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Feminismo em Portugal na voz de mulheres escritoras do início do séc. XX
84 pages, Unknown Binding
First published January 1, 1992
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Displaying 1 - 2 of 2 reviews
April 23, 2026
Li este ensaio para o desafio de Abril do meu Clube de Leitura. Consultei o catálogo da Biblioteca Municipal, e escolhi este em particular por causa do título, pensando que se tratava de uma análise de obras de ficção de escritoras do início do século XX. Afinal saiu-me algo diferente: um estudo preliminar sobre a história do discurso das defensoras dos direitos das mulheres em Portugal no início do século XX: mulheres que, regra geral, pertenciam a organizações feministas, escreviam em publicações periódicas, faziam discursos e destas ou de outras formas, trabalhavam em prol dos direitos das mulheres. Entre outras profissões, havia jornalistas, professoras, juristas e médicas.
Foi uma interessante viagem no tempo. Épocas houve em que aspirar "ao companheirismo total, à igualdade absoluta de direitos (…)" era considerada uma “perspectiva de feminismo radical” e "Confundir as feministas com as desequilibradas que jogam e fumam, exploram o homem e abominam o trabalho, com as que não amam a missão de mãe, não aspiram à carinhosa abnegação de esosa, desdenham as doces minúcias duma vida sacrificada ao bem-estar da família, é um erro tão grave e funesto para a autêntica felicidade da Pátria que custa a perdoar."
Mas devagar se foi fazendo caminho e em 1928, a jurista Elina Guimarães, vice-Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e defensora incansável dos direitos das mulheres, dizia, no discurso de abertura do II Congresso Feminista Português, que o que queriam para a mulher era "Muito simplesmente isto: o pleno desenvolvimento da sua personalidade. Que criança ela seja instruída, que adulta ela possa exercer a sua actividade de harmonia com as suas aptidões sem que o ensino lhe seja negado ou o seu campo de acção cerceado apenas porque é mulher. E queremos também que o seu esforço seja reconhecido e recompensado como merece. Às reivindicações das feministas opõem os seus adversários um conselho irónico sempre o mesmo: que vão coser meias. Nós não nos recusamos a coser meias. Mas para único fim da nossa vida achamos pouco. Que diriam os homens se o consertar calçado lhes fosse indicado como única missão na terra?"
Aprendi bastante e corrigi falsas ideias que tinha, como a de que tinha sido o 25 de Abril a conceder o direito de voto às mulheres em igualdade com os homens. Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar, em 1911, aproveitando a indefinição da lei, que afirmava que podiam votar os "cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família". Carolina preenchia todos os requisitos, pois era viúva e tinha família a cargo. Requereu a inscrição nos cadernos eleitorais e quando esta lhe foi negada, levou o caso a tribunal. O juiz João Baptista de Castro (pai de Ana de Castro Osório), deu-lhe razão afirmando que "Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral." Carolina votou, mas em 1913, o governo apressou-se a reescrever a lei, de forma a tornar explícito que apenas os homens podiam votar.
O voto foi concedido às mulheres pela primeira vez em 1931, embora com muitas restrições. Em 1968 foi finalmente removida qualquer discriminação formal em função do sexo, mas continuando a restringir o voto aos alfabetizados, que eram mais homens (73.4% em 1960) do que mulheres (61% à mesma data). Com o 25 de Abril, eliminaram-se as restrições com base na literacia alargando o voto, de forma indireta, a um maior número de mulheres.
Apesar de não ser o que esperava, acabei por gostar bastante de ler este ensaio.
Foi uma interessante viagem no tempo. Épocas houve em que aspirar "ao companheirismo total, à igualdade absoluta de direitos (…)" era considerada uma “perspectiva de feminismo radical” e "Confundir as feministas com as desequilibradas que jogam e fumam, exploram o homem e abominam o trabalho, com as que não amam a missão de mãe, não aspiram à carinhosa abnegação de esosa, desdenham as doces minúcias duma vida sacrificada ao bem-estar da família, é um erro tão grave e funesto para a autêntica felicidade da Pátria que custa a perdoar."
Mas devagar se foi fazendo caminho e em 1928, a jurista Elina Guimarães, vice-Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e defensora incansável dos direitos das mulheres, dizia, no discurso de abertura do II Congresso Feminista Português, que o que queriam para a mulher era "Muito simplesmente isto: o pleno desenvolvimento da sua personalidade. Que criança ela seja instruída, que adulta ela possa exercer a sua actividade de harmonia com as suas aptidões sem que o ensino lhe seja negado ou o seu campo de acção cerceado apenas porque é mulher. E queremos também que o seu esforço seja reconhecido e recompensado como merece. Às reivindicações das feministas opõem os seus adversários um conselho irónico sempre o mesmo: que vão coser meias. Nós não nos recusamos a coser meias. Mas para único fim da nossa vida achamos pouco. Que diriam os homens se o consertar calçado lhes fosse indicado como única missão na terra?"
Aprendi bastante e corrigi falsas ideias que tinha, como a de que tinha sido o 25 de Abril a conceder o direito de voto às mulheres em igualdade com os homens. Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar, em 1911, aproveitando a indefinição da lei, que afirmava que podiam votar os "cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família". Carolina preenchia todos os requisitos, pois era viúva e tinha família a cargo. Requereu a inscrição nos cadernos eleitorais e quando esta lhe foi negada, levou o caso a tribunal. O juiz João Baptista de Castro (pai de Ana de Castro Osório), deu-lhe razão afirmando que "Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral." Carolina votou, mas em 1913, o governo apressou-se a reescrever a lei, de forma a tornar explícito que apenas os homens podiam votar.
O voto foi concedido às mulheres pela primeira vez em 1931, embora com muitas restrições. Em 1968 foi finalmente removida qualquer discriminação formal em função do sexo, mas continuando a restringir o voto aos alfabetizados, que eram mais homens (73.4% em 1960) do que mulheres (61% à mesma data). Com o 25 de Abril, eliminaram-se as restrições com base na literacia alargando o voto, de forma indireta, a um maior número de mulheres.
Apesar de não ser o que esperava, acabei por gostar bastante de ler este ensaio.
July 7, 2026
Apesar da sua pequena dimensão, o livro é, sem dúvida, uma primeira entrada relevante para a temática que propõe tratar.
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