“O feminicídio é um crime que tem em sua base a ideia de posse masculina sobre a mulher.”
Essa é uma das muitas frases que me impactaram durante a leitura de “Feminismo Para Não Feministas”, um livro que consegue em menos de 200 páginas escancarar e destrinchar o sistema social adoecedor que fazemos parte e como a manutenção dele agride e mina o potencial da vida humana, independente de gênero.
É fato que o feminismo, assim como muitos outros movimentos, está longe de ser perfeito, mas ainda é o principal aliado no processo de transformação social que julgo ser necessário realizarmos o quanto antes.
De nada adianta se solidarizar com casos como o de Vitória Regina e o mais recente de Bruna Silva, precisamos discutir sobre a forma como educamos homens e mulheres, precisamos dialogar a respeito dos papéis que atribuímos desde cedo no processo de criação de novos cidadãos.
Segundo reportagem de Ana Cristina Campos, repórter da Agência Brasil, em 2024, nove estados brasileiros registraram 531 mortes por razão de gênero e a cada 17 horas ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio, sendo que em 75,3% dos casos os crimes foram cometidos por pessoas próximas.
Até quando agiremos como espectadores e espectadoras passivas? Talvez, infelizmente, até que aconteça conosco ou alguém mais próximo.
“Feminismo Para Não Feministas” é o tipo de livro que deveríamos estar falando, colocando nas discussões de clubes de leitura, debatendo capítulo a capítulo na rua e em casa. Mas nossa sociedade ainda prefere surfar no hype, e o hype costuma ser o que anestesia as pessoas e sustenta o sistema como é há séculos.
Se você estiver aberto e aberta a se aprofundar em temas atuais, desvelar algumas ilusões patriarcais e sentir o tipo de desconforto que nos faz refletir e mudar, leia este livro.