"A construção", o romance de estreia da brasiliense Andressa Marques, narra a trajetória de Jordana, jovem estudante que faz parte da primeira geração de cotistas nas universidades públicas brasileiras. De Taguatinga à UnB, Jordana enfrenta os desafios e as descobertas do ambiente universitário, desde o nervosismo do primeiro dia de aula até as complexas interações com veteranos e professores.
O romance, de alta carga poética, também explora a história dos trabalhadores que construíram Brasília, destacando a precariedade e os sacrifícios da criação da capital, assim como as subjetividades envolvidas nela. Marques tece uma narrativa que é ao mesmo tempo um olhar para o futuro e uma reflexão sobre o passado, abordando temas como desigualdade, modernização, família, cultura popular e a busca por identidade.
Com uma prosa lírica envolvente, A construção nos convida a acompanhar Jordana em sua jornada de autodescoberta, enquanto tenta reescrever histórias que pareciam condenadas ao esquecimento.
É um livro muito representativo, principalmente pelo caráter histórico, raramente evidenciado, da narrativa.
Não curti muito o romance que se desenrola com a protagonista, mas ela como ponto focal do enredo é muito bom!!!
"Eu não podia ser lerda assim, só estudar e não saber falar não adianta. Falar é instrumento de saber e de poder. Eu tinha que entender isso." (!!!!!!)
🫶🏽 Salvo aqui as citações que guardei e guardo sobre o livro:
"O que sei é que desviaram o curso dos rios e a água foi chegando acompanhando a pressa de quem queria limpar o horizonte de tudo que era sobra."
"... o documento marcado pelos vincos do manuseio de mãos que trabalham. Ainda era preciso provar que existiam, incansáveis. Ninguém estava vendo? Não. Ninguém queria vê-los. E foi assim que o lago e a sua beira do abismo nasceram."
"As tantas pessoas que levantaram a barragem também foram as que correram quando a força do líquido vigorou."
Uma história sobre família: sobre construir família de sangue, construir família de amizades, sobre destruir laços de sangue, destruir laços de amizades... essa é a narrativa mais presente nesse recorte da trajetória de Jordana, nossa protagonista.
Acompanhamos a entrada de Jordana na universidade, sendo parte do primeiro grupo de cotistas da UnB, onde ela se envolve com o movimento negro e ver na iniciação científica uma forma de ter algum recurso financeiro e de produzir conhecimentos sobre a história negra que tenta ser apagada.
Ao mesmo tempo vamos conhecendo Iran, um jovem que vem à Brasília ajudar na construção da cidade - Iran é avó de Jordana e vivenciou de perto as violências contra quem trabalhou para que Brasília ficasse de pé.
Esse livro me levou a um lugar de saudade de Brasília, cidade que conheci um pequeno pedaço em 2023, durante o 59° CONUNE: relembrei o chão vermelho e o Minhocão da UnB, como também descobri que o lago paranoá submergiu todo um povoado de trabalhadoras/es.
Andressa Marques foi incrível nessa obra, e eu espero ler muitas outras dela.
Muito impactada com essa leitura, a autora tem uma escrita muito sensível e perspicaz, uma história com muitas camadas contada de forma extraordinária. Uma outra visão da construção de Brasília em paralelo com uma fiel ambientação na UnB . Li em um dia, recomendo muito
Ainda assim é uma obra excelente, de leitura relativamente rápida, bonita, tocante, sincera e que mostra a Brasília dos candangos, não do Neyemeyer. Amei e recomendo!
PS: tem trechos lindíssimos, leia com um marcatexto, caneta, seja lá o que usar pra marcar. Eu não fiz isso e dei mole, marquei umas orelhas mas vai saber qual era o trecho.
Ganhou uma estrela a mais depois que eu conheci a diva Andressa Tem frases lindas e poéticas, com descrições de ações e sentimentos de uma forma bem lírica e pouco óbvia. O que me fez gostar menos foram os rumos da história. A parte Iran é bem legal e entender como essas histórias se entrelaçam é a melhor parte. Mas para mim a Jordana foi a pessoa mais chata do universo que só queria saber de macho. Me irritou demais. Depois eu entendi que tudo era por conta da insegurança dela. Gostaria que ela tivesse descoberto toda sua ancestralidade com a sua best Bia diva. Mas eu entendo que ela era basicamente uma adolescente que sofre com as pressões de amor romântico que as mulheres são impostas diariamente. O livro é ambientado em 2003, o que também ajuda a compreender as relações amorosas e às atitudes que ela se sujeitou. Miguel um macho RUIM, tá?! Sim, ele tava com Renata e mesmo assim ficava flertando com outras mulheres. A primeira coisa que eu senti quando ele apareceu na história foi que ele era um homem esquisito. Cadê a mãe wakanda diva perfeita desse homem pra ensinar ele a ser decente? Jojo e Re merecem muito mais. Apesar disso, história é bem cativante, da vontade de ler sem parar. A Andressa é uma perfeita, adorei conhecê-la e por der perguntar as intenções dela por trás das escolhas do livro.
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Amei a ambientação por motivos óbvios (sou estudante da UnB e é muito legal ler gente daqui), amei a escrita e as duas histórias entrelaçadas. Gostaria que fosse mais longo, sinto que parou meio do nada, sei que é porque as duas histórias se conectaram e a Jordana teve uma resposta sobre sua ancestralidade e até o movimento de querer se conectar com suas raizes que vem desde sua bisa Rita e ela entende isso, mas para mim a história era mais do que isso e senti falta de um desfecho.
Não sei se é porque terminei de ler de madrugada porque precisava para a primeira aula do dia então eu estava com muito sono, mas não consegui entender muito bem quem estava narrando na última parte e fiquei muito curiosa.
Livro com forte carga poética contando uma história esquecida sobre surgimento da nova capital, Brasília, juntamente com a experiência de uma das primeiras alunas cotistas na UnB. O que mais me encantou foi como a cidade de Brasília é a personagem principal que liga toda a história e como esta possui características e nuances próprias. Esse livro é poesia em prosa e isso acrescenta toda uma dimensão a mais em sua profundidade e assimilação, gostei muito.
Importante, lindo e sensível em absolutamente todas as suas construções, pecinha a pecinha, elemento a elemento, espelho a espelho, base a base, de quem fomos, somos e queremos ser, nossos espaços e (im)possibilidades, que coisa maravilhosa Andressa Marques arquitetou, concretizou e edificou aqui.
Confesso que li as histórias separadamente pois não estava conseguindo acompanhar no início Linda a história dos primeiros construtores e muito legal ler a experiência de uma aluna cotista na unb (como ex aluna) Passagens lindas no livro
cidade protagonista. a Andressa Marques é muito engenhosa, que maravilhosa. eu gostei muito da história e de toda essa conexão que a autora tem com o corpo e com o fruto, mas em muitos trechos, me cansa. não me pegou, acho. eu me senti sem respostas nesse fim, considerei bem abrupto.