A história da nobreza e das suas relações com a Coroa no mítico século XV têm constituído temas recorrentes e polémicos na cultura e historiografia portuguesas. Paradoxalmente, no entanto, até há bem pouco tempo, esta reflexão generalizada, e generalista, não foi acompanhada de estudos específicos sobre as diversas casas senhoriais quatrocentistas.
Em Linhagem, parentesco e poder. A Casa de Bragança (1384-1483) procurou-se ajudar a suprir essa lacuna retomando essas mesmas temáticas a partir de um estudo monográfico apoiado não só numa renovada fundamentação empírica como na utilização de novos instrumentos analíticos.
Da análise do percurso dos Braganças merece particular destaque a importânica das relações de parentesco (da linhagem) na estruturação das relações de poder. Este tópico, por outro lado, permite realçar aquilo que é, porventura, o argumento fundamental desta tese, ou seja, que as relações entre Coroa e a casa de Bragança não podem, ou não devem ser, perspectivadas na óptica tradicional da construção do Estado que tende unilateralmente para a centralização.
MAFALDA SOARES DA CUNHA nasceu em Lisboa, a 4 de Agosto de 1960. É licenciada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1982) e doutorada em História Moderna pela Universidade de Évora (1997) e agregada na mesma área e pela mesma universidade (2007). É actualmente professora associada com agregação do Departamento de História da Universidade de Évora e coordenou, entre 2018 e 2025, o projeto europeu RESISTANCE: Rebellion and Resistance in the Iberian Empires, 16th-19th centuries. Foi directora do Centro de Estudos Interdisciplinares de História, Culturas e Sociedade (2001-2013), onde é investigadora, e vogal da Comissão Executiva da Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses (1998-1999) e da direcção da Associação Portuguesa de História Económica e Social (2015-2017). As suas áreas científica de interesse são a História Moderna; a história da nobreza e das elites sociais; a história das elites coloniais, redes sociais e mobilidade social, sobre os quais publicou numerosos textos.