"Neste livro você encontrará inspiração para essa busca. Aqui, nossa autora nos inspira a falar, a escrever, a desenhar. Mas não de qualquer jeito, não de uma forma desengonçada, mas de uma forma radicalmente uma que seja autoral." – Ana Suy, psicanalista e escritora.
Em Estavelmente instável, a artista visual Marcela Scheid explora o conceito de autoficção com uma intensidade visceral e emoção palpável. A obra é uma ode à pluralidade de expressões e um manifesto de libertação feminina, revelando um caminho repleto de introspecção e coragem. O livro não celebra apenas a busca pelo estilo próprio, mas também oferece um suporte contínuo para a autodescoberta e autenticidade. Scheid compartilha com generosidade os fragmentos de sua própria trajetória criativa, apresentando uma obra que é tanto um acolhimento caloroso quanto um desafio "vá – e se precisar, volte".
"Percorrer muitos lugares, mas sempre voltar para mim". Que presente foi ler esse livro, me fez lembrar de como eu gosto de ler poesia. Li bem devagar para deixar os poemas ressoarem e várias vezes sentia como se a Marcela estivesse dentro da minha cabeça, lendo meus sentimentos. Quão poderoso é uma mulher que escreve sobre e para mulheres...
gosto bastante das ilustrações de Marcela e amei a frase de introdução do livro - "tudo é autoficção", uma variação do que eu sempre digo: tudo é ficção. mas o livro não me pegou. as poesias me pareciam aqueles momentos de abrir o bloco de notas e escrever num fluxo tudo que passa pela cabeça, e também a forma me parecia pouco elaborada. me soam como poesias de instagram. no mais, me sinto um pouco preguiçosa dessa forma de se relacionar com o feminismo, acho meio datado 2012, sei lá.
Eu realmente tentei ver alguma profundidade, alguma sensibilidade nesse livro. Mas não dá. 236 páginas compostas por vômito literário e uma fantasia do feminismo liberal. Parece que eu passei 2 horas escutando uma mulher bêbada, cuja ideologia pode ser resumida na página “Quebrando o Tabu”, jorrando histórias aleatórias e não tão interessantes sobre sua vida em cima de mim (que nesse cenário hipotético, não perguntei nada).
Mesma vibe da Rupi Kaur, mas de certa forma ainda mais pretensiosa. É triste como a poesia contemporânea se rebaixou a palavras dramáticas espalhadas pelo papel em um formato que só pode ter surgido no auge do movimento hipster, recheadas com um toque de narcisismo intrínseco em todo autoproclamado poeta.
quanto mais leio mulheres, mais tenho certeza o quão importante é que as mulheres escrevam, sejam ouvidas/lidas. livro sensível, forte e muito real. acho difícil uma mulher que leia e não se identifique com algum poema.
"Estavelmente Instável", de Marcela Scheid, é um livro de poesia feito sobre mulheres e para mulheres. Marcela nos convida a dar uma volta em seu inconsciente ao longo de 237 páginas, diagramadas e produzidas para encantar o leitor e despertar seus sentidos mais profundos em relação ao outro sexo: o feminino.
Sua forma artística de construir frases e versos é intrigante. Não vou mentir: a maioria de seus poemas é fraca, simples, sem magia ou um trabalho emocional envolvido em sua confecção. Sua abordagem decepciona ao entrarmos em seu lado mais profundo. Scheid escreve clichês, frases de efeito e os chama de arte, resultando em uma peça mercantilizada, puramente estética e sem vida alguma.
No entanto, os textos curtos que ela intercala entre um ou outro capítulo apresentam um tom diferente para o leitor mais detalhista ou exigente — como eu. Sua forma sutil de apontar as camadas entre a crítica feminina e o lado opressor patriarcal é, além de curiosa, interessantíssima sob um aspecto literário. Scheid desenvolve ideias pouco exploradas em obras femininas e constrói uma ponte para algo mais bruto e cru dentro dela mesma. Mas, ainda assim, isso não significa que sua escrita seja realmente boa. Os textos têm potencial, mas ainda falta um trabalho de desenvolvimento literário sobre a obra como um todo.
Recomendo? Se você quer comprar um livro para postar fotos no Instagram ou Twitter com frases de efeito bonitas e imagens impactantes, este é o seu livro. Se procura uma produção de poemas de qualidade, não escolha este exemplar. Acredito que, sendo o primeiro livro da autora, ela ainda tem muito a evoluir em sua próxima obra. Tenho confiança nesse potencial, que está escondido por uma ideia de marketing fácil, mas que, ainda assim, existe no subconsciente desse livro feito de retalhos de inspirações feministas.
Estavelmente Raso Ganhei Estavelmente Instável de presente e resolvi dar uma chance. Logo nas primeiras páginas, percebi que era uma coletânea de frases que pareciam ter saído diretamente de um story com filtro sépia e música da Lana Del Rey de fundo. Um exemplo? ?Com tantos buracos no peito, achei que precisava de algum equilíbrio ? então cortei a franja.? Bicha???
A leitura foi um desafio: rasa, repetitiva e cheia de frases de efeito que mais parecem ter sido feitas pra impressionar do que pra realmente dizer algo. Parece um livro feito pra quem confunde estética com emoção.
No fim, terminei só pra não abandonar. Não é poesia, é conteúdo pra feed.
li de maneira lenta, mas diversas passagens ressoaram com o meu atual momento de vida, especialmente as que falam sobre autenticidade, equilíbrio e a busca dessas duas coisas. acho que é uma obra que irei revisitar ao longo do tempo. amei também as ilustrações e o projeto gráfico. marquei 50 das 200 e poucas páginas, um recorde pessoal
A imensidão feminina individual e também por isso coletiva é colocada de forma intensa e equilibrada, poética é muito bonita como nós, feministas modernas, seres humanos em construção
Para você, todos os seus domingos são uma nova chance de se encontrar?
Para mim, é.
Em novembro fui para São Paulo e vi um prédio com um dos poemas da Marcela. Eu corri atrás para encontrar o livro físico e folhear. Trazer a arte e a poesia junto é um dos meus fascínios, uma coisa anda com a outra.
No livro você encontra vivência de ser mulher. A Marcela planta a semente da poesia na gente, busca ver as coisas formas mais profundas - mais reais, aquelas que precisamos relaxar os ombros e aceitar o choro vir.
Sou uma grande fã de poemas que falam sobre sentimentos, que desabafam diante das amarras que vivemos em sociedade. Mas sou fã, de principalmente, a literatura que fala de mulher para mulher.
O livro também fala de tempo. Não precisamos pegar um livro e esperar que nos identifiquemos, pelo contrário, sempre você pode tirar algo que não faz parte da sua vivência. O prefácio da Ana Suy é impecável e a junção foi um deleite, pois ela também mostra um outro lado da vida, que a rotina corrida não permite termos sensibilidade.
É o tipo de livro que você leva num café, bota sua música favorita, abraça ele num parque e fica pensando na terapia. Alguns trechos me renderam reflexões sobre um Burnout que vivi ano passado, um relacionamento maltratado de anos, uma amizade que sumiu, um cuidado pessoal que eu deixei para trás.
Mas a gente precisa ficar pensando no passado? É o questionamento que temos. Podemos olhar para frente.
As vezes é fazer algo pelo nosso futuro. Dói crescer, mas se até os ossos infantis incomodam, a alma é muito mais. Faz parte.