Nesta reunião de artigos e conferências da década de 1940, os leitores podem conhecer o pensamento afiado e atual de um dos principais nomes do modernismo.
Presença incontornável nos jornais do país, sobretudo de São Paulo, Oswald de Andrade foi um dos mais notáveis observadores de seu tempo. Sua colaboração na imprensa, em alguns momentos mais assídua, em outros mais esparsa, atesta a inteligência, o refinamento, o humor e a liberdade de seu pensamento, que não fazia concessões. Lançado em 1945, Ponta de lança reúne artigos publicados no Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã, bem como três conferências proferidas entre 1943 e 1945. Os conflitos mundiais despontam não apenas como pano de fundo, mas frequentemente como tema central dos textos. Documento importante que registra as transformações ideológicas, culturais, sociais e artísticas do Brasil e do mundo na primeira metade do século XX, o livro surpreende também por sua atualidade. As instabilidades e incertezas políticas surgem lado a lado com reflexões sobre as artes e a literatura, sendo recorrente a referência à Semana de Arte Moderna. Nas palavras do crítico Silviano Santiago, "Ponta de lança é um livro corajoso, amplo e tantas vezes profético. Ao lado do culto à liberdade e da defesa dos ideais democráticos, sua tônica principal, está iluminado também pela esperança de dias melhores".
José Oswald de Andrade Souza (January 11, 1890 – October 22, 1954) was a Brazilian poet and polemicist. He was born and spent most of his life in São Paulo. Andrade was one of the founders of Brazilian modernism and a member of the Group of Five, along with Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral and Menotti del Picchia. He participated in the Week of Modern Art (Semana de Arte Moderna). Andrade is best known for his manifesto of Brazilian nationalism, Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto), published in 1928. Its argument is that Brazil's history of "cannibalizing" other cultures is its greatest strength, while playing on the modernists' primitivist interest in cannibalism as an alleged tribal rite. Cannibalism becomes a way for Brazil to assert itself against European postcolonial cultural domination. The Manifesto's iconic line is "Tupi or not Tupi: that is the question." The line is simultaneously a celebration of the Tupi, who had been at times accused of cannibalism (most notoriously by Hans Staden), and an instance of cannibalism: it eats Shakespeare. Born into a wealthy family, Andrade used his money and connections to support numerous modernist artists and projects. He sponsored the publication of several major novels of the period, produced a number of experimental plays, and supported several painters, including Tarsila do Amaral, with whom he had a long affair, and Lasar Segall. His role in the modernist community was made somewhat awkward, however, by his feud with Mário de Andrade, which lasted from 1929 (after Oswald de Andrade published a pseudonymous essay mocking Mário for effeminacy) until Mário de Andrade's untimely death in 1945.
É uma exortação, com todos seus defeitos e todos seus deleites. O conservadorismo balofo contra o futebol, a excitação com a teoria do melting pot e a esperança no stalinismo ("os descrentes de Stalin", escreve em algum momento, em tom de crítica) são alguns dos pontos que hoje rangem no texto; credito-os ao tempo. No fim, Oswald era ainda um alegre - e, aqui, sóbrio - revolucionário: "Não é hora, portanto, de escritores e artistas abandonarem a luta, cujo máximo prêmio é a liberdade". Fica também como herança da lança a deliciosa e atemporal expressão "chato boy".