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As ideias conservadoras : explicadas a revolucionários e reacionários

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Em um país de democracia recente e marcado historicamente por ditaduras como o Brasil, o pensamento político conservador costuma ser associado ao autoritarismo e à supressão das liberdades individuais. O audacioso objetivo deste livro é desfazer esse equívoco e apresentar ao leitor as ideias conservadoras, que não se confundem com as doutrinas reacionárias. Para o jornalista e cientista político João Pereira Coutinho, o conservadorismo é o modo de a sociedade preservar o melhor que, com base na tradição democrática, ela criou para garantir a paz, a liberdade dos cidadãos e o vigor das instituições. Com linguagem clara e envolvente, o autor expõe o pensamento dos principais filósofos conservadores, ao mesmo tempo que tece uma reflexão política de importante significado para a atualidade. Contra radicalismos crescentes à direita e à esquerda, Coutinho defende o primado da lucidez e do equilíbrio.

104 pages, Paperback

First published May 6, 2014

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About the author

João Pereira Coutinho

17 books39 followers
JOÃO PEREIRA COUTINHO nasceu no Porto, a 1 de Junho de 1976. Licenciou-se em História, na variante de História da Arte, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Doutorou-se em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, onde também ensina no Instituto de Estudos Políticos. Foi ainda Academic Visitor do St. Antony’s College da Universidade de Oxford.

É colunista da revista Sábado (desde 2017), do Correio da Manhã (desde 2009) e do diário brasileiro Folha de S. Paulo (desde 2005). Foi colunista dos semanários Expresso (2004-2008) e O Independente (1998-2003) bem como comentador da TVI-24 nos programas "25ª Hora" e "A Torto e a Direito". Em 2002, juntamente com Pedro Mexia e Pedro Lomba, fundou o pioneiro blogue A Coluna Infame.

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Profile Image for Mauro.
293 reviews24 followers
June 19, 2014
O conselho pode parecer acaciano, ou quem sabe extraído do conhecido livro do Mortimer A., mas é relevante: leia, antes de tudo, o título do livro.

(Eu fiz de conta que o Coutinho tinha mantido o acento nas "idéias" e até fiz um acentinho a caneta na minha cópia, porque ainda podemos).

Mas perceber que se trata apenas de "idéias" sobre o conservadorismo, e não definições fechadas e definitivas sobre o assunto, pode poupar o mais afoito de alguma decepção. Conservadorismo, é o mais nítido que diz o Coutinho, é antes de tudo uma "disposição" (de espírito, acrescentaria o Acácio aqui).

Há muito proveito, ainda, naquilo que o Coutinho explica não ser do acervo conservador - o imobilismo, sobretudo. Eu mesmo sempre achei que conservadores somos aqueles que sobem as escadas degrau por degrau, e que só vão ao próximo quando estão certos de que não há risco de voltarem ao degrau abaixo. Alguns outros pulam degraus arriscando o pescoço; outros mais, talvez a maioria, sobe e desce as escadas ao sabor de suas paixões, acabando sempre uns degraus abaixo de onde começaram. Destes, alguns nem percebem que há uma escada...

E é verdadeiramente reconfortante que o Coutinho (desculpem, acho uma delícia colocar o artigo antes do sobrenome, à moda lusitana) mesmo com o arsenal intelectual de que dispõe, não queira definir o conservadorismo: conservadores temos muito em comum, sobretudo as diferenças (e, quem sabe, um gosto por frases de efeito). Do raso ideário da revolução francesa, é a utopia da igualdade que mais nos desperta a vergonha alheia.

A diferença que tenho com o Coutinho é semântica, apenas: ele às vezes opõe os conservadores aos "radicais". Embora eu compreenda que o adjetivo, em Portugal, tão mais próximo do Islão, tenha conotações específicas, eu tive uma professora que, chamada de "radical", por que a aluna a achava excessivamente rigorosa, respondeu, sangüínea: "sou radical sim, vou sempre à raiz das coisas". O conservador, por isso, nessa minha concepção, é antes de tudo, um radical.

Por isso é possível arremedar às avessas o mais famoso começo de livro: todos os progressistas são iguais; os conservadores o são cada um à sua maneira.
Profile Image for João Victor.
135 reviews6 followers
May 27, 2016
Interessei-me por este livro quando li uma resenha na coluna Pensata, do iG, que o colocava como um dos melhores de 2014. Ela dizia o seguinte:
"Num país habituado a ter nos representantes da direita exemplos de desonestidade intelectual (Marco Antonio Villa), truculência (Reinaldo Azevedo), baixo índice de humanismo (Rodrigo Constantino), humor para não ser levado tão a sério (Luiz Felipe Pondé) e radicalismo típico de quem já foi um esquerdista radical (Demétrio Magnoli), nada como um bom livro de um conservador elegante, intelectualmente honesto, humanista e amigável cientista político."
A intenção da leitura foi então reforçada e colocada em prática pela citação feita por Leandro Karnal em uma de suas palestras.
Porém, eis a minha surpresa quando inicio a leitura da orelha do livro e vejo que ela vai assinada por... Reinaldo Azevedo! Depois que consegui piscar novamente, voltei a leitura e ao seu término vi que os elogios não foram em vão. E como dentro do debate político atual falta gente com equilíbrio para discutir ideias de forma elegante, ou melhor, falta dar visibilidade para essas pessoas mais equilibradas, a impressão que fica é que é um livro essencial para entender como os conceitos estão se perdendo no meio dessa guerra em que vivemos atualmente.
Quanto as orelhas do livro... Se eu pudesse dava um puxão na de quem permitiu esse estrago.
Profile Image for Marcelo Centenaro.
29 reviews25 followers
December 31, 2014
Autografado pelo autor.

Mais uma obra imperdível de João Pereira Coutinho está nas livrarias: As Idéias Conservadoras - Explicadas a Revolucionários e Reacionários.

O fio condutor do livro é o pensamento de Edmund Burke (1729-1797), referência maior do conservadorismo britânico. Burke publicou, ainda em 1790, Reflexões sobre a Revolução na França, uma análise que previu boa parte das catástrofes que a Revolução Francesa acabou realizando, e que envolve todos os aspectos mais importantes do pensamento conservador.

Coutinho afirma que todos somos conservadores, pelo menos em relação ao que estimamos. Portanto, existe uma disposição conservadora, que não está relacionada com a política, de “usar e desfrutar aquilo que está disponível, em vez de procurar ou desejar outra coisa”, segundo Michael Oakeshott. É possível que essa disposição conservadora e o conservadorismo político não coexistam no mesmo indivíduo.

A disposição conservadora política não recusa apenas as ambições utópicas futuras dos revolucionários. Rejeita também uma suposta felicidade utópica passada dos reacionários. Coutinho afirma que qualquer outra ideologia diferente do conservadorismo elegerá valores que são desejáveis em qualquer circunstância. Para um liberal, a liberdade. Para um socialista democrático, a igualdade. Para um conservador, isso não existe. Cada valor será benéfico ou prejudicial conforme as circunstâncias. Ou seja, o conservadorismo é uma ideologia, porém diferente de todas as outras. Não é uma ideologia ideacional e ativa, mas posicional e reativa.

Um ponto fundamental do conservadorismo é a consciência da imperfeição humana, que convida o agente conservador a uma conduta humilde e prudente, que recusa a política utópica. Outro ponto básico é valorizar aquilo que sobreviveu aos testes do tempo. O fato de uma tradição existir há muito tempo é um indicativo da possibilidade de que essa tradição seja benéfica. Disse possibilidade, não certeza. Qualquer tradição pode e deve ser questionada.

Há um capítulo dedicado à relação entre conservadorismo e capitalismo. Coutinho chama o capitalismo pelo nome dado por Adam Smith: sociedade comercial. Existem conservadores que são adversários do capitalismo, o exemplo máximo seria Justus Möser (1720-1794). Coutinho diz que um conservador deve valorizar a sociedade comercial não por motivos transcendentes, mas por motivos empíricos e imanentes. A sociedade comercial funciona duplamente: na criação e distribuição de riqueza e como expressão das livres aspirações humanas.

Ao ler o livro, fiquei me perguntando o tempo todo até que ponto concordo com João Pereira Coutinho. Acho que tenho uma grande disposição conservadora pessoal. Concordo com os raciocínios de Coutinho, muito bem fundamentados. Mas discordo de alguns pontos de seu conservadorismo político. Acho que a liberdade é um valor extremamente importante e que a idéia de igualdade tem servido a todo tipo de manipulação. Ele defende alguns tipos de assistência aos desfavorecidos, sobre os quais tenho grande desconfiança. Vou continuar pensando nessas questões por mais tempo. Talvez Coutinho acabe me tornando mais conservador do que sou.
Profile Image for Bruno Matias.
55 reviews4 followers
December 9, 2016
Hoje, um conservador, no Brasil, é associado ao retrocesso, reacionarismo, antipatismo, autoritarismo e à supressão das liberdades individuais - ao menos para uma parte significativa das pessoas. Nessa obra, o autor João Pereira Coutinho esclarece, com linguagem clara e envolvente, muitas distorções sobre o verdadeiro Conservadorismo e o apresenta não como um fenômeno militante e ideológico (um pensamento total e inequívoco que precede a realidade), mas como um modo da sociedade preservar o melhor que, com base na tradição democrática, ela criou para garantir a paz, a liberdade dos cidadãos e o vigor das instituições. Recomendo!
Profile Image for Leonardo Bruno.
148 reviews10 followers
August 14, 2015
Sucinto, objetivo, claro, bem escrito: se você quer um livro que apresente as principais idéias conservadoras (sem ignorar que não existe um Conservadorismo, mas conservadorismos), então eis uma ótima pedida. De fato, uma excelente introdução ao pensamento político conservador.
Profile Image for Messala.
10 reviews
September 21, 2015
Apesar de não me enquadrar nem como revolucionário e tão pouco como reacionário, gostei muito do livro. O autor esclarece as ideias conservadoras e o que significa ser um conservador na política.
25 reviews
February 27, 2025
Busquei este livro como uma tentativa de expandir horizontes e, antes de aderir a um pensamento político, ou criticá-lo, tentar entendê-lo de fato. O livro de Coutinho serviu, em parte, a esse propósito. Digo em parte porque, como ele mesmo afirma na obra, existem diversos tipos de conservadorismo. Este livro não tenta exaurir essas correntes; antes ele mostra a visão de Coutinho sobre o assunto. Aliás, não espere imparcialidade aqui. Coutinho quer de fato defender aquilo que ele entende por conservadorismo, e lança mão de todos os expedientes para seduzir o leitor e convencê-lo de que suas idéias são inatacáveis.
Iniciarei falando do que me pareceram ser as virtudes do livro:
Os conservadores tentam se diferenciar dos revolucionários e dos reacionários.
Uma dessas distinções reside no fato de eles se consideram mais realistas e sensatos que os outros dois grupos.
Afirmam que tanto revolucionários, quanto reacionários acreditam em utopias, enquanto a raiz do conservadorismo estaria fincada no ceticismo e na prudência.
Os revolucionários acreditariam na utopia de um futuro perfeito para todos (segundo a visão deles mesmos),
enquanto os reacionários acreditam na utopia de um passado perfeito para todos (também segundo a visão deles mesmos). Após essa explicação, Coutinho faz uma crítica ao racionalismo iluminista afirmando que um dos erros dos líderes da Revolução Francesa e dos teóricos do Iluminismo foi mergulhar de cabeça na racionalização excessiva, ignorando os processos factuais que aconteciam na realidade, ou seja, o conhecimento empírico. O livro continuará, mais ou menos nessa toada, até o final. O esforço supremo de Coutinho é fazer uma ligação automática entre humildade, prudência e o conservadorismo; arrogância, imprudência e o progressismo (embora ele trate dos reacionários, o alvo de suas críticas são mesmo os revolucionários).
Segundo Coutinho, enquanto reacionários e revolucionários recusam o presente violentamente, o conservador seria cético, porém não fatalista, nem pessimista, já que "o reconhecimento da imperfeição intelectual humana convida assim o agente conservador para uma conduta humilde e prudente que recusa a política utópica." Observe a tentativa em sempre pintar um belo quadro do conservadorismo. As críticas ao conservadorismo existem, mas logo são amainadas por ponderações que exaltam as virtudes das idéias conservadoras quando comparadas às ideias progressistas. Enquanto isso, os ideais dos revolucionários são sempre menosprezados como "extremos", "utópicos" e "fantasiosos", impossíveis de serem alcançados, em uma clara tentativa de deslegiltimá-los.
No entanto, mesmo que o livro tenha sido concebido explicitamente para defender o conservadorismo, não significa que ele não apresente algumas ideias plausíveis mesmo para quem não defende essa teoria.
Um dos argumentos interessantes de Coutinho afirma que o conservadorismo assume-se como ideologia posicional, pois surgiria a depender da posição em que o indivíduo se encontre, ao ver valores tradicionais da sociedade serem atacados. Isso ocorre porque os conservadores rechaçam mudanças extremas e bruscas.
A política seria uma experiência empírica, portanto, não funcionaria com uma base fundamentalmente racional e abstrata.
Além disso, como o conservadorismo possui a característica da maleabilidade, afastando-o de uma cartilha ideológica estanque, seria possível até mesmo adotar ações e ideias mais à esquerda, quando nota-se que elas serviriam para melhorias políticas e sociais. Então, o conservadorismo não reconheceria um valor, ou um conjunto de valores, como sempre tendo prioridade sobre os demais. Essa prioridade valorativa mudaria conforme as circunstâncias também mudassem.
Este é um dos momentos em que é provável surgir uma vontade de aderir ao conservadorismo. Afinal de contas, prudência, racionalidade e sensatez não deveriam ser consideradas coisas ruins. Na política, certamente, são bastante úteis. Porém, há um problema que pode ser delineado em um ditado conhecido: "A diferença entre o veneno e o remédio é a dose". Eu acredito que esta seja uma metáfora perfeita para quase todas as ideologias políticas, e o conservadorismo não parece fugir a esta regra.
O comedimento em si, é necessário na vida para não metermos os pés pelas mãos. Mas em doses excessivas ele traz ansiedade, medo e emperra mudanças necessárias. Também há um outro problema: quando o comedimento é utilizado apenas para encobrir a falta de solidariedade e o egocentrismo. Creio ser o que ocorre muitas vezes com os conservadores. O autor defende que o conservadorismo não pretende ficar preso ao passado, mas também não quer fazer mudanças de forma afoita, por romantizações do futuro. Os conservadores apenas buscariam manter os valores mínimos inerentes à natureza, que são efetivamente bons e úteis para a sociedade. É uma afirmação muito virtuosa na sua abstração, mas não acredito que resista ao teste da realidade. Afinal de contas, quem vai ter legitimidade para dizer quais são os valores bons e úteis para a sociedade? Aliás, creio que o erro já se mostra no fato de pensarmos que existem valores que serão igualmente bons e úteis para todos os grupos sociais, e na mesma medida. Esse pensamento não leva em conta que a sociedade não é uma massa homogênea, mas é composta por inúmeros interesses, sendo vários deles conflitantes entre si. Aliás, o próprio autor já admite que esses valores mudam conforme o contexto social e os interesses envolvidos.
Outra tese de Coutinho sobre o conservadorismo é que este não nega a necessidade de mudanças e reformas, mas critica a velocidade e os objetivos que elas almejam, além dos princípios em que se amparam. A mudança drástica, a revolução, são criticadas não apenas por seu ímpeto e violência, mas também por fundamentar-se em ideias abstratas, em ideologias consideradas fugazes, abstratas e arbitrárias pelo autor. Segundo ele, as mudanças devem ser feitas com referência, e em deferência, "às maneiras, aos costumes, às leis, às tradições de um povo".
Para haver reforma, deve haver uma tradição que servirá como ponto de partida balizador das ações futuras.
Mas isso também pode ser questionado. Afinal, o que seria esse "ponto de partida, balizador das ações futuras"? Ele seria um ponto democrático, que buscaria dar voz aos interesses de vários grupos sociais? Ou ele simplesmente imporia as ideias do grupo social mais forte sobre o mais fraco?
A independência americana é utilizada como exemplo de revolução conservadora. Isso porque os colonos não fizeram um movimento revolucionário baseado em ideais abstratos, mas sim, lutando por direitos já previstos em leis, e que lhes foram retirados arbitrariamente. Confesso ver aqui outra incongruência porque o que motiva a luta por direitos é justamente o ideal de uma vida melhor. Quem se acostuma ao que tem, dificilmente sai do lugar. Parece haver um preconceito ou um medo gigantescos, dos conservadores, em relação ao porvir e à mudança (progressistas diriam que é o puro e simples medo que o conservador tem de perder sua posição privilegiada, no que tendo a concordar com eles). Afinal de contas, a insatisfação e o ideal de uma vida melhor é o que motiva a mudança. As leis e direitos americanos já estavam consolidados porque já haviam saído do estágio de utopia e ideal. Mas sem estes últimos, jamais teriam existido, e muito menos se estabelecido.
Um outro problema, a meu ver, é que Coutinho não parece reconhecer a luta entre classes. Aliás, esta parece ser uma ideia bastante comum entre liberais e conservadores: a ideia de que o antagonismo entre classes foi criado artificialmente (socialistas) para provocar uma desunião social. Acreditar que haja uma união natural e harmônica entre as classes sociais, ironicamente, já é por si só uma utopia. Mas, voltando ao livro, creio que o autor mantenha sua escrita em um plano puramente teórico e abstrato. Não demonstra humanização ou empatia.
Apesar de falar bastante em prudência e parcimônia, ele mantém seu discurso nesse tom abstrato, e raramente consegue sair da esfera teórica e demonstrar como essa teoria seria aplicada à prática.
Outra dúvida que surge: quais seriam os parâmetros morais e éticos que auxiliariam o agente conservador a definir o que deve ser mantido e o que deve ser reformado? Esses parâmetros seriam estabelecidos visando atender aos interesses de quem? Ele também não responde essa questão, até porque ele nem sequer se faz essa pergunta. Várias outras críticas ainda poderiam ser feitas, mas o texto ficaria ainda mais extenso.
A impressão que o livro me passou é de que os conservadores são imensamente temerosos do desconhecido; realmente pessimistas. E creio que esse pessimismo surja do fato de que aquelas pessoas que se identificam com o conservadorismo geralmente pertencem às classes mais altas, as quais têm acesso a muitos direitos e facilidades que as classes mais baixas não têm. A força motriz do conservador parece ser o medo de perder seus privilégios ao mudar o status quo dentro da sociedade. Devido a isso, a questão central da diferença de classes e como acabar com a desigualdade social são evitadas durante toda a obra. Na realidade, elas parecem ser completamente inexistentes para Coutinho. É uma característica de quem possui uma situação abastada. Quem é privilegiado e possui uma visão de mundo egocêntrica, não sente necessidade de mudar a realidade social desigual, por motivos óbvios. É fácil defender que as mudanças sejam lentas quando você não sente o sofrimento na própria carne, e não se encontra em situação de desespero e vulnerabilidade. É um tanto irreal e insensível exigir prudência de alguém que está lutando para sair de uma situação de opressão.
Em resumo, acho necessário tentar olhar o livro com imparcialidade. Acredito que haja afirmações verídicas e bastante úteis, como em relação ao fato de que qualquer revolução ou mudança brusca pode ter consequências imprevisíveis para o bem, e para o mal. Porém, o ponto fraco do livro é o fato de o autor se manter na superficialidade, e se utilizar de termos rebuscados para passar uma idéia mais profunda e filosófica do que seria na realidade.
Em resumo, o livro é apenas válido para se ter uma idéia a respeito do pensamento conservador, mas, para se apresentar como uma ideologia, não me parece ter robustez.
Profile Image for Cleydyr Albuquerque.
22 reviews
December 8, 2020
É um livro esclarecedor e didático em meio a tanta confusão. Há uma diferenciação clara entre o conservador, o reacionário e o revolucionário. A apresentação de princípios sobre os quais se edificam o conservadorismo torna e por que estes princípios são importantes fazem com que leitor generoso possa analisar mais cuidadosamente as suas opções políticas. É uma leitura curta, quase uma conversa rápida com o leitor.
Profile Image for Álvaro Athayde.
80 reviews10 followers
September 27, 2014
!!! A LER !!!

O autor caracteriza e defende uma posição que designa por Conservadorismo Burkiano e que eu designo por Realismo Progressista .
O Cosmos, incluindo os Humanos e as suas Sociedades, é regido por Leis que os humanos não fizeram nem podem modificar, mas que podem conhecer e compreender – as Leis da Natureza.

Existe uma Natureza Humana, algo que permite que um humano identifique outro ser como membro da sua própria espécie e que permite um acordo básico sobre o que é bom e o que é mau para os humanos

Embora já hoje exista um razoável conhecimento e compreensão das Leis da Natureza nos domínios da Física e da Química, no domínio da Biologia esse conhecimento e compreensão é claramente menor e nos domínios das Antropologia, Sociologia e Psicologia é absolutamente incipiente, encontrando-se estas disciplinas ainda na fase da pesquisa empírica.

Não se dispondo pois nos domínios das Antropologia, Sociologia e Psicologia senão de um acervo de conhecimentos empíricos manda a prudência que não embarquemos em grandes projectos tecno-antropológicos, tecno-sociológicos ou tecno-psicológicos, tal como ainda não nos atrevemos a embarcar em grandes projectos tecno-biológicos.

Significa isto que se não possa, ou se não deva tentar introduzir melhorias no existente? Curar doenças, melhorar sistemas de governação, etc.? De forma nenhuma, pode-se e deve-se, mas incrementalmente, com os devidos cuidados, porque não temos conhecimentos que nos permitam prever com segurança as consequências.
Daí o Realismo Progressista : Realismo porque se atem ao real, não ao ideal, Progressista porque não se recusa a melhorar a situação dos Humanos e as suas Sociedades.

Sendo embora o ponto de chegada o mesmo, parece-me, os pontos de partida são muito diferentes, porque provimos de culturas diferentes
«Two polar groups: at one pole we have the literary intellectuals, at the other scientists, and as the most representative, the physical scientists. Between the two a gulf of mutual incomprehension.»
in C. P. Snow, The Two Cultures and the Scientific Revolution (1959).
diferentes mas complementares, assim o creio, e com enorme potencial de, por miscigenação, por mestiçagem, gerarem novas sínteses e novíssimas mundividências.
Profile Image for Pedro Faraco.
46 reviews10 followers
December 26, 2014
Ótimo ensaio de João Pereira Coutinho sobre o pensamento conservador moderno, apresentado como uma ideologia posicional e reativa, diferente portanto dos modelos ideacionais e ativos presentes nas utopias revolucionárias e reacionárias.

O estilo de Coutinho torna a leitura agradável. As inúmeras referências a autores notáveis como Edmund Burke, Michael Oakeshott, Roger Scruton, Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Karl Popper, John Kekes, Friedrich Hayek e Isaiah Berlin, faz deste um livro que abre apetite para aprofundar-se no seu tema central. A seção bibliográfica ao final do ensaio mostra o caminho das pedras.
Profile Image for Marcelo Avila.
1 review1 follower
July 25, 2015
João Pereira Coutinho foi feliz em conseguir, nesse pequeno ensaio, demonstrar o que é e o que não é o conservadorismo.
Com uma bibliografia sólida, cobrindo 300 anos de história, explica o que se deseja conservar, o por quê e, mais importante, quais foram as consequências de abandonar aquilo que vem fazendo a humanidade prosperar.
Não menos importante, permeando todo o livro, trata de como se deve mudar e de que forma.
Conclui tratando de um governo conservador e de ele ser a proteção contra males dos quais os homens sempre fugiram.
Sua leitura é esclarecedora para qualquer leitor, em qualquer ponto do espectro político e certamente será de proveito.
Profile Image for Filipe Charters.
35 reviews14 followers
February 27, 2018
Escrevi esta "dedicatória" prefácio quando ofereci este livro a um dos meus irmãos - os outros já sabem que vão te de levar comigo!!!.
É uma visão ligeiramente diferente do consevadorismo: parte de outro princípio e é menos fundamentada.

*****

« 1. Se tivesses oportunidade de mudar o mundo, se tivesses oportunidade de construir as instituições humanas 2.0, aproveitarias a oportunidade para mudar o quê? Acabarias com a desigualdade? “Inventarias” os fins de semana de 3 dias? Acabarias com as línguas no mundo e impunhas o esperanto? Acabavas com as fronteiras? Acabarias com a religião? E com as instituições militares? Mudarias o esquema de produção? Acabavas com os chefes? Mudarias o sistema décimal, para um sistema binário? Acabaríamos com todas as leis que permitem a descriminação sobre as mulheres? Acabarias com a escravatura?

As instituições humanas e as leias que nos regem, em todas as sociedades – quer as ocidentais, quer a mais bizarra tribo perdida numa qualquer floresta virgem – baseiam-se num conjunto de experiências e princípios que ao longo dos séculos foram refinando, e aperfeiçoando. Na maior parte das vezes por tentativa e erro. Com muita asneira. E há que ser honesto: o que temos é falível e imperfeito. Por vezes, ao longo da história, não há avanços... há recuos. Se algum de nós tivesse a oportunidade de mudar o mundo, que instituições mudaria?

Se fossemos americanos, evidentemente que a pulsão seria mudar o sistema de saúde e de segurança social. É de facto um escândalo que um país desenvolvido não tenha um modelo de proteção colectiva. E não consigo lembrar-me de nenhum motivo válido para que eles não o tenham.

Porém, se conseguires apresentar uma mudança estrutural como uma das que mencionei acima,então não serás um conservador!!!!!; mas acima de tudo (e há aqui, propositadamente, muuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttttttttttaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa provocação e a mesma dose de honestidade) há menos pluralidade e menos democracia. O que temos, ou o que não temos, foi construído de forma orgânica com o contributo de todas as gerações que nos antecederam. É falivel, é!!! Não é perfeito! Mas foi feito, por estranho possa parecer, de forma inclusiva. E, sobretudo, e este é para mim o aspecto mais importante: tem presunção de eficiência, pois passou o teste do tempo. O QUE EXISTE MERECE ASSIM SER CONSERVADO.

Não significa que as coisas não possam mudar, ou que não devam mudar – só temos presunção de eficiência, e não eficiência per si. Claro que o mundo, as instituições sociais e humanas precisam de se reformar, mas não de uma mudança estrutural. Esta “mudança estrutural”, uma revolução, só deve ser implementada quando determinadas barreiras morais foram ou são quebradas. Por isso foram os conservadores que lideraram a luta contra a tirania que se aproximava com a revolução francesa, com o nazismo, o fascismo e o comunismo. Churchill, De Gaulle são os exemplos mais gritantes no sec XX. Mas na escravatura também, com o Lincoln nos EUA; com João Alfredo Sousa no Brasil. O mais curioso, para a história recente, foi nos anos 60 nos EUA com os senadores e o partido republicano a lutar pelos direitos civis e o partido democrata a ficar mais calado – como ficou sempre calado até ao Kennedy. (propositadamente não falo de Pt)

As mudanças têm por isso de ser graduais. É a única forma de estas serem inclusivas – isto é, de terem os contributos de várias gerações – e o processo eficiente. Recentemente quando perguntaram ao prémio nobel Angus Deaton, com uma história pessoal profunda de combate à desigualdade, o que é que ele gostava de mudar na sociedade, numa forma muito parecida com o início deste texto, se tivesse poderes para o fazer, este defendeu-se: “nada. Acho aliás essa questão bastante ofensiva”. Quando o entrevistador confrontou com o facto de que os países na Escandinávia tinham uma economia mais produtiva e manifestações de felicidade (medida em inquéritos) superiores, este manteve-se firme: é o que eles quiseram.

2. A segunda razão pelo qual os conservadores são conservadores, reside no facto de que estes acham que o homem é um “bicho mau” e que por isso a mudança tem de ser gradual. Por vezes o homem ouve as vozes tenebrosas da natureza.

Assim, os conservadores acham que a sociedade se melhora, fundamentalmente, pela melhoria do carácter do indivíduo. A sociedade melhora quando o indivíduo combate as suas fraquezas e falhas. Claro que em tirania, como fascismo, nazismo, comunismo, tiranias islámicas, etc, um indivíduo deve lutar sobretudo contra as forças externas. Em todas as outras situações, e sobretudo num país decente como Portugal ou a generalidade dos países europeus, a maior batalha do individuo é consigo próprio. A igreja, uma “escola” conservadora e rígida, afirma mesmo que a criança nasce “má”, em “pecado”. Para um conservador não há “bom selvagem”. Há maldade e cada um tem de se corrigir, e limitar.

A esquerda, no entanto acredita que a melhoria da sociedade se consegue no combate às falhas morais da sociedade. Por isso luta contra o racismo na sociedade, o sexismo na sociedade, etc. Aliás, quando ouvimos alguém falar de activismo, assumimos logo que será alguém de esquerda. (O curioso é que a maior parte dos problemas mencionados pela esquerda são problemas individuais e mais facilmente combatidos com uma melhoria do indivíduo...)

Pior, a esquerda acaba por estar mais preocupada com a política do que a direita... Pois a política é o terreno de actuação de quem quer mudar a sociedade. A direita defende, em alternativa, instituições como a família, a igreja e por vezes o trabalho, pois são essas as instituições que podem melhorar a condição humana.

A esquerda quer sempre a revolução social, a transformação rápida; a direita não a quer, como se opõe a essa transformação. Para um conservador mudar rapidamente uma sociedade que não está fundamentalmente errada ou é a melhor que a humanidade já viveu é um erro - deixa de haver a tal presunção de eficiência

3. Chegamos finalmente ao papel do Estado e à Liberdade: para um conservador só pode haver liberdade se houver auto-controlo. A celebre frase que a “minha liberdade só acaba quando começa a liberdade dos outros” traduz-se num auto-controlo do indivíduo em referencias morais. Que, como visto acima, é conseguido com uma luta constante dos indivíduos consigo si próprios. Por isso, para um conservador, uma sociedade livre não precisa de Estado. O auto-controlo permite o exercício da Liberdade.

Para um progressista tem de haver um maior controlo do Estado para os indivíduos, já que estes não se conttolam tanto.

Claro que Estado tem de ser poderoso; já que esta é a única forma de prover e impor bens públicos. Mas o poder do Estado não se pode comparar ao seu grau de intromissão

A mudança inclusiva, lenta e eficiente é uma ideia da Direita. Mais, o facto de que o homem nasce em pecado e que tem de se controlar é uma ideia da direita. Finalmente, estes dois temas levam a uma ideia de liberdade. E a melhoria do indivíduo baseada na família, por muito que (me) custe na religião e na disciplina do trabalho leva ao progresso da sociedade no sentido certo.

4. Mais, para um conservador não há assim um posicionamento de esquerda e direita ou causas definidas. A alteração de uma sociedade inclusiva, lenta, centrada na melhoria do indivíduo faz com que os desafios políticos nascem e morrem conforme o desvio entre o que a sociedade oferece em cada momento e a avaliação ética que cada um faz.

Para um conservador pode ser por isso a construção de um Estado Social, a luta contra a escravatura, liberdade económica, etc. Mas sempre desafios pragmáticos de avaliação do que existe.

Para um marxista a avaliação do que existe não altera as prioridades da luta: há sempre uma procura de uma sociedade sem classes.

***

O João Pereira Coutinho, neste livro, defende uma outra história do conservadorismo baseada no mundo inglês. A sequência dos argumentos é ligeiramente diferente da minha visão do conservadorismo. E está concerteza muito mais fundamentada.

O título original do livro (no brasil) é uma resposta aos revolucionários e aos reacionários. Aos que vivem de utopias do futuro (revolucionários) ou dos que vivem de utopias do passado (reacionários).

Não há interpretações históricas, ou descrição de heróis. Há apenas a descrição do que se chama uma “predisposição conservadora” que por vezes se traduz num movimento político.

Espero que gostes!!»
Profile Image for Carla Camila.
22 reviews1 follower
May 6, 2021
“A maleabilidade conservadora na atenção às circunstâncias será a expressão mais evidente do seu pluralismo político”. Essa frase de João Pereira Coutinho resume bastante o que ele apresenta no livro.
Aliás, JPC é meu articulista favorito da vida.

Apegado a tradições e  quase sempre visto como um “careta”, o conservador é tido no senso comum - das redes sociais - de forma quase caricatural. Chegam a dizer aqui em terras tupiniquins que o atual presidente Bosto-naro é conservador. Até consigo imaginar o esqueletim de Edmund Burke tendo tremeliques sempre que tal afirmação é proferida cá embaixo.

O livro apresenta um compilado de conceitos de autores importantes, como Scruton, Berlin, Oakeshott e até mesmo Hayek. Contudo, a espinha dorsal da obra vem de Burke e suas reflexões sobre a revolução francesa.

Há abordagens importantes sobre como o pensamento utópico sempre projeta no passado ou no futuro as soluções para as iniquidades do presente. E o quanto um agente político, enquanto criatura imperfeita e humana, deveria observar a singularidade do contexto para não adotar ações meramente baseadas nas cartilhas ideológicas.

No fim, chego a conclusão que é uma cafonice sem fim um adulto 30+ acreditar em valores políticos dogmáticos, soluções previamente fabricadas, simplificando a realidade sem levar em conta a natureza circunstancial das situações.

"À esquerda e à direita, o que perturba verdadeiramente os "engenheiros das almas humanas" é a perda de reverência por qualquer teoria explicativa geral capaz de captar a complexidade da vida social e de prescrever uma solução última para suas várias iniquidades. A mentalidade monista do intelectual secular convive mal com indivíduos que procuram livremente os seus fins de vida sem atenderem às recomendações paternalistas e tantas vezes autoritárias de uma elite política, filosófica ou religiosa".

É isso! Político nenhum vai nos salvar da inexorável imperfeição humana. NENHUM! Pensamento crítico e um bocado de ceticismo podem ajudar a nos livrar dos paraísos em terra prometidos por reacionários e revolucionários.

Livraço! Preciso ler novamente pra tentar captar outros conceitos que ainda não tive maturidade para compreender neste momento.
Profile Image for Bruno Cecchetti.
22 reviews3 followers
May 26, 2021
Por que é um livro importante para mim?
- Traz uma reflexão forte sobre a necessidade do sistema político se pautar na natureza humana como ela é, e não em utopias. E com isso busca oferecer um sistema liberal em todos os aspetos com mecanismos fortes de contenção de vícios e exageros. Acredito que é realmente o que precisamos.
- Traz a escola conversadora como uma abordagem política pautada na experiência, na estabilidade das regras que funcionam e na reflexão contínua sobre os riscos de piorar o sistema a partir de uma tentativa de melhorá-lo.
- Crítica as mudanças revolucionárias, onde reformas acontecem por paixão e utopias e depois que passam o sistema que se estabiliza não é necessariamente melhor que o anterior.
- Também apresenta discordâncias entre os próprios conservadores, onde p. ex. Thatcher é defendida no livro como conservadora enquanto outros a viam como uma vassala do "sociedade comercial".

Um ponto de atenção: o livro parece escrito para os conservadores, diz que é explicado a revolucionários e reacionários, mas eu que sou liberal e tenho afinidade com o conversadorismo tive que buscar os pontos positivos com um certo esforço, exceto nos dois últimos capítulos que são muito bons, ainda que também prolixos.

Algumas resenhas dizem que o livro é superficial. Com certeza é um livro pequeno, mas em alguns momentos é bastante prolixo.
Profile Image for Iury.
68 reviews
March 25, 2018
João Pereira Coutinho tem uma didática admirável, a qual se faz uniformemente presente nesse pequeno livro que busca explicar a concepção que o autor tem do Conservadorismo.

Um por um, o autor vai esmiuçando os princípios básicos por trás do conservadorismo como ideologia política, quais sejam, defesa da imperfeição intelectual humana, reconhecimento das diferentes concepções de 'bem', respeito às tradições úteis e benignas que sobreviveram ao teste dos tempos, atitude reformista que seja capaz de evitar a degradação e, valorização e proteção de uma 'sociedade comercial'.

Uma bela defesa do Conservadorismo Político e uma leitura que flui muito fácil, apesar do extenso número de citações.
Profile Image for Nuno Afonso.
29 reviews
January 2, 2025
Excelente livro para quem se inicia nesta matéria. Um bom início antes de se aprofundar no estudo de Burke, Smith, Scruton,...
1 review
May 5, 2015
"Ideologia posicional e reativa : é perante uma ameaça concreta aos fundamentos institucionais da sociedade que a ideologia conservadora desperta, reage e se define."

"Sabemos menos do que pensamos, e erramos mais do que devemos."

"A política não é um jogo de cassino em que se aposta livremente a essência e o sangue dos outros."

"Mas a total liberdade para lobos é a morte dos cordeiros".

Roger Scruton : "Os políticos podem ter objetivos e ambições para os povos que eles procuram governar. Mas a sociedade é mais do que um organismo mudo. Ela tem personalidade e vontade. A sua história, as suas instituições e a sua cultura são repositórios de valores humanos".

"Conserva arranjos tradicionais conducentes a uma vida melhor".

" Somos inquilinos temporários, de um mundo de inquilinos temporários."

Ética

"Comportamentos viciosos dentro do mercado são devidos a natureza e ao funcionamento deste mercado -ou, antes, as falhas morais que são anteriores a participação em qualquer sistema. "


" Fascismo tal qual o comunismo, adquiri aos olhos de um conservador contornos inapelavelmente utópicos e revolucionários." " Que procuram construir paraísos futuros pela impiedosa destruição do presente."

Definição de conservador : Imperfeição da intelectualidade humana (utopias), respeito as tradições benignas que sobreviveram aos diferentes testes do tempo, reformismo.



Profile Image for Adriano Rodrigues.
8 reviews13 followers
January 12, 2017
Um livro muito bom para quem está perdido na confusão que é o debate direita vs. esquerda, autoritário vs. libertário, tradicional vs. revolucionário, etc. É muito bom colocar os pingos nos “i”s e dizer que “conservadorismo é ISSO, e não AQUILO”. Afinal, o que não falta é liberal e libertário se achando conservador (e vice-versa), sem falar nos reacionário, aos quais o autor dedica várias páginas.

Como alguém com simpatias com autores reacionários, acredito que o autor deste livro foi injusto a comparar essa turma (que chega a incluir gente como G. K. Chesterton e Nicolas Gomes Dávila) com os revolucionarios, por serem utópicos irremediáveis (e perigosos); não vejo muita profundidade na crítica, e posso rebater com outra: a de que os conservadores estão dedicados, especificamente, a conservar, o que inclui conservar muito dos avanços danosos da esquerda, que os reacionários querem corrigir, ao voltar a uma ordem anterior, mais harmônica com a natureza humana e com a história.

Mas esse é realmente o único ponto no qual o autor merece alguma crítica, que muitos sequer considerarão válida. No mais, é um livro muito bom, lembrando que é apenas uma introdução, e que serve para começar a conversa.
Profile Image for Charles Fernando.
3 reviews
July 3, 2016
Curto e profundo, no sentido de nomear mil autores conservadores para leituras posteriores. No objetivo proposto pelo autor é necessário não só para esquerdistas compreenderem com o que lidam, mas para evitar maus conservadores que caem em algumas armadilhas do pensamento.

Posso até crer que conservadorismo seja mais que o dito, mas não posso dizer que foi um livro vão.
Profile Image for Claudio.
76 reviews5 followers
August 27, 2014
Um pequeno grande livro. Para ser lido, relido, trelido, guardado, recomendado, emprestado, discutido, anotado, contestado e tudo mais que se espera de uma grande obra. A extensa bibliografia é referência incontornável para quem se interessa pelo conservadorismo anglo-saxão.
Profile Image for Bruno.
6 reviews2 followers
February 17, 2015
Um ensaio simples, com bastante referências bibliográficas para quem deseja se aprofundar ainda mais no Conservadorismo, realmente excelente livro, recomendo para quem desconhece e fala pelos cotovelos a respeito do que é ser um conservador.
27 reviews
July 21, 2018
Um livro indispensável a qualquer conservador ou a quem deseja iniciar os estudos no tema. JP Coutinho escreve sobre a espinha dorsal do conservadorismo sem se valer de uma escrita muito rebuscada o que torna a leitura mais fluída, agradável e estimulante.
2 reviews3 followers
July 5, 2014
Excelente, não é por ser conservador que somos reacionários!! Bom para estes tempos de lulismo!
Profile Image for Carlos Saione.
1 review1 follower
December 3, 2014
Ótima leitura! Apresenta as ideias conservadoras no âmbito político de forma clara e bem embasada para quem nas as conhece.
20 reviews1 follower
Read
December 15, 2018
Isaiah Berlin
Um governo modesto e prudente começará por reconhecer a multiplicidade de valores e objectivos de vida que os seres humanos perseguem por sua conta e risco no contexto de uma sociedade pluralista.
Não cabe ao poder político a escolha da hierarquia de valores sob a qual todos os indivíduos terão que viver as suas vidas
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H.B.Acton
A tendência para imputar ao mercado comportamentos reprováveis do ponto de vista ético mais não é do que um lamentável expediente para desculpabilizar moralmente os indivíduos
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Hayek: o capitalismo aparece de ordem espontânea, tal como qualquer tradição digna desse nome.
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Burke:
O amor ao lucro embora por vezes levado a excessos ridículos e viciosos, é a grande causa da prosperidade de todos os estados.
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Margareth Tatcher
O sucesso económico do mundo ocidental é um produto da sua filosofia moral.
Os resultados económicos são melhores porque a filosofia moral é superior.
É superior porque começa pelo individuo , pela sua singularidade e pela sua capacidade de escolha.
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