Apartheid Tropical conta a história de como, após abolição da escravatura, o estado brasileiro escondeu em sua leis mecanismos sofisticados de segregação racial com o objetivo de sabotar o progresso da população negra do país. Este roteiro foi usado nas gravações do Original Audible
Livro excelente! O historiador Thiago André sabe acolher e prender o leitor com maestria, seja na escrita ou no áudio (este livro também está disponível na Audible). Comecei lendo o e-book e terminei no áudio-book. Apartheid Tropical é uma ótima forma de tentar vislumbrar qual foi o tratamento dado pela sociedade e autoridades à população negra e suas formas de "rexistência" no período pós-abolição. São entrevistas potentes, diálogos de pesquisa imersivos, com narrativas e histórias que surpreendem o leitor. Super recomendo.
Amei este livro! "Apartheid Tropical" é uma obra envolvente, inteligente e necessária. A narrativa é cativante do início ao fim, e faz-nos refletir profundamente sobre o Brasil, o racismo e as estruturas sociais com uma clareza impressionante. O autor consegue equilibrar análise, emoção e crítica de forma brilhante. Recomendo vivamente é daqueles livros que nos mudam por dentro.
Não sou muito do áudiobook, mas foi muito interessante ouvir a pesquisa de Thiago André nesses últimos dias. Ao longo dos episódios, o narrador ressalta a importância de figuras conhecidas na história do movimento negro no Brasil (André Rebouças, Lélia Gonzales, etc.), e seus esforços na luta por direitos civis. No entanto, o destaque vai para outros personagens que, em diferentes períodos históricos- da pré abolição ao pós-ditadura militar - sofreram uma tentativa de apagamento pelo Estado (eugenista) brasileiro.
Não conhecia Monteiro Lopes, Antonio Baobab e o Quilombo de Frexal, nem mesmo a história de como o maior cortiço do Brasil, o Cabeça de Porco, deu origem à primeira favela do país. Claro, sempre entendi como a elite utilizava mecanismos "legais" para isolar, perseguir e exterminar pessoas negras, e como isso deu origem a espaços e manifestações de resistência, tal qual o samba, os quilombos e as próprias favelas. Porém, a ideia de "Apartheid à brasileira" se tornou ainda mais clara após essa "leitura", e me permitiu entender como a elite construiu um aparato legal segregacionista, mesmo sem deixar explícito os seus alvos (negros e indígenas).
Gostei demais, e estou dando 4,5 estrelas, mas algumas vezes achei o conteúdo um pouco repetitivo. Inicialmente, também me pareceu que a pesquisa ficaria restrita ao Rio de Janeiro e outros estados da região Sudeste, mas o autor quebra isso quando nos leva para Pelotas. Ainda assim, senti falta de relatos em outras regiões do país, ou sob outras perspectivas. Claro, entendo que há uma limitação do que pôde ser inserido. Afinal, mais de 100 anos de história foram explorados em poucos capítulos.
Muito importante ouvir e ler esta obra, que retrata de forma clara e imparcial como ser negro no Brasil sempre foi uma luta marcada pela construção do racismo enquanto instrumento de marginalização e criminalização, uma forma eficaz de ocultar um racismo estrutural que permanece real até hoje.
Num país profundamente diverso e multicultural, com um tecido social composto por inúmeras camadas históricas, é impressionante perceber como essas dinâmicas têm uma origem bem definida e como a herança dos latifundiários e a subjugação forçada da população negra continuam a moldar a realidade contemporânea.
É igualmente relevante compreender como surgiram as favelas e de que forma foram empurradas para a margem da vida do Estado. Essa leitura ajuda a estabelecer paralelos diretos com o que hoje se observa no combate ao crime organizado, onde essas organizações acabam por ocupar o vazio deixado pelo afastamento sistemático do poder público.
Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer que os primeiros movimentos de valorização da identidade negra e de reconhecimento do racismo institucional emergiram precisamente desses espaços marginalizados. A favela não foi apenas resultado da exclusão, mas também um ponto de partida para a organização, a resistência e a união dos movimentos negros, cuja importância histórica e política não pode ser ignorada.