Filho de D. Sancho I e de Dulce de Aragão, D. Afonso II nasceu no dia de São Jorge, facto que deverá ter sido interpretado como um bom augúrio para uma dinastia que tinha no desempenho guerreiro uma das bases da sua legitimidade. Contudo, Afonso II não se viria a destacar pela sua capacidade guerreira, nem mesmo pelos seus feitos no campo de batalha. Falecido com 36 anos, após um curto reinado de 12 anos, Afonso deixou, porém, atrás de si um governo inovador, marcado por um conjunto de medidas que deixam entrever um rei e um círculo de colaboradores atentos e conhecedores dos meandros do ambiente político e intelectual da Europa e dos reinos da primeira metade de Duzentos.
HERMÍNIA MARIA DE VASCONCELOS ALVES VILAR nasceu em Lisboa, a 26 de Abril de 1962. Licenciada em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1984), Mestre em História Medieval, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990) e Doutora em História Medieval, pela Universidade de Évora (1998), onde actualmente é Reitora, desde 2022, e Professora Catedrática. Na mesma instituição foi Vice-Reitora para o Ensino e Formação (2010-2014), Membro do Conselho Geral (2016-2022). Investigadora e diretora do CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades (2019-2022), foi ainda Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais (2014-2017) e é membro de outras associações científicas nacionais. A sua área de investigação privilegia as temáticas ligadas à História da Igreja e a História Social das Instituições.
Não é fácil encher um livro de uma coleção sobre os reis de Portugal com D. Afonso II, rei por pouco tempo e de poucos feitos. Mas não está mal e se bem que não seja tão interessante como o anterior, relativo a D.Sancho I, acaba por ser de melhor leitura que o livro de José Mattoso sobre D. Afonso Henriques.
Uma leitura que não é fácil, nota não está em causa a historiadora, a documentação, os factos e as suas propostas para percebermos este período da história, o problema é mais do editor, perante o estilo da autora, não seria de propor mais capítulos, e nestes mais divisões internas para melhorar o ler e compreender o autor, fica a sensação de manuscrito recebido e passagem a livro. A Prof Dr Hermínia Vilar desmonta o mito que o rei viajou muito pelo reino, ao associar as deslocações com a guerra civil com as irmãs, ou as viagens do pai, chama a tenção para a organização da corte, tem um bom trabalho sobre a conquista de Alcácer do Sal.