Uma psiquiatra rebelde e um perfil emocionado. Ferreira Gullar conheceu o trabalho de Nise da Silveira em 1951, e nunca mais se curou do deslumbramento com as obras dos artistas do Museu de Imagens do Inconsciente.
Ferreira Gullar is the pen name for José Ribamar Ferreira, Brazilian poet, playwright, essayist, art critic, and television writer. In 1959 he formed the "Neo-Concretes" group of poets. Living in Chile, in 1975, Ferreira Gullar wrote his best known work, "Poema Sujo". He was exiled by the Brazilian dictatorial government that lasted from 1964 to 1985. The poem states that the persecution of the exiles was growing, many were being found dead, and, thinking hypothetically of his death, he decided to write his last poem. He spent months writing this poem with more than two thousand verses, which brings forth his memories of his childhood and adolescence in São Luís, Maranhão and the anguishes of being far from his land. Ferreira Gullar read the poem at Augusto Boal's house in Buenos Aires, in a meeting organized by Vinicius de Moraes. The reading, recorded on tape, became well known among Brazilian intellectuals, who tried to guarantee Gullar's return to Brazil in 1977, where he continued writing for newspapers and publishing books. He was considered one of the most influential Brazilians of the XX century by Época magazine. Gullar keeps a weekly column at Brazilian newspaper Folha de S.Paulo, publishing it every sunday.
De quebra você ainda recebe um pouco sobre Ferreira Gullar (autor), de quem eu conhecia quase nada e conduz muito bem o livro, e sobre Jung, influência importante pra Nise. E a leitura dela desse segundo fez ele subir um tanto no meu - irrelevante - conceito.
O ponto baixo fica pro final do posfácio do Christian Dunker que é muito truncado, mas o texto também tem bastantes passagens interessantes.
Uma belezinha! Bem escrito (é claro!) e de fato capaz de apresentar uma personalidade especialmente brilhante. O livro tem três capítulos em que Gular apresenta Nise e alguns de seus principais feitos, depois há uma entrevista dele com ela, alguma dados sobre ela (cronologia e bibliografia) e três textos escritos por ela para ocasiões distintas. A edição em que li (creio ser a primeira) traz algumas gralhas (defeitos menores de digitação ou edição em geral), as quais, se não comprometem a leitura, afetam o apreço pela casa editora.
Em tempos de adoecimento mental generalizado, é um bálsamo conhecer mais sobre a luta da Nise da Silveira e seu legado para os tratamentos psiquiátricos e para o papel da arte na cura. Torço para que essa edição (linda) e revisada siga ampliando o alcance dos ensinamentos dela e inspirando as próximas gerações de brasileiras questionadoras - que levam o nosso país adiante.
Um livro excelente para conhecer mais sobre a figura histórica que é a Nise da Silveira. Fui capaz de entender um pouco da grandiosidade do trabalho dessa mulher tão fascinante pelo jeito de observar o mundo e interagir com ele.
Minha parte favorita foi a entrevista com o Ferreira Gullar, simplesmente maravilhoso.
Como essa mulher não ganhou um Nobel ou outra premiação mundial? Muito boa a história dela e a revolução da psiquiatria pra uma forma muito mais humana, e ainda por cima com arte e animais no centro. ❤️
E enfrentando a psiquiatria abusiva da época, inclusive indo contra acadêmicos europeus. ❤️
"E é esta função de destinatária que faz coincidirem a ação terapêutica e a ação política em Nise. Caso paradigmático da tese de que boa clínica nada mais é do que crítica social feita por outros meios."
De fato toda doença envolve sofrimento mas na doença mental ele adquire uma complexidade rara, uma vez que atinge a própria consciência do doente, seu conhecimento de si mesmo e do mundo, seus valores existenciais e afetivos. E toda uma vida assim transcorre, com frequência desde a adolescência até a velhice, sem possibilidade de qualquer realização em qualquer plano – seja amoroso, familiar, profissional ou social. A doença mental produz sem cessar párias, condenados a viver quase sempre emparedados. Tanto sofrimento terminou por exigir da sociedade providências que, de um lado, tentassem curar esses doentes e, de outro, protegê-los e segregá-los. Quanto mais a sociedade se organizava, racionalizava seu funcionamento e suas relações de trabalho e produção, menos espaço sobrava para os que não se ajustavam a essa organização.