Quando comecei a ler este livro, tinha uma vaga ideia de que seria uma leitura que me adicionaria, mas não desconfiava do quanto. Além disso, tendo esse livro sido escrito há mais de vinte anos atrás e focando a cultura de fãs, muito antes da internet, achei que pudesse ser bastante desatualizado. Mas que nada, ele revela muitas facetas do comportamento dos fãs em reinterpretação e apropriação dos textos da cultura de entretenimento que lançam mão para diversas análises atuais, dentro do escopo da internet e das redes sociais. A parte que mais me chamou a atenção é quando ele trata dos slashs (hoje chamado de shipping), na produção dos fãs principalmente dentro do fandom de Star Trek, inventando e dando contornos a um suposto romance entre o Capitão Kirk e o Senhor Spock. Nessa relação entre fãs e produtos e personagens posso ver muito do que acontece hoje, como por exemplo nos personagens do Marvel Studios, o Capitão América e o Soldado Invernal na produção de fãs para fãs, algo fora do cânone. O mais delicioso desse livro é que Henry Jenkis se declara um acafã, ou seja, um estudioso acadêmico que também é fã, tornando o texto mais palatável e que se percebe que, como as produções da cultura dos fãs também é feito de fã para fã.