Um frio cortante, impiedoso. A neve abate-se, incessante, sobre uma aldeia quase isolada na montanha. Irrequietos, os lobos uivam sem descanso, adivinhando um passado sombrio que regressa para tormento dos locais, mergulhados em crendices obscuras da época, algures entre as duas Grandes Guerras. A morte anda à solta, revolve segredos e atrai todos para o fojo: os lobos, o misterioso assassino e os próprios aldeões. Quem sobreviverá no fim à ancestral armadilha?
Um relato cru e brutal do quotidiano de uma aldeia de outrora, assaltada no seu falso sossego pelos traumas e recantos mais negros que só o ser humano é capaz de destapar. Na senda dos dois volumes de Kong the King, Osvaldo Medina regressa a solo, assinando desta feita um poderoso romance gráfico, numa história com diálogos, uma estreia para o premiado autor.
PT Tentei moderar as minhas expectativas em relação a este livro depois de ler tantas opiniões positivas sobre ele. Por vezes, expectativas demasiado altas podem arruinar uma experiência de leitura — mas não foi o caso aqui. A história começa de imediato com uma arte deslumbrante, incluindo uma página dupla que define o tom e a qualidade de tudo o que se segue.
Embora este não seja o primeiro projeto a solo de Osvaldo, é a sua estreia como escritor, já que os seus trabalhos anteriores eram todos sem texto. No entanto, ele faz com que pareça que já faz isto há anos.
Ele não revoluciona o género, mas tudo o que faz é executado de forma impecável. Este thriller envolvente decorre numa aldeia escondida nas montanhas, que serve de pano de fundo perfeito para uma narrativa sombria que te mantém em suspense até ao fim.
Sinceramente, este é, sem dúvida, o melhor trabalho de Osvaldo até hoje e um dos lançamentos nacionais de maior destaque deste ano. É uma obra que merece reconhecimento internacional.
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EN I tried to temper my expectations for this one after seeing so many positive opinions about it. Sometimes, having expectations too high can ruin a reading experience — but that was not the case here. The story immediately opens with stunning artwork, including a double-page spread that sets the tone and quality for everything that follows.
While this isn’t Osvaldo’s first solo project, it is his first time writing, as his previous works were wordless. However, he makes it feel as though he’s been doing this for years.
He doesn’t reinvent the genre, but everything he does is executed flawlessly. This gripping thriller is set in a village nestled in the mountains, serving as the perfect backdrop for a dark narrative that keeps you on edge until the very end.
Honestly, this is undoubtedly Osvaldo’s best work to date and one of the standout national releases of the year. It’s a piece that truly deserves international recognition.
Fojo é uma leitura intensa, com uma atmosfera tensa e inquietante mas incrivelmente bem elaborada. Um livro que prende não pela ação explosiva, mas pelo peso psicológico e tensão criada. A arte complementa muito bem o tom sombrio da narrativa — directa, expressiva e eficaz.
Gostei bastante, sobretudo da forma como o suspense é construído sem recorrer a muita complexidade. Recomendado a toda a gente, mas mais a quem gosta de thrillers psicológicos e histórias que dizem muito com pouco. --- Fojo is an intense read, with a tense and unsettling atmosphere, but incredibly well-crafted. A book that captivates not because of the explosive action, but because of the psychological weight and tension it creates. The art complements the dark tone of the narrative very well — direct, expressive and effective.
I really liked it, especially the way the suspense is built without resorting to too much complexity. Recommended for everyone, but especially for those who like psychological thrillers and stories that say a lot with little.
Os lobos rondam uma aldeia na serra, é inverno e a neve não para de cair. As mortes começam a acontecer. Quem é o responsável? Porque mata? Como interromper a chacina? Nem tudo é tranquilo e bonito no campo e esta aldeia é disso exemplo. As tradições e crenças populares vivem, nem sempre de forma pacífica, lado a lado com a ciência. O fojo é o local para onde os lobos são encaminhados para serem abatidos ou se precipitarem para a morte, esta aldeia terá também essa função. São muitas as questões filosóficas, sociais e psicológicas que este livro aborda. São muitos os motivos de reflexão. Excelente argumento acompanhado por um desenho com traço bem definido, a preto e branco, com momentos de cor vermelha sempre a sublinhar a intensidade do texto.
Uma leitura qb. A maioria do desenho é bom. No entanto houve algumas vinhetas em que não percebi o que estava desenhado. Considerando a liberdade artística, se o artista tentava mostrar como possível localização da acção o Norte de Portugal foi pena ter feito um retrato do lobo tão generalista ao invés de mostrar o "diferente & belo" lobo ibérico. Espero pelo próximo livro pois fiquei com a sensação de que o Osvaldo tem margem para melhorar a narrativa.
Uma história original, bem escrita e com um excelente desenho, o preto e branco é adequado. Estamos perante uma obra interessante, em que o autor bebeu algo dos livros de Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro.
Uma história de terror no ambiente rural que decorre numa aldeia isolada onde a força das tradições e da bruxa local ainda se faz sentir para resolver os temas mais sombrios. Em torno da aldeia persiste também um perigo mais palpável e natural, um grupo de lobos que conferem tensão ao ambiente. O resultado é uma história formidável no género, bem cadenciada e desenvolvida que usa os elementos rurais para criar um ambiente pouco confortável, onde os segredos se desenvolvem
Com um enredo coeso e de qualidade inegável, a obra oferece uma narrativa inteligente e perturbadora. Para os entusiastas do aspecto visual, o álbum é visualmente deslumbrante, confirmando o talento e a mestria habitual de Osvaldo Medina.