«Tal como vinha acontecendo já desde o século XVII, três constantes marcariam a história de Loanda: o tráfico atlântico da escravatura, a deportação ou degredo de criminosos para Angola e a superioridade das famílias crioulas, ou lusodescendentes, às quais pertenciam essas mulheres, e que eram praticamente as únicas detentoras do monopólio desse tráfico. As estórias destas mulheres acabariam por se fundir com a história da cidade de Loanda e não será possível dizer com propriedade como teriam sido as suas vidas. Assim, para este romance, eu reinventei situações e dramatizei acontecimentos, pois é isto que um romancista faz. A partir de imagens e de factos reais, deixei a imaginação fluir e as estórias converteram-se, por vezes em coisas diferentes daquilo que verdadeiramente teria acontecido. Porém, embora ficcionadas, estas poderão ter sido as estórias das Ricas-Donas de Loanda.» Romance histórico na linha de Loanda - Escravas, Donas e Senhoras, Isabel Valadão leva-nos à Angola dos séculos XVIII e XIX.
- Licenciada em História, Variante História da Arte - Faculdade de Letras, Universidade Clássica de Lisboa. - Escritora e Autora de vivências africanas.
É verdade que existem momentos no livro que para o leitor mais impaciente podem parecer parados, mas a realidade é que se trata de um notável, extraordinário esforço de investigação. É um livro para aprender, com rigor, sobre uma realidade antiga. Gostei muito.
O livro é muito interessante pela perspetiva histórica que dá de Angola e, principalmente, de Luanda, Falta-lhe, porém, alguma trama literária. Por vezes surge mas mais frequentemente é uma descrição histórica onde a estória entra nem sempre de modo fluído. Valeu muito a pena e recomendo.
O livro começa com uma gigantesca gafe, e ainda nem o abri: na capa pode ler-se que se trata de um retrato da Angola do século XVII. Err... não. É de facto sobre a Angola do século XIX.
Gostei da leitura, tema interessante, grande trabalho de investigação. E isto traz consigo o aspecto - para mim - negativo do livro: demasiado seco, factual, assemelhando-se a um estilo monográfico que não desejaria. Os diálogos são quase inexistentes. A prosa avança baseado numa narrativa demasiado adornada por detalhes. Mas, repito, gostei, e já comprei outro livro da autora para mais tarde.