A respiração soa como um rugido, não é animal, é monstruoso. Algo terrível se aproxima da esfinge, tal como os viajantes, mas não questiona com palavras, questiona com poder. É quase incompreensível, inapreensível. Perante esta criatura, aos viajantes, a esfinge, ao contrário do usual, não encorajaria qualquer descoberta, mas diria: – Esconde-te na casa dela! E, à criatura que inusitadamente a consulta, a esfinge apenas indica o seu coração radiante de amor. Até este ser tremendo desaparece, deixando-se devorar pela esfinge. Os viajantes sentem-se protegidos, mas eles também só podem desaparecer num espaço sagrado, só podem ser devorados numa luminosidade intensa. Assim, de cada vez que um viajante se aproxima para consultar a esfinge, ela tira-lhes qualquer resposta com as suas enigmáticas palavras. Mas, não sem antes perguntar, com sublime indiferença: – O que queres da efígie?
Raquel Loio é Doutorada em Filosofia (Universidade da Beira Interior), tendo desenvolvido uma investigação sobre a capacidade humana para sonhar lucidamente ou para viver lucidamente o sono sem sonhos, articulando a tese da multiplicidade dos tempos vitais da filósofa María Zambrano, com literatura relevante da filosofia da mente e com o pensamento budista. Realiza consultoria filosófica na área da lucidez do sonho e sono. É Investigadora colaboradora no Praxis - Centro de Filosofia, Política e Cultura sediado na Universidade da Beira Interior. É Mestre em Antropologia Médica (Universidade de Coimbra), com uma dissertação acerca da forma como as práticas médicas atribuem significados a determinadas doenças, e Licenciada em Enfermagem (Instituto Politécnico de Viseu), tendo exercido a profissão no período de 2008 a 2015 maioritariamente na área da Toxicodependência.
Autora de oito livros de romance filosófico escritos numa perspetiva atemporal. Através de uma prosa poética, desconstrói ideias para uma aproximação da essência e compreensão profunda de questões existencialistas como o medo, o amor, a meditação, a sabedoria. Seja em intrigantes monólogos interiores ou em inusitados diálogos, a narrativa assume uma qualidade espontânea, intuitiva e onírica.
Desenvolve pinturas de um modo espontâneo e intuitivo, com referências oníricas, sendo que algumas ilustram as capas dos seus livros. A lucidez do sonho e sono tem sido uma componente pessoalmente vivida desde a infância, com uma progressão menos associada à atitude de controlo dos sonhos e mais relacionada com o testemunho. Paradoxalmente, é fortalecida a concretização do desígnio.