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Fazendo essa atualização somente pra registrar a experiência, porque eu provavelmente vou abandonar. Apesar de ter lido pouco da história, muito me incomodou...
Nomes norte-americanos, localizações norte-americanas. Qual a necessidade? Por que não ambientar no Brasil, onde moramos, com a cultura que temos, os nomes que temos, as realidades que temos? As próprias personagens agem como brasileiras, usam palavreado brasileiro, mas eu tenho que acreditar que são estrangeiras, porque era mais agradável se passar fora? Pra que "Não sei o que St." e "Não sei mais o que St."? Por que não "Rua disso" e "Rua daquilo"? Me dá preguiça essas escolhas de "estrangeirizar" elementos que nós podemos oferecer. Pra que uma personagem que mora em Baddeck e outra que se chama "Abby Sinclair"? Me cansa demais essa eterna necessidade que alguns autores tem de aproximar a narrativa o máximo possível da realidade norte-americana quando nós temos um país plenamente rico em cultura a ser explorada.
A escrita é boa, mas amadora. Não tem riqueza na narração, na construção de ambiente, em nada. É o bom e velho feijão com arroz do: "Fiz um coque frouxe e me dirigi ao Starbucks para buscar um café". E, nesse caso, ênfase no Starbucks, já que a narrativa quer aludir ao norte-americano a qualquer custo.
Vou tentar continuar porque me custou 3,99, mas desde já: cansaço. Romances podem ser bons e robustos em narrativa e significado. A farofa tem valor, então vamos investir nas que são bem elaboradas.
RESENHA APÓS FINALIZAR
Errei, acreditei em recomendação de estranho em rede social. Não era pra ter acreditado. Esse livro definitivamente não era pra mim.
Se você é ou foi fã de Once Upon a Time, rapidinho percebe que esse livro é muito inspirado em Swanqueen. Os primeiros capítulos são quase uma reimaginação do primeiro episódio de Once Upon a Time. A forma que a Lily aborda a Abby na porta de casa, até o diálogo, é muito semelhante ao Henry abordando a Emma pela primeira vez. A dinâmica entre a Abby e a Eva, o "miss Sinclair" que é referente ao "miss Swan", o jeito durão e superprotetor, a raiva que ela tem da professora lerda da escola, a Abby sendo órfã com passagem pela polícia, a Abby tendo a criança e não segurando no colo... e até a aparência física remete a Swanqueen. Enfim, deu pra entender.
Aí soma isso com Rocky Balboa e temos um livro. Na teoria parecia fofo. Na prática, é mal feito. A escrita, como reclamei na primeira atualização, é amadora, é simplista, carece de riqueza de detalhas, de naturalidade. É bem robótica e se atém ao eu fiz isso, depois isso, senti isso, fiz aquilo. É broxante, apesar de facilitar uma leitura rápida pela ausência de substância. No mais, a construção das personagens é fraca, não dá pra sentir veracidade na aproximação das duas, na construção do relacionamento, em nada. Sem contar as inconsistências da personalidade da Lily. Eu tenho uma criança de 9 anos em casa e não dá pra acreditar que essa menina elaborou todo um plano perfeitamente praticável pra viajar de uma cidade pra outra sozinha, encontrou o nome e o endereço da mãe biológica por conta própria, mas no capítulo narrado por ela, ela nos conta que sabe que não é verdade que colombianos são traficantes porque assistiu Encanto. Ah, tenha santa paciência. Uma hora ela é uma gênia, na outra ela tem 4 anos.
No mais, continuo sendo incapaz de entender a necessidade de ambientar esse livro no Canadá, ter personagens norte-americanos, comer no Rebeccca's e morar na Something Something St. As personagens são brasileiras de todas as formas e trejeitos possíveis, mas na verdade não são. Não deu mesmo pra mim.
Feliz por quem gostou, não foi meu caso.