Apartheid Tropical conta a história de como, após abolição da escravatura, o estado brasileiro escondeu em sua leis mecanismos sofisticados de segregação racial com o objetivo de sabotar o progresso da população negra do país. Este roteiro foi usado nas gravações do Original Audible
Livro excelente! O historiador Thiago André sabe acolher e prender o leitor com maestria, seja na escrita ou no áudio (este livro também está disponível na Audible). Comecei lendo o e-book e terminei no áudio-book. Apartheid Tropical é uma ótima forma de tentar vislumbrar qual foi o tratamento dado pela sociedade e autoridades à população negra e suas formas de "rexistência" no período pós-abolição. São entrevistas potentes, diálogos de pesquisa imersivos, com narrativas e histórias que surpreendem o leitor. Super recomendo.
Amei este livro! "Apartheid Tropical" é uma obra envolvente, inteligente e necessária. A narrativa é cativante do início ao fim, e faz-nos refletir profundamente sobre o Brasil, o racismo e as estruturas sociais com uma clareza impressionante. O autor consegue equilibrar análise, emoção e crítica de forma brilhante. Recomendo vivamente é daqueles livros que nos mudam por dentro.
Muito importante ouvir e ler esta obra, que retrata de forma clara e imparcial como ser negro no Brasil sempre foi uma luta marcada pela construção do racismo enquanto instrumento de marginalização e criminalização, uma forma eficaz de ocultar um racismo estrutural que permanece real até hoje.
Num país profundamente diverso e multicultural, com um tecido social composto por inúmeras camadas históricas, é impressionante perceber como essas dinâmicas têm uma origem bem definida e como a herança dos latifundiários e a subjugação forçada da população negra continuam a moldar a realidade contemporânea.
É igualmente relevante compreender como surgiram as favelas e de que forma foram empurradas para a margem da vida do Estado. Essa leitura ajuda a estabelecer paralelos diretos com o que hoje se observa no combate ao crime organizado, onde essas organizações acabam por ocupar o vazio deixado pelo afastamento sistemático do poder público.
Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer que os primeiros movimentos de valorização da identidade negra e de reconhecimento do racismo institucional emergiram precisamente desses espaços marginalizados. A favela não foi apenas resultado da exclusão, mas também um ponto de partida para a organização, a resistência e a união dos movimentos negros, cuja importância histórica e política não pode ser ignorada.