Esta é a história prodigiosa e trágica de Calita, um rapaz negro que tem um plano para a vida. Um retrato do que não vem na literatura bem-comportada -e que nos deixa sem respiração.
Depois de anos em Espanha, onde ganhava a vida como dançarino e DJ, entre outras atividades, Carlos, aliás Calita, regressa a Portugal mas não a tempo de se reencontrar com a tia Lena, a senhora que o criou. Não tem família, não tem amigos, não tem casa. Apenas o sonho vago de juntar dinheiro para comprar uma mesa de mistura e voltar a trabalhar como DJ. É acolhido por uma antiga vizinha que o ajuda a recomeçar e o põe em contacto com um pastor brasileiro e o fiel ajudante deste, Pula-Pula.
Aos poucos, Calita - que também tem outro nomes ao longo do romance - reconstrói a vida a trabalhar na cozinha de um hotel em Lisboa e na companhia do cão, Trovão. E quando parece estar próximo de concretizar os seus sonhos e cumprir o plano que traçou, a tragédia, as recordações e uma enorme quantidade de incidentes vêm bater-lhe à porta e devolvê-lo à estaca zero.
Toda a Gente Tem um Plano é a história trágica deste rapaz negro que cresceu sem os pais e que tem o dom indesejado de estragar todas as possibilidades de felicidade. Da infância em casa da tia Lena e do filho desta, Pedro Mulato, por onde circulavam figuras como o professor Pretérito Perfeito, a macumbeira Rosa Quivunge e o enigmático D. Pacas, sem esquecer a suposta namorada, Eneida, até à vida adulta e selvagem nas noites de Benidorm, passando pela adolescência nas ruas e a fuga do reformatório, foram muitas as vezes em que Carlos tocou a felicidade com a ponta dos dedos apenas para aprender que toda a gente tem um plano até a vida ruir - e os estilhaços lhe acertarem em cheio no coração.
BRUNO VIEIRA AMARAL nasceu em 1978 e licenciou-se em História Moderna e Contemporânea, pelo ISCTE. Em 2002, uma temerária incursão pela poesia valeu-lhe ser seleccionado para a Mostra Nacional de Jovens Criadores. Colaborou no DN Jovem, na revista Atlântico e no jornal i. É crítico literário, tradutor e autor do Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa e do blogue Circo da Lama. O seu primeiro romance, As Primeiras Coisas, foi distinguido com o Prémio Literário Fernando Namora e com o Prémio Narrativa do PEN Clube. É editor-adjunto da revista LER e assessor de comunicação das editoras do Grupo Bertrand Círculo.
"Toda a Gente Tem um Plano", de Bruno Vieira Amaral, acompanha a vida atribulada de Calita, um jovem negro cuja vida parece ser marcada por uma sucessão de desencontros e oportunidades perdidas. A narrativa acompanha Calita desde a sua infância difícil, passando pela adolescência problemática e pela vida adulta em Espanha, até ao seu regresso a Portugal.
Um dos pontos fortes do livro é a construção da personagem de Calita. A sua vulnerabilidade e a sua luta constante contra as adversidades tornam-no numa figura complexa e cativante. São abordados temas como a solidão, a marginalização e a procura por um lugar no mundo. A linguagem utilizada, crua e direta, contribui para a autenticidade da história e aproxima-nos da realidade dura que Calita enfrenta.
A história alterna entre o passado e o presente, o que permite compreender as origens dos traumas de Calita e a forma como estes influenciam as suas decisões. No entanto, esta mesma estrutura, por vezes torna a leitura um pouco fragmentada e nem sempre fácil de compreender.
Apesar da empatia que a história de Calita suscita, alguns aspetos da narrativa deixam a desejar. O ritmo, por exemplo, é irregular, com momentos de grande intensidade intercalados com passagens mais lentas e descritivas. Além disso, algumas personagens secundárias parecem pouco desenvolvidas, servindo apenas como meras personagens na vida de Calita.
O desfecho é um tanto repentino e algumas questões permanecem sem resposta. Sente-se a necessidade de um desenvolvimento mais aprofundado em certas partes, o que gera uma impressão de que a obra ficou incompleta.
A construção da personagem principal é um dos seus maiores trunfos, assim como a linguagem utilizada. No entanto, a estrutura narrativa fragmentada, o ritmo irregular e o desenvolvimento incompleto de algumas personagens e arcos narrativos impedem que o livro atinja um patamar superior. Recomendo a leitura a quem procura uma história forte e emotiva, mas com a ressalva de que poderá sentir falta de um maior desenvolvimento em alguns aspetos.
Àquela hora da manhã, as árvores da Avenida da Praia assistem à romaria de fantasmas que arrastam o peso da rotina. Do outro lado do rio, a grande cidade com as suas luzes. Deste lado, paralíticos e cancerosos colostomizados, velhos a falar sozinhos e deprimidos sem dinheiro para aviar a receita de Xanax, ciganos e antigos combatentes da Guerra Colonial “onde perderam pernas, braços e juízo (e ganharam uma reforma de merda e ódio aos turras)”. Entre eles está Carlos, aliás Calita, também ele com ar de suicida, “de quem está no limite e se prepara para dar o último passo rumo a um abismo maior, mais profundo do que o braço de rio que se estende à sua frente”. As próximas duzentas páginas do livro irão mostrar-nos de que massa é feito este Calita, falar-nos das circunstâncias em que conheceu a própria mãe, levá-lo nessa longa jornada que começa nas ruas de Lisboa, passa por um reformatório da Guarda e pelas noites de Benidorm, até terminar nas afueras de Madrid. E trazê-lo de volta à realidade do bairro e ao mundo cinzento que é de novo o seu.
Depois da estreia fulgurante com “As Primeiras Coisas” - que viria a valer-lhe o Prémio Literário José Saramago -, e desse extraordinário “Hoje Estarás Comigo no Paraíso”, Bruno Vieira Amaral está de regresso ao romance, após sete anos de interregno, com “Toda a Gente Tem um Plano”. Comprometido com as geografias da margem sul - do pontão de Alcochete às salinas de Alhos Vedros, da praia do Rosarinho ao mercado do Lavradio e às moradias do bairro Alentejano, do bairro Gouveia e das Arroteias -, o autor volta às lugares da infância para compor uma ópera trágica à volta de Calita e da sua inaptidão para segurar a felicidade possível que se apresenta ao alcance das mãos. Numa escrita que cruza as memórias de quem vive e sente um tecido social feito de ricos, remediados e pobres, Bruno Vieira Amaral lança um olhar lúcido sobre a vida na margem (e à margem) da capital, pontuado de humor e de uma fina ironia. Na ténue linha que separa uma vida honesta da marginalidade, Calita toca profundamente o leitor pela vontade em regressar aos lugares onde foi feliz, sistematicamente contrariada por uma vida cujas oportunidades são só para alguns.
Admirador confesso da escrita de Bruno Vieira Amaral, seja ela romance ou conto, crónica ou ensaio - e abro aqui um parêntesis para lembrar o excelente “Aleluia!”, um dos “retratos” da Fundação Francisco Manuel dos Santos, cujos ambientes e personagens estão na base de algumas das mais interessantes passagens de “Toda a Gente Tem um Plano” -, é com emoção que abraço este livro. Através dele revejo as bandeiras de Angola e Cabo Verde que ondulam no cimo de algumas barracas, “como que para sinalizar um território e um orgulho estranhos”, mas também a força de figuras como a Tia Lena ou D. Palmira, o professor Pretérito Perfeito ou D. Pacas, o “sete-vidas”, Rosa Quivunge e Zé Lorde, Canivete e o bando dos Carecas. Entretanto, o bairro torna-se permeável a quem, de longe, traz consigo mensagens de esperança e salvação, o rebanho submisso do pastor Joãozinho de Sousa a crescer a cada dia sob o olhar atento de Pula-Pula. A par de um conjunto de belíssimas obras surgidos neste final de 2024 - e em contraciclo com um ano medíocre (ressaca da pandemia?) -, “Toda a Gente Tem um Plano” é um exemplo acabado do quanto a literatura nos pode inquietar, convocando um renovado olhar sobre as contradições das sociedades em que vivemos.
Não me surpreendeu nada a escrita escorreita numa linguagem rica e acessível mas o magnetismo da personagem foi uma grande revelação e dei por mim a ler e a reler tal o brilhantismo desta narrativa com o Calita.
Toda a gente tem um plano o que não significa que se concretize quando a vida acontece. O que importa é saber como vais reagir e Calita está sempre no prejuízo ou não fosse ele filho da má sorte ou hábil em asneiras em prol de uma liberdade que tem muito de negligência e falta de afeto. Acho que este Calita poderia ser um daqueles miúdos… que ninguém vê ou se interessa. Um cão não, segue-o. Entre memórias e o presente a história desenrola a bom ritmo para revisitar o passado. Contudo… esperava uma revelação que não se deu.
Este livro fez-me lembrar o porquê de pouco ler autores Portugueses. É uma narrativa morna onde pouco ou nada é desenvolvido acerca de alguém que cresce num contexto sócio-económico desfavorecido, e que, fugazmente, consegue fugir dele para aí acabar, novamente. Do plano, propriamente dito, nem vê-lo, a não ser que este se resuma a possuir uma mesa de mistura, já que daí a fazer vida de DJ, vai um abismo… Se o pudesse caracterizar de alguma forma seria como mais um “amontoado” de clichês. Ainda assim, há alguma coisa na escrita do autor que me continua a prender. Não as narrativas mas a sua forma de escrever.
Todos temos um plano para a vida, mas a vida tem quase sempre outros planos para nós. Uma história de desigualdade e falta de afetos, contada através de uma escrita irrepreensível.
"Estava treinado para desperdiçar tudo o que lhe parecesse superior ao que merecia."
"toda a gente tem um plano" fala-nos sobre pobreza, abandono e sentimentos de desenraizamento. Calita, o protagonista, carrega as marcas de uma infância difícil e de um sistema que condena à partida os que crescem nos bairros periféricos. É um homem "aos tropeções pela vida", que carrega cicatrizes profundas de abandono e hostilidade, que vão influenciando as suas escolhas e perpetuando o ciclo de isolamento em que se encontra. A ideia de que ele se sente "uma ameaça" ao entrar em espaços alheios é emblemática da sua condição de excluído, alguém que, mesmo buscando aceitação, carrega o fardo de ser visto como indesejado.
A dualidade entre o afecto negligente da tia Lena, que o criou com sacrifício mas sem amor e a sua própria incapacidade de se reconectar com o mundo, faz do livro uma reflexão interessante sobre laços familiares, desigualdades sociais e a luta por um futuro incerto. Encontramos oscilações entre a auto-negação e a resistência de um homem que se recusa a desaparecer, mesmo quando acredita que não merece o pouco que tem.
"Se havia um verdadeiro eu a palpitar no corpo arruinado e no coração teimoso de Calita, era essa criança que caminhara pelo mundo sem jamais encontrar alguém com que se identificasse, que o fizesse sentir-se menos estranho, que o consolasse com a ideia de haver outros como ele, e assim derrubassem os muros da sua solidão."
Muitas questões ficaram por responder: -Sabemos que tia Lena morreu mas como? -Zé Lorde foi mesmo atropelado? Tanta coisa para ser assim tão “fácil”? Sem vingança? -Nunca foi à procura da mãe verdadeira, como explica no final do livro? -Como ficou a relação com Eneida?
Um livro, cru, com uma escrita conhecedora e complexa e um desenvolvimento da personagem principal muito bem feito. Uma linguagem forte e reveladora.
A história é repleta de tragédias, sem um grande rumo condutor, que se mistura um pouco entre o passado e o presente.
Por fim, a trama é meticulosa e impactante desde o início. Bruno Vieira Amaral revela-se mestre na compreensão da escrita, daí a pontuação.
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Primeiro livro que li do Bruno Vieira Amaral, Prémio José Saramago, e que me conquistou desde as primeiras páginas. Duro, sem floreados, conta a história de Calita, personagem inesquecível, que vive nos subúrbios de Lisboa, mas sobretudo nos subúrbios de uma vida feliz. O retrato feito pelo autor desta vida nos subúrbios, da pobreza, dos descendentes angolanos, também das ligações humanas e com os animais, revela uma grande maturidade na escrita. Os capítulos curtos fazem com que a leitura avance a um ritmo rápido, assim como a história envolvente; queremos sempre saber o que acontecerá no próximo capítulo, como se vai desenrolar a vida de Calita, será que a sorte lhe vai sorrir no fim? Bela porta de entrada para este autor português. Aconselho a leitura.
A vida de Calita é uma sucessão de dificuldades e insucessos: sem pai, criado por uma tia, discriminado na escola, cedo se envolve com pessoas que levam uma vida sem rumo. Muitos anos após a sua partida em busca de um ideal de liberdade, Calita regressa às suas origens por causa da morte da tia e faz um balanço da sua vida. Entre os seus mortos e os poucos que o apoiam vai tentando construir o seu futuro. Um bom livro, escrito por quem conhece as realidades que retrata. É sempre um prazer ler Bruno Vieira Amaral.
Li sempre em angústia... O Calita não me deixou indiferente. Achei que tem partes com uma escrita muito bonita e outras mais "repetitivas". Fiquei à espera de algumas respostas...
"ninguém saberia do seu heroísmo porque não é herói aquele que se salva a si mesmo do abismo que o chama" "preferiam pensar que tudo o que a vida lhes tirara ou nunca lhes dera servia para viajarem mais leves" "estava treinado para desperdiçar tudo aquilo que lhe parecesse mais do que merecia"
Gostei muito da escrita. É daqueles livros que com bastante simplicidade nos dá uns choques de realidade. Fiquei de coração apertado pelo Calita em vários momentos. Curiosa para ler mais do autor.
Magistral este livro Toda a Gente Tem um Plano, de Bruno Vieira Amaral (2024), que apresenta os bairros sociais como espaços marcados por lutas quotidianas, mas também por sonhos e resistência. A obra explora as complexidades de viver num ambiente onde a pobreza e a violência coexistem com solidariedade e resiliência. Amaral dá voz aos moradores, Calita é a personagem principal, marcado irremediavelmente pela falta de amor, mas por uma resiliência impressionante, ele volta sempre a renascer, embora mais cansado, amputado. A vida não é justa e pouco feita em justa medida. A escrita de Bruno é a voz viva dos bairros, das gentes pobres e invisíveis, como se pela sua escrita se soltassem os pensamentos mais inconscientes dos seus habitantes. Admirável
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Livro muito bem escrito, em que os capítulos curtos ajudam o ritmo da leitura.
Pontos menos positivos: - Há novamente uma panóplia de personagens que se cruzam de algum modo com o protagonista. Mas nenhuma das suas história é aprofundada, nomeadamente a história da mulher e filha que abandonou em Espanha. Parece-me que nem a história e interior do próprio protagonista é aprofundado, por exemplo, ao renegar a “mãe negra”. Muitas pontas soltas.
- os saltos temporais na narrativa parecem-me desconexos e pouco naturais. Entram e saem sem critério. Mesmo que se trate de memórias fugazes, não acrescenta ao momento ou à história naquele ponto.
- novamente, é abordado o tema da religião, a igreja evangélica, e a sua relação com ambientes mais pobres e pouco instruídos. Fé e salvação ou inevitabilidade?
- tendo lido outros livros do autor, sinto que já escreveu este livro, já contou esta história.
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Li-o de um fôlego, sempre à espera de ver o fim anunciado. A vida, afinal, é aquilo que fazemos dela, mas também pode ser aquilo que ela quer fazer de nós e neste livro (o primeiro que leio deste autor), o Calita foi bem sucedido nos dois aspectos. Uma linguagem crua e real, sentimentos breves e marcados por uma personalidade frágil. Afinal, o que esperar da vida quando nascemos vazios, perdemos o que conquistamos e não agarramos o que se vê chegar. Assim é o Calita, um vencido, um vencedor, até se encontrar perdido. Uma personagem real com um fim previsível numa escrita despretensiosa e forte.
De Bruno Vieira do Amaral, já tinha lido “As Primeiras Coisas”, o seu primeiro romance. “Toda a gente tem um plano” é um livro sobre aqueles para quem não vale de muito ter um plano, porque a vida parece sempre vergá-los aos seus próprios planos, a eles, os que nasceram já náufragos, já perdidos, já do lado errado da história. Logo no início, uma frase marcante sobre a ausência de glória como destino último: “E se se salvasse a si mesmo, se no último segundo recusasse dar o derradeiro passo, ninguém saberia do seu heroísmo, porque não é herói aquele que se salva a si mesmo do abismo que o chama.
Literatura a sério. Um livro de extrema atualidade em torno de uma personagem que viveu múltiplas vidas em busca da concretização do seu “plano”. O azar pode ser uma força poderosa. Ainda assim, Calita, a personagem fustigada desta história, decide obedecer a um passarinho e pensar apenas “em tudo o que é verdadeiro, tudo o que é justo, tudo o que é puro”. É um grande livro! ❤️
“Mesmo que não faça sentido, mesmo que o que se viveu seja suficiente e tudo o que acrescente seja supérfluo, há sempre um novo plano, um novo começo.” BVA
"Todos eles o tinham ajudado do fundo do coração e isso humilhava-o ainda mais porque talvez não passasse de um joguete sem ânimo nas mãos caridosas dos outros. [...] prometendo-lhe que, em breve, nada seria igual e tudo seria o mesmo. No bairro, mais cedo ou mais tarde, era preciso andar à porrada. Quaisquer que fossem os méritos individuais a determinar a posição de cada um na hierarquia social, a porrada reorganizava-os e redistribuía-os. O fraco odeia o forte, mas inveja a sua força. "
Bruno Vieira Amaral afunda-nos em realidades duras, estereotipadas, sem aditivos de lições e moralismos redentores. Traz-nos a história de Calita, Carlito ou quiça D.Carlos II, DJ Lava-Pratos, com talento para o infortúnio, a quem até o seu o cão, a única companhia que lhe restava, sai da sua vida.
É bem verdade. Toda a gente tem um plano até apanhar um murro nas ventas. Depois é seguir em frente. Quando se consegue.
O Bruno Vieira Amaral consegue retratar a margem sul como ninguém. Este Calita é um herói da desgraça, que não sabemos se admiramos ou se escolhemos para nos sentirmos comparativamente menos infelizes.
Foi a minha estreia com o autor e, de início, a leitura estava a ser interessante, em termos da estória. Porém, a dada altura, começa a tornar-se demasiado repetitiva e fui perdendo gradualmente o interesse. No entanto, fiquei agradavelmente surpreendida com a qualidade da escrita e, daí, ter dado um pouco mais de cotação do que supunha dar.
Provavelmente o livro que mais me custou a ler em 2025. Não gostei do tipo de escrita, a forma de tentar reproduzir a linguagem falada (calão) pareceu-me demasiado forçada e uma trama com pouca coisa que me fosse entusiasmando ao longo da leitura. As três estrelas, dei-as pelo final surpreendente, bem escrito e cativante, que "salvou" o livro das duas estrelas anunciadas na minha cabeça.
Embora envolto numa escrita irrepreensível e de imensa qualidade o enredo é pobre, mediocre, o leitor nâo se comunica com o protagonista que é fraco, pusilanime e com zero qualidades!! Livro dispensável que nada acrescenta.
Há algum tempo que já não lia ficção que me tocasse desta maneira. Toda a gente é uma história - um contexto, uma dinâmica, uma questão social, um bairro, acidentes, uma mãe e nada. Gostei muito, muito, muito.