O que escutamos quando ouvimos a palavra fronteira? Ela serve a tantos saberes, designa abstrações tão importantes, constrói tantas narrativas sociais, provoca tantos clamores ideológicos, envolve gestos tão políticos, define os estados, afeta igualmente homens, mulheres e países, presente em terras, mares e ares, evoca tantas fantasias arquetípicas de territorialidade e domínio, soberania e independência, igualdade e diferença, local e estrangeiro, eu e tu, que uma psicanálise das fronteiras resumiria para nós o mundo. Os ensaios deste livro exploram a imaginação das fronteiras, nossos modos de experimentar limites e intimidade, encontros e desencontros, conexão e desconexão, o próprio e o alheio.
Achei que iria ter bastante uso para este livro quando vi ele nas prateleiras da Joreli, em Florianópolis. Mas estava enganado, este é um livro mais esotérico-filosófico do ponto de vista ruim da coisa. Daqueles livros que falam falam usam referências, mas no fim das contas não dizem nada. O subtítulo já me causou um certo temor "ensaios de psicologia arquetípica". Isso porque o uso dos arquétipos e do imaginário coletivo é bastante atraente, baseado nas mitologias mundiais, mas na prática, não possuem uma metodologia bem desenvolvia que justifique seu uso. Já caí nesse engodo algumas vezes e continuo caindo. Mesmo o tema das fronteiras - conceituais e semióticas - que me são caros, me pareceram subdesenvolvidos aqui neste livro. Ele também inclui alguns ensaios fotográficos, sem muito sentido em estarem ali, a não ser para encher as páginas. Ou seja, um livro sem muito sentido, sem muito direcionamento e sem muito propósito.