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Quarup

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Publicado pela primeira vez em 1967, Quarup é o romance mais famoso de Callado. Conta a história de Nando, um jovem padre que, perdido em conflitos existenciais ao ver-se diante dos pequenos prazeres da vida, ganha uma nova percepção do mundo, de seus semelhantes e de si mesmo numa tribo no Xingu.

574 pages, Paperback

First published January 1, 1967

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About the author

Antonio Callado

45 books14 followers
Antônio Callado (26 January 1917, Niterói, Rio de Janeiro, Brazil – 28 January 1997, Rio de Janeiro) was a Brazilian journalist, playwright, and novelist. Born in Niterói, Rio de Janeiro, Callado studied law, then worked as a journalist in London for the BBC's Brazilian Service from 1941 to 1947. Callado began writing fiction in the 1950s. His first novel, A assunção de Salviano (The Assumption of Salviano), was published in 1954, and his last, O homem cordial e outras histórias (Men of Feeling and Other Stories), came out in 1993. Quarup (1967) is regarded as his most famous work. Callado has received literary prizes that include the Golfinho de Ouro, the Prêmio Brasília, and the Goethe Prize for fiction for Sempreviva (1981).

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13 (5%)
1 star
8 (3%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Alysson Oliveira.
386 reviews47 followers
March 26, 2020
A primeira vez que “li” Quarup eu devia ter uns 13 anos, e peguei emprestado na biblioteca da escola. Devo ter levado meses (renovações e renovações do empréstimo). E, obviamente, entendi praticamente nada, mas foi um orgulho ler um livro daquela grossura. Reli, anos depois, mas reler agora foi muito gratificante. O romance é demasiadamente político para se compreender na adolescência. As questões sobre religião, terra, camponeses e afins são muito bem investigadas aqui, mas é preciso uma certa idade e conhecimento das coisas pra poder avançar no que o livro discute.

Há uma bela utopia na imaginação Quarup e seu sonho de um mundo melhor. A crítica à religião é à sua forma institucional. Nando abandona a batina, mas certos princípios que estão lá no que há de mais esperançoso no catolicismo jamais sairão dele. A sua decepção é com instituições, mais do que com pessoas. Há nele, sem dúvida, algo de Anchieta em sua romantização dos nativos e auto-idealização como possível salvador. Mas o personagem é constituído de nuances, e o padre, antes de ir para o Xingu (e mesmo lá, é claro) é repleto de questionamentos e incertezas (seu maior medo é ver as índias nuas).

Callado me parece um autor meio esquecido que merecia mais reconhecimento no presente. Sua prosa é muito bem trabalhada assim como seu retrato de um Brasil profundo que mudou e não mudou. Meio século depois – o livro é de 1967 – ler Quarup é, entre outras coisas, notar que certas questões são estruturais ao Brasil, passaram por reformas, mas nunca uma grande transformação. Além disso, funciona como um claro diagnóstico de eventos e ideologias que permanecem, mesmo que numa outra roupagem, até hoje. Afinal, somos todos e todas filhos e filhas dos anos de 1960.
Profile Image for Marcos Sobrinho.
301 reviews14 followers
September 6, 2016
Não sabia nada sobre Quarup, até ano passado quando ele apareceu em uma lista de livros indicados por um amigo. Quando peguei o livro na biblioteca, não sabia nada sobre os personagens desse livro, e nem aonde eles me levariam.
Temos o personagem principal, o padre Nando, fazendo um passeio pelo Xingu, pelo Rio de Janeiro, por Pernambuco, conhecendo todos esses brasileiros que estão lutando para melhorar o país, ou apenas para sobreviver, e vemos a mudança drástica que vai se desenvolvendo sobre a vida desse personagem a partir do contato com o Brasil que ele desconhecia.
Confesso que me surpreendi a cada capitulo lido. Alguns realmente me levaram a gostar bastante da historia e de cada um dos personagens presentes nela, em outros, senti que estava lendo um livro que andava em círculos. A estrutura do livro gera esses livros dentro do livro, como se cada capitulo, que contem entre 90-120 paginas, fosse um episódio completamente diferente na vida de cada um dos personagens. O importante é levar a historia adiante tendo como pano de fundo o mesmo Brasil em diferentes estados, vistos sob diferentes pontos de vista, entre alguns momentos críticos da nossa historia.
Acredito que das 600 paginas que acompanhei, algumas nao precisariam estar ali, ao invés de contribuir, bagunçam e deixam a historia por vezes maçante, e em determinados capítulos, extremamente repetitiva. Mas ao contrario do que algumas pessoas falaram, que esse será um romance que se perderá com o tempo, acredito que o período que estamos vivendo hoje no Brasil, prova que ele talvez seja ainda bem atual, tal qual as historia machadianas.
Profile Image for Duanne Ribeiro.
Author 1 book6 followers
December 24, 2015
Não só um registro da história do Brasil - das lutas pelo parque no Xingu ao suicídio de Getúlio, das ligas camponesas à miséria da Ditadura - mas uma perspectiva de como essa história é composta de esperanças abortadas e de esperanças ressuscitadas. A tentativa de recriação de uma coisa sonhada: isso vale para o país e para cada uma das personagens no livro, principalmente ao protagonista, Nando, o padre que deixa de ver no espírito e nos índios a pureza a ser reencontrada para ver no corpo e na vida de cada dia uma pureza a ser inventada.
Profile Image for Ket.
27 reviews
February 15, 2022
O livro é sem dúvida muito engenhoso, apesar de ter muitos diálogos desnecessários e problemáticos envolvendo questões de gênero. Contudo, é estranhamente satisfatório perceber a transformação de Nando, apesar de sua mania de hipersexualizar o corpo feminino, porque ele é o exemplo perfeito de como existe toda uma idealização da cultura brasileira regida pelas narrativas de poder, sobre tudo a católica. Mais do que um desaforo contra as tradições religiosas, a introspecção de Nando resume muito bem todos os problemas que reverberam no imaginário do clássico homem branco e hétero.
Apesar disso, mesmo fazendo um movimento para "humanizar" a vivência indígena, tão banalizada pela igreja, a narrativa transparece um indianismo alencarino um tanto preocupante, no modo como configura o indígena como aquele ser passivo ao colonizador.
Apesar de todos os problemas, os quais não me surpreendem, a estória compõe muitos cenários históricos de forma muito interessante, tendo em vista o próprio contexto da obra, ditadura militar, e como ela se posiciona em favor da perspectiva do oprimido. Assim, a obra reúne muitos pontos e perspectivas importantes para a compreensão do que é esse país pensado e idealizado por narrativas de poder, dentro de um dos períodos mais devastadores de sua história.
Profile Image for Brent Agamã.
63 reviews18 followers
May 18, 2021
História razoavelmente boa, mas recheada de papos e pensamentos da época de deixarem o livro mó entediante. Esse longo livro é uma sequência de várias ondas, com cristas de narrativas e vales de "papos", então, por isso, vou avaliar esse livro pelas partes nele compostas:
1 - O Ossuário: Já ali se iniciava uma boa narrativa, sempre cheia de pensamentos da época (como é de costume de Callado), mas eu gostei bastante desse capítulo, havia muita coisa acontecendo, e uma promessa no ar de que o que estava por vir seria bom. O Nando se preparando espiritualmente para sair da igreja e ir ao Xingu parecia quase o Bilbo para sair de Hobbiton e começar a embarcar-se em uma longa e emocionante aventura.
2 - O Éter: Já de inicio as coisas começaram a dar errado e eu a me decepcionar. Longas passagens onde um padre agora estava se envolvendo em drogas no Rio, recheadíssimas de ideias meio doidas, de pensamentos da época, dando ao Ennui uma oportunidade de bater forte. Mesmo assim, fui em frente. Mal sabia eu, porém, que essas coisas iriam se tornar mais e mais comum, e tomar considerável parte de toda essência do livro.
3 - A Maça: Aí foi barril. A parte mais longa do livro. Comecei a me acostumar com a ideia de que esse livro não era o que eu de inicio imaginava, mas as coisas que ocorriam no Xingu acabaram me mantendo a curiosidade de saber o que mais aconteceria.
4 - A orquídea: Mesma impressão que "A Maça", até um pouco mais interessante, mas a partir daqui comecei a perder a paciência e saco com o livro.
5 - A palavra: Depois de um hiatus brigado com o livro, voltei. No inicio, eu não aguentava mais ouvir os pensamentos da época do livro, mas, quando , ali gosteiii. O livro teve um 'turn of events' que me cativou a atenção. Ficou muito mais interessante, os detalhes do que fazem e falam com ele, por exemplo, me foram muito bons. Esse sim foi o melhor capítulo do livro!
6 - A praia: ? Esse capítulo foi o mais estranho, muito mais até que "O Éter". As coisas não pareciam fazer mais sentido para mim... Do nada resolve fazer ? Do nada assim?
7 - Um encerramento legal, eu curti.
Summing it up: Dizem que Quarup é um dos melhores livros da nossa literatura, que representa bem o Brasil. Eu o achei muito fraco, achei que Callado se perdeu na narrativa, mas acho que é uma ótima referencia de pensamentos da época.
Penso muito que se Voltaire tivesse escrito Candido de uma forma menos resumida e mais carregada de pensamentos, sairia um Quarup da vida: a história legal, mas que acaba ficando chata e extensa. Em contrapartida, se Callado tivesse cortado todo seu "nhenhenhém", poderíamos aderir à nossa literatura uma novela quase como Candido de Voltaire. Mas suponho que no final das contas Callado queria representar o romance dessa forma e não temos senão que aceitar o tédio.
Profile Image for Eddy64.
591 reviews17 followers
March 29, 2025
Romanzo corposo sul Brasile degli anni 50 e 60, tra rivendicazioni sociali, repressioni anticomuniste, difesa degli indios dell’Amazzonia: un paese descritto tra mille contraddizioni alla ricerca di una propria identità. Filo conduttore è in qualche modo il personaggio di Nando, un prete che all’inizio della storia lo troviamo nell’ossario di un convento nel nord est, in preda a crisi mistiche e incerto sulla sua vocazione missionaria. La conoscenza dell’amore spirituale (e carnale) e la morte di un amico ucciso dai militari lo convincono ad affrontare il mondo. Dopo un periodo a Rio, si stabilisce per alcuni anni presso gli indios dell’Amazzonia. Inserito in un gruppo eterogeneo di difensori dei loro diritti e tradizioni assiste al Quarup (che da il titolo al romanzo) un grande banchetto indigeno di celebrazione dei morti che avviene lo stesso giorno del suicidio del presidente del Brasile Getulio Vargas, travolto da uno scandalo politico Qualche tempo dopo in un viaggio verso “il centro geografico del paese” entra a contatto con una tribù molto primitiva devastata dal morbillo. Tornato nel nord est e lasciata la tonaca insieme ad altri “rivoluzionari” contribuisce alla fondazione delle prime leghe contadine a all’alfabetizzazione della popolazione. Le rivendicazioni sociali sono presto soffocate dai militari e Nando, bollato come sovversivo viene arrestato ma evita la tortura. L’ultima parte del romanzo lo vede auto esiliarsi in una capanna sulla spiaggia e diventare un maestro di arti amatorie presso gli “ultimi” che non ha mai trascurato nel corso degli anni. Organizza così un nuovo Quarup, una grande festa per provocare le autorità prima di fare una scelta definitiva sul suo futuro…Un romanzo eterogeneo, con tantissimi personaggi e per questo un po' dispersivo. Tra rivoluzione politica e ritorno alla natura, il Sertao contadino e l’amazzonia degli indios, la storia si snoda intorno alla vicenda molto umana di questo Nando, prete, missionario, spettatore prima e attore poi nelle rivolte sociali e non ultimo grande “amatore”. Peccato che… non faccia scoccare quella scintilla che fa appassionare e quindi rimane per il lettore un piatto molto ricco e condito, ma purtroppo freddo. Scritto alla fine degli anni 60 si inserisce nel filone dei romanzi politico sociali, che molto attuali all’epoca, oggi appaiono inevitabilmente un po' datati. Pubblicato in Italia nel 1972 e mai più ristampato oggi è reperibile solo nell’usato (dove con un po' di pazienza e fortuna si trova veramente di tutto…) Tre stelle per un libro non indimenticabile.
Profile Image for Victor Pedra.
14 reviews
June 5, 2024
"Quarup" is as intricate as the tumultuous and diverse Brazil that it aims to portray. The book is a mosaic that centres around a priest named Nando, who serves as the protagonist. Through the narrative, we follow his existential uncertainties as an individual and a citizen in a country in constant crisis. The story follows Nando as he explores his sexuality, morality, and the political turmoil in a Brazil struggling to define its own identity.

The book delves into the period from the 1950s to the 1960s, amid the Brazilian Dictatorship, providing a rich tapestry of diverse themes. However, the bulk of the narrative revolves around Nando's journey to the Xingu region, where he interacts with the indigenous tribes preparing for a ritual known as Quarup. Additionally, a section of the book is dedicated to the quest for the geographical centre of Brazil, both metaphorically and literally.

Using a mix of poetic, dramatic, and journalistic language, "Quarup" remains as complex today as it was upon its initial publication in 1967 (just before the AI-5). To comprehend Brazil and also ourselves, "Quarup" is indispensable.
Profile Image for Priscilla.
1,928 reviews16 followers
March 5, 2025
Quarup é uma obra que se propõe a colocar o dedo na ferida e discutir sobre aqueles assuntos que se dizem indiscutíveis: política, sexo e religião. Embora tenha sido publicado em fins da década de 60, toda a trama poderia se passar nos dias de hoje.

Callado critica o proselitismo religioso através do personagem principal, Nando, um padre que ao se propor a converter os indígenas do Xingu se envolve também em questões como a doutrina sacerdotal, o impacto da exploração dos povos e a óbvia manutenção da ordem através da tríade jagunços-indíos-governo.

O problema é que o romance não assume propriamente a sua pretensão discursiva e se desequilibra entre manifesto e narração. A leitura fica lenta pela repetição constante de diálogos rasos e pequenos desenvolvimentos que são abandonados no decorrer da trama.

A ideia foi boa. Mas poderia ter sido melhor desenvolvida.
Profile Image for Danilo Lipisk.
249 reviews2 followers
October 22, 2023
Mais de um mês depois finalmente conseguir terminar a leitura desse livro. Tão aclamado, tão falado, tão analisado, mas para mim foi maçante, monótono, chatíssimo (quanto pleonasmo!)

Diálogos longos, cansativos, repetitivos e às vezes, totalmente non-sense. Fica de ponto positivo os conflitos morais do ex-padre Nando durante toda a trama, entre seu desejo de ajudar os indígenas e depois os camponeses naquele Brasil já com disparidades grotescas entre as classes sociais, sua libertação sexual (bem detalhada na trama) e a descrição da criminosa perseguição da ditadura de 64.

Mas ainda assim, o livro pra mim foi chato demais. O que eu deveria ter lido em 3 dias, li em mais de um mês.
Profile Image for Andrés.
68 reviews
December 30, 2025
Leí la versión en español de Argos Vergara, impresa en los 60. El libro consta de 7 capítulos, de los cuales el tercero es el mejor, el cual se desarrolla en el amazonas. En general, la primera mita del libro es muy buena, y la intensidad e interés decaen notoriamente en la seguna mitad del libro, al menos para alguien no familiarizado con la historia del Brasil.
Profile Image for Enzo.
6 reviews1 follower
September 28, 2020
Não é meu favorito só por causa do tema, que não me interessa muito. Mas é a escrita mais gostosa e envolvente que eu já li.
Profile Image for Maria Manuela.
9 reviews
October 25, 2022
Impossível terminar. Um tédio. O autor parece que tomou ácido junto aos personagens, muitoooos diálogos nonsense total. Socorro.
Profile Image for Diego Perez.
156 reviews11 followers
October 10, 2025
3,5

É um livro se apoia num tripé: romance de ideias; romance histórico; romance de personagens.

Infelizmente, Callado não consegue trabalhar com maestria os três elementos que sustentan a narrativa. Por vezes avançada em um e deixa os outros dois descobertos. Por vezes une dois elementos mas o terceiro sai maltrapilho. E assim vai até o fim do romance.

Tem seu valor e tem seus momentos. Mas não entrega tudo o que promete.
Profile Image for Maria do Socorro Baptista.
Author 1 book27 followers
June 16, 2024
É um verdadeiro mergulho na mente do protagonista, que vai de padre a amante, de amante a guerrilheiro, sempre buscando encontrar a si mesmo, perpassando por diferentes momentos de nossa história. Uma narrativa marcante, com alguns momentos nos quais pode-se questionar a própria questão da identidade brasileira. Afinal, quem somos nós? Recomendo muito sua leitura.
Profile Image for _takechiya.
42 reviews2 followers
April 3, 2024
Creio que uma das grandes questões de toda uma geração que cresceu dentro do cristianismo institucionalizado, seja católico ou protestante, é uma certa ambivalência em relação à religião. Não se encontra facilmente quem discorde do evangelho de Jesus Cristo, mas é difícil apoiar as instituições que se baseiam na Bíblia sagrada. Meditando sobre o mundo à sua volta, o padre Nando abandona a batina. A cena de entrada é muito boa: os devaneios hagiológicos do protagonista, numa catacumba escura e enevoada, são interrompidos por um grito da vida do povo vindo de um personagem que o vem importunar, iluminado pelo sol de uma cidade menos elevada que o reino dos céus.

O abandono das funções clericais remete a duas falhas da religião. A primeira é uma falha institucional, que se alastra desde a europa até a américa latina durante o conturbado século vinte, onde a igreja foi, em vários momentos, conivente ou cúmplice de fenômenos fascistas (lembro aqui do Noturno do Chile do Bolaño, que explora essa questão muito bem). A segunda é uma falha mais sutil, onde os dogmas teológicos se tornam insuficientes para lidar com uma realidade de repressão do povo. Não há muito espaço pra se pensar em teologia enquanto as pessoas são torturadas em centros do DOPS. Nando parte pra uma práxis revolucionária que ainda mantém os fundamentos espirituais de sua formação. Talvez seja apenas isso: a salvação dos povos é a salvação do proletário, porque estes constituem a mesma coisa.
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