Em seu primeiro livro, Camila Saplak carrega o leitor por uma viagem introspectiva enquanto tenta entender o que significa sair da mocidade para entrar na vida adulta. Nos versos paradoxais, cheios de referências ao mundo pop, a menina-morcega explora suas relações com o corpo, com o vazio, com as origens, com a família, mas principalmente, com o tempo: “Queria envelhecer,/ odiei envelhecer/ vou envelhecer/ de novo.”
Dividida entre “coisas que escrevi no escuro” e “e uma coisa que escrevi na luz”, a obra revela a dicotomia entre sonhar com grandeza, mas não saber o que fazer com o próprio tamanho. Aos poucos, Camila tira os pés da toca para tomar as ruas. Daí, surge a vontade de pegar a vida pelos cabelos e arrastar no chão — uma ex-menina aprendendo, finalmente, a dizer o que quer.
Quem você tenta matar quando esconde algo de si mesma?
Camila me mandou mensagem aqui no Insta e de uma amizade, logo trocamos contato e ela me enviou seu livro. Devorei no mesmo dia, chuvoso como o mesmo clima do livro. Quando fui anotar sobre ele, estava ensolarado. Um sentimento agridoce e de paz.
Não sou do tipo de poemas, raramente falo por aqui, mas os que me pegam sempre são a raiva controlada, o sentir demais, pensar muito e criar barreiras emocionais.
Conhecer a Camila pelos poemas e entender sobre seus anseios, angústias e desejos, verdadeiramente a frase de Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” nós conhecemos o cru da feminilidade: a violência feminina, pressões estéticas, relacionamentos abusivos e autossabotagem.
Caiu como uma luva. Sempre me senti incompreendida pelas pessoas, até por mim mesma. Como lidar com esses sentimentos? Acho que esses poemas souberam explicar como me sinto e todas as etapas para se tornar a mulher que sou hoje. Esses pilares de um edifício robusto e com várias saídas de emergência, escadas de gesso e elevadores rápidos demais. Uma mulher ansiosa e confusa.
Esse livro definitivamente é para você que AMA literatura voraz feminina. Para as apaixonadas por Sally Rooney: você pode sim sentir demais, a Camila disse e tá feito. “Ah, mas eu não entendo poemas!” arrasta o carrossel e veja ao contrário. A Camila planta a semente da poesia nas mulheres.
Sinto como se tivesse encarado as minhas próprias palavras e sentimentos enquanto lia esse livro, ao passo que, também senti como se ouvisse o conforto de uma irmã. Termino “Estou tentando matar uma menina” com um aperto no peito, uma lágrima contida, mas com a alma contente por ter conhecido Camila Saplak em essência. Espero um dia ser uma menina tão descolada como ela.
nós mulheres com a idade da lorde iremos sentir esse como ninguém. um diário-confissão de uma poesia quase culposa. bom demais pra primeira leitura concluída de 2025.