Diogo Santiago é um prestigiado e respeitado intelectual moçambicano. Professor universitário em Maputo, poeta, desloca-se pela primeira vez em muitos anos à sua terra natal, a cidade da Beira, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem que os seus concidadãos lhe querem prestar. Mas o regresso à Beira é também, e talvez para ele seja sobretudo, o regresso a um passado longínquo, à sua infância e juventude, quando ainda Moçambique era uma colónia portuguesa. Menino branco, é filho de um pai jornalista e sobretudo poeta, e de uma mãe toda sentido prático e completamente terra-a-terra. Do pai recorda o que viveu com ele: duas viagens ao local de terríveis massacres cometidos pela tropa colonial, a sua perseguição e prisão pela PIDE, mas sobretudo, e em tudo isto, o seu amor pela poesia. Mas recorda também, entre os vivos, o criado Benedito (agora dirigente da FRELIMO) e o seu irmão Jerónimo Fungai, morto a tiro nos braços da sua amada, a bela e infeliz Mariana Sarmento, o farmacêutico Natalino Fernandes, o inspector da PIDE Óscar Campos, a tenaz e poderosa Maniara, e muitos outros; e de entre os mortos sobressaem o régulo Capitine, que vê uma mulher a voar.
Journalist and a biologist, his works in Portuguese have been published in more than 22 countries and have been widely translated. Couto was born António Emílio Leite Couto. He won the 2014 Neustadt International Prize for Literature and the 2013 Camões Prize for Literature, one of the most prestigious international awards honoring the work of Portuguese language writers (created in 1989 by Portugal and Brazil).
An international jury at the Zimbabwe International Book Fair called his first novel, Terra Sonâmbula (Sleepwalking Land), "one of the best 12 African books of the 20th century."
In April 2007, he became the first African author to win the prestigious Latin Union Award of Romanic Languages, which has been awarded annually in Italy since 1990.
Stylistically, his writing is heavily influenced by magical realism, a style popular in modern Latin American literature, and his use of language is inventive and reminiscent of Guimarães Rosa.
Português) Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.
Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). Ganhou em 2013 o Prémio Camões, o mais importante prémio para autores de língua portuguesa.
#50livrosparaabril 19/50 “O mapeador de ausências” Mia Couto
Mia Couto é um autor que leio desde os anos 90, com a certeza de que me surpreenderá sempre. “O mapeador de ausências” é mais um exemplo da importância da obra do autor moçambicano na literatura em língua portuguesa.
Neste romance, sem pruridos, Mia toca nas feridas e nas dores que os processos de descolonização e as guerras de libertação provocaram. E faz esse toque a partir das suas memórias familiares e da figura do próprio pai,
Diogo Santiago, um prestigiado e respeitado intelectual moçambicano. Professor universitário em Maputo, poeta, desloca-se pela primeira vez em muitos anos à sua terra natal, a cidade da Beira, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem que os seus concidadãos lhe querem prestar.
Mas o regresso à Beira é, também, e talvez para ele seja sobretudo, o regresso a um passado longínquo, à sua infância e juventude, quando Moçambique ainda era uma colónia portuguesa. Por isso, ler esta obra é uma boa proposta para refletirmos em torno da Guerra Colonial/Guerras de Libertação e do processo de descolonização que ainda vivemos atualmente, pois Mia Couto faz singrar o texto nos temas e nas reflexões que necessitamos sobre a memória do passado, mas também sobre o presente e o futuro por vir.
Este é um dos mais belos romances que, nas últimas décadas, nos tem dado uma nova perspectiva do processo de descolonização, vivenciado a partir de uma história familiar, e das tensões - diversas - que surgem e se propagam nos tempos da pós-colonialidade. É, igualmente, um livro que destaca a importância dos territórios de pertença, do local de onde vimos, de onde se fez a nossa história. É, por isso mesmo, um livro que mapeia, não apenas as ausências da nossa memória, mas também as presenças da nossa história colectiva.
„Poeten sind Propheten. Mein Mann ist ein vergesslicher Prophet. Erst hat er die Zeit vergessen. Dann hat die Zukunft ihn vergessen.“ Virgínia Santiago (S. 245)
Mia Couto – ein Name, der mir bisher nichts sagte. Nun, das wird sich nach dem Roman „Der Kartograf des Vergessens“ (erschienen im Unionsverlag in der Übersetzung von Karin von Schweder-Schreiner) wohl ändern (müssen), hat er mich doch nachhaltig beeindruckt.
Dabei gehört auch „Der Kartograf des Vergessens“ zu den Romanen in diesem Jahr, zu denen ich erst sehr spät Zugang gefunden habe, da die Geschichte weit komplexer ist, als es zunächst den Anschein hat.
Der Ich-Erzähler Diogo Santiago kehrt in den Ort seiner Jugend zurück – in den mosambikanischen Ort Beira (dort wuchs auch Mia Couto auf). In der Vorbemerkung des Romans heißt es
„Dies ist die Geschichte eines arglosen portugiesischen Dichters und Journalisten, der Beweise für ein Massaker erhält, das die portugiesischen Truppen 1973 in Mosambik verübt haben. Dieser gute arglose Mann war mein Vater. […] In manchen weißen Vierteln verfielen die Menschen dem Wahnsinn. Damals wurde mir klar, dass Krankheit mitunter das einzige Heilmittel ist. Manche mussten vergessen können, was geschah, um Zukunft zu ermöglichen. Für andere war das, was geschah, schon die Zukunft. Diese fiktive Erzählung ist durch reale Personen und Ereignisse inspiriert. […]“ (S. 7)
Das genannte Massaker hat Einzug in den Roman gehalten und gehört inhaltlich zu den nachhaltigsten Szenen des gesamten Romans – an der ein oder anderen Stelle musste ich ob der geschilderten Grausamkeiten die Lektüre kurz unterbrechen. Auch an anderer (inhaltlicher) Stelle konnte ich das Buch nicht am Stück lesen, brauchte immer wieder eine Pause. Das lag jetzt nicht nur an der Geschichte selbst, sondern auch an dem allgemeinen Stil von Mia Couto, dem auch eine schriftstellerische Nähe zum sogenannten „magischen Realismus“ nachgesagt wird. Nun, das kann ich nach Ende der Lektüre insoweit bestätigen, als dass sich märchenhaft-mystisches mit knallharter Realität fließend die Klinke in die Hand gibt und man als Leser:in genau aufpassen muss, wo und wie die Grenzen verlaufen. (Literarische) Vorlieben für Gabriel Maria Marquez und ähnliche Autoren können also nicht schaden, wenn man sich auf Mia Couto einlässt bzw. einlassen will.
Neben der Aufarbeitung des erwähnten Massakers lernen die Leser:innen auch viel über die mosambikanische Kultur; das gelingt Couto hervorragend durch die „Einarbeitung“ von einheimischen Charakteren in die Handlung, die jeweils verschiedene Eigenschaften und Traditionen versinnbildlichen.
Darüber hinaus gibt es Ausflüge in die Kolonialgeschichte Mosambiks, die durch (fiktive) Protokolle, Briefe, Tagebuchaufzeichnungen etc. dargestellt werden und im Wechsel mit den Gegenwartsabschnitten stehen. Letztlich erhält die geneigte Leserschaft viel Inhalt für gut angelegtes Geld.
Wer also einen gut 300-seitigen Roman mit Anspruch lesen will, der trotz aller Ernsthaftigkeit aber auch humoriges zu bieten hat, dem empfehle ich eindringlich die Lektüre dieses Romans, der von mir 5 verdiente Sterne bekommt!
"Os lugares pequenos têm braços longos e ombros estreitos. Os braços querem abraçar o mundo. Os ombros, porém, impedem que nos afastemos de nós."
P. 327
A narrativa faz-se por camadas, a dois tempos e com várias ordens de profundidade. Merece várias leituras, e estou certa de que mais significados aflorarão. O leitor nunca sabe tudo, assim como o não sabe o narrador, cuja identidade também é discutível, o que só aumenta o prazer da leitura. O ciclone Idai é uma sombra sempre a pairar, todos sabem que vai chegar, lembra ciclones passados, mas o leitor desconfia que serve também como metáfora da memória de um tempo colonial mal resolvido, que está sempre a regressar e com consequências imprevisíveis.
Livro do mês de julho/2021 da TAG, sem curadoria como acontece no mês de aniversário da TAG. Plot interessante, romance inspirado em fatos reais, contextualizando o processo de libertação moçambicana, onde um poeta revisita sua cidade natal em busca de parte de seu passado. Talvez o tenha lido de forma desatenta, mas achei a narrativa lenta, acabei não me envolvendo na trama nem na motivação final.
Histórico de leitura 15/08/2021
"- Todos temos duas sombras. Apenas uma é visível. Há, porém, aqueles que conversam com a sua segunda sombra. Esses são os poetas. O senhor é um deles, um dos que falam com as sombras."
Este foi o primeiro livro que li do Mia Couto. Foi uma interessante viagem entre um passado colonial português e um presente cheio de cicatrizes desse passado. Certamente um autor a revisitar.
Leio finalmente um romance sobre a guerra. Quando aparece em romance é porque já se pode falar dela, certo? Já morreram grande parte dos intervenientes e as histórias, seja de que lado se veja, a vergonha da participação e do que se fez, o horror, o medo, são apenas um eco distante. Fala-se de factos, mas não é documental, tem as lágrimas, as angustias, o ódio e a beleza das coisas, os sentimentos imaginados. Mesmo que se conheça os factos, os tabus sempre me levaram a querer desvendá-los. E este livro é quase poesia, a forma por vezes quase onírica das personagens falarem, onde as palavras são como desenhos, com múltiplos significados. Sobre o Angoche, declara o régulo: "os barcos são como os cães: regressam às casas onde lhes dão de comer." "primeiro era um segredo; depois tornou-se um esquecimento." "as noites estão cheias de luzes que não se acendem." "Em tempos antigos, os chamados "guardiões do fogo", em momentos de chuva e vento, arqueavam o peito sobre um punhado de chamas que traziam entre as mãos. Defendiam com a própria vida esse pedaço quente e luminoso de eternidade. No nosso tempo outros há que são escolhidos para guardar um outro fogo: a história do que fomos e de quem somos. Esses anónimos guardiões das histórias buscam, entre os escombros, a palavra redentora. Eles sabem: tudo o que não se converte em história se afunda no tempo."
This is my first Couto. I'm not sure why, but despite being aware of him, I haven't read any of his novels until now. He is even considered a candidate for a Nobel each year (though I'd choose Antunes without a second thought). It's an extremely smart exploration of absences: colonialism and its aftermath in Mozambique, the contemporary reverberations of colonialism, those who fought against colonialism (especially women and queer people), those who died during the final days of colonial rule (I didn't know about the massacres in Mozambique and thought such horrors were limited to Belgian colonial rule, but apparently not), and who gets to tell the story and own the historical narrative. All of this is packaged in a metafictional form that plays with different literary forms and what they can make present or absent. I'm excited to explore Couto's oeuvre after this novel.
PERFEITO!!! eu não tenho palavras pra descrever o quanto Mia Couto SEMPRE conversa comigo, chego a arrepiar!!!! me emociona demais, me completa, me interpela, me descreve, me atordoa. Pra essa "resenha"/fail vou usar de Guimarães: "Muita coisa importante falta nome". ❤️
Cada personagem tem uma profundidade cativante e é interessante a maneira como o autor apresenta cada uma delas. O passado mantém-se bastante presente, há quem o queria recordar e quem o queira dormente. Foi um prazer ler este livro, recomendo vivamente.
Neste livro, o autor regressa à infância em Moçambique, através da personagem ficcional Diogo Santiago, um escritor, professor em Maputo, que regressa à Beira em 2019 para ser homenageado. As razões da viagem acabam por ser outras e tornam-se reveladoras do seu passado, infância e juventude.
Nesta viagem, o autor inspira-se no pai português, "um homem ingénuo a quem entregam provas de um massacre cometido pelas tropas portuguesas em Moçambique no ano de 1973."
Na Beira, Diogo conhece Liana, com quem se envolve amorosamente, possuidora de documentos da PIDE sobre as atividades "reprováveis" do pai de Diogo.
A narrativa, não sendo tão poética como a dos restantes livros do autor, é intensa, repleta de acontecimentos, marcada por diálogos e cartas que a tornam riquíssima. As personagens cativam, surpreendem e tornam-se inesquecíveis.
demorou mas foi! acabei gostando muito das reflexões que o livro trouxe. sobre família, história, o que lembramos (ou achamos que lembramos), colonialismo, etc. vale muito a leitura. inclusive darei uma segunda chance para o outro livro do autor que tenho e nunca consegui terminar de ler rs.
Uma boa história. O meu primeiro livro de Mia Couto. Tenho dificuldade em explicar, mas não sinto muita empatia com estas histórias, provavelmente por não ter vivido este período. Mais para o fim do livro já começo a encontrar "tiques" irritantes na escrita que me afastam de querer voltar aqui, como as analogias com opostos: Então, estás a carregar na tecla? Não, são as teclas que encontram os meus dedos. Então vais voltar a fumar? Não, vou voltar a ser fumo... À 50ª analogia destas já estou cansado. De resto, tenho de fazer justiça à belissima história que é o Mapeador de Ausências. Há uma frase que me vai ficar, que se aplica muito aos dias terríveis que vivemos na sociedade portuguesa: "Li em algum lado que a eficiência da mentira diz mais da ingenuidade do enganado do que a arte do mentiroso"
Mia Couto, autor mozambiqueño, es uno de los nombres más importantes de la literatura en lengua portuguesa. Comprometido con la causa africana, ha recibido numerosas distinciones. Es miembro de la Academia Brasileña de las Letras y se le ha considerado el autor portugués más traducido del momento. Algunas de sus novelas se han llevado al cine y ha publicado, además de novelas, poesía y relatos. En la actualidad vive en Maputo, donde trabaja como biólogo.
"El mapeador de ausencias", su última novela premiada y traducida a más de treinta idiomas, conserva ese fuerte lazo de unión con la tierra africana que Mia ha manifestado en casi todas sus obras.
A modo de ficción narrativa, la historia se basa en las memorias de su propio padre, a quien le fueron entregadas las pruebas de una masacre en Beira para dar a conocer la violenta realidad existente en el ejército portugueses contra los indígenas durante su ocupación.
Mia juega entre la realidad y la ficción para relatar y exponer una serie de decadentes y deleznables actos sucedidos en Mozambique durante los últimos 3 años antes del fin de la ocupación. De este modo, se introduce como personaje que vuelve a su ciudad natal y fortuitamente se encuentra en medio de una búsqueda de respuestas que le aclaren quién era su padre en realidad.
El lector se verá sumergido en dos tiempos, pasado y presente que se entrelazan en una elipsis temporal, durante la década de los 70 y los primeros años del siglo XXI, a través de dos fórmulas diferenciadas. Por un lado, Mia recurrirá a epístolas, testimonios, entrevistas transcritas y recuerdos que nos descubrirán el pasado, mientras que un narrador en primera persona relata el presente. De este modo, se consigue crear un mapa mental de personajes e historias que se irán entrelazando unas con otras llegando a revelar la verdad que el protagonista anhela descubriendo así su propia historia familiar.
La pluma del autor es muy poética y descriptiva. Su lenguaje es rico, potente y se encuentra repleto de precisas descripciones. Apenas hay diálogos, un elemento que consigue revelar a sus personajes de un modo extraordinario, especialmente al protagonista Diogo Santiago, quien el propio Mia desentraña escrupulosamente, de tal modo que el lector se involucra emocionalmente en la historia de este impávido personaje.
Los sucesos narrados, a lo largo de la trama, son intensos, se habla sobre maltratos, racismo, xenofobia, supremacía o dominación, entre otros, revelando de un modo completamente objetivo las relaciones política y social entre portugueses y mozambiqueños, exponiendo la tensión patente existente entre ellos. En este contexto, se ha de destacar el gran proceso de investigación que el autor ha realizado para validar todos los acontecimientos relatados con histórica precisión, además de la mención que hace a la PIDE (La Policía Internacional y de Defensa del Estado) y sus cambios en la historia en cuanto a su labor.
El personaje de Diogo desvela, a través de un viaje que le hace volver a las localizaciones de su infancia, una serie de información que llega a sus manos a causa del azar y le permite descubrir su pasado y revelar los más íntimos secretos que le llevarán a descubrir quién era realmente su padre, un reconocido poeta, al que creía conocer. Así, Diogo llegará a encontrarse a sí mismo.
Mia no solo profundiza en la personalidad de su protagonista, sino que a través de numerosos encuentros con otros personajes y las descripciones que hace de los mismos, el lector es capaz de seguir y entender los impulsos que los mueven a actuar del modo en que lo hacen.
En "El mapeador de ausencias" el lector se adentra en una trágica historia familiar en donde las intrigas, los intereses y las circunstancias externas ponen en riesgo a cada uno de los personajes llevándolos a tomar decisiones extremas. Así mismo, refleja cómo esto afecta a los descendientes y a su modo de identificarse y relacionarse con su pasado y las personas que en él habitaban.
Se trata en sí de una novela histórica llena de elementos periodísticos y de investigación que nos hace reflexionar sobre la importancia de conocer nuestras raíces, al mismo tiempo que se realiza una fuerte reivindicación sobre los derechos de los mozambiqueños dando a conocer el desagravio al que se vieron sometidos por el régimen de Portugal en los últimos años de su ocupación.
Personalmente, es una obra que recomiendo a los seguidores de Mia Couto y a aquellos que deseen conocer la historia de una zona conflictiva en el sur de África durante el final del siglo XX.
Tudo neste livro é soberbo, desde o enquadramento histórico, à forma como a história é entrelaçada e a escrita do Mia Couto é ouro sobre azul. Confirma-se que é dos meus escritores-casa e se este não for o melhor livro lido este ano, andará lá perto! ❤
• o mapeador de ausências - mia couto, 296 páginas, tag livros + companhia das letras. agosto/2021.
fui apresentado ao autor moçambicano mia couto por esse livro, enviado pela tag no mês de julho e eu esperava bem mais. com um número extenso de documentos e cartas entre os capítulos da história em si, o livro se propõe a muito e tenta entregar isso tudo, mas acaba o fazendo de maneira confusa e "misturada". o livro entrega uma catarse poética e filosófica exagerada, principalmente por parte de pessoas as quais jamais teriam acesso ao vocabulário usado, o que é completamente anacrônico. a quantidade de citações e a tentativa de construção de um enredo voltado para o "entendimento do passado" do protagonista é interessante, mas a organização do livro faz com que a falta de fluidez canse o leitor, que por sua vez, se "esquece" do propósito e acaba vivenciando uma experiência arrastada. eu recomendo o livro para aqueles que gostam desse intercalar de modos de contar a história (documentos x enredo romântico), e principalmente pela qualidade do projeto gráfico e da diagramação das páginas. espero muito vivenciar experiências melhores com mia.
Mia Couto abriu sua caixa de ferramentas. Que repertório. Fiquei fascinado com ?O Mapeador de Ausências?. A potência do seu lirismo é algo fantástico, mas não fica por aí. Há muito mais. Mia Couto nos presenteia com uma verdadeira colcha de retalhos contendo tudo o que tem de melhor a nos oferecer. E é muito.
Começo por sua poesia. Ela é incontrolável. Flui com uma normalidade absurda. Ela de forma alguma se torna pedante, ou forçada. Mas, está sempre presente. Sempre impactante. Sempre tenra. Ler Mia Couto é um deleite inevitável. Eu acho que tiraria proveito até mesmo de ler a sua lista de compras para o supermercado.
Mia Couto nos brinda também com uma bela prosa. A proposta do livro é genial. Há poesia, há narrativa, há documentos, há cartas. Há a contraposição de diferentes perspectivas que muito mais que um contraponto, geram um contraste. Vamos da frieza de inquéritos ao lirismo absoluto de Adriano Santiago ao folhear de uma página. Adotando um tom investigativo, o livro vai nos fornecendo através dessas perspectivas tão contrastantes as peças que montam o quebra-cabeça dessa narrativa.
O aspecto autobiográfico do livro é outro grande ponto forte. Muito mais do que uma análise de sua trajetória pessoal, Mia Couto nos trás uma profunda análise da sociedade de Moçambique. Análise essa que ressoa muito bem aqui em terras tupiniquins, visto que nossa construção social se assemelha muito com a de países africanos (colonização, exploração, racismo, regimes autoritários, desigualdade social).
A leitura de sua sociedade bem como as críticas trazidas pelo autor são certeiras. Um poeta sonhador e revolucionário que trai a esposa e rejeita o filho por sua orientação sexual. A culpa de Diogo em sua relação com Benedito. A culpa do padre Januário. A incrível personagem Maniara. A morte de Jeronimo. Uma partida de xadrez de um deboche digno de Machado de Assis. Por fim, o ciclone. São tantas histórias, tantas passagens, tantas mensagens que esse livro deixa que fica difícil sair dessa leitura incólume.
O Mapeador de Ausências é gigante. Estou encantado. Longa vida a Mia Couto. Que venha o Nobel.
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É um livro sobre memórias e, portanto, carrega consigo sempre um tom triste de despedida.
Mais do que relembrar os horrores da colonização portuguesa e os pormenores crueis da polícia de Salazar, Mia Couto fala sobre temas sempre universais - amor, dor, traição, infância, segredo e morte - de forma lírica sem, contudo, exagerar no pedantismo. O que é muito difícil, e é feito aqui da forma mais bela possível: como um soco.
Os personagens são recobertos de medos, traumas, defeitos, e sua humanidade deixa as páginas para entrar em nós como se realmente tivessem existido. Talvez tenham, já que a narrativa foi elaborada em cima das próprias lembranças do autor sobre sua cidade natal, a agora submersa Beira, mesclando fatos à sua vívida imaginação.
Um ponto importante é que está sempre presente no decorrer da narrativa o desconforto dos brancos, que beira a futilidade, de se "preocuparem" com o sofrimento dos negros mesmo estando de longe, alheios à sua dor, sem nunca compreender completamente aquela realidade, que é recebida com ironia pela classe oprimida.
Esse atalho de empatia, que diz mais sobre o ego do que qualquer coisa (afinal, a personagem mais querida e útil aos negros, no fim, era a teoricamente simplória esposa do poeta), pode ser observado também aqui no Brasil, onde vivemos um regime de apartheid racial que é, ao mesmo tempo, explícito e negado.
Ao ler sobre essas famílias, me senti lendo também sobre a minha e aprendi um pouco mais sobre mim. E sobre nós, a humanidade. Como é a função de toda boa literatura.
Diogo Santiago, galardonado poeta, regresa a Beira, su ciudad natal en Mozambique, con el pretexto de recibir un homenaje por su trayectoria a pocos días de que arribe a la costa un monstruoso huracán. Sin embargo, con el paso de los días, y luego de conocer a la bella y enigmática Liana Campos, empieza una especie de reconstrucción de su infancia, en particular del año 1973 cuando, al lado de su padre —asimismo poeta— y de Benedito, un chiquillo negro que funge como su mozo ante la sociedad, aunque en los hechos sea casi un hermano de Diogo, viajan al poblado de Inhaminga en busca de su primo, justo cuando el remolino independentista contra los portugueses hervía de violencia, racismo e impunidad. Así, la novela brinca por el pasado y el presente como quien brinca por las rocas de un río con el fin de desentrañar el misterio de una mujer que tiene dos muertes y de un soldado portugués que deserta y encuentra su identidad cuando no soporta la obligación de matar. Lo memorable: el hecho de que Diogo y su padre sean poetas hace que el lenguaje esté impregnado de un aire enrarecido por complejas metáforas, pero también por cosmovisiones míticas de la gente originaria de esa tierra, elementos que vuelven a la novela no sólo un constructo de la memoria, sino un inesperado modo de entender la existencia.
✨6/10 "O Mapeador de Ausências" é uma história entre o passado e o presente, entre Moçambique colonial e Moçambique atual. Mia Couto tem uma escrita poética belíssima e o livro tem um enredo interessante e bonito. Mas não o senti cativante ou memorável. Dei por mim confusa com o propósito do livro, a esquecer-me de partes anteriores. Senti que as personagens principais estão desenvolvidas de forma muito superficial, mas gostei de conhecer o Adriano, o Benedito e a Maniara. Não posso dizer que tenha gostado do final: brusco, desconectado, vago.. Ainda assim foi uma boa leitura e tenho muita curiosidade em explorar mais a escrita de Mia Couto.
Esse é o meu primeiro livro de Mia Couto e me surpreendi bastante com a qualidade da escrita e da narrativa.
Com características autobiográficas, nessa obra encontramos um paralelo entre os conflitos coloniais com Portugal no ano de 1973 e o ciclone que devastou 90% da cidade de Beira, ambos em Moçambique. Em conjunto com esse contexto histórico, os protagonistas retornam ao seu passado para tentarem se encontrar no presente, para tentarem pertencer novamente às suas histórias.
A escrita poética e inundada de sensibilidade me conquistou, além de tratar assuntos que considero importante como ausência paterna, homossexualidade, racismos, conflitos coloniais e tramas psicológicas.
Gostei bastante da leitura e pretendo ler os demais livros do autor.
Li o livro num momento atordoado, cheio de afazeres, tanto que demorei uns meses para terminar. Apesar de tudo, certas frase do Mia Couto sempre tem o poder de falar profundamente com nossa essência de ser humano. Elas me fizeram voltar, além das minhas inconstâncias.
Minha favorita: "Chorar é um modo de falar. O meu corpo não tinha acesso a esse idioma.".
Eu gosto bastante do Mia Couto, só não é um 5 porque acho que eu não tava no clima pra tanta linguagem poética. Mas tudo o que ele escreve bate forte aqui dentro, ainda mais com uma história tão triste.