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Agora, Agora e mais Agora

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Historiador irrequieto, ensaísta brilhante e fundador de um partido político em Portugal, Rui Tavares se mostrou um irresistível podcaster com Agora, agora e mais agora, programa produzido pelo jornal Público durante a pandemia da Covid-19 e que será lançado em 2024 em livro homônimo pela Tinta-da-China Brasil.
A “densidade informativa e a qualidade literária” do podcast, destacadas por uma crítica da Folha de S.Paulo, estão igualmente presentes na narrativa de Tavares. Agora, agora e mais agora percorre a história das ideias, social, cultural e política, tratando de temas como o fanatismo contra a filosofia, a globalização e a soberania, o ódio e a fraternidade, a imigração e os refugiados.
Tavares oferece seis “memórias” do último milênio que, além de histórias divertidas, são uma compilação de pessoas de épocas variadas reagindo a desafios de seu tempo. Da Ásia Central ao Mediterrâneo, Tavares recupera um Iluminismo perdido no Oriente, passa pela Peste Negra e por Robinson Crusoé, até chegar na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O repertório múltiplo e erudito de Tavares se oferece também como uma história alternativa da modernidade.
Tais memórias tentam responder à pergunta que o historiador português recupera do passado de sua própria família, e que primeiro foi formulada por sua bisavó: Agora, agora e mais agora?

536 pages, Hardcover

Published July 1, 2024

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Rui Tavares

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Profile Image for Pedro Vale.
5 reviews1 follower
May 4, 2025
Em um tipo de história dos direitos humanos, ou história das ideias humanistas, ou, na verdade, uma história das Histórias (ou dos “Agora, agora e mais agora”), Rui Tavares faz o papel de um Ítalo Calvino às avessas. Não digo isso num sentido pejorativo, muito pelo contrário. Primeiro porque ele mesmo apresenta seu livro dessa maneira. Segundo porque às avessas não por ter ideias contrastantes, mas por tomar caminhos diametralmente opostos para chegar a um destino comum. Enquanto Calvino buscou propor, nas suas Lições Americanas, seis ideias que considerava essenciais para o futuro da humanidade, naquele momento de virada de milênio — em verdade cinco, já que morreu antes de conseguir escrever a sexta —, Tavares faz o caminho inverso: ao longo de mais ou menos mil anos de história, entre personagens “enciclopedizadas” que o autor busca “desenciclopedizar” e principalmente outras “desenciclopedizadas” que ele se esforça para “enciclopedizar”, aborda seis temas que são muito caros ao vocabulário contemporâneo. Polarização, ódio, direitos humanos.

Conheci esse livro quando ele ainda era apenas um podcast, incompleto, feito meio que de improviso, entre a Nova Inglaterra, os Açores e Portugal continental. Cheguei atrasado, não peguei nem o bonde andando. Quando o encontrei, o podcast já tinha sido finalizado há alguns anos. É um produto do seu tempo: um pesquisador tira férias, começa uma pandemia, impõe-se o isolamento e ele perde o acesso às suas fontes, que ficaram do outro lado do Atlântico. Mas, com o tempo livre proporcionado pelas condições sanitárias, fez o melhor que pode com o que tinha em mãos. Agora, agora e mais agora, com o livro completo, após a oportunidade de finalizar as pesquisas — ou o mais próximo do que se pode considerar como finalizada uma pesquisa, principalmente se tratando da história —, Rui Tavares melhorou, substancialmente, o que já era muito bom. É um livro que não deixa de ser técnico, porque não abre mão do rigor metodológico, mas que passeia muito naturalmente entre a linguagem acadêmica, a literária e a conversa informal, daquelas que, para quem conhece o mínimo do interior nordestino, se tem numa cadeira de balanço, ou num tamborete, na calçada de casa, olhando o movimento. A sensação é de ler um avô contando histórias aos seus netos. Não à toa o livro é estruturado em Memórias, que se dividem em Conversas. Muitas vezes em primeira pessoa. Muitas vezes, quase uma fofoca.

Ao fim e ao cabo é um livro sobre o que eu senti ao ver um pixo milenar nos assentos do Coliseu romano. Uma homenagem a um gladiador, de nome nada irônico, Delicatus: gente sempre foi gente. No entanto, Tavares é muito mais elegante do que eu. Fala de um rio subterrâneo de ideias sobre dignidade humana, que por vezes emerge à superfície; fala do “intelecto ativo” de Aristóteles, que ao longo da história passeia por tantas mentes, do Império Persa ao Império Inca, de Al-Andalus a Nova Iorque. Como o próprio autor diz, é uma coleção de “lados B” da história, e só quem gosta de história pode se interessar tanto por essas miudezas. No fim, gente é sempre gente. E para não esquecer disso é preciso exercitar a memória — justamente o que nos faz humanos —, dentro e, principalmente, fora das enciclopédias.

Ps.: Rui Tavares não deixa passar sua lusitanidade. Além de tudo, o livro ainda é um grande ‘Onde está Wally?’ de personalidades portuguesas (ou descendentes, ainda que longínquos, de portugueses), ao longo da história. Leonor da Fonseca Pimentel, Emma Lazarus, Espinosa. Muito português da sua parte, Rui.
Profile Image for Ana Sophia D. P..
20 reviews2 followers
January 7, 2025
Provavelmente foram as histórias mais lindas que eu já li/ouvi. Talvez eu faça que nem o professor de The Holdovers e compre uma caixa para distribuir de presente.
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