«Portanto, eu não gosto de ter amigos? Será que desenvolvi realmente técnicas apuradas e eficazes para perder amigos rapidamente e aconselho o leitor a seguir o meu brilhante exemplo? Nem por sombras, muito longe disso. Na realidade, com um título irónico, este livro faz parte da minha tentativa de não perder amigos. É uma forma de explanar ponderadamente os meus argumentos, de uma forma cuidada e precisa, evitando o mais possível melindrar pessoas.
Sou um grande adepto do dissenso, do confronto de posições contrárias, de modo a conseguirmos encontrar as melhores soluções para os nossos problemas da vida em comum. Para isso, é preciso ir mantendo o diálogo possível, mesmo perante a horda tribalista que procura intimidar usando linguagem desbragada e ameaças de todo o tipo. É necessário que as pessoas que discordam profundamente entre si possam sentar e falar de modo franco, mas civilizado, sobre quaisquer assuntos que as dividam, mesmo os mais delicados e importantes.
Chegado a este ponto, poderia desejar-lhe uma boa leitura. E desejo, Mas, dadas as actuais circunstâncias da nossa vida colectiva, que está extremamente polarizada, talvez votos de boa sorte sejam mais apropriados!».
Livro potencialmente (para algumas pessoas) controverso, porém diria que obrigatório para desmistificar muitas ideias erradas e dogmas que as pessoas podem ter sem conhecer verdadeiramente como funciona a ciência que as afeta diariamente. Reúne uma série de informações científicas para chegar a conclusões sobre diversos assuntos, incluindo, alterações climáticas, terapias alternativas, sexo vs género, inexistência de raças humanas, entre outros. A leitura é muito fluída, fácil de acompanhar e entender. David Marçal demonstra porque é um dos melhores comunicadores de ciência.
Um livro ligeiro, acessível, com bastante informação interessante, mas algo presunçoso, especialmente nos capítulos mais fracos (e.g. o capítulo sobre o movimento woke, que é meramente uma crónica de opinião).
No geral, os temas são demasiado complexos para serem discutidos apropriadamente em capítulos tão curtos. O autor constrói a sua argumentação para defender a premissa do capítulo e até apresenta por vezes argumentos contra, mas no final, para mim, sabe a pouco. Embora fique com mais perguntas que respostas e gere contra-argumentos na minha mente - que é algo que vai de encontro com o objectivo do livro sobre gerar discussões saudáveis - não saio satisfeito após terminar de ler boa parte dos capítulos, pois esses meus contra-argumentos surgem não tanto devido a uma opinião contrária (na grande maioria das vezes concordo com o título do capítulo) mas por encontrar buracos na argumentação por falta de detalhes para a tornar mais sólida (e.g. alguns casos em que se podia argumentar “cherry-picking” de estudos por parte do autor). O melhor capítulo, na minha opinião, é o da meritocracia que, coincidentemente, é também o mais longo do livro.
Acabei por saltar à frente os primeiros capítulos da última secção por perder o interesse. O penúltimo capítulo sobre os chalupas e charlatães tem algum conteúdo mais emocional (que vai contra o objectivo do livro): toda a descrição do debate no Prós e Contras é irrelevante para a premissa do título do capítulo. A meio do capítulo até me esqueci de qual era o seu título. Lamento que o autor e colegas tenham experienciado durante o debate aquilo que foi descrito, mas o teor emocional associado vale zero para a premissa do capítulo em questão.
O posfácio menciona a pertinência de pesquisar mais sobre os assuntos e como a lista de referências é das partes mais importantes de um livro, com a qual concordo, mas não achei convincente o suficiente para justificar as limitações da argumentação em vários dos capítulos.
O título diz tudo: como através da ciência (seja exacta ou humana), se desmontam pressupostos com sérias consequências para os indivíduos e a sociedade. Nos primeiros capítulos, até «Como ser cancelado», inclusivé, David Marçal explica, através de casos práticos, os rudimentos da metodologia científica. Na segunda parte imperam os exemplos de pseudo-ciência, negacionismo ambiental versus alarmismo ambiental, manipulação da ciência e verdadeira má-fé. Lembrei-me muito de Carl Sagan, mas David Marçal tem um sentido de humor mais fresco.
Um excelente livro que aborda temas relevantes tanto para a ciência como para a sociedade, com a clareza e espírito crítico habituais do autor. Ainda assim, sente-se uma certa repetição, com tópicos já extensamente explorados em obras anteriores, o que pode cansar leitores habituais. Apesar disso, continua a ser uma leitura estimulante e pertinente, especialmente quando revisita temas como a homeopatia, onde o autor brilha na sua argumentação. Uma boa introdução para novos leitores, embora menos surpreendente para quem já conhece o seu trabalho.