Paixões humanas sob uma ótica realista, chocante e transgressora, em uma obra sobre sexualidade, amor e os limites do desejo
O lançamento de Paula Febbe mergulha no espaço abissal que divide a moralidade e a sexualidade humanas. Vermelho, novo livro da autora, mostra em quatro perspectivas interligadas como o desejo, a busca por afeto e nossos próprios limites — ou a ausência deles — podem alterar nossas histórias irreversivelmente.
Traumas de infância, feridas emocionais abertas, desejos suprimidos e encerrados em quatro narrativas forjadas para despertar a sociedade adormecida e entorpecida em que vivemos. De onde vem o cheiro da baunilha? Que parte dos homens explora as mulheres e quais partes existem para que eles sejam explorados por elas? Existe um limite para o prazer humano? E para a dor de se submeter e ser submetido? Quanto do desejo pela vida pode te fazer chegar mais perto da morte?
Eros e Thanatos. Paula Febbe constrói sua teia de erotismo aprisionando casamentos de fachada, profissionais de bondage, investigadores, lutadoras de MMA e vítimas de um mercado de carne que cresce e floresce nas vísceras mais profundas das grandes cidades e nos segredos das famílias.
No BDSM, o alívio possível na dor se torna a única verdade suportável, e distorções encontram o abraço de quem os cultiva e anseia por seus pecados. A dor na carne, o gelo no estômago, a asfixia que promove o tênue limite entre morrer de prazer ou implorar por mais um pouco. Aos não iniciados, tudo parece venenoso, inescrupuloso, indecente. Paula nos prova o contrário, e arrasta seus leitores a aceitarem transgressões e práticas inimagináveis. Mais do que isso: os leva a querer um pouco daquele ardor para si. Todos somos uma mistura de nossos ímpetos.
Na narrativa de Vermelho, surge uma visão mais perversa, faminta e constantemente excluída da sexualidade. Moderna, transgressora e irremediavelmente real. Com a voz analítica e verdadeira que sempre a representou, construída a partir de entrevistas com profissionais e consumidores desse mercado de paixões, a escritora Paula Febbe joga luz nos calabouços mais profundos dos relacionamentos humanos, em suas perversões e dores, flertando com desejos que, estejamos prontos ou não, insistiremos em queimar.
Paula Febbe estudou roteiro no Goldcrest Production Theater, em Nova York, e psicanálise no Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), em São Paulo. Autora de sete livros de ficção sobre perversão e psicose, a escrita brutal e expositiva dos dilemas humanos é uma de suas marcas registradas. Pela DarkSide® Books, publicou Vantagens que Encontrei na Morte do meu Pai (2021). Paula recebeu diversos prêmios com o filme 5 Estrelas, que co-escreveu com o diretor Fernando Sanches, com o filme chegando a finalista também do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O filme fez parte da seleção oficial do festival LABRFF, de Los Angeles e do Festival FANTASPOA, em 2020, mesmo ano em que Paula roteirizou a obra Fetiche, de Heitor Dhalia, criado em colaboração artística com a autora e inspirado em livro de autoria dela. A autora também é apresentadora do podcast Divã de Singularidades.
O livro tem quatro contos de suspense e horror envolvendo praticantes de BDSM. Esse não é um dark romance, nem pretende ser um informativo sobre práticas sexuais. Vermelho está para fetiche como Jantar Secreto (Raphael Montes) está para restaurantes de comida caseira - e acho que essa é a graça dele!
Pontos positivos:
- Os enredos são intrigantes. Gostei especialmente do segundo. - É uma leitura bem dinâmica e gostosa de acompanhar.
Pontos negativos:
basicamente eu tive a sensação de que a autora pesou a mão na psicanálise. Eu não me identifico com a linha teórica (nada contra, tenho até amigos que são, só não é a minha praia), mas vai além disso: parece que a autora quer deixar óbvio o tempo todo de que ela embasou os contos na teoria psicanalítica. Tipo aquele filme que tem uma lição de moral óbvia? Isso aparece de duas formas: - Os personagens quase sempre têm uma história envolvendo o fetiche ou prática sendo ligados a alguma história com os pais. Fica cansativo e previsível. - OS TROCADILHOS. Nossa, isso foi o que mais incomodou. "Acorda"-cordas, o local chamado La Petit Mort, e por aí vai. Muito chato, detesto trocadilho literário com ou sem psicanálise.
Também aviso que tem uma cena desconfortável de est*pro de vulnerável no conto 3.
É uma leitura bem divertida pra quem gosta de suspense e horror, em uma edição linda da Darkside.
Não é um livro pra qualquer um, as histórias são pesadas em níveis diferentes mas podem mexer bastante com o psicológico de quem não tá acostumado a ler coisas do gênero.
Eu particularmente gostei bastante, gostei da escrita, gostei de como as histórias foram contatas, gostei muito de como foi abordado o bdsm (explicando que existem os dois lados), gostei muito de como tudo é envolto das coisas que se passam dentro da cabeça dos personagens, adorei que consegui ter a visão das pessoas, dos pensamentos delas.
Com certeza depois desse vou procurar outros livros da autora.