Reunião de dois livros de uma das poetas mais comoventes do século XX, em edição de bolso. Sophia de Mello Breyner Andresen soube conjugar de modo único a observação da natureza com a dimensão humana. A descrição concreta e material da paisagem — com destaque para o mar, tema central de sua poesia — convive com reflexões sobre o amor, a morte, a dor, a injustiça e a solidão. Este volume, que reúne duas obras publicadas de forma avulsa na década de 1960, traz temas presentes em toda a produção da autora e atesta o impacto da poesia brasileira em sua trajetória. O Cristo cigano , lançado em 1961, revela a influência decisiva da poesia de João Cabral de Melo Neto sobre a escrita de Sophia. Já Geografia , de 1967, descreve, entre outros temas, cenas da infância, o contato com a Grécia e a admiração pela obra de Manuel “Estes poemas caminharam comigo e com a brisa/ Nos passeados campos da minha juventude”. A escrita de Sophia é marcada pela beleza, pelo lirismo e pelo estilo direto e lapidar. Vencedora do Prêmio Camões, maior honraria da língua portuguesa, em 1999, sua obra ilumina e inspira sucessivas gerações de leitores e poetas. * Leitura obrigatória do vestibular da Fuvest.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
gostei muito do Cristo Cigano, assim que terminei, ja reli duas vezes.
achei a parte 3 de "Geografia" inteira bonita. De modo geral ele todo traça uma geografia ampla e ao mesmo tempo, aquela da palavra no papel. E "Ali, então" me ganhou completamente. mesmo os poemas muito curtos (que não marcam tanto sozinhos) funcionam como prólogo dos demais.
comecei a ler já julgando pensando ser “mais uma bobeira modernista” mas tornou-se que é MUITO bom. o único problema é que você precisa se informar bastante sobre o livro, o tema, a autora e um pouquinho de literatura brasileira, ou melhor… joão cabral de melo neto. na verdade não é um problema, rs. adorei saber mais sobre todos esses aspectos.
meu poema favorito é o “Busca”, que coisa linda. a sophia é uma autora fenomenal, mal posso esperar pra ler o livro sexto!
"Por isso te debelo te combato te domino E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém Para poder soltar-te livre no deserto Onde não somos nós dois mas só um mesmo"
Escuto, Palmeiras geometria e Antinoos foram de longe meus favoritos, tanto que um me fez chorar. Apesar disso, nessa grande coleção, muitos não me tocaram.
"Secura silêncio São minha bebida E a infinita ausência É a minha vida"