“Estou aqui, ele está comigo, e nada mais importa. Mas, quando o sol nasce, o feitiço se acaba. As mãos se soltam na porta da boate, o beijo vira um estalo tímido na porta do táxi, o nó do corpo se desfaz porque ele vai para um lado e eu para o outro.
De casa ele me escreve, me manda mais uma música, e diz que não consegue dormir pensando em mim. Tenho amor e raiva, acho bonito e covarde que ele viva desta forma, mas é justamente encarar meu vazio no início da manhã que me faz pensar que talvez eu esteja em um lugar melhor do que ele. A solidão é mais honesta do que deitar com alguém que não se quer.”
«Tendemos a achar que trair é errado e condenável, mas será que pensamos assim porque não conhecemos a pessoa que vem intrometer-se no meio de um casal estabelecido? Porque não passamos tempo com ela, a conhecer-lhe as motivações e a descobrir o amor pelos seus olhos? Paula Gicovate põe-nos a pensar nisto e em muito mais, num romance de narrativa fragmentada que segue Lia e Otto.»
Paula Gicovate, chega a Portugal, com «Notas sobre a Impermanência» e recebi o seu livro, por parte da sua editora @aparte cá.
completamente desconhecida no meu radar, mas ando completamente apaixonada e obcecada com a literatura brasileira contemporânea, então foi logo um “sim” automático, para o ler.
ler sobre o ponto de vista de uma mulher que se torna amante de um homem casado, não é fácil e por vezes é até desconfortável. mas se há algo que a literatura me deu e me fez compreender, é — dependendo dos assuntos claro —, colocar-me no lugar daquela pessoa, não julgar logo ao primeiro segundo, afinal nem tudo é tão certo e errado e nós seres humanos, passamos por várias fases e momentos e temos várias camadas.
é um livro que se lê de uma assentada, curto e leve, e apesar do ponto central ser esta paixão proibida, o que mais gostei foi a descoberta pessoal de Lia por si mesma. gostei do final e da pequena reviravolta, porque acho que é mesmo verdadeira.
há um descontentamento universal, há o jogo de só querermos quem não nos quer ou de quando nos querem, nós já perdemos o interesse.. esse jogo é cansativo e só magoa. por isso vamos cuidar de nós próprios primeiro!
"Notas sobre a impermanência" conta a história de Lia que vive um amor proibido com Otto, um homem casado. Este é um livro com uma perspectiva diferente daquela a que eu, pelo menos, estou habituada a ler: é uma história de amor sob o ponto de vista da amante.
É um livro curto e de leitura rápida, a escrita é simples e fluída e este é um livro que se lê num sopro. Não tem muitas personagens, já que o livro e a vida de Lia giram à volta desta paixão.
O enredo passa-se em duas cidades, São Paulo e Barcelona e tem um ambiente muito vivo e palpável, com referências musicais e dá para o leitor sentir que está a viver tudo juntamente com a protagonista.
É um livro que retrata o sofrimento, ou melhor, a sofrência de um caso extraconjugal. Lia não pode andar de mãos dadas na rua com ele, não pode aparecer de surpresa, tem de ter cuidado com as horas a que manda mensagens, não "tem direito" a ter ciúmes... querer o todo e contentar-se com o quase nada. Fez-me um pouco de confusão e impressão a forma como Lia se sujeita a isto, a contentar-se com os restos e a autora foi exímia em passar esta sensação. É um livro que deixa o leitor desconfortável com esta forma de olhar para uma relação.
Além disso, Lia sente-se perdida, não sabe o que quer fazer da vida. Acho que acima de tudo, este é um livro sobre uma mulher à procura de si mesma. A paz da impermanência, de estar sempre no meio, de não ir em direcção a nada.
[Semifinalista Prêmio Oceanos] Impressiona como em um livro tão curto Paula Gicovate consiga fazer tanta coisa. Seu romance Notas sobre a impermanência é sobre uma mulher em busca de si mesma, descobrindo a amar a si mesma antes de mais nada, antes de mais ninguém.
Com uma narrativa delicada, mas ao mesmo tempo potente, acompanha Lia em sua busca pelo amor, primeiro do amante casado, depois do vizinho... e assim vai, até que ela perceba que não há homem que a complemente enquanto ela mesma não estiver bem consigo mesma. Nesse sentido, a jornada se torna espacial, do Rio a São Paulo, do Rio a Barcelona, depois a outra cidade... numa busca que nunca está em lugar nenhum, pois está com ela em todo lugar.
É um bom sinal que ao final do livro, tão curto, temos a sensação de que conhecemos Lia bem também, e entendemos sua jornada. Num mundo marcado por sileciamentos, gaslighting e afins, é bonito ver uma personagem mulher aprendendo a lidar com essas questões que, até então, só emperram a sua vida.
livro chatão - talvez seja legal para adolescente com hormônios à flor da pele. um dramalhão, uma paixonite exagerada, quase inverossímil para uma narradora com 30 anos na cara. final bobão e previsível. me enganei pelo hype.
Lia, a protagonista da história vive um amor proibido com Otto, casado. Um humor afiado, referências culturais muito próximas a mim, reflexões pertinentes; Lia é realmente muito especial! Ela transcende o papel de “amélia da infidelidade”.
Uma história que cruza o Rio, São Paulo e Barcelona. Uma sede de amar, de se encontrar e ao mesmo tempo de se perder… Não é à toa que o livro está semifinalista do Prêmio Oceanos: é bem escrito, é instigante, é gostoso de ler.
Kinda funny, however some instapoetry/rupi-kaur-vibes sentences annoyed me, but let’s blame the character being a millennial, born in rj and fell for a typical paulista man which is the worst thing it could happen to a woman.
Encontrei na Dejá Lu, em Cascais, uma livraria lindíssima que recomendo. Um livro urbano, de escrita simples, e gostei. A história tem ritmo, é engraçada - embora às vezes com questões, nomeadamente alguma naturalização de abusos do personagem masculino mais forte. Mas enfim. Um livro simples, uma leitura que entretém, um livro bastante brasileiro. Gostei.
Eu me surpreendi muito, na verdade. É curto, e "notas" no título realmente dá dica da estrutura do texto (não foi só uma metáfora rs). São vários conjuntos de notas, algumas maiores e outra menores, algumas voltadas para narrar propriamente a história e outras mais preocupadas em desafogar o coração da personagem, imergir nos sentimentos puramente. E há ainda as notas em que esses dois objetivos se fundem, onde um episódio destaca um sentimento, uma virada de chave tão profunda no coração da personagem, que eu não conseguia não me emocionar e não me surpreender. Achei um livro singelo, bonito, divertido e triste ao mesmo tempo. Valeu muito a pena. E eu gosto muito da temática dos amores melancólicos não realizados. É um conforto triste que às vezes procuro de noite. Recomendo muito esse livro e já coloquei outro dela na lista de leituras. 💜
Eu sei que esse livro mexeu tanto comigo em grande parte pq sou EXATAMENTE a faixa demográfica que ele toca; fala especificamente da minha bolha. E faz isso tudo de uma forma linda - por vezes melosa, mas da melhor maneira possível, traduzindo o arrebatamento dos apaixonados. Eu já vi muitas pessoas sendo chamadas de vozes de uma geração. Acho que acabo de eleger para mim mesma esse livro como o da minha.
Estive indecisa em dar duas estrelas a este livro, mas em bom rigor e querendo ser honesta com o que senti no momento de finalizar a leitura, não posso dar mais do que isto.
Este livro não é para mim. Tenho pena, porque não entrei na leitura com expetativas. Aliás, se entrei, foi com boas expetativas, porque a literatura brasileira contemporânea tem-me surpreendido. Não gostei da escrita, não gostei do enredo, não gostei das personagens. Eu sou uma mulher de 30 e poucos anos - uma companheira millennial, portanto - e não me revi em nada nesta Lia. Para começar, não posso dizer que seja fã de enredos com traição. Acho que o princípio já está errado. A infidelidade, na minha perspetiva, é das coisas mais feias e desonestas que se pode fazer a alguém. Se não estamos bem com a pessoa com quem estamos, então deveremos terminar essa relação. Perpetuar estas mentiras, estes subterfúgios é um desrespeito pela relação que iniciámos com a pessoa original.
Em segundo lugar, achei esta Lia uma chata. Sempre a queixar-se e a lamentar-se que ama um homem casado. Amiga, se não dá, não dá. Larga o osso. Se há coisa que me irrita é pessoas que continuam a insistir naquilo que já se provou ser ruas sem saída. E estar durante anos nesse esquema? E depois finalmente quando há possibilidade de ficarem juntos, então já não quer? what the actual fuck. Depois, parece claramente que esta Lia se está a encontrar: é para isso que serve a viagem a Barcelona. Isso, eu aceito. Acredito que não existe uma idade certa para nos encontrarmos e, de facto, podemos ter que nos encontrar muitas vezes ao longo da vida, porque nós vamos mudando. Aquilo que me custa aceitar neste enredo é que a Lia se está a definir através daquilo que é a relação dela com o Otto. Ela vai para São Paulo para estar com o Otto, sai do Brasil para fugir do Otto... cansativo.
Terceiro, não me revi nesta escrita. Pode ser do facto de não estar efetivamente habituada a ler em Português do Brasil, até porque existem expressões que não conhecia e tive que ir pesquisar, mas não me revi de todo nesta linguagem. Pareceu-me, por vezes, brega e foi difícil abster-me disso. Com pena minha, este livro decididamente não irá ficar na memória por boas razões.
"A solidão é mais honesta do que deitar com alguém que não se quer" "Desamor também é algo concreto, também é um lugar para começar" "e agora eu que lide com você ter tomado tudo me dando tão pouco em troca" "Podia ter sido foda, Otto. Mas virou literatura"
me identifiquei mais com Lia do que deveria, do que gostaria. essa paz na impermanência e gostar de estar sempre no meio, nunca em um lugar ou em outro. também li em um momento crucial, imagino. semana retrasada eu não teria absorvido o livro da mesma forma. um nocaute atrás do outro. (obrigada Paula por por palavras em sentimentos que eu ainda não tive tempo para digerir)
o livro da paula é uma fisgada no peito. a sensação de amar pela metade, na verdade, amar inteiramente, mas ter tão pouco nas mãos. a ausência da permanência, de uma hora para outra, tudo aquilo que nos faz sentir vivas, vai embora.
eu queria tanto dizer para a lia não se contentar com o pouco, com o fragmento, em se deliciar com pequenos goles. mas a graça da narrativa é justamente essa... a gente vai mergulhando na cabeça dessa mulher e sente por ela. sente junto com ela. vamos nos se satisfazendo com pequenas palavras, pequenos gestos, nos localizando num espaço do agora, mas totalmente desvirtuado da vida sem o tempo.
O que Notas sobre a Impermanência consegue fazer na escrita sobre amor, paixão e desejo, é óptimo — mas o que este livro faz por um segundo olhar do que é o amor, a paixão e o desejo, estados mentais em que nos afundamos de forma tão profunda que chegamos a perder noção dos limites do bom senso, é brilhante.
Notas sobre a Impermanência conta a história de Lia e da sua paixão por Otto, um homem casado, mas também acerca da sua paixão por estar apaixonada — um estado de espírito pantanoso onde corremos o risco de nos ver afundar pelo prazer da situação.
Escrever pode ser tantas vezes uma forma generosa e genuína de olhar o mundo à nossa volta, de lhe perdoar defeitos, mas também de apontar o dedo para situações óbvias que nós, como humanos, temos o super-poder de simplesmente não ver o que se está a passar. Muitas vezes nos embrulhamos mais pelos feelings do que pelas pessoas, é isso pode ser tão acidental quanto propositado.
Acredito que a Lia seja tão boa a falar sobre sexo porque é quando se afunda, totalmente submersa nesse acto, que mais consegue desviar o olhar de que ela está apaixonada por estar apaixonada, muito mais do que pelo homem casado com quem vive esta história de amor.
“The artist must have something to say, for mastery over form is not his goal but rather the adapting of form to its inner meaning.” ― Wassily Kandinsky, Concerning the Spiritual in Art
Sou muito fã da teoria de Kandinsky sobre a intuição e o espirtual na arte. E acho que isso se nota imenso em romances fragmentados, onde a intuição tem de colar as peças. Depois de Speedboat da Renata Adler, Dept. of Speculation da Jenny Offill e de Bluets da Maggie Nelson, este é uma óptima adição a este registo. Fica a recomendação para amigos e amigas, mas só para os que aguentam a tesão na leitura.
“Podia ter sido foda, mas virou literatura.” Parabéns Paula Gicovate, cá estarei para ler o próximo.
Notas Sobre a Impermanência, de Paula Gicovate, é uma obra que nos toca profundamente desde o primeiro momento. A sua escrita, despretensiosa mas carregada de significado, vai-se infiltrando de forma suave, mas arrebatadora, envolvendo-nos numa teia de emoções que, inevitavelmente, sentimos como nossas.
O livro é uma sucessão de confissões, de pensamentos soltos, que nos fazem refletir sobre as nossas próprias emoções. A relação entre Lia e Otto é o fio condutor, mas o que a autora realmente nos oferece é um olhar íntimo sobre os desejos humanos – o querer, o possuir, o deixar ir. É um convite para refletirmos sobre o que significa amar e sermos amados, sobre o que fica quando tudo o resto desaparece.
A Paula tem o dom de expor as fragilidades humanas sem recorrer a artifícios, confrontando-nos com as questões mais íntimas e universais que todos, de uma maneira ou de outra, carregamos: o amor, a perda, os desencontros, a impermanência das coisas. E, ao contrário de nos oferecer respostas, o livro expande as dúvidas, as contradições e os silêncios que habitam os nossos corações.
Respondendo ao desafio lançado nas últimas páginas do livro, para que o leitor partilhe as suas próprias reflexões sobre a impermanência, sinto que, mais do que o momento presente, foram os caminhos amorosos que percorri até agora que me fizeram confrontar a impermanência dos outros. Essa impermanência deixou-me, por vezes, com dúvidas sobre mim mesma, questionando o meu valor, a minha beleza (interior e exterior), e a minha capacidade de ser suficiente. Que alívio é saber que isso ficou no passado e que, tal como o Miguel da Paula permanece, também o meu amor permanecerá. Aliás, como tão bem afirma a autora nos seus agradecimentos, permaneceremos.
Lia. Otto. Rio. São Paulo. Barcelona. Otto é casado, Lia é a sua amante. Uma história de amor contada na perspectiva da outra. O sofrimento e a angústia da amante que não é livre de andar com o seu amor na rua, de preparar surpresas, de manifestar ciúmes ou exigir mais do seu amor. Como o título indica, o livro assemelha-se a um conjuntos de notas (com diferentes tamanhos). Uma leitura rápida e uma escrita poética, singela, divertida e também muito triste. O difícil é não sermos empáticos com o sofrimento da Lia, embora, em alguns momentos, seja complicado entender as suas acções e decisões. Poderá haver mais amor para Lia para além de Otto? Amor. Paixão. Desejo. Adultério. Procura. (Im)Permanência. Reflexão. Descoberta. Liberdade. Autoconhecimento. Curiosidade: no final do livro existe um conjunto de folhas em branco em que a autora convida o leitor a escrever sobre as suas notas e reflexões sobre a impermanência.
Recomendado (a quem quer ler um livro numa prosa super poética).
“Dançamos juntos, nós beijamos e nos esfregamos publicamente feito dois adolescentes. Eu estava eufórica. A sensação de estar com alguém por quem você é apaixonado é como a onda de uma bebida potente, e eu estava feliz e presente como não o sentia com nada. Otto é a única pessoa que aterra meus pés no chão, porque não tem outro jeito, ou eu aproveito o momento ou me escapa pelas mãos.” (Pág. 47)
No espaço de dois dias li e reli este livro. Não conseguia guardá-lo e, ainda agora, paro para pensar muitas vezes em Lia.
Este livro conta-nos a história de Lia que vivia num triângulo amoroso onde ela é amante de um homem casado. Neste livro consegui perceber o outro lado do adultério, o lado de quem ama, o lado de quem queria conseguir dizer que aquela pessoa lhe pertence e que queria permanecer.
Entre São Paulo, Rio de Janeiro e Barcelona Lia vivia num estado de impermanência, sentia uma parte dela sempre presa a Otto e, mesmo conhecendo outra pessoa por quem poderia vir a apaixonar-se era a ele que a sua mente voltava sempre.
Este livro não é só sobre a impermanência, é também sobre o querer permanecer, o querer ficar. Acho que este livro é super necessário. Tem conteúdo super forte e fala do sexo livre de qualquer tipo de pudor o que pode não agradar todo o tipo de leitores. Uma história arrebatadora, complexa e genuína. Um livro “pequeno” mas com uma dureza que nos deixa a pensar sobre tudo o que lemos durante horas e horas.
Quando comecei a tentar escrever esta review não tinha palavras nenhumas então o que escrevi até agora é muito pouca coisa comparado ao turbilhão de pensamentos que eu tenho dentro de mim sobre este livro.
Lê-lo-ei de novo e recordar-me-ei sempre da Lia. 🫶
Gostei e não gostei. Comecei o livro achando o enredo da mulher amante bem ruim (ou desconfortável, o que às vezes acaba sendo bom) e a personagem bem mimada e chata. Lia reclama muito das próprias decisões e, como uma “típica millennial” (o que, de um jeito meio brega, aparece bastante no livro), coloca o peso do que escolhe em traumas e em outras pessoas.
Da metade pro fim, porém, fiquei bem mais intrigada. Eu não me vejo nada na Lia, minha vida amorosa/familiar é o oposto da dela, e isso me deixou curiosa para tentar entender por que alguém escolheria viver em círculos tortos, sabendo que o caminho não vai levar a um fim positivo. Minhas 3 estrelas e o que curti no livro vêm disso: não exatamente do que se está escrito, mas do pensamento que ele provoca quando você tenta se aprofundar em Lia e sentir como ela. É complexo, dolorido, perdido - e tem algo de bom aí.
A escrita é simples, um livro pra ler em uma sentada, talvez bom pra quem está numa ressaca literária. Eu recomendo, mas especialmente se você se dispõe a sentir como o outro, que é uma das funções da literatura.
Quem me conhece sabe que adoro um bom romance mas, também sabe que os livros que me mais me marcam são os que me fazem refletir e pensar à medida que estou a ler.
Esta é a história de Lia e de Otto mas é, igualmente, a história de tantas pessoas!
Nem sempre é fácil separar o que somos de quem gostaríamos de ser e a Paula Gicovate escreve sobre este tema de uma forma sublime.
O amor é um sentimento complexo. Nem sempre se resume a conhecer alguém, sair com essa pessoa, casar e ter filhos. Às vezes, é bem mais profundo do que isso.
Existem livros que rompem convenções e estereótipos e são esses livros que devem de ser falados!!
Uma história sobre amor, paixão, desejo, os altos e baixos da vida, ao fim e ao cabo, sobre a impermanência do nosso ser.
Somos como as ondas do mar, seres permanentemente impermanentes e está tudo bem com isso.
Notas sobre a impermanência, de Paula Gicovate, é uma leitura que bate forte, mas que nem sempre me conquistou. A escrita é afiada e muitas imagens ficam, porém o tom pesado do livro cobrou demais: houve capítulos em que senti o peso mais than necessário, como se a intensidade não tivesse onde descansar. A personagem principal, Lia, não me caiu bem — sua maneira de agir e de se justificar muitas vezes afastou a empatia, e fiquei com a sensação de observar alguém que se repete sem se alterar. Ainda assim, o texto rende: fiz boas anotações ao longo do caminho, encontrei frases e passagens que valem ser guardadas e relidas, e a obra provoca reflexões honestas sobre desejo, culpa e dissolução. No balanço, não me pegou de jeito a ponto de virar favorita, mas também não é descartável: é um livro que fere e ensina, mesmo quando a identificação falha.
Notas Sobre a Impermanência marcou-me mais do que esperava, porque é arrojado, apaixonado, emocional e, muito humano. É franco e empatiza-nos para o impacto de se viver na sombra - e de todas as dinâmicas que se perdem à custa disso. Lia leva-nos para um lugar de desconforto e gostei mesmo muito que me retirasse da minha bolha e me fizesse questionar o modo tão plural como podemos viver as nossas relações. E, também por isso, senti que Lia embarcou numa viagem de autodescoberta, colando-nos aos seus passos e à certeza de que nem sempre aquilo que nos ferve por dentro é suficiente para permanecermos ancorados.
Uma narradora impetuosa e fogosa. A amante. Uma noite de copos que acabou num motel mas continuou apesar da distância e do casamento dele. A perspectiva do amor, da raiva, ciúme e saudade de quem não pode ter. Virou literatura.
Estranhei a linguagem porque o português do Brasil tem expressões e palavras que, não conhecia mas rapidamente compreendi o sentido sem ser necessário pesquisar e depois foi seguir a rota de emoções e sentimentos desta mulher sem moralismos ou preconceitos. Gostei muito da Lia.
A impermanência remeteu-me ao quanto flutuam os nossos ideais e objetivos. Por sermos ambiciosos e querermos mais/diferente? Por sermos “mimados” e nunca chega o que temos? Porque estamos sempre com lentes do que idealizamos ser uma relação, que na verdade nunca é um ideal?
Gostei muito da clarividência com que a Lia descobre que afinal não quer o Otto.
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A narração da perspectiva da amante que passa o tempo todo a lamentar-se por estar apaixonada por um homem casado com quem tem um caso???
Não vou negar que senti a dor (e talvez até empatia) em certas partes, nem dizer que não está bem escrito, ao mesmo tempo (e content-wise) este fez-me querer lavar os olhos com lixívia
Gostei muito da escrita da Paula Gicovate — tanto que terminei e fui logo perceber que outros livros publicou que sejam fáceis de encontrar em Portugal. Mas gostei sobretudo da forma como ela abordou o amor, sem pretensões, sem falsas esperanças e com uma certa melancolia de quem sabe que o amor é, ele próprio, um estado contínuo de impermanência.
eu amei amei ameiii este livro 🥹 lindo perfeito 🥹 e tão especial. mostra o crescer/evolução/final, enfim, todas as etapas de uma relação pautada pela impermanência. a constante saudade e a ânsia da presença. o sempre querer mais porque o que se tem é pouco. e o não pedir, não exigir, não falar o que se precisa. falta de comunicação, mágoa e inconstância. muito poético