Martin Desrosiers se demande comment retrouver les conditions d’un dialogue sain et constructif dans un contexte de forte polarisation et de guerre culturelle, où les médias sociaux servent davantage à conforter ses propres opinions qu’à les confronter à des idées autres, adverses. Il part du constat que la promesse annoncée par les réseaux sociaux au moment de leur lancement – servir la démocratie, encourager les échanges – s’avère jusqu’ici un échec. Le titre de cet essai prend le contrepied du célèbre traité de Schopenhauer, L’art d’avoir toujours raison, et l’auteur y démontre qu’une grande partie de la philosophie moderne (et de son enseignement) sert malgré elle à former des rhéteurs habiles, capables de triompher de leur adversaire, bref de gagner une joute oratoire, sans égard pour la recherche de la vérité elle-même, qui se trouve pourtant au cœur de l’aventure philosophique. Si nous sommes bien formés dans l’art de persuader l’autre, si nous maîtrisons la logique de l’argumentation, nous sommes étrangement démunis quand vient le temps de nous laisser persuader par l’autre. Car le vrai dialogue, rappelle Desrosiers, renferme aussi la possibilité que nous ayons tort et que l’autre ait raison. Pour retrouver le sens perdu du dialogue, l’auteur propose de revenir à la figure de Montaigne, le saint patron des essayistes. Il montre que le doute, l’humilité, l’écoute et le silence sont des vertus que Montaigne place au centre de sa recherche, et que nous aurions tout intérêt, à l’échelle individuelle aussi bien que collective, à cultiver. À l’aide d’une écriture précise, cet essai éclaire le présent par le prisme du passé et enrichit notre compréhension du monde actuel par l’entremise d’une culture humaniste toujours pertinente. Ce livre intéressera toute personne soucieuse de comprendre pourquoi le dialogue est aujourd’hui si difficile, et qui voudrait apprendre à se disputer de manière plus productive.
A instrumentalização da retórica pessimista de Schopenhauer está na moda — o que faz um certo sentido quando pensamos na espiral intelectual descendente em que vimos a mergulhar desde cerca de 1800 até aos nossos dias. Ainda assim, a maioria de nós apenas ouvirá pronunciar o seu nome em duas ocasiões: uma delas na escola (ou, se forem masoquistas, como eu, na faculdade), a outra nos meios literários (que são hoje o equivalente de livrarias, clubes de leitura e pouco mais). Neste último caso, todavia, Schopenhauer surge de forma recorrente, já que a sua obra mais apreciada promete dar a conhecer a estratégia invencível de que qualquer crítico contemporâneo não dispensa: a de se safar de qualquer discussão, ainda que sem bons argumentos, com um bom bluff (outros chamar-lhe-iam "argumentação"). Ora, em jeito de previdência, cerca de 200 anos antes de Schopenhauer, já Michel de Montaigne advertia contra a falsa alternativa que consiste em conceber a troca de ideias como um combate sem tréguas ou, inversamente, como uma comunhão de espíritos, isto é, quer como um confronto puro e simples cujo objectivo seria esmagar o adversário a golpes de argumentação, quer como uma conversa cerimoniosa cujo fim seria aplainar qualquer divergência em nome da concórdia e do consenso a todo o custo — e é partindo deste espírito de permanente recriação e revisitação do espaço de discussão como lugar de evolução e aperfeiçoamento (e não como arena de combate) que Martin Desrosiers compõe este pequeníssimo ensaio que contrapõe à Arte de ter sempre razão, de Schopenhauer, os argumentos de humildade e tolerância intelectual de Montaigne. O resultado é A arte de não ter sempre razão, um texto relativamente modesto e facilmente digerível, apologista de uma postura de maturidade do entendimento e de constante fluidez espiritual — um diálogo simpático e em pé de igualdade com o leitor, ou, se preferirem, uma conversa amigável mediada por Montaigne, sobre como nos mantermos de espírito aberto e acolhedor perante a diferença no outro e em nós mesmos, insistindo sempre em que as crenças e convicções sobre as quais repousam as nossas concepções de nós próprios são produtos de contingências históricas e geográficas, de modo que, no mais fundo de nós, poderíamos muito bem ter sido outros. Numa espécie de guia sobre como estar alerta para a presunção fácil, o engodo da legitimidade e a armadilha da autoconfiança como obstáculos ao diálogo produtivo, Desrosiers desfia os ensaios de Montaigne, tecendo com eles um pano de fundo para uma teoria de dialética inclusiva e globalizante na qual a nossa energia intelectual deve ser dirigida, antes de mais, contra nós próprios, num esforço constante de introspecção crítica. O objetivo? Nas palavras de Desrosiers, a proteção contra os dois vícios mais perniciosos que existem; a saber, na relação comigo mesmo, a auto-suficiência (uma confiança excessiva nas minhas próprias capacidades intelectuais, que esconde de mim mesmo as minhas falhas), e na relação com os outros, a vaidade (um desejo de impressionar, que subordina o meu intelecto ao meu ego). Fazendo assentar alicerces na manutenção de uma via de diálogo aberta, mas também elevada, o autor compromete a razão do argumento ao esclarecimento e ao auto-melhoramento do argumentador. Assumindo a dimensão de antagonismo presente no diálogo democrático (que entende do ponto de vista montaigniano, como espaço de diálogo imparcial e inclusivo), afirma que se nos encontramos actualmente num impasse, é porque não sabemos discutir de uma forma simultaneamente robusta, inclusiva e produtiva. A nuance é importante: o nosso problema não reside tanto no facto de se discutir demasiado, mas de se discutir mal. Portanto, falamos tanto de uma questão discursiva como de transigência e maleabilidade — o que me recorda que, aqui não há muito tempo, elogiava a postura maravilhosamente flexível de Julian Barnes que, nos ensaios reunidos em Mudar de Ideias, afirmava: Depois cresci e mudei de ideias: apercebi-me de que a idade adulta não é tão sólida nem imperturbável como parecia vista de fora, e de que todas as suas supostas certezas se podiam deliquescer a qualquer instante. O tom libertador da auto-correção barneana é, pois, exatamente o mesmo deste apelo à flexibilidade ao invés da obstinação, à evolução e à assimilação de visões distintas das nossas e a características outras. Um apelo que se faz a duas vozes — a do narrador e a de Montaigne, aqui mobilizado por Martin Desrosiers, como pedra de toque para a ideia de auto-correção, e de aceitação da oposição como alicerces da honestidade intelectual:
Segundo Montaigne, nascemos néscios, isto é, prisioneiros da nossa perspectiva particular, incapazes de sair de nós próprios, «amontoados em nós», e vamo-nos instruindo aos poucos, enriquecendo-nos com tudo o que, nos outros, nos surpreende e confunde.
Funcionando como incentivo à introspecção, a leitura de Montaigne permite ao autor questionar os paradigmas que acompanham a evolução do académico ensimesmado na sua própria câmara de eco — como figura autorizada do argumentador —, permitindo-lhe extrapolar para toda uma cultura de opinião, mais ou menos profissionalizada, a que as redes sociais foram abrindo espaço e atribuindo legitimidade. Embora possa parecer uma ligação extemporânea (não vamos, aqui, discutir a instrumentalização de Schopenhauer), a tese de Desrosiers mantém-se válida, uma vez que Montaigne é um filósofo descolado do tempo e apostado no questionamento não-dogmático da natureza humana; um pensador que se alonga repetidas vezes sobre a comunicação e que defende arreigadamente que «o silêncio e a modéstia são qualidades muito convenientes à conversação»; um ideal sobre o qual, como Desrosiers propõe: todos ganharíamos em meditar, a começar pelos mais obstinados e ruidosos de entre nós. Em silêncio, de preferência. Ora, Montaigne nasceu em 1533, 225 anos antes de Schopenhauer e 413 anos antes de Julian Barnes (ou seja, cerca de quatro séculos antes de nós). Ao passo que Schopenhauer era um ser intelectualmente intransigente que acreditava no caráter ilusório da realidade, Montaigne era um filósofo com uma bagagem pessoal e cultural que o enredava nas malhas da ética humanista não-conformista. Enquanto filósofo cético, as suas afirmações a favor da aceitação do outro, do auto-aperfeiçoamento e do diálogo democrático encontram maior ressonância, sendo assim, nas reflexões pós-modernas de um autor/pensador como Julian Barnes, num século XX/XXI, do que na qualidade sistematizante e na argumentação estratégica de Schopenhauer, no século XIX. E esse seu caráter de maleabilidade e durabilidade é bem capaz de ser um dos maiores elogios que se lhe podem fazer.
Como recorda [Montaigne] no final dos Ensaios, «no mais elevado trono do mundo, estamos sentados ainda assim sobre o nosso rabo».
Numa época excessivamente fragmentada, solitária e ruidosa, talvez não seja assim tão descabido voltar a Montaigne e perguntar — com a devida ênfase: será que ter sempre razão é assim tão importante?
Este poderia ser um guia para os opinadores modernos, cheios de ego e certezas e vazios de humildade e de genuína curiosidade. As redes sociais catapultaram especialistas de bancada, que são "gostados" e seguidos aos milhões sem qualquer questionamento, reflexão, contraditório sincero. Daí que o debate se revele um papaguear ensurdecedor, quando deveria ser um momento de troca de argumentos e de procura de consensos. Fala-se muito e ouve-se pouco, pelo menos no sentido da escuta ativa e criativa. Martin Desrosiers cita, sobretudo, Montaigne, nos seus Ensaios, contrapondo a Shopenhauer, filósofo que alguns encaram como uma espécie de guru dos campeonatos de discussões que ensina a arte de ter sempre razão.
Com algumas ideias que me parecem de qualidade, nomeadamente sobre redes sociais e cérebros ideológicos, mas exagera na descrição da vida e obra de Michel de Montaigne. Digo exagera no mau e bom sentido. No mau porque gostaria de ter lido mais o autor, no bom porque Ensaios de Montaigne subiu na minha lista de livros a ler Magnífica tradução de Carlos Vaz Marques
Uma leitura muito estimulante, que poderá ser também um bom exercício para a nossa humildade intelectual. Martin Desroisers escreve de forma clara e elegante. Li este livro com verdadeiro gosto e interesse, com aquela sensação de estar na aula de um grande professor. O livro desmonta, pouco a pouco, aquilo que tantas vezes confundimos com pensamento crítico: argumentos que são, na verdade, extensões do ego; ideias defendidas não para compreender o mundo, mas para proteger a nossa identidade, em que convencer o outro é, muitas vezes, menos sobre a verdade e mais sobre manter intacta a imagem própria. Mesmo os argumentos mais eruditos podem ser apenas esgrima retórica ao serviço da necessidade de estar certo. Touché! A influência de Montaigne é evidente — e muito bem-vinda. Tal como ele, o autor valoriza a dúvida, a hesitação, a consciência dos próprios limites. Montaigne continua espantosamente atual porque sabia algo essencial: pensar não é afirmar-se, é observar-se. Este livro parece assumir exatamente essa atitude: curiosa, humilde e humana. A reflexão abrange várias dimensões: psicológica, ética, moral e científica, com especial atenção ao inquietante papel das redes sociais e dos seus algoritmos neste processo de afirmação das nossas convicções. Ao privilegiarem conteúdos que confirmam as nossas preferências e crenças, estes sistemas tendem a criar ambientes fechados, onde o confronto com o diferente é raro, ou seja, a lógica algorítmica funciona como um espelho viciado que nos devolve versões cada vez mais nítidas daquilo que já pensamos, já gostamos e já acreditamos… Pouco a pouco, isso convence-nos de que estamos certos, reduzindo o espaço para a dúvida. Um livro que nos vem lembrar de manter a curiosidade, de aceitar que podemos estar errados e a não “tomar a nossa ilha por único continente”.
Excellent petit bouquin qui livre BARS après BARS sur la raison, la pensée critique, le débat, tous des sujets importants à l’ère numérique que nous vivons. Belle leçon d’introspection pour une obstineuse comme moi!! Le genre de livre que je relirais plusieurs fois. MERCI MATHIEU🤓
Je savais que ce serait intéressant, mais je n'avais aucune idée que j'aurais autant de plaisir à le lire. Ça m'a fait retomber amoureux de Montaigne et de l'humilité intellectuelle.
à la hauteur du prof exceptionnel qu’il est (!!!) c’était comme retraverser une partie de son cours, oui il enseigne réellement comme ça et oui il partage autant son amour de Montaigne.
« nos croyances serait d'abord le résultat d'un processus d'identification par lequel nous faisons de nos opinions des parties intégrantes de notre conception de nous-mêmes. Nous nous attachons d'autant plus désespérément à ce que nous tenons pour vrai que nous nous y identifions existentiellement. » (petit extrait qui représente bien les propos de cet essai, à lire !)
« Lorsque le fait de changer d'idée implique que je doive changer d'identité, ce sera toujours trop cher payé. »
Ce livre me réconcilie avec ma quête de tout comprendre et de me positionner sur tout. Je me rends compte que ce n'est non seulement pas nécessaire, mais ni souhaitable, et que cette pression me vient de notre société où l'opinion et la défense de nos idées l'emportent sur la véritable discussion et l'apprentissage.
C'est un livre qui se lit rapidement. J'ai apprécié le style.
Meilleure lecture d’essai de 2025, accessible au grand public. À mettre dans tous les bas de Noel pour aiguiser nos compétences philosophiques, et nous faire agir avec bienveillance envers la santé du débat public!
«Est-ce que j’entre en dialogue dans le but d’abaisser mon interlocuteur ou d’impressionner mon public, ou mes efforts sont-ils voués, sincèrement, à l’investigation intellectuelle du problème qui nous occupe? M’arrive-t-il de me complaire dans certaines certitudes au point de me rendre allergique à toute contradiction? Me suis-je habitué à faire alterner des points de vue de manière à envisager un problème sous différents angles, ou suis-je incapable de sortir de moi-même? Dans quelle mesure suis-je à l’aise avec l’ambiguïté, l’indécis, la nuance?»
Un essai court et efficace dont les réflexions m'habitent profondément, surtout en cette période des fêtes, propice aux soupers de famille lors desquels la chicane pogne assez vite. Mais comme l'auteur le dit si bien, ce n'est pas le fait qu'on se chicane trop, le problème, mais qu'on se chicane mal. Réapprenons à dialoguer, écouter, remettre en question nos propres certitudes. Et surtout, cessons de voir la communication argumentative comme un combat avec un gagnant et un perdant, et visons plutôt la compréhension mutuelle et l'élévation des idées. C'est absolument nécessaire en cette époque de polarisation où la nuance a malheureusement rarement sa place.
É para aqui que a auto-ajuda deveria estar virada e não para lições ou falcatruas de almejar um poder quase divino, refletor de sucesso. (Que sucesso?) Livro fascinante que pode ser perfeitamente utilizado como ponte entre o introdutório e o estudo com afinco. Relembrei-me do quão imprescindível é ser chamado à terra e entendi o vasto oceano de egoísmo e pretensiosismo que necessita de ser secado. Acaba também por ser um livro que suscita a leitura de outros livros, principalmente, Ensaios, de Montaigne, que fiz questão de adquir o primeiro volume. Nota final dirigida a uma das melhores frases que já li, da pena de Tom Waits, que o autor do livro faz questão de evidenciar:
“Um cavalheiro é alguém que sabe tocar acordeão, mas não o faz.”
De belles pistes d’introspection à faire (et à refaire) sur notre manière de dialoguer, sur nos réelles intentions/motivations s’y cachant derrière (souvent teintées de vanité) et sur nos biais cognitifs. Ce livre nous invite à réfléchir avec Montaigne sur notre humilité, notre ouverture aux autres, les limites de notre souplesse intellectuelle et l’importance de cultiver notre curiosité.
L’art de dialoguer se développe par une remise en question de soi, par le développement de vertus intellectuelles et par l’ouverture à l’autre. Une formule essentielle à retenir afin de favoriser une discussion saine et enrichissante.
Bonne réflexion sur la facilité que nous avons aujourd'hui d'émettre notre opinion, particulièrement sur les réseaux sociaux, sur tout et son contraire, mais en étant trop souvent bien peu à l'écoute de celle des autres. J'ai trouvé beaucoup de perles tout au long des chapitres (voir mes surlignements), notamment sur l'humilité (une vertu qui se perd...), l'ouverture (aux autres), accepter d'avoir tort (ou ne pas toujours avoir raison), la curiosité comme qualité et l'apprentissage de ne rien dire, ne pas réagir. Par sucroit, par hasard, l'auteur était à une émission des décripteurs (voir sur tou.tv Émission du 22 février 2025 vers la minute 18) et j'ai trouvé ses commentaires très justes et complémentaires à la lecture. Un bon essai de temps en temps, ça fait du bien!
Une des rares prises de parole pour dénoncer le phénomène actuel de la polarisation des opinions, notamment dans les réseaux sociaux, en suggérant une attitude propre à la discussion où chacun fait place à l'écoute de l'autre.
Tout au long de ce petit essai, Martin Desrosiers nous invite à un temps d'introspection et s'en remet à Montaigne qui, quatre siècles après sa mort est toujours aussi pertinent et nous enseigne comment développer un sens critique envers soi pour laisser place à l'humilité, au doute, à la curiosité et à la générosité.
Pour avoir vu Montaigne au cégep avec Martin, lire son livre m’a replongé dans ma nostalgie. Un livre qui pousse à la réflexion. La reconnaissance que chercher à pousser et tester les limites de notre connaissance de manière humble et ouverte grâce à soi-même et les autres. Cela nous permet de découvrir le monde extérieur et notre monde intérieur qui tout les deux sont riches en diversité.
L'introspection et la remise en question seraient bénéfiques au monde si enseignées dès l'âge de compréhension. Un essai intéressant pour un processus autoréflexif.
L'art de ne pas toujours avoir raison : ou Penser contre soi-même avec Montaigne, de Martin Desrosiers, parte de uma intuição relevante: a decadência da qualidade do discurso público não resulta de discutirmos demasiado, mas de discutirmos mal. A referência a Montaigne surge como convite à autocrítica, à suspensão do ego e à capacidade — cada vez mais rara — de pensar contra si próprio.
O livro toca num ponto sensível do nosso tempo: a confusão entre inteligência e habilidade retórica. Em particular, quando certos populismos de direita são frequentemente apelidados de “inteligentes”, mesmo por quem não é seu admirador, o que se reconhece não é pensamento crítico, mas destreza argumentativa. Essa habilidade, longe de revelar abertura intelectual, denuncia muitas vezes uma arrogância estrutural: não há espaço para a autocrítica, apenas para a reafirmação performativa da própria posição.
Desrosiers acerta ao sublinhar como estamos hoje excessivamente colados às nossas ideias, ao ponto de qualquer ataque a uma posição política ser vivido como um ataque pessoal. Pensar torna-se identidade; discordar torna-se agressão. A evocação de Montaigne é pertinente, mas fica mais evocada do que verdadeiramente aprofundada — quase como uma conferência elegante, mais do que um ensaio que arrisque verdadeiramente pensar contra si próprio.
Há ainda passagens francamente problemáticas, como quando o autor afirma: “Tudo se passa, portanto, como se a possibilidade de mudarmos de sexo ou de preferências sexuais de forma livre e consciente se tivesse tornado mais intuitiva do que a ideia de que poderíamos, com a mesma liberdade e inteligência, mudar de identidade política.” A comparação é não só intelectualmente pobre como conceptualmente infeliz, simplificando realidades incomparáveis e enfraquecendo o argumento que pretende sustentar.
No conjunto, é um livro com boas intenções e algumas intuições certeiras, mas excessivamente impessoal, pouco arriscado e, paradoxalmente, pouco autocrítico para um ensaio que faz da autocrítica o seu núcleo
Cet essai est une invitation à à s’ouvrir aux nuances et à chercher des espaces de dialogue. Ce livre est un véritable voyage intellectuel qui fait rire et qui donne espoir. Tout le monde peut en tirer quelque chose. Amoureux de philo, ceux qui ont des mauvais souvenirs et tous entre ces pôles!
L'enseignant de philosophie, aborde la question de la « polarisation affective », un phénomène + en + présent dans notre société. En s'accompagnant de sages paroles de philosophes, dont Montaigne, il nous propose des outils pour résister aux dérives idéologiques qui menacent le dialogue démocratique.
Parmi les différentes vertus à cultiver, deux ont attiré mon attention.
1. L'humilité intellectuelle 2. L’appel à la curiosité, cette capacité à rester ouvert aux autres et à soi-même. Pour Montaigne, ça passe par l’observation quotidienne et la remise en question de nos certitudes.
Coup de coeur pour les passages sur la politique et de l’animosité idéologique qui gangrènent les échanges et la transpartisanerie.
En nous confrontant aux risques de cette radicalisation émotionnelle, il nous rappelle l’importance de préserver le débat d’idées sans sombrer dans l’hostilité.
O Autor "filia-se" nos "Ensaios" de Montaigne para fazer o culto da humildade e da curiosidade como agentes da nossa mudança interior. Pelo caminho viaja do século XVI ao século XXI, com olhares pontuais para a antiguidade clássica. Ensina-nos a sairmos de nós, a olhar o outro e o mundo. Ensina também as virtudes do silêncio e da escuta. Sobre esta identifica três modalidades: escutar cuidadosamente, escutar com equidade, escutar caridosamente. Tudo porque vivemos numa sociedade e num tempo de "hiperinflação da opinião" (everyone's a critic) que "conduziu rapidamente a uma recessão da escuta." "Apressámo-nos a falar,esquecendo-nos de ouvir." No último capítulo a aula é sobre "aprender a calar" e as virtudes do silêncio. Em síntese, um precioso ensaio sobre tudo o que perdemos por andarmos "inchados de nós".
J'ai adoré! Pour avoir lu Schopenhauer dans ma jeunesse et l'avoir trouvé bien immoral et de mauvaise foi, voici le penchant éthique de la discussion ouverte. Comment l'ouverture à l'autre et la remise en question de nos opinions peut permettre en ces temps de polarisation des échanges constructifs où tous y gagnent en sagesse. Une vraie pépite, accessible et pleine d'une sagesse moderne que je nous souhaite à tous.
Je n'ai pas vraiment aimé ce petit essai. J'ai trouvé que le point de vu centriste appelant au compromis ne met pas l'accent sur la défense de l'intérêt commun dans le discours qu'il produit, mais bien sur le compromis. En plus, revenir constament à Montaigne n'est pas nécessaire pour démontrer le point que l'auteur défend. 1.3/5
J’ai acheté ce livre dans l’intention d’apprendre à mieux communiquer et de comprendre ce qui nous pousse à vouloir avoir raison. Finalement, ce livre est davantage philosophique et fait énormément de références à Montaigne. Même si le contenu était pertinent, le côté philosophique avec des citations était très un peu trop.
Déconstruire le stéréotype de bâtir un argumentaire pour « gagner » le débat. Penser autrement. Se questionner. Tendre vers l’humilité. S’ouvrir à la fluidité des opinions : celles des autres mais surtout les nôtres. Pour des échanges où règnent idées et écoute.