Há momentos para tudo na vida e quando as oportunidades certas aparecem, há que as aproveitar. Posto isto, o capricho de um livro mais quente havia, subtilmente, entranhado em mim há já algum tempo. Com a oportunidade e a vontade de fantasiar, o feito deu-se… Após a leitura de dois romances sensuais, tenho de confessar que gostaria de colmatar a minha parca experiência. Acredito que haja grandes romances dentro deste género literário, que ainda poucos portugueses apostam (talvez agora com o novo fenómeno internacional “As Cinquenta Sombras de Grey” isso possa mudar).
Nathan Manning, conde de Blackhearth e Cassandra Willows, as personagens principais deste escaldante livro, são um casal onde a raiva e uma insaciável sede de vingança influencia toda a trama. Durante duas semanas, graças à magnitude do desejo que ainda sentem um pelo outro, são, inevitavelmente, atraídos para um labirinto de pensamentos contraditórios e lutam para se manter á tona – apesar de isso significar a sua separação permanente.
“Desejava Nathan, mas odiava a chantagem que exercia sobre ela. Ansiava pelo seu toque, mas temia as emoções que lhe inspiravam. Desejava que voltasse para ela, e receava que isso acontecesse. Em resumo, a sua vida estava virada de pernas para o ar e totalmente descontrolada.” p. 92
A partir de metade do livro, a atmosfera lasciva dá lugar a um novo foco: a procura da verdade por detrás de uma antiga promessa quebrada por Cass. Quando Nathan souber o que esteve implicado nessa traição será que ele se isolará, deixando a culpa deturpar-lhe as emoções ou irá lutar pela força do amor que sente por Cassandra?
Embora a atracção estivesse presente deste o primeiro encontro, o romance aconteceu gradualmente. Por vezes, os alicerces da relação quebravam, não havendo uma completa sensação de realidade por parte do enredo. As personagens pouco mais complexas são do que parecem. A linguagem é directa e sem tabus, fazendo jus ao título da melhor maneira. Quanto às descrições dos momentos mais íntimos, gostei imenso do facto de manterem um certo nível de classe e sensualidade à mistura.
“O gozo e a libertação atingiram-na como um soco no estômago, tirando-lhe a respiração, desprovendo-a de palavras e pensamentos coerentes. Só conseguiu gritar, com o coração ao pé da boca e os pulmões apertados, ao mesmo tempo que ondas de um indizível prazer a abalavam.” p. 121
Sempre ouvi dizer que o fruto proibido é o mais apetecido e neste livro a expressão tanto vale para as personagens como para as leitoras mais atrevidas e corajosas. Este pleasure guilt tem todos os ingredientes próprios de um romance desta natureza – desde uma paixão proibida, cenas tórridas do início ao fim mas, sobretudo, um segredo que há-de complicar a vida ao jovem casal. Apimentando, assim, todo o seu romance e culminando num intenso final feliz.
+ Um grande aplauso para quem editou a capa, cuja intensa luxuosidade e requinte aliada à fitinha lilás (igual á cor do perfume de Cassandra) torna-a inesquecível. Mesmo quem nunca leu o livro, reconhecê-lo-á pela sua maravilhosa capa recheada de pormenores.
+ Tórridas cenas de sexo bem escritas e sem vulgaridades
+ Tanto a perspectiva de Cassandra e Nathan são-nos oferecidas ao longo da leitura
+ Depois de um início algo repetitivo, consegue captar a atenção
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- No início, Nathan repete muito as irritantes expressões: “minha querida” e “doçura”
- Personagens pouco densas
- Excessiva utilização de itálicos, não sendo precisas maioritariamente
- Não acrescenta nada de novo ao género literário
Apesar dos aspectos positivos e do meu desejo saciado, este é um livro que não acrescenta nada de novo. A curiosidade que tinha relativamente à História dos objectos sexuais ou até descobrir algo mais sobre a época em questão saíram desfraldadas.
Neste caso, posso confessar que é a capa que salva o dia, pois sem um enredo propriamente memorável e marcante, a história deixa muito a desejar.
**3,5 estrelas**