Dizem que a irmã mais velha comunicava com os mortos, a seguinte entendia os loucos, a terceira falava com os animais. E a mais nova passava os dias a ajudar quem precisasse. A tragédia levou-as em Abril de 1974, numa noite em que os lobos uivaram sem parar. Uma delas desaparece e as outras três são encontradas mortas. Durante cinquenta anos, ninguém consegue assegurar se se tratou de suicídio colectivo ou se foram assassinadas. E é quando a pequena localidade de Gondarém prepara uma homenagem às filhas da terra que chegam, finalmente, as respostas. Este livro encerra as interrogações deixadas em aberto no romance As Cinco Mães de Serafim, mas vai muito mais além, podendo ser lido de forma autónoma. Numa atmosfera de realismo mágico, somos envolvidos em meio século de História ibérica onde se cruzam emoção familiar, ideais políticos e fosso social, amor e amizades indestrutíveis. Com violência e misericórdia, é o relato cru de alguém que regressa e não vira a cara ao julgamento. A busca incessante de ternura e paz numa longa jornada de redenção.
RODRIGO GUEDES DE CARVALHO nasceu no Porto, a 14 de Novembro de 1963. Licenciado em Comunicação Social, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, profissionalizou-se na RTP. Actualmente é subdirector de Informação da SIC. Em 1997 recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival FIGRA, em França, pela reportagem A condição humana, sobre as urgências hospitalares. Em 1992 estreou-se na escrita, com o romance Daqui a Nada, vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU, conhecendo uma reedição pela Publicações Dom Quixote, em 2005. Nesse ano lançou o best-seller A Casa Quieta e assinou o argumento da longa-metragem Coisa Ruim, co-realizada pelo seu irmão Tiago Guedes. É ainda autor de A Mulher em Branco (2006), Canário (2007), O Pianista de Hotel (2017), Jogos de Raiva (2018) e Margarida Espantada (2020).
3,5. Confesso que como nunca tinha lido nada do autor, conhecido apresentador de telejornal, tinha talvez um preconceito que me baixou as expectativas. Não imaginei que me prendesse tão rapidamente e que não quisesse ler mais nada até perceber o que se passou (nem sempre um livro se sobrepõe assim aos outros, porque leio quase sempre 3 em simultâneo, em momentos diferentes do dia). A história está bem contada e prende, deixa-nos a imaginar e vai-se desenrolando aos poucos. Mas o gosto final não foi tão bom como o que tive durante a leitura e por isso não chega ao 4. Até porque há partes da história que não são reveladas, será porque ainda nos vão chegar noutro livro?…
Ouvir pela voz de Rodrigo Guedes de Carvalho tornou esta experiência única. A eloquência do texto acompanhado da sua voz, é qualquer coisa de inexplicável. Aqui temos mais respostas ao mistério das irmãs. É uma família que não vou esquecer facilmente.
A continuação das 5 Mães de Serafim. Uma história que pega no livro anterior e o desenrola a caminho de um final incrível. Gosto da forma de escrever do RGC. Há qualquer coisa de António Lobo Antunes nesta escrita e depois há a identidade própria de uma história sempre bem contada, sempre com música em fundo. Parabéns por este livro 🙏🏽
Quando terminei 𝑨𝒔 𝑪𝒊𝒏𝒄𝒐 𝑴ã𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝑺𝒆𝒓𝒂𝒇𝒊𝒎, escrevi que o facto de o autor não ter desvendado alguns mistérios não era relevante para o propósito do livro porque o importante estava lá, dito directamente ou nas entrelinhas. Agora que li a sequela, considero que este livro tinha mesmo de ser escrito. A revelação dos segredos que ficaram em aberto, no anterior, torna a história da família Temeroso bem mais empolgante e emotiva. A narração do mistério que envolveu o desaparecimento de uma irmã do protagonista, Miguel Temeroso, e a morte de outras três, levanta questões profundas sobre noções de culpa, inocência, redenção.
A tragédia ocorrida há 50 anos, na noite de 24 de Abril de 1974 acabou por passar quase despercebida, na pequena localidade de Gondarém, devido ao “acto revolucionário que fez cair o regime” e que ocorreu na mesma noite. Só o irmão, Miguel Serafim, permanece emotivamente perturbado (“Morri no dia em que morreram as minhas três irmãs. A única diferença é que continuei a respirar”), num estado de dúvida e de incompreensão, até ao dia em que lhe é revelado um segredo.
RGC mantém a escrita límpida e inteligente do romance anterior e já citado. Aprecio sobremaneira o entrelaçar dos tempos e das histórias que mantém o leitor suspenso. A atmosfera, neste livro, é bem mais densa e envolvente. Há uma aura de mistério, de sobrenatural, que engrandece a narrativa. Sem pressa e envoltas em suspense, as respostas vão surgindo, oscilando entre momentos de dúvidas e de confissões, de violência e de ternura, de desesperança e de aceitação, de encontros, de revelações e de libertação emocional.
Concluo, mantendo a convicção de que “a amizade talvez seja um outro nome para família”. É esta a mensagem tão bem explorada nos dois livros do RGC e que, neste, eleva a narrativa a um patamar superior, que merece ser lido. No fundo, o importante não é saber quem e como matou. O importante é, mesmo, saber que há alguém, por perto e atento, para apoiar e erguer os que sobrevivem à dor, ao sofrimento.
Recomendo a leitura dos dois livros, contudo este, que pode ser lido de forma autónoma, é, para mim, muito mais impactante.
Que bom sentimento. Sentir que depois de um livro-assim-assim se chega de novo ao Rodrigo que nos marcou lá atrás. A mais recente obra de Rodrigo Guedes de Carvalho é a continuação de um livro que não me deixou saudades, nem marcas. É a continuação mas ultrapassa, em larga medida, a história que quis continuar a contar. Haverá um terceiro livro? Há coisas que ficaram, ainda, por contar. Personagens que ficaram por descobrir. Vidas interrompidas em páginas. Fluído. Uma pessoa lê num folego. É bonito, só isso: bonito. E ser bonito é tanto.
"Beijaram-se num desespero de pássaros, aberta a gaiola não sabem para onde voar, nem para que servem as asas."
Está terminada a saga dos irmãos Temeroso, com muitas surpresas e uma acalmia final, com a justiça possível a repor-se. Mas a primeira parte arrastou-se um pouco, para quem leu o volume inicial (As Cinco Mães de Serafim), mesmo que compreenda que o objectivo era que esta leitura pudesse ser independente. Tudo acelera com a chegada da mulher misteriosa, que não posso aqui revelar, embora Rodrigo Guedes de Carvalho lhe tenha concedido boa parte das desgraças que podem acontecer uma mulher. Mas também lhe concedeu o dom de resistir e tudo ultrapassar, e o final é poético.
Primeiro livro que leio do autor. Até agora, conhecia apenas o seu lado como jornalista e fiquei positivamente agradado com a forma como escreve. Escrita sóbria, figurativa e com a capacidade de criar no leitor empatia pelas personagens. No entanto, o autor acaba por trazer com alguma frequência referências a eventos reais (ressurreição de Cristo, alguns filmes…) que, na minha opinião, não tiveram grande lógica com o enredo, causando alguma espécie de ruído. Daí não dar 4 estrelas. Fiquei com vontade de ler mais obras do autor, muito satisfeito com a qualidade de escrita.
O Rodrigo Guedes de Carvalho mantém a excelência a que nos habituou. Quem leu o livro anterior precisa de ler este para responder a algumas questões que ficaram no ar. Aguardo ansiosamente o próximo, expectante de que possa ainda abordar a vida de Miguel Serafim e algumas questões a que não foram dadas respostas.
Que bela forma de acabar o ano ! A escrita do RGC é maravilhosa , apaixonante, a forma como transmite tudo , vem da alma , do coração e isso nota-se muito na sua escrita . O inicio do livro, e pelo menos as primeiras 60 paginas , sao uma “repetiçāo” do primeiro livro As Cinco Maes de Serafim , o que me deixou entediada, Quanto ao desfecho da historia da família Temeroso , tem muitas revelações , muitos segredos que são desvendados neste livro . Achei contudo uma ou outra revelação menos importante para a história e achei até que houve uma tendência “popular” e que “está na moda” em alguns pontos . Mas fiquei mt contente com o fim desta história , e continuo a achar a Maria Virgínia um personagem e tanto, apesar de tudo … 8 em 10*
Estou triste porque não sabia que este livro era a continuação de outro. Nunca tinha lido nada do autor, não me informei e acabei por escolher aleatoriamente este. Tenho pena pois acho que se tivesse lido pela ordem certa, teria aproveitado de outra forma. Ainda assim, vale bem as 3,5 estrelas, pela narrativa, pelos temas abordados, intemporal.
Fui atraída pelo título e não me desiludi! Gostei muito!! Apesar do estilo de escrita não me fascinar, a história prendeu-me do início ao fim. Todos os pormenores fazem sentido. As personagens, inicialmente misteriosas, vão-se revelando e mostrando a sua essência. Crime, suspense e romance. Que bela combinação!
conclusão da história do livro "As Cinco Mães de Serafim". simplesmente, maravilhoso. adoro a escrita do RGC. e o título do livro não pode ser mais verdade.
A história gira em torno de 4 irmãs, cada uma com habilidades ou dons extraordinários: uma que se comunica com os mortos, outra que entende os loucos, uma terceira que se relaciona com os animais e a mais nova, que ajuda aqueles que precisam. O enredo começa com uma tragédia, que ocorre em abril de 1974, quando uma delas desaparece e as outras três são encontradas mortas. O mistério que persiste por 50 anos é se as mortes foram suicídio coletivo ou assassinato O livro é uma obra complexa com mistério e reflexões sobre a história e os traumas pessoais. A tragédia das irmãs e o mistério que a envolve funcionam como um ponto de partida para explorar temas como os legados familiares, as cicatrizes do passado e a busca por paz e redenção. A história também oferece um olhar profundo sobre a história ibérica e os desafios emocionais enfrentados pelas personagens, resultando em uma história densa, cheia de camadas e significados.