Antes de encontrar no populismo da direita radical o filão para o sucesso, André Ventura votava em José Sócrates, humanizava migrantes e pregava contra Trump e Le Pen. Quando percebe que não vai chegar ao poder por esse caminho, é no ódio que encontra forma de chamar a atenção. E assim nasce o Chega. Não há nada a marcar a atualidade? Arranja-se. Os media estão a criticar o programa eleitoral? Cria-se um novo, repleto de contradições. As mulheres não votam no partido? Modera-se a linguagem machista. Há problemas em conquistar votos no Porto? Marca-se um encontro com Pinto da Costa. Os líderes políticos estrangeiros não lhe ligam nenhuma? Pega-se no carro e faz-se à estrada, mesmo sem ter nada combinado; afinal, só é preciso tirar uma fotografia com eles. No one man show que é o Chega, André Ventura gere o partido com mão de ferro: afasta quem o critica, censura militantes e atropela princípios democráticos internos. Vale tudo quando o objetivo é angariar votos. Mas não é fácil manter firme um partido com fossas ideológicas visíveis, onde perdura o conflito interno e os quadros partidários nunca se aguentam durante muito tempo.
Um retrato aterrador da terceira força política em Portugal, focado no seu líder e no que o move.
Spoiler alert: não é "limpar Portugal". Este cavalheiro, que se anuncia como um "salvador da pátria", não é do que um tiranete sedento de poder e que derruba todos os que se atravessam no seu caminho.
Estas 200 páginas baseadas em entrevistas com o dito e os seus esbirros, incluindo factos variados e de conhecimento público, deviam ser leitura obrigatória, principalmente para os néscios que acreditam na verborreia demagoga desta figura perigosíssima, que se tem vindo a rodear do pior que a humanidade tem para oferecer, como bem temos visto nas notícias dos últimos dias.
Roubo de malas no aeroporto, pedofilia, prostituição de menores, insultos misóginos e a pessoas deficientes, não há barreira moral, ética, deontológica ou humanitária que estas criaturas não derrubem.
E, contudo, a sua popularidade cresce diariamente, graças a um discurso simples, direccionado a mentes ainda mais simples, que aplaudem as palavras que querem ouvir.
Parabéns Alexandre Malhado por esta importantíssima obra imperdível.
Tenho lido aqui e ali pedaços da história do processo de construção (vou chamar-lhe assim) de André Ventura, mas não tinha tido oportunidade de ler algo mais detalhado e este “Dias de Raiva” acabou por proporcionar essa oportunidade.
Este livro do jornalista Alexandre R. Malhado guia-nos pelo percurso de André Ventura e permite-nos encontrar evidências concretas de tudo aquilo que, ou já suspeitávamos, ou já sabíamos, sobre a construção da sua personagem política, mas com tradução prática.
Uma leitura agradável, mas acima de tudo útil que, possivelmente não chegará (por negação) a quem mais precisa dela… os votantes do partido que este senhor representa. Recomenda-se, acima de tudo para conhecimento de factos importantes.
Faltava um livro assim em Portugal. Fundamental para compreender em que contexto é fundado o Chega, as origens do fundador e líder André Ventura e as motivações da extrema-direita portuguesa, num projeto político com uma vida interna anti-democrática e totalmente dependente do culto de Ventura. Contudo, o o autor admite que o Chega é um sintoma de um país onde se vive mal. O título “Dias de Raiva” representa os dois lados da moeda do que é o Chega na sociedade portuguesa: por um lado, um partido que se alimenta dos piores sentimentos humanos; por outro, essa raiva que dá força ao Chega nasce na descrença dos eleitores nos partidos tradicionais. Um livro urgente.
André Ventura pode ter muitas ideologias eticamente questionáveis mas a verdade é que também tem várias que fazem sentido e é isso que o faz crescer. Mesmo sendo extremista, tem sido espantoso o trabalho que tem feito e a sua evolução. Não sei se ele algum dia chega ao primeiro lugar mas também não quero apostar - ele domina a direita, ele é a direita, o terror de alguns de nós.
Livro muito completo.
«A partir de hoje começa uma nova fase no Chega. Um partido, um líder e um destino», afirmou Ventura, deixando uma referência na última frase ao lema alemão do Terceiro Reich nazista — «Ein volk, ein reich, ein führer.» - pg. 154 Pois pois.
Ás vezes precisamos de um abanão de realidade para percebermos quem escolhemos para nos representar. Entre bandidos, crimes de ódio e entre outros o partido é um dos mais polémicos e talvez seja assim que queiram ser. São polémicos ao ponto de ganharem importância, uma que não merecem, uma que não deviam ter.
Absolutamente essencial, especialmente para quem é eleitor do chega. Para quem acompanhou o crescimento do partido muito do que é dito não será novidade, mas é bom ter um compêndio de aldrabice.