Karl Ove Knausgård escreve sobre a vida com dolorosa honestidade. Escreve sobre a infância e os anos de adolescência, a paixão pelo rock, a relação com a sua afectuosa e algo distante mãe, e o seu pai, sempre imprevisível, cuja morte o desorientou. O álcool e a perda pairam como sombras sobre duas gerações da família. Quando ele próprio se torna pai, Knausgård tem de encontrar um equilíbrio entre o amor pela família e a determinação em escrever. Knausgård criou uma história universal de lutas, grandes e pequenas, que todos enfrentamos na vida. Um trabalho profundo e hipnotizante, escrito como se a própria vida do autor estivesse em risco. A Morte do Pai é o primeiro de seis romances que compõem a obra autobiográfica A Minha Luta.
«Inacreditável… Deixou-me sem palavras.» [Zadie Smith]
«Poderosamente vivo… Knausgård é intenso e profundamente honesto, sem medo de dar voz às ansiedades universais (…). Existe algo de incessantemente atraente neste livro.» [James Wood, The New Yorker]
«(…) É de cortar a respiração. Não conseguimos parar. Não queremos parar.» [New York Times Book Review]
«É talvez o mais significativo projecto literário do nosso tempo.» [The Guardian]
Terminei “A Morte do Pai” com impressões ambíguas. Há coisas que gostei genuinamente: o autor capta muito bem os mundos interiores emocionais, sobretudo a vergonha, o desconforto, a culpa e a complexidade das relações familiares. No entanto, apesar de a sua escrita por vezes conseguir criar verdadeira intimidade, penso que talvez haja um excesso de relato e de exposição do “eu” e pouca reflexão transformadora. A consciência é mostrada em detalhe, mas raramente trabalhada; os sentimentos são descritos com minúcia, mas nem sempre pensados para lá do próprio narrador. Eu até costumo gostar de livros confessionais. Não me incomoda a intimidade, nem a vulnerabilidade, nem a escrita centrada no eu, mas, neste caso, senti que a exposição substitui o pensamento, ou seja, a intensidade emocional é tomada como profundidade em si mesma. Talvez essa seja uma escolha deliberada do autor, mas para mim tornou a leitura cansativa. A meio fiquei com a sensação se que estava a ler o percurso de alguém que anda a tentar apanhar a sua própria sombra. Nesse aspeto é um livro muito claustrofóbico: fechado em Karl Ove Knausgård. Gostei da leitura em partes, reconheço a ambição do projeto, mas não sinto vontade de continuar a série. Aqui, o “eu” (de Karl Ove Knausgård) é o mundo, e o mundo existe em relação ao seu “eu”... e o meu "eu" precisa de livros que explorem outras longitudes.
Romance auto-biográfico, muito pormenorizado (estilo Proustiano), relações familiares interessantes; percurso de vida, com interesse mediano. Procura na narrativa um estilo próprio e inovador, conseguido a 50%. Francamente honesto na descrição da sua história de vida, sem preocupações apriorísticas de julgamento de personalidade ou de carácter.
“A morte do pai” é a autobiografia de Karl Oven. Nas primeiras páginas a narrativa gira à volta da morte: como a sociedade a vive, afastando o defunto como se fosse um ente que prejudicasse o ambiente. Se questiona o comportamento e os medos que a morte envolve. Todo o romance descreve os acontecimentos da vida do autor, os medos, temores, a forma de vida, os vícios. A adolescência, os relacionamentos, os filhos. A morte do pai é evidente a meio da leitura, quando o a avó de Karl o encontra morto. Entre conversas, sentimentos e temores vão passando os dias, tudo descrito ao pormenor. O acontecimento mais pesado é a morte do pai e os sentimentos dos filhos e da avó. Um estilo de escrita diferente para quem gosta de autobiografias.