Pianista num clube tangueiro, no Porto, João vive com o dinheiro contado, afogando a miséria e as frustrações na bebida. A sombra do seu pai, alcoólico, que sempre desdenhou o seu percurso como músico, atormenta-o, castrando o seu esforço em seguir outros caminhos.
Uma mudança de emprego e de país parece ser a solução para todos os desaires na vida de João. O músico voa para a Argentina onde cruza o seu percurso com uma família cujo passado assombra cada noite passada na casa senhorial da hacienda que pertencera ao pai Romero, e vê-se envolvido numa estranha teia que o leva a revelar o pior de si.
A casa, sóbria e aterradora, esconde o sofrimento e o terror ali sentido há muitos anos, sendo colo mas também libertação, calmaria e revolta; sempre ao som do piano, com milongas e contra milongas a espalhar mais trevas sobre quem ali se atreve a entrar.
Muito bem escrito, o enredo prendeu-me, gostei da escrita ser feita no presente e no passado. O meu problema com o livro não foi nenhum, tem tudo de bom e é um excelente terror psicológico. Contudo, eu não me sinto bem a ler livros de terror, não são a minha zona de conforto. Este livro é um excelente livro para os fãs do gênero. Confesso que não ia dar as 5 estrelas porque a meu ver a leitura tem que me deixar bem, fazer sentir bem e este livro deixou-me ansiosa, porque mais uma vez não é o tipo de livros 📚 que eu leio. No entanto, o problema é meu, não do livro. A escrita da Raquel é muito boa, houve momentos em que eu me esqueci que não estava dentro daquela casa e absorvi tudo que ela quis fazer comigo como leitora. O final ainda me deixou mais angustiada. Recomendo vivamente, para quem gosta do gênero. Lembrem-se que faz bem sair da zona de conforto.
Uma grande história, sobre música, vida, morte e fantasmas, na qual nos apercebemos que os maiores fantasmas são os que temos conosco. Mal posso esperar pelo próximo trabalho da Raquel. Aconselho vivamente!
✨ Primeiro livro da autora. Raquel Fontão, quero mais. Confesso que o li numa tarde pois não consegui largar. É um livro de terror não tão convencional. Os livros de terror não têm que ser todos com descrições grotescas e de suster a respiraca6o. Este é daqueles livros que trás à tona fantasmas, dor, temor, algo que se sente nas profundezas do ser. ✨ Uma escrita fluída, um enredo que vai fazendo crescer em nós um medo exponencial. Sentimos que algo não bate certo e que a qualquer momento vamos entrar numa espiral descendente. ✨ E este título Será de Madrugada, carregado de tanto simbolismo, para descobrirem vão ter que ler, mesmo até ao finzinho!...
O que interessa em qualquer livro, é a estória. Mas, se entre o escritor e o leitor existir uma tentativa de "olha como eu escrevo bem", então perdemo-nos em estrofes inteiras, que se prolongam por páginas vomitadas de palavras tão caras e floreadas, que correm o risco de sofrer com o seu próprio ecossistema, e, quem sabe, estejam até coletadas nas finanças. E antes do final do primeiro capitulo, já desisti, e vou noutro livro.
No entanto, este não é esse livro. Aqui temos o exemplo de como se escreve uma estória clássica de assombração, escrita de uma maneira simples e eficiente que nos mantem interessados no desenvolvimento da mesma, ainda que previsível e sem surpreender. No entanto, esta ultima parte será a minha opinião; depois de centenas de estórias de entidades, assombrações e afins, desde contos, a livros e filmes.
O que posso mais me surpreendeu, foi a técnica de narração usada para o flashback. Bravo.
Para qualquer fã de terror, a procura nunca acaba, e é sempre complicado sermos surpreendidos. Mas é sempre fantástico lermos um livro onde se consegue encontrar algo diferente ou, no mínimo, aprendermos algo. Que foi o caso.
Bem vindos ao gótico, enamorado da música e enlaçado em camadas de vingança secular. À vertigem do álcool, à possessão, e à decadência orgânica enlaçada na fatalidade daquilo que jamais suporta a sua própria natureza. A história da Raquel leva-nos à casa assombrada gótica, ao móbil da vingança e do desgosto que gera lugares maus, os quais, por sua vez, contaminam tudo aquilo que os habita. A autora não tem muita piedade das suas personagens, e recorda-nos constantemente que um leopardo não perde as suas pintas. Para o melhor e, infelizmente, mais ainda para o pior. O início desta história não nos dá muitas pistas, e ainda bem, sobre o que se irá seguir, mas rapidamente estamos num cenário gótico, pesado, muito característico, onde a vingança e a tristeza imortal surgem como dominadoras numa narrativa onde o amor deveria reinar, mas, para bem da história, nunca o consegue. A Raquel finca os dentes no leitor, e leva-o pela espiral de perda e violência, da qual, na verdade, nos avisa desde o primeiro parágrafo, mas no qual, assim como os personagens, teimamos e não ir acreditando. Numa linguagem pungente, mas ágil, a autora leva-nos a algo que, eu pessoalmente, sempre gostei, ou seja a história de recortes góticos sobre uma casa que a todos toca e, sem spoilers, talvez leve sempre a melhor. Nascimentos e mortes em eterno retorno, será que a "hacienda" nos deixará mais história futura? Não sabemos, e ainda bem. Aguardo com expectativa o novo olhar impiedoso da Raquel. Acho que levaremos uma pancada ainda mais forte e melhor. Para já, recomendo muito esta história gótica, com um toque nostálgico que, a mim especialmente, cai "no goto".
Há livros de terror que nos assustam pelo que mostram. Será de Madrugada assusta, sobretudo, pelo que escolhe não explicar. Para mim foi exatamente isso que o tornou tão marcante: um terror aparentemente simples, direto, mas que por baixo esconde uma teia emocional e psicológica muito mais complexa. 💃
João é pianista, um homem cansado de falhar, habituado a viver à sombra da desilusão e à procura da primeira oportunidade de “dinheiro fácil”. É essa necessidade, quase desesperada, que o leva da noite húmida do Porto para uma hacienda isolada na Argentina. 🎹
E é aí que tudo descarrila: longe de casa, num cenário que parece feito para acolher fantasmas, João vê-se no centro de uma verdadeira caça ao espectro — não só o fantasma da casa, mas também os fantasmas da própria culpa, da vergonha e do passado que ele tenta enterrar.🤰💀
Um terror gótico e psicológico com capitulos curtos, que recomendo a quem gosta de finais ambíguos, casas malditas e personagens falhadas que nos espelham os nossos próprios medos!🍷🫗
📍Enredo: 💉💉💉💉💉/5 📍Fluidez a ler: 💉💉💉💉💉/5 📍Complexidade dos personagens: 💉💉💉💉💉/5 📌Nota Final: 💉💉💉💉💉/ 5
Que livro maravilhoso! Sentei-me para começar uma nova leitura e quando me apercebi tinha terminado. Um livro que é um page turner autêntico, impossível de parar de ler.
A escrita da Raquel é esplendida. Fiquei encantada desde do primeiro capítulo. Bonita, poética e parece que nos toca na alma.
O plot é super interessante. Adorei a abordagem da bruxaria e dos fantasmas. Queria sempre saber o que ia acontecer a seguir.
As personagens foram muito bem escritas e desenvolvidas. Facilmente se cria empatia por elas, todas as personagens são diferentes mas essenciais para a história.
Dito isto, recomendo este livro, principalmente nesta época, é um livro perfeito para o outono.
"Será de madrugada" é o romance de estreia da autora Raquel Fontão, uma autora portuguesa que se aventurou no género do terror psicológico. A narrativa deste livro centra-se no João, uma personagem que será essencial na história, ele é pianista e vive no Porto, enfrentando dificuldades financeiras, aceita uma proposta de trabalho na Argentina e parte em busca de uma vida melhor. Esta obra distingue-se pela forma como a autora entrelaça a paixão pela música com a narrativa, tornando-a uma parte fundamental no desenvolvimento da história e criando uma atmosfera extremamente envolvente para o leitor. A autora explora temas como o luto, a vingança, a maternidade, os vícios e o amor, utilizando a casa assombrada não só como cenário, mas também como uma personagem isolada, algo que podemos encontrar em alguns livros. Para ser sincera, quando comecei a ler este livro não imaginava tudo o que iria acontecer, até porque começa com uma narrativa lenta e mais descritiva e só passadas algumas páginas é que começamos a ver sinais daquilo que realmente é a obra. Um dos aspetos que mais aprecio nos livros deste género é a capacidade dos autores transmitirem esse terror psicológico para o leitor, fazendo-o duvidar de tudo o que está ao seu redor e isso aconteceu comigo algumas vezes, talvez até seja o motivo pelo qual não leio estes livros à noite, não queria perder o sono, porque realmente é assustador. A verdade é que adorei a história, a escrita da autora, todo o enredo que ela criou e a capacidade extraordinária de envolver o leitor e de nos fazer ler sem parar.
Acompanhamos João, um artista, pianista que toca num bar de tango com mais um amigo, o Zé, na zona do Porto. João vive uma vida sem dinheiro, a afogar as mágoas no álcool, sem condições nenhumas que mora numa "barraca" repleta de humidade, escura. Até receber uma proposta de trabalho na Argentina, que aceitou sem pensar duas vezes, onde conhecemos a Família Romero, uma família deveras bizarra, que não nos vai sair da cabeça tão cedo. Mas é aí que tudo muda... Ou será que não? . Com uma narrativa desenvolvida entre passado e presente, vamos acompanhando uma história muito bem construída, com palavras que apesar de estarem em papel, pareceram melodiosas, música para os meus ouvidos. E nota-se tão bem o contributo dessa mesma música para um terror descrito como poucos. . Um ambiente que sufoca, sentimos a escuridão à medida que vamos passando as páginas. Um gótico muito bem lapidado, que nos faz lembrar os primórdios. Uma escrita viciante, requintada, fluida e muito cinematográfica que nos deixa presos desde o início, mal entramos de cabeça nesta magnífica história. Parece que a estamos a vivenciar em primeira pessoa. . Somos presos dentro da história e não queremos sair. Queremos sempre saber mais e mais. Parece que somos agarrados numa teia de acontecimentos que não conseguimos sair. Um terror psicológico e sobrenatural que é sem dúvida de cortar a respiração, damos por nós a ler num ritmo frenético. Sem pontas soltas, tão objetivo mas ao mesmo tempo tão bem explicado. Ficamos numa "dúvida positiva", juntamente com o personagem principal, do que é real e o que é ilusão. . Escrito para quem ama terror e para quem ainda o quer descobrir, é um livro que recomendo a todos. É uma amostra que nem sempre é preciso sangue ou do mais violento que existe, para assustar. Dei por mim a arrepiar-me com coisas tão simples, só pela forma que estão descritas. Na minha ótica, uma obra única. E aquele final? De meter os cabelos em pé e de explodir cabeças.
Para quem gosta de terror, contexto geográfico sul americano e música, vão adorar! Para quem é sul americano, ler um livro de terror com expressões em espanhol, além de nos fazer voltar às origens, foi a cereja em cima do bolo! Gostei tanto que até o li numa manhã (2,5h). Com um escrita que prende o leitor desde o 1º ao último capítulo, com especial destaque nestes dois, esta narrativa começa logo de uma forma muito intensa e tem um final surpreendente. O músico da nossa história (João) decide emigrar, à procura de uma vida melhor na música e satisfação pessoal. Contudo, esta viagem tem consequências irreversíveis, pois a Família Romero e a sua Hacienda são “especiais”...
Um livro que é como uma partitura (ou não fosse a autora professora de música e a personagem principal um pianista) e transforma o leitor no instrumento que o vai tocando, ora com a beleza de alguns trechos, ora com a dissonância da inquietação de outros momentos.
Imprescindível para os amantes do terror em português.
Será de Madrugada é um livro de terror psicológico intenso, onde os fantasmas não são apenas espíritos, mas também os traumas que nos assombram.
Raquel Fontao constrói uma atmosfera densa e perturbadora, com personagens quebradas e uma narrativa que pesa como as notas de um piano desafinado. Uma leitura inquietante e imperdível!
Primeiro livro que li da autora e foi uma agradável surpresa! A escrita é fluída, a narrativa é feita entre o passado e o presente e ficámos presos à história e à casa Romero. Um terror que não precisa de sangue e cenas gráficas para nos assustar.
Escrita maravilhosa e muito assustador 😧 O João foi escolhido a dedo para o ‘papel’ e adorei a Clara ! A Virgínia surpreendeu-me muito ! Adorei a vibe da casa e os flashbacks deram a ponta toda ao livro.