupo representativo da população brasileira a partir de um conjunto mínimo de entrevistas.

Independentemente dos pontos listados, recomendo a leitura. Acredito que é através de um olhar crítico sobre a sociedade brasileira e suas dinâmicas que seremos capazes de nos conectar com a realidade. É preciso abrir espaço ao diálogo para pensarmos em um futuro como sociedade, o que passa pela necessidade de conhecermos o outro, reconhecendo nele alguém que busca, acima de tudo, ser acolhido.
Profile Image for Lucas Duarte.
19 reviews
January 20, 2025
Meu Deus, como esse livro é NECESSÁRIO. Lembrei muito de Bacurau, que retrata um cenário geopolítico distópico de Brasil do Norte e Brasil do Sul. Lendo esse livro, consigo entender como isso é perfeitamente possível. E também fica gravado na minha cabeça o ponto de COMO A ESCRAVIDÃO DURA ATÉ HOJE NO BRASIL, porém em novas roupagens. A raiz dos nossos problemas é o racismo e começo a pensar que precisa ser feita uma revolução, antes de tudo, negra.
Profile Image for luana.
83 reviews1 follower
March 27, 2025
3.5 estrelas porque to conhecendo o autor agora e vou me aprofundar mais para escrever uma review sobre o estudo dele
Profile Image for Lidia.
81 reviews21 followers
November 10, 2025
Todo brasileiro deveria ler esse livro.
Profile Image for Nestor.
465 reviews
October 28, 2024
Uma excelente análise da realidade brasileira atual e porque é que líderes perturbados como Bolsonaro podem ganhar eleições.

Recomendo a leitura de The Big Myth: How American Business Taught Us to Loathe Government and Love the Free Market

Chico Buarque torna-se um inimigo público, devendo ser condenado pelos Crimes Lessa Humanidade pelo que o seu pai fez ao promover o racismo.

F. Rössler ou Marcelo nos EUA chamar-se-White Trash e viveriam num trailer. Na Argentina esses personagem chaman-se liberpajero ou gorila sem classe social. Por outro lado, noto que existem muitas semelhanças entre este tipo de personagens na Argentina e no Brasil... que a psicologia ou que frustrações os tornam tão parecidos, sendo países, tam diferentes em termos de raça, mas não em termos de racismo e desprezo pelos afros, indígenas ou mestiços. Nos EUA os Trumpistas os White Trash também são frustrados por gerações de queda de classe social, mas ainda não se chegam ao extremo de viver dos pais como no caso do Brasil e da Argentina.

O típico liberpajero/White Trash/Branco Pobre/Gorila sem classe social é um falhado, sem esperança, sem futuro, sem dinheiro e que canaliza a sua raiva através de insultos nas redes sociais. Isto garante duas coisas importantes para este indivíduo: compreender o mundo social da forma que lhe convém; a certeza da sua superioridade moral sobre os outros, para apaziguar e atenuar os seus sentimentos de fracasso pessoal. A melhor forma possível é bater-se com uma rolha, porque ser um libertario não resolve a realidade de que nada é e que nada será.

Esta mesma frustração é que leva a ultra-direita ao poder em todo o mundo. Felicito-o pela explicação do seu livro O pobre de direita: A vingança dos bastardos. O problema é que não surgiu nos meios de comunicação social qualquer forma alternativa de contrariar este discurso de extrema-direita... Talvez a próxima revolução francesa "Liberdade, igualdade, fraternidade" se torne uma realidade quando as religiões, que exaltam de um lado ou "dinheiro” e por outro lado, “deus judaico-cristo” que perturbam a mente das pessoas.

O mais surpreendente é que na Argentina os movimentos evangélicos também apoiam Milei, uma vez que não tem família, é conhecido por foder a irmã (ou a irmã fode com ele), até pratica zoofilia com cães e tem um grande desprezo pelas mulheres ao ponto de ser misógico.
Profile Image for Sofia.
1 review
Read
November 8, 2025
O livro de Jessé divide o grupo de "pobres de direita" em duas vertentes, que formariam os principais blocos de eleitores de Bolsonaro: o branco trabalhador precarizado do Sul e de São Paulo e os evangélicos. Aqui, como em outros textos seus, o autor defende, em linhas gerais, que existe um fenômeno único capaz de explicar as mazelas brasileiras e que media a luta por reconhecimento no campo social por aqui, e esse fenômeno é o racismo. Considerando a "originalidade" do racismo no pensamento de Jessé, seu potencial de racionalizar uma série de fatores sociais irracionais (o preconceito regional, por exemplo, é visto como irracional a não ser que se considere o racismo que o fundamenta), é importante perguntar o que o autor entende por racismo. Jessé é um idealista, e para ele o racismo é, antes de tudo, uma estrutura de pensamento que fundamenta e dá sentido a determinadas práticas sociais. Sendo assim, a base do racismo não seria "racial" (ou econômica, ou cultural), mas antes "espiritual." Qual seria a estrutura desse racismo espiritual? O "branco" (que não precisa ser, fenotipicamente, branco) representaria as virtudes espirituais da "cognição e inteligência; moralidade refletida e capacidade de elaboração estética" (p. 172), enquanto no polo oposto o "negro" (que não precisa ser, fenotipicamente, negro) pertenceria ao "reino da animalidade incontrolável das pulsões do sexo e da agressividade" (p. 172). Em outras palavras, no ideário racista, o branco equivale à mente e à civilização, o negro, ao corpo e à barbárie. O poder desse esquema explicativo está na sua capacidade de se associar facilmente a uma infinidade de exemplos concretos, como as imagens culturalmente arraigadas da "mulata", do "malandro", ou, se aumentarmos nosso escopo, as representações do judeu nas peças de propaganda nazista. O exemplo dos judeus, inclusive, ajuda a entender o idealismo de Jessé, que descreve o genocídio dos palestinos pelos israelenses como uma guerra racial de um grupo "vinculado aos povos do Norte" contra outro "vinculado aos povos do Sul" (p. 60). Essa identidade racial do judeu como branco, por óbvio, é coisa nova e bastante flexível, o que mostra a não-essencialidade das categorias raciais no pensamento de Jessé; sendo ideais, essas categorias podem ser ocupadas em tese por qualquer conteúdo material concreto.
Essa é uma boa explicação do racismo? Uma pergunta que me vinha, conforme o autor ia racionalizando uma série de fenômenos através do preconceito racial, era esta: o que racionaliza o racismo? Ou, simplesmente -- por que o racismo existe? Qual é a sua causa? Talvez fosse possível falar da constituição da sociedade brasileira através da escravidão, mas isso seria colocar a organização econômica antes da estrutura ideal que determina que negros são inferiores aos brancos, e que legitimaria, para Jessé, a própria escravidão (e que continua legitimando, aliás, a opressão da "ralé" que é culturalmente negra). A passagem mais elucidativa do texto diz que "o racismo é o mapa social mais ao alcance do leigo -- que precisa de uma explicação convincente para a hierarquia social, mas que não sabe como o mundo social complexo e confuso funciona. O racismo permite esclarecer todas as dúvidas e passa a presidir a visão de mundo dessas pessoas congnitivamente carentes de uma explicação razoável acerca de como o mundo social funciona. Além da 'necessidade teórica' de explicação para o funcionamento complexo da sociedade, temos aqui também o vínculo emocional, que é o que torna essas distinções irresistíveis para um público sedento por autoestima e distinção social positiva à custa de quem for" (p. 115). O racismo é a maneira mais simples de dar conta da complexidade do mundo moderno, de explicar e legitimar seu funcionamento, e o lugar de cada indivíduo que o habita. Isso não responde inteiramente a pergunta sobre a origem do racismo, mas talvez eu encontre uma resposta melhor em algum outro livro do Jessé sobre o assunto.
No sentido idealista que Jessé atribui a ele, o racismo realmente explica muito bem por que a massa branca do Sul e de São Paulo votou em Bolsonaro (ressentimento, necessidade de reconhecimento social a ser obtido às custas dos negros, dos nordestinos, dos LGBTs etc.). Na parte do livro dedicada a explicar por que os evangélicos elegeram Bolsonaro, entretanto, o argumento começa a apresentar alguns problemas, no meu ponto de vista. O neopentecostalismo (na interpretação de Jessé uma religião criada por um homem negro, praticada por negros, com uma espiritualidade "mágica" análoga à das religiões afrobrasileiras e meramente envernizada por certos conceitos cristãos que não tocam mais do que a superfície) seria uma frente de batalha negra e popular contra os próprios negros no Brasil (cuja expressão religiosa genuína seria o Candomblé), e isso explicaria por que os evangélicos votaram em massa a favor de Bolsonaro. Jessé chega ao ponto de dizer que "o neopentecostalismo é ideal para quem pretende 'embranquecer'". Eu me pergunto, sem conhecer profundamente o universo evangélico no Brasil, se praticar uma religião associada culturalmente à população negra e pobre ajuda alguém a embranquecer socialmente, isto é, a aproximar-se de um ideal de "brancura moral" que Jessé presume constitutivo do esquema de legitimação social no nosso país. A despeito da pregação contra religiões de matriz africana, imagino que poucos membros de igrejas evangélicas tenham realmente se confrontado algum dia em suas vidas com a escolha de praticar o Candomblé, dado o número pequeno de praticantes dessa religião no Brasil (em sua maioria brancos), ou de entrar para a Universal. Um esquema explicativo quase freudiano do "retorno do reprimido" ou do "narcisismo das pequenas diferenças" que aponta para as semelhanças entre a religiosidade afrobrasileira e os cultos neopentecostais é gracioso como retórica ensaística, mas parece perder de vista inclusive o potencial racismo que informa o preconceito da classe média educada contra os evangélicos (preconceito que Jessé compartilha, e que faria sentido segundo a sua noção de racismo cultural).
O estilo do Jessé tende a ser provocativo e didático. Quando ele acerta, ele acerta nas linhas gerais. O custo é uma simplificação generalizada dos próprios conceitos que informam seu pensamento, principalmente (e ironicamente) do racismo.
Profile Image for Marcus Lira.
95 reviews37 followers
January 11, 2026
A parte boa do livro são as entrevistas. É uma realidade que me é familiar, na qual eu vivo, e que faria de mim parte do público alvo. Mas, a metodologia de como os entrevistados foram escolhidos e qual foi o recorte feito, dentre outros pontos, não ficou muito clara. Terminei o livro sem encontrar se o objetivo era representatividade, se são casos-tipo e qual foi o critério de tipicidade. Só que são brancos pobres (se a Kühn nos sulistas contava como exceção, não sei) ou evangélicos negros. Se um livro diz ter uma base científica, mesmo que seja feita para o grande público, não seria uma má ideia trazer essas informaçõs para ver qual caminho ele percorreu.

Aliás, a falta de dados (além das entrevistas já mencionadas) para corroborar os argumentos não seria um pecado tão grande quanto o tom do autor ao fazer a revisão bibliográfica como se fosse apenas um ensaio voltado apenas a quem já concorda com ele. O problema é que, não só ele faz afirmações de vários tipos (que vão da Globo, numa versão espelhada do que um dos entrevistados disse sobre o Bolsonaro, ao sistema de castas da Índia) sem dar uma fundamentação empírica do porquê, como ele parte do pressuposto de que o que ele está dizendo já foi comprovado só com base na menção. E, como ele usa um vocabulário muito duro contra praticamente tudo e todos, as hipóteses que ele oferecem parecem ser as únicas válidas sem um trabalho mais cuidadoso.

Quando ele critica o conceito de "homem cordial" do Sérgio Buarque de Holanda, a ferocidade da crítica é inversamente proporcional à profundidade com a qual ele busca explicar o porquê de o conceito ter transformado o "racismo racial" em "racismo cultural". Se ele explorou essa hipótese mais a fundo anteriormente, eu gostaria de entender melhor como ele fez esse caminho, ainda que seja plausível e possivelmente em consonância com os trabalhos anteriores do autor. No livro, ele pulou muito rápido da acusação (em um tom pouco respeitoso) à conclusão de "e foi assim", tendo que aceitar uma ideia complexa sem acompanhar etapa por etapa desde o ponto de partida.

Por exemplo, o autor fala que as elites "sempre" apoiam um golpe de estado contra um líder popular, ele pode até estar operando com um modelo ideal de como uma elite reagiria a um líder popular. Mas, o que ele chama de golpe de estado, e quais são os líderes populares? O que comprovou ou contrariaria essa hipótese? Se impeachment for golpe de estado, para defender o que aconteceu com a Dilma, o que difere do impeachment do Collor? Se as elites paulistas só se mobilizam contra líderes populares, como explicar então o que aconteceu no impeachment do Collor? Aliás, como ele explicaria o fato que o Rio Grande do Sul votou no Lula naquela primeira eleição?

Talvez ele tenha dado essas explicações anteriormente. Talvez ele tenha mais dados para fundamentar essas (e outras) afirmações que ele faz ao longo do livro. Mas, ele parece pegar um padrão dos últimos 10~20 anos para dizer que sempre foi assim. Se fosse com base em uma justificativa longitudinal mais cuidadosa, ou se tivesse uma comparação mais detalhada com outros tempos, tudo bem, mas é um salto muito grande tirar as conclusões que o autor tira com base no pós-2013.

No fim, apesar das intenções e de alguns pontos interessantes, o livro me foi mais frustrante do que esclarecedor.
Profile Image for EDUARDO PONCE.
52 reviews
February 11, 2025
El fenómeno del péndulo ideológico en Latinoamérica cae en que los mas pobres (clase trabajadora precarizada) se pongan del lado que mas los oprime , ultraderecha , tiene a explicarse a que en un mundo tan rapido todos primero buscan resultados inmediatos, por lo tanto si

culpa propia
verguenza de su condicion
precarizacion economica
preacarizacion cultural
Sindrome de Joker
Filantropía como arma ideologica
Polarización instigada por fake news o camaras de eco

En resumen el proceso de desarrollo del pobre de derecha viene previo al neoliberalismo, cuando esté se instaura, esos pobres de derecha se creen el discurso meritocratico, lo cual genera si sesgo aspiracionista, y sin ser parte de los planes de los grandes capitales, el pobre de derecha se alimenta de migajas que los grandes capitales desechan, y como se va generalizando la desaparición del estado de bienestar, y al observar que las clases bajas no crecen , observan su pauperrimos logros como grandes justificando en una camara de eco el discurso meritocratico de los neoliberales que continúan con un plan de saqueo a largo plazo, y en algún momento alguna burbuja financiera revienta hace crecer el descontento de las clases bajas que son la mayoría y que cada vez crecen más, buscando un cambio gana un movimiento de izquierda, que hace que los pobres de derecha que es ahora esa clase media tendiente a la pobreza por los saqueos sistemáticos neoliberales, se sienten atacados, sin saber que lo eran desde muchos años atrás; tristemente los pobres de derecha no se informan solo repiten lo que los medios hegemónicos proyectan como plan propio de neoliberales y/o dueños de los grandes capitales; y como el discurso meritocratico los ha hecho ciegos a los intereses de las mayorías solo tienden atacar a todo aquel que cuestionen los métodos y la rapaz historia que los oligarcas, neoliberales y dueños de grandes capitales ; por lo tanto se vuelen enemigos de sus hermanos sin entender que están mas cerca de ser clase baja que se clase alta,

Blanqueamiento de Sau Paulo/ Europeizacion dejo sus de Brasil por blancos europeos

Racismo cordial amalgama para justificar Status Quo para el exterior, y un Racismo explícito , la religión como agente de control, desafortunadamente en la actualidad lejos de lo que podríamos pensar por los avances en todos los campos del saber humano, las religiones han tomado mayor relevancia en nuestra sociedad siendo la bandera de los desprotegidos, los menos afortunados, muchas de esas corrientes religiosas creadas en Estados Unidos, buscan posicionarse como estandarte moral, para así justificar desde el Racismo soft hasta una nueva moralidad basada en supremacía racial/ religiosa y por ende moral
This entire review has been hidden because of spoilers.
6 reviews
March 16, 2025
Sinceramente esta foi a melhor leitura até o momento- penso ser difícil superá-la. Apesar de o rótulo "esquerdista " poder afastar ou até aproximar leitores mais ingênuos ( tendo eu talvez pertencido ao segundo grupo), a obra não se trata de uma riducularização do eleitor de direita, embora o título possa insinuar isso. Na verdade, diria que o livro é uma pesquisa a qual visa desmistificar a figura do "pobre de direita", na medida em que explica por meio de dados, entrevistas e argumentos coerentes o voto de parte da população em um candidato o qual não as representa- diferentemente de como elas enxergam. E aí está o cerne: entender tal grupo, suas angústias, fraquezas e contradições, grupo este divido pelo autor entre o "branco pobre do Sul e de São Paulo" bem como o "negro evangélico". Assim, o escritor desenvolve seu raciocínio com tamanha coerência e maestria, de modo a esclarecer gradativamente como toda essa questão relaciona-se ao racismo persistente em nosso país. Admito que de início pensei ser uma tese fraca e sem sentido (talvez por meu marcador social de branquitude), contudo Jessé Souza mostrou-me meu
erro e ignorância... Como ele fez isso? Apenas ao se deleitar nesta leitura pode-se descobrir.

OBS.:identifiquei apenas uma incongruência com um dado de uma ONG sobre a pobreza estadunidense se comparado aos dados de outros veículos de mídia, não achei nada no site da organização e credito a diferença por critérios distintos adotados nas pesquisas; nada que desminta o conteúdo da obra.
Profile Image for Lucie Vandecandelaère.
Author 1 book
January 7, 2026
Olha, achei o livro extremamente educativo e interessante. Óbvio, que o autor sabe do que tá falando, estudou o assunto por muitos anos, e é do bom lado da humanidade (isso sendo não neutro mas eu não sou de neutralidade, que é só covardia na minha opinião).
Eu aprendi muito sobre a lógica (por falta de uma palavra melhor que usar, porque lógica não tem) da direita, que claro é baseada no egoísmo e na falta de educação. Achei interessante também de ter a possibilidade, porque sou francesa, de comparar na minha mente com a direita pobre da França - e, por informação, são os exatos mesmos “argumentos” besteiros, tipo “os gays são contra a natureza” ou “devemos tirar a bolsa família que tá fazendo a gente ser preguiçosa”. Sabe quem é contra natureza e preguiçoso ? Cada bilionário.
Mas porque não podem atacar essas pessoas, sendo nem sabendo que são a origem do sofrimento deles, os pobres da direita, enraivados e poucos educados, pra quem os ricos ensinaram que preto = ruim, vão então, por falta de coragem, puxar a culpa em quem é ainda menos privilegiados do que eles mesmo. Mentalidade de escola, hein.
Enfim, achei o livro extremamente necessário. Só, único problema, também achei bem complicado, e não só porque sou gringa; infelizmente, porque acho que tudo mundo deveria ler esse livro e as conclusões que só podem chegar dessa leitura, também acho ruim que não seja acessível pelas mesmas pessoas pouco educadas que precisam ler ele. Quem vai ler, já tem noção; agora, qual o ponto?
Profile Image for alice.
2 reviews
October 10, 2025
o jesse souza tem esse quê de sociologia moralista. critica o maniqueísmo mas se utiliza desse mesmo artefato para julgar e estigmatizar classes sociais mais desfavorecidas. o governo, em vez de reconhecer sua derrota nessas classes, simplesmente tenta apropriar-se da narrativa moral sobre a pobreza, promovendo a ideia de que existe um "pobre de direita", um conceito que surge em resposta ao apoio popular à extrema direita durante o golpe. acredito que enquadrar essa parcela da população simplesmente em “pobre de direita” em uma categoria cientifica explicita falha miseravelmente em abordar a complexidade da realidade social e politica do brasil. esse discurso moral simplista que percorre todo o livro não leva em consideração a realidade das classes trabalhadoras, que muitas vezes não se identificam com as políticas do governo atual. essa narrativa que ele usa de que a pobreza é uma condição moral degenerada é totalmente infundada, especialmente se considerar a diversidade das estruturas familiares e a história da escravidão no próprio país. fora as entrevistas enviesadas e extremamente especificas para provar o ponto dele, onde ele escolhe menos de 10 pessoas para identificar correlação entre extrema direita e população pobre.
Profile Image for Erick Corimanya.
Author 7 books1 follower
December 13, 2025
O pobre de direita es un libro impactante y profundamente esclarecedor. Me ayudó a entender de manera mucho más clara el contexto político brasileño y, sobre todo, por qué una parte importante de la población de bajos ingresos termina apoyando opciones políticas de derecha en Brasil.

Jessé Souza ofrece un análisis agudo y accesible que va más allá de los estereotipos y explicaciones simplistas. El autor muestra cómo factores culturales, simbólicos y estructurales influyen en las decisiones políticas, desmontando prejuicios tanto de la derecha como de la izquierda. El resultado es una lectura incómoda, pero necesaria.

El libro no moraliza ni subestima al lector; al contrario, invita a reflexionar con profundidad sobre desigualdad, identidad y poder en la sociedad brasileña. Es una obra clave para quien quiera comprender Brasil desde adentro y no solo a través del discurso mediático.

Altamente recomendable y muy revelador.
Profile Image for Oscar.
41 reviews
December 22, 2024
A elite do atraso e o pobre de direita são diretamente complementares um ao outro e não apenas em termos de direitos Brás literárias mas em vida e em fato. O fenômeno do Bolsonarismo e de seu ápice com o clamor do grande apoio popular direcionado pela elite racista. Jesse explica como esse apoio se tornou possível e detalha como esse movimento que mudou a corrida eleitoral de 2018 fazendo o povo humilde aderir a pautas de extrema direita. O livro é explicito e muitas vezes dá um asno e uma ânsia de vômito em ler entrevistas extremistas de pessoas que beiram o nazismo e que se pudessem trancariam hoje todos os nordestinos, homossexuais e mulheres numa jaula e jogariam a chave fora. Foi duro mas foi maravilhoso abrir ainda mais os olhos para todos os fatos que já eram claro e agora se tornam ainda mais
Profile Image for Marcelo Costa.
128 reviews2 followers
December 25, 2024
Jésse, mais uma vez, com muita propriedade de conhecimento e referência, me fez conhecer mais um lado de uma categoria de pessoas que foram tomadas pelo obscurantismo e violências simbólicas e físicas causadas pelo avanço de uma corrente política que causou e ainda causa estragos na mente da população: o bolsonarismo. Sou um leitor admirador do sociólogo, pois ele consegue fazer relação com teorias e pesquisas empíricas para compreender as motivações de pessoas em apoiarem ideais reacionários e danosos para um equilíbrio de progresso social.
Profile Image for Guiller_92.
7 reviews1 follower
January 14, 2025
Excelente ensayo en el sociólogo brasileño Jessé Souza, analiza los porqués del apoyo de una parte sustancial de las clases trabajadoras brasileñas a un fascista como Bolsonaro.

Las creencias, la moral y un racismo enraizado que está en la base fundacional de Brasil, configuran las bases emocionales y psicológicas del apoyo de amplios sectores populares a alguien que realiza políticas contrarias a sus intereses materiales.

Altamente recomendable, ya que ayuda explicar aspectos del comportamiento electoral para los que el marxismo teórico no siempre tiene la respuesta.
Profile Image for Ricardo Urresti.
212 reviews3 followers
March 2, 2025
O autor traz uma importante reflexão sobre o porquê pobres e remediados brasileiros, apesar de serem negativamente afetados pelas iniciativas da direita, ainda assim se identificam e votam com a direita. Também destaca o racismo cultural brasileiro, e como pobres e remediados pretos acabam por ecoar as mesmas falácias das elites brancas sobre o preto bandido, os LGBTQUA+ e tudo que em tese afeta a família "norma"l brasileira. Importante destacar que o Jessé explora o problema de como os pobres e remediados são usados, não importando o abuso vir da esquerda, da direita ou da igreja.
Profile Image for Marina Rz.
23 reviews1 follower
February 15, 2025
Cadelinha de Jesse Souza? Sim. Que generosa explicação sobre o pobre remediado e sua aproximação com a extrema direita, sem cair no discurso elitista que, mais uma vez, lhes rouba a autonomia. E que retrato poderoso do racismo brasileiro, mostrando como ele, de forma cínica, nos faz interpretar a expropriação e os privilégios das elites como mérito, enquanto a existência da ralé é vista como essencialmente criminosa.
4 reviews
January 10, 2025
Com uma perspectiva de classe social que vai além do economicismo de uma divisão em faixas de renda, Jessé fornece insights interessantes para explicar e compreender um grande contra-senso. Como uma massa tão grande de pessoas que, racionalmente, teriam todos os motivos para rechaçar a extrema direita, se sentem tão conectadas a ela?
Profile Image for Lucas Millan.
147 reviews9 followers
August 9, 2025
As bases e argumentos são coerentes e as entrevistas os ilustram e reforçam bem. Porém, esperava um aprofundamento maior nas contradições e uma estruturação do processo analítico que tirasse a sensação de a conclusão ter pautado essencialmente os argumentos, e não o contrário. Minha decepção não é tanto se conteúdo, mas sim de forma.
Profile Image for Luiza.
8 reviews2 followers
April 2, 2025
Leitura necessária para se entender o Brasil atualmente! Jessé sempre lúcido e certeiro em suas análises sobre a sociedade brasileira agora joga luz aos porquês de uma parcela da sociedade estar aderindo à extrema direita. Excelente.
Profile Image for Ramon Bhaskara.
4 reviews1 follower
September 9, 2025
As críticas e a ideia de que a valorização social é a necessidade humana básica são pontos muito bons! O uso de psicanálise, de relato pessoal como ciência e de entrevista como "pesquisa empírica" são pontos muito ruins!
Profile Image for Leozineo.
21 reviews
October 16, 2025
Honestamente? Perda de tempo. O livro não apresenta nada de muito novo e tem uma argumentação muito fraca. Eu poderia recomendar para um iniciante na política, mas para piorar na primeira parte ele reforça a fake news da Auditoria Cidadã da Dívida.
8 reviews
November 25, 2025
Ele traz uma perspectiva ligada aos afetos que é interessante, mas também um pouco reducionista. Além disso, o livro repete muitas vezes as mesmas informações, o que acaba deixando a leitura um pouco maçante. Dito isso, no geral, vale a pena!
12 reviews
February 16, 2025
um livro que não tem linguagem acessível - parece que o autor está dialogando com um nicho muito específico da esquerda. duas estrelas devido as entrevistas, que foram bem interessantes.
Displaying 1 - 30 of 37 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.