«A minha vida foi marcada pela vergonha. Não consigo sequer imaginar como será viver a vida de um ser humano.»Yozo vê-se como um verdadeiro fracasso. A sua vida - a que ele mesmo nos narra - quase pode parecer normal, mas a incapacidade que sente em perceber os outros seres humanos é absolutamente dilacerante. Desde muito cedo, Yozo viu crescer esse fosso entre si e o resto do mundo. Na adolescência, tenta sobreviver tornando-se o «palhaço» da escola, mas a mascara que usa para camuflar a sua alienação cai quando a tentativa de suicídio, já na vida adulta, sai gorada.Não dando espaço ao sentimentalismo e sem conceder ao drama o que permite à dor crua, Yozo regista, nestas páginas, a crueldade dos dias, mas, do mesmo modo, os raros momentos em que se sente ligado aos outros, em que a ternura representa um vislumbre de vida humana.Com claros traços autobiográficos, Um Homem em Declínio é o derradeiro e mais importante romance de um dos grandes escritores japoneses do século XX, Osamu Dazai. Sobre ele, muitos escreveram tratar-se de um símbolo de uma geração, a que deixava a guerra para trás e via já os alvores de uma sociedade pós-moderna. É, sem sombra de dúvidas, um brutal e íntimo retrato da alienação individual.
Osamu DAZAI (native name: 太宰治, real name Shūji Tsushima) was a Japanese author who is considered one of the foremost fiction writers of 20th-century Japan. A number of his most popular works, such as Shayō (The Setting Sun) and Ningen Shikkaku (No Longer Human), are considered modern-day classics in Japan. With a semi-autobiographical style and transparency into his personal life, Dazai’s stories have intrigued the minds of many readers. His books also bring about awareness to a number of important topics such as human nature, mental illness, social relationships, and postwar Japan.
Um livro excelente, porém, a minha visão é a um pouco diferente da maioria. Enquanto muitos leitores justificam as ações do Yozo, o tratam com pena como se fosse um coitadinho, eu pessoalmente, o achei um grande otario!
O homem nasceu numa família rica, teve educação, era bonito, tinha tudo para seguir em frente, mas deitou tudo ao lixo só por que tinha a mania que era diferente. Tinha a mania que era superior aos outros seres humanos. "Ain a sociedade é uma bosta" OH BRO, A TUA FAMÍLIA E AS TUAS ATITUDES SÃO A RAZÃO DA SOCIEDADE SER A BOSTA QUE É OH ANIMAL, e ainda tenta armar se em comunista enquanto vive no esplendor e no luxo.
Isto reflete no fundo uma classe de jovens que acham que sabem tudo, que nascem com tudo, que se acham acima de tudo e de todos e deixam tudo desperdiçar. Não o Yozo não era diferente de ninguém, ele era exatamente igual a todos aqueles que ele compartilhava o ambiente, um bêbado vagabundo com a mania que era especial.
E as suas visões de mulheres? Nem comento por que na época em que ele vivia de facto era normal pensar assim, mas é nojento que ele se veja como um "ser superior" enquanto trata todos como lixo.
Mas no fundo, o Yozo não era especial. Ele provavelmente só tinha autismo não diagnosticado, e em vez de lidar com isso afundou se na droga, o equivalente aos betinhos de Cascais que jogam a sua vida fora se viciando em cocaína. Ele cria uma máscara de palhaço, de brincalhão mas digo te que toda a gente faz isso. Isso não o faz especial. Ele no fundo acha se especial, acha se não humano, mas no fundo é só um humano podre como todos os outros.
E antes que venham dizer "ah não entendes que ele tinha depressão profunda e que aí", e? Eu tbm cresci com autismo não diagnosticado, problemas de saúde, tenho borderline, nasci numa família de classe trabalhadora e tirei um curso e vivo a minha vida. Tudo que se passou com o protagonista do livro foi ESCOLHA dele, e depois quando teve que lidar com as consequências foi tarde. No fundo ele é fraco por escolha. Teve a faca e o queijo na mão e escolheu não usar.
No fundo, o fruto de uma época onde saúde mental não tinha suporte e onde o homem por ser homem podia fazer o que quisesse. Eu não sinto ódio dele, sinto pena da mediocridade que ele escolheu para si mesmo.
No Longer Human. He never felt like a human being and it's like his disruptive behaviour that aggravated his self hatred and mental disease was an attempt to show people who he really was, to show them that he wasn’t like them, that there was something inexplicably wrong with him. He was later on recognized as an outcast, a “madman” which led him to not be categorized as a functioning human being. The asylum was his final act. It was a way (despite his past fears of being discovered) to show people who he really was - someone different from the rest and therefore an inhuman. "See me as I am! No longer afraid of anything!" - Metal Sonic
In the end, what he hoped for was an understanding of his true nature, someone who would see him as he saw himself, but at the same time he was scared to be observed naked, so he concealed himself in habits that degraded his image, that although felt like his fatal destiny, were a mere consolation to the incomprehensibility of his own self and life.
A escrita cativou-me e gostei da questão da despersonalização até aos tempos de faculdade. A partir daí, senti o que sinto em grande parte dos escritores japoneses do início do século XX - um sexismo repugnante e que espelha um tempo que quero irrepetível.