O romance baseia-se em parte da documentação de um caso real – o primeiro registro formal de um assassinato no Rio de Janeiro, de 1567, crime passional, história de adultério, que enredou, entre acusados e testemunhas, espantosos 15% da população [que não passava de 400] da cidade então – para tecer uma deliciosa trama policial, em que os mitos fundadores do Brasil, sobretudo os indígenas, associados à própria tradição do gênero literário policial, serão fundamentais para a solução do caso. A primeira história do mundo é, sem dúvida, o mais popular dos livros do autor.
Born in Rio de Janeiro in 1961, Alberto Mussa studied mathematics and percussion before dedicating himself to linguistics. After obtaining a Masters degree from UFRJ with a thesis on African languages in Brazil, Mussa worked as a teacher and authored a dictionary then published his first novel, Elegbara, in 1997, followed by O trono da rainha Jinga (1999), which won the National Library prize. O enigma de Qaf (2004) was awarded the Casa de las Américas APCA prize. He has translated stories by African and Arabic storytellers for the magazine Ficções, and a collection of pre-Islamic poems Os poemas suspensos, not yet published.
Do que li do Mussa nos últimos dias, esse é meu favorito. Uma mistura de trabalho de reconstituição com pura invencionice de entretenimento. Ajuda a quebrar estereótipos ao mesmo tempo em que usa alguns deles de maneira cômica. Recomendo fortemente. Principalmente a quem pensa em escrever "ficção histórica" passada no Brasil, leia "A Primeira História do Mundo" e "Quatro Soldados", do Samir Machado, para balizar as ideias com obras bastante distintas e eficientes.
Incrível a capacidade do Mussa de escrever um livro que é, ao mesmo tempo que não é, investigação, romance histórico, livro jornalístico e narrativa mítica. Gostosíssimo de ler, principalmente o final.
Livro delicioso de ler. Talvez o livro que eu mais gostei em 2021. Uma mistura de narrativa histórica, com antropologia e Agatha Christie e Sherlock Holmes. Ainda que tenha um tanto de ficção no meio, porque não é este tipo de livro que é sugerido pelas escolas para desenvolvimento do gosto de ler?
Fiquei apaixonada e já doida por ler mais livros do Mussa. A riqueza de detalhes sobre a história do Rio de Janeiro impressiona e o estilo narrativo escolhido foi ótimo.
Comprei “A primeira história do mundo” após uma excelente reportagem com o autor Alberto Mussa no programa Navegador, da GloboNews. Aliás, esse é um programa bastante interessante para quem gosta de descobrir novidades culturais. Mussa não é exatamente uma novidade (já tem uma carreira considerável), mas a reportagem focava na sua fascinação por antropologia e mitologia. No programa ele comentou sobre a novela-ensaio “Meu destino é ser onça”, em que recria uma Teogonia tupi, e apresentou seu mais recente romance, “A primeira história do mundo”, fruto direto dessa paixão por mitologia e mitos de fundação.
O livro faz parte de um projeto do autor de (re)criar uma mitologia da cidade do Rio de Janeiro, através de um ciclo de cinco romances policiais, ambientados, cada um, em um século da história da cidade (a série já conta com “O senhor do lado esquerdo” e “O trono da rainha Jinga”). “A primeira história do mundo” é uma visão romanceada do primeiro homicídio ocorrido no Rio de Janeiro, no ano de 1567 (apenas para lembrar, a cidade foi fundada em 1565). O morto, Francisco da Costa, é um serralheiro, homem pobre casado com a mameluca Jerônima Rodrigues, morto por sete ou oito flechadas (não há um consenso). O caso, considerado imediatamente pelas autoridades um crime passional, envolve como suspeitos dez homens, entre fidalgos e homens pobres, um número impressionante, se considerarmos que a cidade, à época, contava com apenas quatrocentos moradores.
Meu primeiro comentário sobre o livro tem que ver não apenas com este romance, mas com todo o projeto de Mussa. Achei muito interessante a opção por uma série de romances policiais, pois o autor mostra como a violência é parte intrínseca da formação da sociedade brasileira, destrinchando os motivos para a violência em cada período histórico.
Daí vem o meu segundo comentário. A reconstrução de época é extremamente bem feita. Optando por um narrador interventor e deixando claro para o leitor que ele é consciente da sua condição (numa opção estética bem parecida com o Murakami em Após o Anoitecer), o autor se distancia, felizmente, para mim, da narrativa policial típica (não há, por exemplo, um detetive, figura onipresente nesse tipo de narrativa).
Usando a posição desse narrador com ganas de observador dos costumes, constrói uma narrativa não-linear. Em vez de seguir uma “paleo-investigação” do crime, faz constantes digressões sobre a vida colonial e mentalidade de colonizadores e índios, apresentando a todo momento mitos locais e a sua influência na mentalidade da época. Fala repetidamente do fascínio causado pelo mito das amazonas, as mulheres guerreiras que usavam os homens apenas para a procriação, do choque que causou nos europeus antropofagia, e, naturalmente, da suposta liberdade sexual dos índios.
É muito interessante, nesse ponto, notar como as mentalidades são um sério ponto de conflito entre europeus e índios, com a moral sexual tomando um enorme vulto nesse conflito (aliás, interessante pensar que a sexualidade chocava aos europeus tanto ou mais que a antropofagia). Numa cidade em que as mulheres brancas eram raras, uma mameluca como Jerônima, ainda mais se levarmos em conta toda a fantasia dos portugueses sobre a sexualidade das índias, atraía para si muita atenção. Faz todo sentido que o crime seja logo rotulado como passional. Não haveria outro motivo para matar ou morrer que não Jerônima. E aí está, para mim, a grande força do livro. Mussa reconstrói esse crime pensando não como um brasileiro nascido no século XX, mas como um colono carioca de meados do século XVI, em um afastamento que admiro profundamente.
Numa última nota, ler sobre a história da minha cidade sempre me deixa feliz. Não me considero bairrista, mas tenho um enorme carinho pelo Rio e o livro conseguiu criar, para mim, uma geografia sentimental da minha cidade. Vê-la recém nascida, ainda que através de um prisma tão pouco simpático, é algo muito bacana. Recomendo a leitura.
A foto do fim do post foi tirada de uma trilha aos pés do morro da Urca, bem perto de onde foi fundada a cidade. É uma parte da minha geografia sentimental.
eu realmente não sei da onde eu tiro a ideia de ler alguns livros. é um mistério que esse, por exemplo, estivesse na minha lista de leitura. nunca saberei como cheguei a ele. mas vocês chegaram por mim! leiam! é um livro surpreendentemente ótimo. de concepção peculiar e execução fantástica: muito envolvente, interessante e fluído. uma história simples mas muito bem construída: nesse os hermanos (cariocas) se superaram, tenho que admitir.
Não é comum encontrar em listas de “melhores autores brasileiros contemporâneos” ou “gente que está fazendo a nova literatura” e outras denominações semelhantes o nome de Alberto Mussa. O que, dada a qualidade da obra que vem tecendo com paciência ao longo das últimas duas décadas, é francamente incompreensível. Mussa dá mais motivos para essa perplexidade com a publicação, agora, de A Primeira História do Mundo, livro no qual reconstrói, com o misto de prosa ensaística e literária que é característico de seu trabalho, o primeiro crime de sangue registrado no ainda jovem território do Brasil.
A Primeira História do Mundo parte de um fato real: o assassinato de um serralheiro morto com sete (talvez oito) flechadas no Rio de Janeiro de 1567. Em uma cidade com apenas três ruas, ainda cercada pela mata, e com cerca de 400 habitantes, nove homens foram apontados como possíveis autores do crime, de acordo com os registros do procedimento judicial instalado para averiguar o homicídio. O livro compõe uma trilogia com O Trono da Rainha Jinga, passado em 1626, e O Senhor do Lado Esquerdo, ambientado em 1910. Nos três, Mussa usa a estrutura de um romance policial para engendrar uma mitologia urbana do Rio em diferentes períodos históricos. Ele já anunciou que pretende escrever outros dois romances para outros dois séculos da cidade: o 18 e o 19.
Além de ser parte desse projeto maior, outra possível leitura de A Primeira História do Mundo é a de uma condensação de elementos já trabalhados pelo autor ao longo de sua carreira. O motivo do crime, segundo o processo, seria um adultério, indiscrição à qual Mussa dedicou o romance O Movimento Pendular, no qual se propunha a fazer uma teoria classificatória das variantes do adultério na literatura. A presença de indígenas por toda parte nesse Rio ainda em formação dá a Mussa a oportunidade de tangenciar outra vez o rico universo da tradição autóctone, que ele já havia abordado em Meu Destino é Ser Onça, no qual apresenta uma versão reconstituída da cosmogonia tupinambá.
O que mais surpreende em A Primeira História do Mundo são as soluções que Mussa, criando um narrador que refletindo sobre seus próprios procedimentos, encontra nessa reflexão as ferramentas para especular as sutilezas de um inquérito do qual só sobraram os depoimentos por escrito, tomados há mais de 400 anos. Um toque de originalidade usando a sempre difícil, porque rígida, moldura do romance policial.
Quando comprei “A Primeira História do Mundo”, de Alberto Mussa, anunciado como parte de um ciclo de histórias que abordaria crimes em diferentes séculos no Rio de Janeiro, pensei que ele se basearia em fatos históricos para construir um romance policial. Bem, talvez o tenha feito em algum dos outros livros (este é o terceiro da série não cronológica), mas não neste.
Em seu volume do século XVI, Mussa pega o primeiro crime ocorrido na recém fundada cidade do Rio de Janeiro, em 1567. A partir de documentos, autos do processo real, ele traça a história da cidade, seus mitos, seus costumes, sua geografia. Para cada um dos dez suspeitos, um capítulo é dedicado. Mussa aproveita pra revelar muito da história dos tupis. O crime, na verdade, é só um pretexto para ele nos ambientar na época.
Mais do que um livro de pesquisa histórica, o autor entrega que tomou liberdades interpretativas e descritivas em seu relato. É, portanto, também um livro de ficção. No final, dificilmente se espera a elucidação do crime, pois desde o início se desconfia do veredito inicial. Mussa força um pouco a barra em seu paralelismo com o Inferno de Dante, mas não deixa de oferecer uma solução interessante. Porém, tão provável quanto as outras imaginadas.
“A Primeira História do Mundo” é um ótimo exemplo da máxima que o que importa é a viagem, não o destino. Imperdível para os amantes de História. Essencial para os amantes do Rio. Mas, principalmente, um tesouro para os amantes da Literatura.
Esse livro merece até uma resenha mais detalhada, que eu vou fazer depois. Por enquanto, só posso dizer que eu realmente gostei muito da experiência de ler essa obra, apesar de ter enrolado um pouco com ela. O livro é curtinho (deve ter umas 250 páginas no máximo) e eu recomendo DEMAIS para quem curte umas leituras um pouco diferentes. Eu posso adiantar que é a melhor representação do Brasil no século 16 que eu já vi, então se se interessa por esse período, já é mais um incentivo!
The book is a chronicle of the fifth decade of Brazil. It's more about how the people lived in that time with the nature and the "original" Brazilians than about the first murder and its solving. I really liked it and it was interesting to imagine Rio de Janeiro, or even, São Paulo in the 1550's.
A Primeira História do Mundo - Alberto Mussa | 240 pgs, Record 2014 | NITROLEITURAS #histórico #drama #crime Lido de 15.09.17 a 16.09.17
SINOPSE O romance baseia-se em parte da documentação de um caso real – o primeiro registro formal de um assassinato no Rio de Janeiro, de 1567, crime passional, história de adultério, que enredou, entre acusados e testemunhas, espantosos 15% da população [que não passava de 400] da cidade então – para tecer uma deliciosa trama policial, em que os mitos fundadores do Brasil, sobretudo os indígenas, associados à própria tradição do gênero literário policial, serão fundamentais para a solução do caso.
A primeira história do mundo é, sem dúvida, o mais popular dos livros do autor.
RESENHA Como o próprio Alberto Mussa disse, A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO faz parte de um compêndio mítico da história do Rio de Janeiro, que começou com O Trono da Rainha Jinga, cuja ação se passa em 1626, continuou com O Senhor do Lado Esquerdo, que parte de um crime cometido em 1913.
É um romance histórico policial com um narrador ativo, que reflete e especula sobre o assassinato à medida que a trama avança.
Através do assassinato de um serralheiro, a trama descreve o precário Rio de Janeiro de 1567, e explora o ponto de vista das camadas mais humildes, abordando as questões dos índios, a condição da mulher e das mestiças nesse período.
Gostei muito da leitura, que consegue abordar temas interessantes e antropológicos, como o controle do sexo, e a opressão do sexo feminino como um dos fatores de organização de uma sociedade humana primitiva em uma realidade mais brutal, como a do Rio de 1567.
E Mussa ainda faz uma desconstrução do romance policial histórico ao mesmo tempo, dialogando com o leitor e revelando a inexatidão de alguns dos lugares comuns da literatura de crime ocidental em relação a crimes reais! Por exemplo, Mussa considera a literatura de exploração psicológica de um criminoso mais fantasia do que realidade, visto a impossibilidade de se fazer isso com criminosos na vida real sem partir para uma especulação. Doidimais!
Excelente leitura! Recomendadíssimo!
TRECHO "Contavam os temiminós, como contaram os tamoios, uma história do princípio, do tempo em que os bichos falavam e tinham forma humana. Viviam ali, na Carioca, dois irmãos — Tamanduá e Urubu — que compartilhavam a mesma mulher, Preguiça.
Urubu era um exímio caçador, voltava sempre da mata com muita carne de caça. Por ser mesmo muita, em quantidade excessiva, a carne apodrecia às vezes, antes de ser posta no moquém.
Preguiça, contudo, apesar de Urubu ser forte e corajoso, parecia preferir Tamanduá, que passava seus dias na roça e apreciava mais abóbora, feijão e amendoim. Tamanduá também fazia cestos, potes, vasos e redes, que oferecia à Preguiça.
Certo dia, com ciúme do irmão, e furioso com o comportamento da mulher, Urubu chegou na taba com um quarto traseiro de veado. E insultou Tamanduá, atirando nele o enorme pedaço de carne, afirmando que, se ele fosse homem de verdade, se fosse um homem viril, seria caçador como ele, Urubu. Tamanduá, então, profundamente ofendido, bateu com o pé no chão. A raiva era tanta que a pancada abriu na terra um buraco, de onde jorrou imenso fluxo de água.
Então, Tamanduá, Urubu, Preguiça — toda a taba foi impulsionada para cima, na direção do céu. Preguiça, que estava grávida dos dois maridos, ficou com medo; e se agarrou à extremidade de uma árvore altíssima, enquanto os irmãos continuavam subindo.
Quando a taba fora lançada para cima, Preguiça tinha nas mãos um tição aceso. Assim, pôs o fogo sob a longa e espessa cabeleira, para protegê-lo da chuva e do vento. E esperou, no alto da árvore, as águas baixarem.
Desceu, então, depois de muito tempo. Mas, como os gêmeos no seu ventre já pesavam muito, acabou caindo, quando estava já bem perto do chão. Essa queda abriu outro buraco, de onde brotou água. Todavia, em vez de uma torrente caudalosa, esguichando para cima, nasceu apenas um rio: o Carioca.
Os gêmeos — um, filho de Tamanduá; o outro, filho de Urubu — vieram à luz com o impacto; e foram levados pela correnteza, na direção da antiga aldeia. Preguiça veio nadando, desesperada, atrás dos dois.
Ainda dentro d’água, os irmãos, repetindo os pais, também brigaram — e por isso o rio se dividiu em dois braços, pouco antes de desembocar.
A Carioca é, assim, não apenas o lugar de origem do Rio de Janeiro — mas onde surge a própria humanidade, descendente dos filhos de Tamanduá e Urubu, tidos com sua própria mãe, Preguiça. Ela, que conservou o fogo sob a cabeleira espessa e longa, tem até hoje os pelos queimados na região da nuca."
A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO, Cap.1 Quando se sabe da existência de um cadáver, Alberto Mussa.
Este livro faz parte do “Compêndio mítico do Rio de Janeiro”, de autoria do escritor, Sacerdote de Ifá, o orixá do conhecimento e do oráculo Alberto Mussa. O compêndio é composto por cinco ótimos romances (“A primeira história do mundo”, “O trono da rainha Jinga”, “A hipótese humana”, “O senhor do lado esquerdo” e “A biblioteca elementar”) um para cada século da história carioca e todos eles girando em torno de crimes pois, na opinião do autor, “Uma cidade se define pela história de seus crimes”. É claro o fascínio, quase obsessão, do autor por narrativas mitopoéticas, como a dos afros, a dos nossos povos nativos, ou a dos árabes pré-islâmicos e pelo estabelecimento de conexões entre essas narrativas que constituem um verdadeiro encontro/fusão de cosmologias. “A primeira história do mundo” baseia-se em grande parte na documentação de um caso real ocorrido no Rio de janeiro em 1567: o assassinato do serralheiro Francisco da Costa. O caso causou um verdadeiro furor pois eram muitos os suspeitos, suspeitas e testemunhas (nada menos do que 15% da população do Rio de Janeiro que não passava de 400 pessoas na época). O autor, que também é o narrador empreende, então, uma minuciosa narrativa que busca esmiuçar as motivações, possíveis álibis, interesses e histórias pessoais de cada envolvido analisando, também, mitos, lendas e narrativas que fazem parte das tradições indígenas adotando métodos oriundos de autores que aprecia como Agatha Christie e Edgar Alan Poe. A trama é complexa e envolve muitos personagens. Esse pormenor exige do leitor uma atenção redobrada que exigirá, amiúde, retornos a passagens já lidas. Mas tal “complicador” não deslustra este fascinante passeio pelo Rio de Janeiro do século XVI.
O autor consegue mesclar ficção e história de uma maneira envolvente. O livro é parte de uma série que explora diferentes séculos do Rio de Janeiro, e neste volume, que se passa no século XVI, ele nos leva de volta ao momento em que a cidade ainda era uma pequena fortificação portuguesa, cercada por florestas exuberantes, indígenas e conflitos constantes.
A narrativa começa com o primeiro crime oficialmente registrado na cidade, em 1567, um episódio que serve como ponto de partida para uma investigação detalhada, quase jornalística, que Mussa constrói a partir de documentos históricos, inquéritos e interrogatórios da época. É fascinante perceber como ele recria esse cenário, usando mapas antigos e detalhes geográficos para nos situar na Baía de Guanabara e no Morro do Castelo, onde tudo acontece.
O que mais me chamou atenção foi a profundidade com que o autor explora as relações sociais e culturais daquele período. Ele não se limita a contar o crime, mas mergulha nas questões de mestiçagem, alianças entre indígenas e portugueses, e na vida cotidiana com suas lendas, mitos e tabus. A personagem central, Jerônima, uma mulher sedutora e misteriosa, serve de fio condutor para refletirmos sobre a percepção de beleza, sedução e a moralidade daquela época, especialmente em relação às mulheres.
Mussa também incorpora elementos clássicos do gênero policial, como pistas, suspeitos e interrogatórios, além de referências à literatura antiga, como Dante, criando uma atmosfera poética e simbólica. A leitura é envolvente e faz com que a história vá além do simples relato de um crime; ela provoca uma reflexão sobre como a sociedade daquele tempo via questões de justiça, moralidade e o papel da mulher na sociedade.
O livro parte de um fato histórico: aquele que teria sido o primeiro assassinato na história do Brasil. Morre o serralheiro Francisco, cravejado por 8 flechas. O crime teria sido passional, tendo como pivô sua mulher, a bela mameluca Jerônima. Vários são os acusados e um rapidamente condenado à morte. Através de fatos históricos e muita pesquisa o autor dá uma de Sherlock e enumera cada um dos suspeitos, analisando de forma bem racional o que poderia ter realmente acontecido, nos dando outras versões. A final é muito impressionante e surpreendente. Seria verdadeira? Impossível saber. A ideia é interessante mas achei cansativa a forma de desenvolver. Fiquei perdida em meio a tantos nomes, tive muita dificuldade em saber quem era quem na história. Com H maiúsculo.
Histórico de leitura 29/05/2020
"Estamos na cena do crime. À frente de quem mira o levante, fica a praia, banhada pela baía de Guanabara. Atrás, indevassável e infinita, a floresta. À direita, um pequeno manguezal, acompanhando o braço mais largo do rio que desce das serras altas da Tijuca para ali desembocar."
Esta novela policial é divertida e instigante, bem escrita, o que por si só vale a leitura. Mas a fórmula de Alberto Mussa tem essa particularidade de usar história e mito, fazendo com que uma dê suporte à narrativa ali onde a outra parece escapar, até que o leitor não as distingua mais. A graça, aliás, é precisamente essa. Entre os farrapos da historiografia e a pulsação transcendente da mitologia, o que se tem nesta obra é um ótimo ensaio sobre o Rio de Janeiro, uma ontologia de capiau, em que onças e índios e europeus e mestiços e mulheres e piratas e burocratas da corte e espíritos da floresta compõem um mundo violento, fértil, perigoso, irresistível. Um mundo novo, como eles costumavam chamar, fabricado das forças mais antigas existentes na Terra.
Borgeanismo tupiniquim máximo: certeza de que 90% do que ele escreveu é pura invenção, mas ele te vomita tantas referências e fala com tamanha propriedade que você fica hmmmm, e se aqui em particular ele tá falando a verdade?.... Não é um livro para qualquer um (minhas fontes me informaram que os outros membros do Compêndio Mítico do Rio De Janeiro são melhores. Veremos) — não me importo, contudo: se você, como eu, tem certo encanto pelo brasil quinhentista, este é um livro de mão cheia. O enredo é virtualmente irrelevante. Ele é apenas uma justificativa para 200 páginas de pseudo-indianismo.
Vai escrever um livro que contenha traços de Agatha Christie, Conan Doyle, Edgard Alan Poe, Eduardo Viveiros de Castro e Levi Strauss em tão poucas páginas e te prender de tal firma, quero ver!! Impressionante como uma história aparentemente banal, um assassinato no proto-Rio de Janeiro, nas mãos de Mussa adquirem contornos antropológicos profundos e põe na mesa a tupinidade repleta de seres, humanos ou não, fantásticos, recomendadissimo. Indico a todos que gostam de folclore indígena e também romances policiais. Lindo!
Recomendação do Arthur DPS. Historiador fictício? Ficção histórica ou história ficcional? Provocações metodológicas: a liberdade imaginativa nas ambiguidades e lacunas dos registros históricos; imaginar outros modos de narrar o passado; tensionar os limites entre ficção literária e construção histórica; o estatuto da verdade na narrativa histórica e o estatuto da verdade da narrativa histórica ou O Velho Debate, o regime de conhecimento específico da história e a aceitação da narrativa como verdadeira. Qual a modalidade de verdade do discurso histórico?
Un libro diferente, describe la historia de Río de Janeiro con mitos y leyendas que te llevan a imaginar cómo vivían los indígenas en el siglo 16 y la forma en que coexistian con la naturaleza, pero siempre considerándola superior a los seres humanos. Está historia nos demuestra la valentía de las mujeres indígenas.
É um livro extremamente interessante pela reconstrução do Rio de Janeiro de 1560, mas, se comparado com os outros livros da série, na minha opinião sai perdendo, pois há muito menos história e muito mais conjecturas e desvios do autor. É um estilo
Alô Globo, Netflix, investidores e endinheirados: aqui está o nosso Game of Thrones brasileiro, um livro que se transformado em série ou filme enlouqueceria as pessoas.