A voz que ninguém escutou é a de Maria que decide fugir da miséria e violência levando dois filhos para a capital na esperança do tão desejado emprego. É a voz de Inácio, um menino sequestrado e escravizado por um fazendeiro inescrupuloso, em busca de uma família para si. É a voz de Inês, a filha da empregada doméstica que sobrevive nos fundos da mansão de um poderoso banqueiro vivenciando cotidianamente as diferenças de classe, sonhando com um Brasil mais justo. É a voz de Vânia uma jornalista que acaba de assistir à tragédia de sua mãe e após uma grande revelação tenta reconstruir sua história ao mesmo tempo em que encontra novas formas de amar. É a voz deste que escreve estas palavras. É a voz de um país que esqueceu de lembrar do passado.
Renan Silva é professor, roteirista, poeta e pós-graduado em Escrita Criativa. A voz que ninguém escutou é seu primeiro romance, ganhando o prêmio Kindle de literatura 2023.
A ideia geral da trama e a ambientação durante a ditadura militar no Brasil são ótimas, sim. Mas a execução não me atraiu. A história me pareceu um longo relato jornalístico, bem resumido. Não senti emoção nos momentos que supostamente eu deveria ter sentido, sejam eles momentos tristes ou momentos felizes. Há inclusive cenas românticas que me pareceram muito artificiais. Talvez porque a narração seja em terceira pessoa com um narrador onisciente? Talvez.
De qualquer forma, fica aí o registro da leitura, que pode sim agradar muitas pessoas, conforme diversas opiniões que li online.
É um bom livro, a leitura flui bem e eu gostei bastante de como a questão de uma família retirante é tratada. A revelação familiar me chocou bastante e ainda não sei como me sinto a respeito disso – acho que por isso a nota não foi melhor. Algumas coisas pequenas me incomodaram, mas acho que a literatura também tem isso de incomodar. É um livro muito bem escrito, mas acho que faltou alguma coisa para mim. Gostei que há bastante diversidade, especialmente em como os afetos se desenvolvem, a questão de amor livre etc. Mas é um livro que recomendaria outras pessoas a lerem, rende muito debate e tem uma representação histórica muito fidedigna.
Esse foi o quinquagésimo livro que eu li nesse ano, e mesmo tendo lido 49 livros antes dele, foi uma das melhores leituras que fiz esse ano.
Ele começa com uma mãe deixando sua cidade do nordeste, em 1945, e indo em direção do Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor. Um começo comum pra quem gosta de literatura, e você já encontra semelhanças com Graciliano Ramos ou Rachel de Queiroz. Mas é aí que tudo muda.
Primeiro, o autor, Renan Silva, é historiador, então ele sempre dá o panorama histórico do que está acontecendo. A mãe, como todos, escuta Getulio Vargas na Hora do Brasil no Rádio todos os dias, escuta as promessas de um trabalho com carteira assinada, e vai atrás disso.
Porém, na viagem... Seu filho mais velho, ainda uma criança, é vendida pelo motorista do pau de arara para um fazendeiro, e a família se separa. A partir de então, a história se divide em duas. De um lado, você tem a mãe com a filha trabalhando para um banqueiro no Rio de Janeiro, o que possibilita a filha a estudar. Entrar na universidade. Ficar amiga do filho do banqueiro.
Enquanto isso, o filho trabalha na colheita, se torna jagunço, foge da fazenda... E, enquanto JK assume a presidência, vai para Brasília, ou o que se tornará Brasília, a cidade que ele ajudará a construir.
Ele se torna policial, aprende a perseguir comunistas...
Enquanto isso, a filha faz amigos na universidade, e ela e a filha do banqueiro começam a gostar do comunismo, ver como uma possibilidade política... Mas tudo isso muda quando chega os anos 60, o Brasil muda, e uma nova ditadura começa.
Você vê o destino dos dois irmãos chegando cada vez mais perto, e vai ficando agoniado, tentando entender quando as histórias vão se entrelaçar, mas ficando com medo de como isso vai acontecer.
“A voz que ninguém escutou” é uma jornada pela História do Brasil, vista a partir de dois cidadãos comuns, pobres, que vem os acontecimentos e não tem escolha nenhuma senão vive-lo. E é uma leitura incrível, eu li em menos de 24 horas...
gostei muito da proposta do livro, da proposta da história!! infelizmente não senti a riqueza necessária para abordar temas tão importantes que estão presentes no livro :( pra ser sincera, o começo do livro foi bem promissor mas senti que a profundidade e seriedade que a história pedia foi meio que perdida no meio do caminho, uma pena pq o potencial era gigantesco. tratar de assuntos como trabalho escravo, sequestro, ditadura, tortura é extremamente importante na nossa literatura e achei incrível o autor criar esses personagens, porém, como leitora, senti falta de maior desenvolvimento e complexidade neles!
A ideia é boa. Fato. Mas todas as execuções são terríveis. A sucessão de acontecimentos de tal coisa aconteceu e o personagem (todos, sem exceção) pensou numa música e pronto, reagiu de forma amena. Depois tem a ideia de “desconstrução do início dos anos 2000” que beira uma idealização.
E por fim, o que mais me incomodou, foi utilizar a escada narrativa da violência sexual como fórmula de concatenação da trama. Aqui, utilizado sem muitas maturidade emocional, se torna algo sem conflitos, como se não impactasse negativamente em algumas esferas - uma escolha infeliz.
INCRÍVEL! O autor consegue falar bem e profundamente das personagens principais, também dá uma ótima perspectiva histórica. Esse livro é uma OBRA DE ARTE!
Dias depois de encontrar com o homem que violentou sua mãe (que acabara de morrer por suicídio por conta dessa agressão que marcou sua vida), Vânia se senta com esse homem para tomar café e assistir um programa de tv que coincidentemente fala sobre o assassinato que ele havia cometido décadas atrás.
E graças a essa combinação de ausência total de sentimentos da personagem Vânia combinada com uma vontade enorme do universo de ajudar o autor a fechar a trama, Vânia descobre a verdade sobre seu pai...
Li uma entrevista com Neil Gaiman em que ele comentava sobre o processo de escrever um livro. Contava uma história que tinha vivenciado: um fã, numa sessão de autógrafos, comentou que tinha uma excelente ideia para um livro. Descreveu essa ideia e falou algo como "pronto!, eu trouxe a ideia, agora só falta aquele detalhe, que ficaria para você: escrever o livro... Topas?".
Ele usava essa história para trazer a reflexão que ter a ideia de um romance é apenas o início do processo de escrever um livro. Criar personagens, tramas, diálogos, desenvolver a história de forma verosímil e rever, dentro da ideia original, o que realmente funcionou e aquilo que precisa ser repensado, tudo isso (e provavelmente muito mais) é muito mais trabalhoso do que "ter uma ideia genial".
Me lembrei dessa entrevista (que nunca mais achei, devo ter sonhado com ela...) ao ler A voz que ninguém escutou. O autor teve uma boa ideia para uma história. Mas eu achei o desenvolvimento da história mal feito. Diálogos artificiais, personagens pouco desenvolvidos, excesso de referências no texto, muitas coincidências para manter a história no rumo que o autor queria... Me incomodou a superficialidade dos personagens do núcleo dos mocinhos que tinham todos a mente aberta, zero preconceito de raça, gênero ou classe... Queria muito, mas não é bem o mundo real, né.
Acredito que faltou um editor para transformar a boa ideia em um bom livro. E acho que ter alguém que fizesse essas críticas, que provocasse no autor reflexões que ajudassem ele a lapidar essa ideia num bom romance seria mais importante do que dar um prêmio para ele pela ideia de um potencial bom livro.
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Maria, Inês e Inácio são os personagens centrais desse romance, no qual cada um tenta a sua maneira sobreviver nesse Brasil que bate na sua cara a todo momento. Iniciando pelo Estado Novo até a redemocratização, “A voz que ninguém escutou” narra a odisséia dessa família ao longo desses anos apenas mostrando os fatos, mas sem repercuti-los da maneira correta. Dividido em duas partes, a primeira é extremamente promissora e envolvente. A segunda e derradeira última parte, é tão atropelada e sem nexo que nem parece pertencer a mesma obra (sem contar uma série de cenas calientes totalmente desnecessárias). Uma pena, havia personagens e contextos interessantes na obra que foi jogado no lixo…
O autor do livro combina eventos relacionados à construção de Brasília, a ditadura militar e os primeiros cinco anos dos anos 2000. Ele conta uma história familiar protagonizada por três personagens: Inês, Inácio e Vânia. Podemos ver uma mãe pobre que sai do Nordeste em busca de uma vida melhor e de um emprego, um rapaz que é separado da mãe e se torna capataz, e uma mulher que é filha dessa relação marcada por mudanças sociais dolorosas. Foi o primeiro livro desse autor que estou li e espero que ele continue escrevendo histórias que aproximem os leitores do país e os façam pensar sobre as dificuldades enfrentadas por muitas pessoas durante esses períodos, assim como pelas gerações futuras.
O romance “A voz que não se calou” nos traz a história de Maria, uma sofrida mulher negra e nordestina que toma, no ano de 1945, uma decisão motivada pelo desespero e pela necessidade. Ela decide deixar o seu estado natal – o Ceará – com dois filhos, uma recém-nascida, Inês e um garoto bem pequeno chamado Inácio, deixar os mais velhos já adolescentes e, ou adolescendo, fugir do marido abusivo e violento e procurar na capital federal, então o Rio de Janeiro, uma vida melhor. No caminho o seu garoto lhe é tomado e vendido para um fazendeiro que o coloca numa situação similar à escravidão. Atormentada, mas ao mesmo tempo impotente, Maria chega ao Rio de Janeiro e começa a trabalhar na casa de um rico empresário. Ao mesmo tempo em que percebe que está sendo explorada Maria acredita que passar por aquilo é necessário para que pelo menos a filha Inês tenha a possibilidade de conquistar uma vida melhor. Inês, bancada pelo patrão que, inclusive não tinha só boas intenções em relação a ela, estuda em um bom colégio e desenvolve uma relação de amizade com Joana, a filha de seu patrão. Essa amizade, gradualmente, se aprofunda e se transforma numa paixão homoafetiva e as duas, uma vez ingressando na vida universitária na década de sessenta do século passado, se envolvem no ativismo político ligado aos movimentos de esquerda que lutavam contra o avanço das forças de extrema direita que tramavam, naquele contexto histórico conturbado, tomar o poder em prol única e simplesmente de seus interesses políticos, econômicos e ideológicos. Ao mesmo tempo Inácio, rebatizado Paulo, consegue deixar a fazenda onde trabalhou muitos anos, primeiro como “peão”, depois como segurança, se desloca para Brasília, então ainda em construção e se envolve com as forças de repressão aos movimentos de trabalhadores e à “esquerda” onde consegue fazer carreira em função de sua “eficiência” na intimidação e na violência. Esses dois arcos narrativos vão se aproximando e se imbricando e se desenvolvem graças às investigações da jornalista Vânia, filha de Inês, neta de Maria e sobrinha de Inácio/Paulo que após a morte da mãe, aparentemente por suicídio, quer entender as razões da melancolia e do sofrimento que a levaram a um ato tão extremo. “A voz que ninguém escutou” é o ótimo romance de estreia do escritor, historiador, poeta, professor e roteirista carioca Renan Silva, nascido em 1986 e que ganhou, de forma merecida, a oitava edição do “Prêmio Kindle” de literatura no ano de 2024. O prosa do autor é escorreita, a trama, bem construída, que se alterna no tempo, no espaço e com diferentes pontos de vista, permite uma leitura fluida muito bem complementada com personagens principais sofridos mas, ao mesmo tempo, carismáticos. Outro atrativo do romance é a construção de um amplo painel da história do Brasil no período 1945/2005 não fugindo de temas espinhosos como o “lado negro” do agronegócio, o machismo/patriarcalismo tóxicos, a insensibilidade social de parte significativa de nossas elites, as tramoias inescrupulosas do bloco civil/militar que tomou o poder em 1964 usando como bode expiatório o alegórico fantasma das “esquerdas” e do comunismo, a tortura e os “desaparecimentos” a cargo da ditadura civil/militar que governou o Brasil no período 1964/1985, a questão LGBTQIA+ tendo como elemento de ligação a história da sofrida Maria e a de sua família. Eu como uma pessoa nascida em 1962 me identifiquei muito com o enredo que aborda a história recente do país de forma bem crítica e procura dar voz a setores tradicionalmente silenciados aqui em nosso contraditório Brasil – as mulheres, os trabalhadores, a comunidade LGBTQIA+, os relacionamentos “alternativos” que fogem ao padrão “normal” por exemplo. Vale a pena reproduzir um comentário presente na quarta capa: “a saga de uma família que, ao afirmar a própria existência, inventa, também uma nova nação que responde pelo mesmo nome: Brasil” e uma afirmação do próprio autor em entrevista ao clube de leitura TAG: “Meus personagens são as vozes do povo brasileiro”. Apenas uma ressalva: em alguns momentos o autor descreve relações sexuais entre personagens e nesses momentos avaliei essas descrições como excessivamente gráficas e eivadas de minúcias descritas, a meu ver, com certo exagero. No entanto essa ressalva não desmerece o trabalho de Renan Silva que tem virtudes em quantidade mais do que suficiente para caracterizá-lo como altamente recomendável.
2.5* "A voz que ninguém escutou", romance de estreia de Renan Silva e vencedor do Prêmio Kindle de Literatura 2024, apresenta uma ideia poderosa, mas que, infelizmente, enfrenta dificuldades em sua execução. Entrelaçando a saga de uma família com a história recente do Brasil, o livro aborda temas como a ditadura militar e suas consequências de maneira relevante e necessária. A narrativa, centrada na jornada de Vânia ao descobrir os segredos da vida de sua mãe, Inês, após um trágico acontecimento, começa com potencial, mas se perde ao longo do caminho.
A trama tem momentos que provocam reflexão e emoção, como o luto, a busca por respostas e o confronto com traumas familiares. No entanto, a história muitas vezes se dispersa, tornando a narrativa confusa e carregada de coincidências que enfraquecem sua força. Alguns diálogos parecem artificiais, e os personagens principais, incluindo Vânia, têm reações que soam desproporcionais aos eventos marcantes da trama. A tentativa de desconstruir preconceitos e idealizar um núcleo familiar completamente progressista pode soar irrealista, prejudicando a credibilidade emocional dos personagens.
Apesar disso, o livro tem méritos, especialmente no tratamento da história política e social do Brasil, que é apresentado com desenvoltura e originalidade. Por outro lado, senti que faltou maior cuidado na estrutura narrativa, que se perdeu em algumas ideias mal organizadas. Há potencial na história e na proposta do autor, mas sua execução carecia de um trabalho editorial mais refinado para alcançar verdadeiramente o nível de excelência que o tema merece.
Embora tenha aspectos interessantes, A voz que ninguém escutou não conseguiu me envolver completamente e deixou a sensação de que poderia ter sido algo maior. É uma obra que apresenta uma boa ideia, mas ainda precisa de lapidação para atingir todo seu potencial.
Não consigo gostar de um livro que não arrisca uma sensibilidade ou profundidade, seja pro bem ou pro mal, de tudo aquilo que somos, fomos e podemos ser. Ou seja, gosto de livros verdadeiros, que me façam ver algo além, que me façam marcar frases e mais frases, anotar nas margens. Não precisa ser verdadeiro nos fatos, claro, eu amo a ficção, mas preciso sentir que o autor deixou uma marca da sua alma ou coração ali naquelas páginas. Não foi o que senti com esse livro. Ele tenta fazer um checklist de uma infinitude de temas trending nas discussões de esquerda: trabalho análogo à escravidão, migração, política, tortura, ditadura, justiça e saúde mental… alguns temas importantíssimos para analisar e reinventar o Brasil, mas o autor constrói tudo com uma superficialidade perigosa.
Perigosa pq cai no maior vício que vivemos: não conseguir processar a quantidade interminável de conteúdo nas redes sociais, a superficialidade. Uma rolada no feed = um milhão de assuntos. Tudo meio mastigado.
Faltou uma edição, faltou um amigo pra dar um toque nas cenas que eram mais pornográficas do que eróticas, faltou leveza.
Ainda assim, parabenizo o autor pela coragem de sentar, escrever, publicar, expor-se às críticas, ao público, precisamos de literatura de todos os tipos pq também precisamos aprender a nos posicionar e refletir sobre o que não gostamos, os porquês dos nossos gostos… e precisamos de mais pessoas com coragem para tentar e aprender.
O livro traz uma representação esquemática da história política do Brasil. Maria é uma nordestina pobre e analfabeta, vítima dos maus tratos do marido, que foge com os dois filhos menores rumo ao sudeste, em busca de melhores condições de vida, mas o destino, “um punhal cravado nas costas “ a coloca novamente numa roda-viva de perdas e submissão. O desejo e a necessidade de ter voz ativa num ambiente hostil ficam representados na jornada da filha Inês e no filho Inácio; apartados um do outro, precocemente e violentamente, seguem caminhos distintos que se cruzam violentamente em dado momento, repetindo o velho encontro entre abusador e abusado, sina de um país com tantas discrepâncias. A história tem um mote interessante, mas não há o aprofundamento na psicologia dos personagens. Vanda, filha de Inês e neta de Maria, descobre aspectos sombrios do passado da sua mãe e do seu tio; também se depara com o punhal cravado nas costas. O ápice da resolução do conflito chega a ser decepcionante; a descoberta de uma verdade essencial ocorre de forma quase mecânica, como um feito jornalístico que obtém grande repercussão. Denuncia mas também se cala…
A Voz Que Ninguém Escutou, de Renan Silva, é um livro que carrega uma premissa promissora e que, nos primeiros capítulos, demonstra fôlego para se destacar. A ambientação é bem construída, o contexto social é relevante e, até cerca de 60% da leitura, a trama consegue manter o interesse. No entanto, a narrativa perde força conforme avança. A alternância entre passado e presente compromete o desenvolvimento: os personagens inicialmente bem construídos dão lugar a figuras rasas e desinteressantes no futuro, o que afeta diretamente o envolvimento do leitor. A protagonista, Vânia, se mostra superficial e pouco cativante, tratando temas sensíveis com certa leviandade. O desfecho é fraco, com descrições excessivas e cenas — especialmente as de sexo — que não acrescentam à trama. No fim das contas, esse é um livro que tinha tudo para ser marcante, mas que se perde por escolhas narrativas que enfraquecem seu potencial. Fica aquela sensação de que poderia ter sido muito mais do que realmente foi.
Muito booommm! Tirando o grande problema do livro da frente: ele é MUITO corrido do meio para o final. Por outro lado, acho que isso foi uma escolha do autor, porque o livro teria mais umas duzentas a trezentas páginas para poder desenvolver tudo com calma, correndo o risco de a leitura ficar entediante. Além disso, um livro grande para um autor iniciante e brasileiro é quase dar um tiro no pé.
Mas estou extremamente feliz com essa leitura, feliz por encontrar um autor nacional com tanto potencial, com uma escrita tão boa, e com tanto cuidado com fatores históricos e sociais.
Eu espero que o Renan continue escrevendo, porque quero acompanhar o desenvolvimento dele como autor a cada lançamento, e isso me deixa muito empolgada. De verdade, ele só precisa conciliar o tamanho do enredo para não precisar correr no final, porque a primeira metade do livro é espetacular. Vale a pena a leitura!
A ambientação da história eh ótima, te faz revisitar momentos importantes do Brasil no século XX e o autor, que é historiador, faz isso com maestria. Mas a leitura não é muito fluida. Ela não “desliza”, acho que muito por conta do linguajar mais acadêmico do livro… Frases curtas e com bastante conectivos: em suma, tão logo, apesar de, no entanto, em seguida etc. Acredito que temos alguns vícios de linguagem da academia e os trazemos conosco quando escrevemos ficção. O resultado eh que fica um pouco “truncado”. Os personagens são complexos: torcemos por eles, sentimos raiva, cansaço ou compaixão a depender do momento do livro. Sintoma de um trabalho bem feito. Vale a leitura.
apesar de a escrita não ser necessariamente ruim, o livro é muito mais uma descrição do que acontece do que uma história envolvente com os personagens. seria difícil abranger 60 anos da história brasileira e ainda por cima desenvolver as personagens para quem tem experiência. então, sendo o primeiro livro publicado do autor, dou um desconto. mas o que realmente me pegou mesmo foram os diálogos, mais inverosímeis impossível kkk. espero que o autor publique mais, com a formação dele de historiador tem muito pano pra manga. recomendado para quem não conhece muito do período e quer ler algo mais dinâmico!
O livro flui muito bem na primeira parte, mas quando o foco volta para a filha Vânia a forma de escrita da história fica estranha, cenas picantes meio forçadas no enredo, descrições desnecessárias como detalhes do prato que o casal de mulheres pediu em um almoço, repetição de palavras em um mesmo parágrafo. Personagens do bem demais, superficiais. O narrador em alguns momentos me incomodou também, explicando demais e deixando pouco espaço ao leitor. Enfim... Algumas questões que talvez com o tempo o autor vá amadurecendo.
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O livro começa com Maria, uma mãe nordestina que, em 1945, deixa sua terra rumo ao Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. Durante a viagem, seu filho mais velho é vendido pelo motorista do pau de arara, separando a família e dividindo a narrativa em dois caminhos. Maria consegue emprego na casa de um banqueiro no Rio, o que permite à menina crescer e estudar, entrar na universidade e conviver com jovens engajados politicamente. Enquanto isso, o menino cresce como trabalhador explorado, torna-se jagunço, foge e mais tarde participa da construção de Brasília, onde entra para a polícia e aprende a perseguir comunistas. Conforme o país atravessa o governo JK, a construção de Brasília e depois a ditadura militar, as histórias dos dois irmãos avançam em sentidos opostos, criando tensão sobre o momento em que suas trajetórias irão se cruzar. É um livro lindo, intenso, envolvente e impactante!
É uma trama muito instigante, num contexto histórico riquíssimo. O ponto alto da narrativa, pra mim, é como a história de um dos protagonistas é contada à la Faroeste Caboclo. No entanto, de modo geral, a narrativa é pobre: pobre na caracterização dos personagens, especialmente no vocabulário deles; pobre nos diálogos; e pobre nos "microdesfechos".
Um livro muito bem escrito para um primeiro romance de um autor. A impressão que tive da história é a de que o próprio país cuja história também está sendo desdobrada, revela-se como o principal personagem dessa narrativa. Todas as outras histórias são costuradas à medida que os fatos históricos ocorrem. A escrita é didática e a versão comercial do livro faz mais sentido com o projeto gráfico do que a versão produzida pela TAG. Parabéns ao autor.
Não entendo como um livro pode ser ao mesmo tempo tão conveniente e tão inconsistente. Vânia e Inês tem a mesma personalidade e voz, detalhes e referências enfiados de forma superficial e Deus me livre ser AQUELA pessoa, mas umas cenas de sexo que destoavam totalmente do fluxo da história, ao ponto de me perguntar se eu tinha pulado algo. Penso que o autor tinha uma ideia e tudo o que os personagens fizeram foi servir a essa história, sem caminhos próprios nem sentimentos.
Li por ser o vencedor do premio Kindle, mas foi um livro que não me ganhou, apesar de ter uma escrita fluida. Achei interessante a história correr paralela a história do Brasil, mas é tudo muito superficial, parece que vc está lendo um resumo no Wikipédia. As cenas de sexo são muito “artificiais”, não convencem. E falta envolvimento com os personagens, durante todo o romance me senti distante deles. De qualquer forma é uma obra interessante.
Um livro muito doloroso de ler, pois nos leva a um universo de muita dor: relações abusivas, trabalhos análogos à escravidão, subempregos, ditadura militar, preconceitos sociais e de gênero, tortura.... Enfim, um livro que lida com uma realidade que muitas vezes nos negamos a ver. Acho que algumas coisas poderiam ter sido melhor resolvidas, mas mesmo assim é uma leitura que se faz necessária, principalmente em tempos tão conturbados.
Não é a toa que esse foi o livro campeão do prêmio Kindle 2024, a escrita, a leitura, a história, são impecáveis, eu li cada página rezando, sofrendo me emocionando, me revoltando, porque por mais que seja uma história fictícia, todos os acontecimentos são reais, tão reais e brutos quanto a história desse país
Ganhador do prêmio Kindle de literatura, conta a história de Inês através dos olhos da sua filha Vânia jornalista que encontra o diário de sua mãe após esta ser hospitalizada.
A maior parte do livro se passa dentro do último governo Vargas e a ditadura. Tem nordestino vindo de pau de arara, visão de pessoas no DOPS, de tudo de ruim um pouco 😅