O primeiro livro da série em que Three Pines não aparece em nenhum momento, nem de passagem.
Envolve o assassinato de um monge em um mosteiro distante e desconhecido.
Gamache e Beauvoir vão investigar e a partir daí eles têm que lidar com seus dramas pessoais (ainda, claro, envolvendo os traumas da tragédia ocorrida um ano antes) ao mesmo tempo que tentam desvendar o crime e lidar com o superintendente Francoeur, o pau no cu mor da Sûreté du Quebéc.
Duas coisas me incomodaram nessa história (CONTÉM SPOILERS):
Como certas palavras ou atos de alguns personagens parecem não ter consequência alguma apesar da gravidade da coisa dita ou feita.
Já vi isso em outros livros da série, mas especificamente neste, numa certa altura o Beauvoir insinua, de maneira bem contundente, que os monges daquele mosteiro estão ali, afastados do mundo, porque são pedófilos. O monge que ouve essa acusação fica horrorizado e enfurecido com o inspetor (o que é perfeitamente compreensível, até porque a acusação é mentirosa como vemos depois) então o monge sai, emputecido e aparentemente logo depois está tudo bem, ele volta a conversar com o Beauvoir e ele não conta isso, da acusação, pro abade nem nada e a história morre aí.
Parece que a autora meio que quis enganar o leitor com essa possibilidade (a igreja católica "esconder" seus membros criminosos afastando-os do convívio social) e deixou isso no ar.
Mas sei lá, foi uma coisa muito séria, não sei como isso simplesmente passou assim, como se fosse algo prosaico, "Ah, vocês são pedos, né? Vai, pode falar!" e depois "Ah! Não são não, tudo bem então!"
E eu totalmente: wtf?!
Como disse já percebi isso em outros livros como no do verão no hotel em que o Peter é extremamente escroto e grosseiro com o Gamache, inclusive acusando-o de ser mentiroso e covarde pra no livro seguinte receber o inspetor chefe em casa como se nada tivesse acontecido e fossem velhos amigos. Enfim.
Outra coisa que me incomodou foi o desenvolvimento do Beauvoir.
Assim, o cara considera o Gamache praticamente um pai, defende-o de sem questionar, está apaixonadíssimo pela Anne (filha do Gamache) e no fim das contas, aparentemente por um vício em analgésicos (ainda sequela do confronto com os terroristas) entra na nóia de "Gamache é um bosta que me usa e me deixou pra morrer e a Anne é igual ao pai, fodam-se os dois, que eu vou ficar do lado do Francoeur que pelo menos ele me dá os comprimidos que quero!".
Eu não sei se o vício em drogas tem dessas reações, mas sei lá, achei meio forçado.
Mas enfim, escolhas da autora.
Espero que o próximo livro se passe em Three Pines, sinto falta da Ruth e do Gabri.