DE ONDE VÊM E COMO EVOLUEM AS CORRENTES DE EXTREMA-DIREITA ATÉ ASSUMIREM A EXPRESSÃO COM QUE HOJE APARECEM? Este é um livro sobre a história das ideias políticas. Mais concretamente, sobre a história das ideias da extrema-direita na Europa ocidental do pós-Segunda Guerra Mundial. Como sobreviveram, se adaptaram ou se transformaram após a derrota dos fascismos — o seu cânone ideológico — em 1945. Em Direitas Velhas, Direitas Novas, o historiador Fernando Rosas analisa a evolução das organizações da extrema-direita herdeiras do fascismo paradigmático dos anos 30 e 40, nos seus contextos históricos, económico-sociais, políticos e culturais. Assim podemos compreender as permanências e as mudanças, as divisões e as reunificações, os anos de marginalidade e recuo, e os períodos — sempre inesperados — de reemergência. E podemos, finalmente, responder à questão controversa e por demais actual sobre a natureza, as origens e os perigos da extrema-direita emergente. Nos momentos cruciais de crise, de regressão e de decadência das instituições e das referências ideológicas, as direitas velhas e as novas extremas-direitas reencontram-se ciclicamente para salvaguardar privilégios e impor pela força as soluções a que a resistência política e social faz frente.
Sinopse curta: Este é um livro sobre a história das ideias políticas. Mais concretamente, sobre a história das ideias da extrema-direita na Europa ocidental do pós-Segunda Guerra Mundial. A pergunta é: de onde vêm e como evoluem as correntes de extrema-direita que conhecemos hoje em dia?
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).
Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.
Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).
Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.
Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).
“ característica diferenciadora essencial é a utilização das novas tecnologias informáticas e algorítmicas para a manipulação política e ideologia massiva através das redes sociais. a coerção que pode mudar as regras, as instituições e as políticas tem agora a possibilidade de se apoiar num instrumento que é o meio de comunicação mais universal que a nossa civilização conheceu. Um novo modo de dominação, assente em mecanismos de exploração dos dados de comportamento dos seres humanos, permitindo o uso do conhecimento íntimo sobre as emoções, para condicionar a atuação e mesmo os pensamentos dos indivíduos. Tornam-se assim em máquinas de fabricação do senso comum, procurando tirar a razão da esfera pública e substituí-la por um seguidismo apoeteotico, pelo sonambulismo da democracia.”
Para quem já tem uma ideia mínima da relação entre crises do capitalismo e o fascismo: é uma boa base histórica para consolidar conhecimentos sobre a primeira crise dos sistemas liberais e a época do fascismo paradigmático (1970s-1945); e também para entender melhor os desenvolvimentos menos abordados (pelo menos no mainstream) da evolução do fascismo e da extrema-direita desde o final da 2ª Guerra Mundial - um evento que aparentemente é visto como tendo resultado na capitulação total da ideologia fascista. Acima de tudo, permite entender melhor as relações históricas das novas extremas direitas com o fascismo paradigmático, bem como as sua influências mútuas e organização a nível transnacional - tudo isto num contexto da segunda crise dos sistemas liberais. Por fim, dá um insight mais profundo da situação contemporânea - o que há de novo nestes movimentos, quais são as suas bases sociais e os possíveis cenários futuros.
Para o leitor mais "leigo": uma abordagem bastante diferente do mainstream no que diz respeito aos movimentos/partidos de extrema direita que pairam por todo o mundo, com especial enfoque na Europa. Ao contrário da politologia e do espaço de comentário presentes na comunicação social, não desvaloriza o conceito de fascismo - reforça a sua importância histórica e a sua relação com a(s) crise(s) do capitalismo. Coloca em perspetiva um facto importante, mas pouco apontado na atualidade: o fascismo não cai do céu aos trambolhões. Da mesma forma, partidos como o CHEGA, o Vox, o Reassemblement Nationale e a AfD não apareceram do nada: têm as suas bases teóricas, discursivas e semióticas nos regimes, partidos e movimentos fascistas do passado. Contudo, com claras inovações decorrentes do contexto social, político, económico e cultural em mudança desde o final da Guerra Fria. Em especial a reestruturação do capitalismo, partindo de um modelo social-democrata para um programa neoliberal, provocou um estado de insegurança económica e medo semelhante à situação dos anos entre as guerras mundiais. Por outro lado, o recurso às tecnologias digitais (em especial as redes sociais) como meios de difusão da ideologia alargada da extrema-direita, cujo conteúdo substantivo se mantém essencialmente o mesmo, ainda que com variações a nível nacional.
“Finalmente, uma palavra sobre o outro lado da questão: a urgência do antifascismo. Se a direita extrema dos dias de hoje é um fenómeno de tipo novo, aquilo que alguns autores consideram um fascismo adaptado e com novos adornos, também o antifascismo haveria de assumir formas novas e coerentes com a situação presente. Desde logo, tem de ousar ser uma minoria de resistência numa sociedade crescentemente desequilibrada em seu desfavor na economia, na vida política e sindical ou na mobilização cívica e laboral. Remar contra a corrente do refluxo, da apatia, do conservadorismo reacionário preponderante, da alienação, em alguns casos das discriminações e perseguições, é um caminho tão difícil como indispensável.”
“Ninguém sabe ao certo como esta situação vai evoluir. Mas é indiscutível que a nova extrema-direita constitui hoje uma ameaça iminente para uma democracia que se pretenda plural, igualitária e participada. Precisamente, participar é discutir, intervir e responder. Oxalá não cheguemos tarde.”
excelente leitura para quando ouvirem aquele facho disfarçado a querer subverter a questão da extrema-direita, dizendo que o Chega não é fascista porque isso só existia na altura do Mussolini. fight them with knowledge.