Júlia non ha mai detto la verità su quello che le è accaduto. Nemmeno ai genitori, che la sentono sempre più distante; né ai suoi amici, che non vede da mesi. L'incontro con la piccola Catarina la fa uscire per un attimo dal torpore. Un uomo in carcere decide di scrivere la sua storia d'amore con una donna che non vuole essere amata. Un ragazzino registra, per l'adulto che diventerà, delle audiocassette in cui racconta la sua strana vita con la madre, che lo ha isolato in una casa sul limitare di un bosco. Tre storie si intrecciano a distanza di anni, tre voci narranti per un romanzo affascinante che parla di violenza e redenzione.
David Machado nasceu em Lisboa em 1978. É autor do romance O Fabuloso Teatro do Gigante e do livro de contos Histórias Possíveis. Em 2005, o seu conto infantil A Noite dos Animais Inventados recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, e desde então publicou mais três contos para crianças, Os Quatro Comandantes da Cama Voadora, Um Homem Verde num Buraco muito Fundo e O Tubarão na Banheira, distinguido com o Prémio Autor SPA/RTP 2010 de Melhor Livro Infanto-Juvenil. Tem livros publicados em Itália e Marrocos e contos presentes em antologias e revistas literárias em Itália, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Islândia e Marrocos. Traduziu os livros O Herói das Mulheres, de Adolfo Bioy Casares, e Obrigada pelo Lume, de Mario Benedetti.
Obra tripartida mas desigual no ritmo, na afinidade com as personagens, na credibilidade e na eficácia. Na primeira e na terceira parte, David Machado é brilhante naquilo que poucos sabem fazer: criar personagens jovens que não são embirrantes e lamurientas, muito maduras na sua imaturidade. O que é novidade neste autor é a mudança de registo na segunda parte, através de um inesperado mergulho na metaficção, que me fez lembrar “Neve” de Ana Teresa Pereira, com uma rapariga misteriosa a instalar-se na casa de um desconhecido sem que se perceba bem porquê, dando azo a situações forçadas e inverosímeis, em que se junta o trauma da guerra com o trauma da violência doméstica. David Machado quis escrever uma tese sociopsicológica sobre a violência, quando o seu verdadeiro dom é contar histórias e compor personagens, o que é bem visível também nesta obra.
“A primeira canção da lista chamava-se 'Alive' e era essa que eu estava a ouvir. Pareceu-me impossível que a minha mãe ouvisse uma canção com aquele título. (...) Ela não falava muito sobre esse tempo e, para mim, era muito difícil imaginá-la com a minha idade, sentada à mesa com os meus avós, ou no recreio da escola com as amigas, uma pessoa tão diferente daquilo que ela é hoje. E é estranho e não sei explicar, mas era como se sentisse saudades dessa pessoa que eu nunca conheci.”
Ainda não sei bem que pontuação atribuir-lhe, porque 3 estrelas parecem-me muito redutoras... Será talvez um 8/10, ou seja, umas 4 estrelas fraquitas.
Continuo a achar bastante original a forma como o autor constrói as suas narrativas, embora, no que diz respeito a esta obra, tenha sentido que a ligação que existe entre as suas 3 partes não tenha sido a mais bem conseguida.
Quanto às personagens e à trama em si, houve momentos que me entusiasmaram e outros que ficaram aquém daquilo que sei que o autor é capaz.
Gostei deste livro, mas não tanto quanto dos outros dois que tinha lido de David Machado, «Índice médio de felicidade» e «Deixem falar as pedras». Talvez porque, estando o livro dividido em três partes, não tenha gostado muito da primeira, que apesar de tudo é a parte essencial para o resto.
Na primeira parte acompanhamos Júlia, uma jovem no final da adolescência marcada por agressões físicas que sofrera um ano antes. Numa tentativa de tentar fugir de si própria, Júlia pega numa criança vizinha, oriunda de um ambiente familiar violento, e leva-a consigo para um local onde, com outros, recorre a drogas para se alhear. Cansei-me bastante desta visão quase desfocada da realidade, apesar de estar bem feita.
Na segunda parte o narrador muda para um homem mais velho que hospeda na sua casa uma jovem, que pode ser Júlia ou não, por quem acaba por se apaixonar sobretudo depois de ler o manuscrito por ela produzido.
Por fim, deparamos com a gravação de uma cassete de um miúdo para si próprio, anos mais tarde, um miúdo que vive com a sua mãe praticamente isolado de tudo e de todos.
As três partes estão muito bem entrecruzadas e têm em comum pessoas em sofrimento, fechadas em si mesmas mas apesar de tudo com alguma vontade de voltar para o mundo.
Gostei, mas houve ali algo que não me encheu as medidas.
Ainda estou a tentar formar uma opinião acerca deste livro 🦒 não foi tão questionavel como eu estava à espera e a organização das partes e a escrita são 10/10 mas pronto não sei se gostei da moral? se calhar não percebi bem o objetivo ???
No início não me rendi a este livro. A primeira parte deixou-me insatisfeita, esperava mais dor, mais raiva. Assim que iniciei a segunda parte pensei "agora é que é" e assim foi até ao final. Vale a pena continuar a descobrir este autor. A escrita é simples e ritmada. Há qualquer coisa nas palavras e na forma de escrever que não nos deixa respirar, somos obrigados a continuar. Adorei mergulhar na pele no narrador na segunda parte e descobrir os medos de Manuel na última parte. Na primeira parte conhecemos Júlia, a peça liga todas as histórias, mas não consegui criar relação com ela.
Há reflexões importantes o longo de todo o livro e apercebemo-nos que mais importante do que os actos são as consequências deles (muitas vezes irreversíveis) que afectam de forma tão forte as pessoas com que nos relacionamos. É essencial "fazer as pazes" com os traumas do passado caso contrário estaremos sempre a repeti-lo. O que mais me fica da mensagem deste livro: ..."como se, na verdade, tudo o que aconteceu nunca parasse de acontecer." O título não poderia estar mais adequado.
Continua a existir o realismo na escrita de David Machado, uma presença tão forte do autor em cada palavra e cada movimento dos personagens que é impossível não acreditar. O conhecimento profundo da mente de um adolescente, todas as perguntas que fervilham nas suas cabeças, os comportamentos descabidos, a influência dos adultos, tudo isso está retratado aqui.
4.5 A melhor surpresa dos últimos tempos. Comprado num impulso sem quaisquer expectativas enquanto esperava nos CTT. O livro está divido em 3 partes que, para mim, são 3, 4 e 5 estrelas, respectivamente. Logo, na média, 4 estrelas. Não são 5 pois a 1ª parte maçou-me um pouco.
A empatia com a personagem principal, Julia, foi imediata. A descrição do seu sofrimento e desejo de alheamento é tão intensa que não dá para parar de ler, para perceber como chegou àquela situação... e como vai (se é que vai...) sair dela.
Ho appena finito di leggere questo libro Lo avevo iniziato due giorni fa e fino a ieri avevo letto 50 pagine su 288, non mi stava entusiasmando.
Stamattina l'ho ripreso in mano e non l'ho più messo giù... Ho letto le restanti 238 pagine e l'ho finito. Bello bello bello. Una storia di violenza e di rinascita per nulla scontata, tre storie che si intrecciano raccontate a distanza di anni, tre voci narranti diverse ma molto intense (soprattutto l'ultima). Una piacevole scoperta questo autore. Ottima anche la traduzione fatta da Romana Petri. Ve ne parlerò meglio.
Poucos livros me levam a discutir com os narradores, pedindo-lhes que poupem as personagens ao sofrimento, que as salvem dos perigos que espreitam, que lhes perdoem as más ações e as redimam do mal. Mas as personagens de David Machado depressa ganham vida durante a leitura e passam a habitar os nossos espaços e pensamentos, tornando-se presentes ao nosso lado. Em vez de seres de papel, parece correr-lhes nas veias verdadeiro sangue e não apenas tinta...
Não senti qualquer empatia com as personagens. Faltou-me profundidade psicológica, faltou-me densidade na narrativa (demasiados lugares comuns) e faltou-me uma justificação mais razoável (ou mais aprofundada) para a ligação entre as 3 histórias. Apesar disso, há uma tentativa de nos levar para um lugar onírico que tinha todo o potencial para ser mais bem sucedido.
questo libro è stato un crescendo.. i racconti si incontrano magistralmente.. un libro sulla violenza, sulla paura di vivere e su cosa significa bontà e cattiveria l'ho amato ogni pagina di più.
Ando há anos para ler o Índice Médio da Felicidade, mas, por um ou outro motivo, foi-se-me escapando entre os dedos. David Machado publicou este ano o seu mais recente romance, Debaixo da Pele, e porque me foi emprestado, foi por aqui mesmo que decidi começar a conhecer melhor este autor (depois de breves incursões pelos seus trabalhos dirigidos a um público-alvo infanto-juvenil, em Os Livros do Rei ou Acho que Posso Ajudar).
Debaixo da Pele é um livro dividido em três partes: “Júlia não está cá (1994)”, “Notas para um romance sobre uma rapariga que não suporta ser amada (2010) e “As cassetes do Manuel” (2017). Na primeira parte, conhecemos Júlia e Catarina, a primeira uma jovem de 19 anos que vive atormentada pela violência de que foi alvo por parte de um antigo namorado e a segunda uma menina de 5 anos, vizinha de Júlia, que vive no seio de uma família disfuncional, em que os pais passam o dia a gritar um com o outro e a mãe a ser constantemente vítima de agressões físicas. Estas duas almas perdidas encontram-se e Júlia vê surgir em si um instinto maternal que a leva a fugir com a menina, rumo a algo desconhecido, um sítio onde não existisse dor. Só que Júlia está demasiado quebrada e as coisas acabam por tomar um rumo inesperado.
Anos mais tarde, um homem de meia-idade, que está preso, reescreve os acontecimentos que o levaram à prisão, quando uma jovem mulher entrou na sua vida e desfez a solidão de que se rodeava. Por fim, uma criança de dez anos, que vive com a mãe num local recôndito do Alentejo, tenta lidar com os motivos que levaram ao seu isolamento com a mãe, enquanto descobre que o medo e a coragem que movem a sua progenitora lhe toldaram o mundo de cores que não são as únicas que existem.
Como seria de esperar, as três histórias possuem pontos de contacto que deixarei por revelar, de modo a não estragar a leitura de quem ficar interessado nesta história. Mas posso dizer que a relação de Júlia e Catarina é um ponto essencial, e a violência e a forma como se lida com traumas passados um fio condutor. Um dos aspetos mais bem conseguidos neste livro, na minha opinião, são as vozes distintas de cada uma das partes. A dor de Júlia, na primeira parte, é palpável, e quase temos vontade de saltar para o livro e salvar aquelas duas almas das suas vidas miseráveis. A segunda parte, a cargo do homem preso, que reescreve a sua história pela voz de Salomão, é um exercício estilisticamente interessante e que transmite muito bem a sensação de arrependimento e confusão. Por fim, a inocência de Manuel na terceira e última parte são enternecedoras, bem como a vontade de ajudar a mãe e de conhecer o mundo.
Literariamente falando, acho que este é um livro muito bem escrito, com temas importantes desenvolvidos de modo satisfatório. Pessoalmente, faltou algo que ressoasse comigo, com quem sou e com o que vivi. Isso não é estritamente necessário, claro, mas neste livro em particular senti que seria importante. Apesar de tudo, foi um bom livro. Deixou-me, sem dúvidas, com vontade de continuar a explorar mais a obra deste jovem escritor português.
O corpo é o início de tudo, mas também carrega memórias impossíveis de serem desfeitas.
Não é o livro mais bem conseguido de David Machado. A escrita não fluí, talvez pela abundância de imagens e metáforas que (a este leitor) parecem forçadas e que, como tal, não enriquecem mas antes distraem da leitura, obstáculos constantes onde a leitura esbarra. Mais do que o estilo, contudo, o livro peca na construção das personagens e do enredo. E talvez tudo comece porque existe uma primeira situação de violência que nunca é explorada, mas donde nasce toda a história. O autor tem medo de lá ir, não mergulhou nela e não nos deixou mergulhar. Sem essa coragem, o inferno nunca aparece e tudo soa a falso. Os personagens também sofrem desse mergulho que não foi dado. São plásticos, desenhados a duas dimensões numa tela. Podem fazer o que quiserem, tomar as decisões mais absurdas, dar uma volta ao seu trajecto... tudo é possível porque nada transborda as margens de uma personalidade quando não ela não existe claramente. Há muitos artifícios na forma como o escritor resolveu contar a história, mas nenhum desses artifícios - que tentam evitar uma leitura aborrecida - consegue sobrepor-se à falta de uma alma esparramada nas páginas.
Livro perturbador, doloroso. Está dividido em três partes, cada uma narrada por uma personagem diferente, havendo, no entanto, pontos de contacto entre elas. Estamos perante, várias personagens traumatizadas por um passado de violências físicas ou emocionais que se instalam “debaixo da pele” e que provocam medo, pesadelos, dor e sofrimento. Pensam que isolando-se do mundo conseguirão ultrapassar a mágoa e a culpa que carregam. Mas a solidão forçada só adensa o desencanto das suas vidas e, simultaneamente, das pessoas mais próximas. No entanto, na terceira parte, pela voz de uma criança, fica a esperança de uma vida melhor, a esperança da superação do trauma e a possibilidade de amar.
A escrita de David Machado provoca no leitor uma forte curiosidade, obrigando-o a ler continuadamente. O suspense criado à volta das personagens está muito bem construído, revelando ou sugerindo, por vezes, apenas o essencial, facto que não impede o leitor de entrar emocionalmente na pele das personagens. Pelo contrário.
Uau , nunca pensei em me surprender de tal modo de uma historia assim.
Sendo sincera , no inicio nao esperava muito do livro mas de facto acho que foi um dos melhores que li até hoje.
Sim o livro aborda algums assuntos e episódios pesados , mas isso faz parte (eu acho) da construçao das características,personalidade e ações das personagens como pelo seguir da historia. Um dos pontos que eu adorei neste livro foi como tds as historias se encontram.
Eu adorei e recomendo vivamente a leitura deste livro ❤️
Machado instaura un costante confronto tra i personaggi e il loro "senso di colpa". In alcuni momenti, proprio la voce dei rimorsi assume le sembianze di uno spirito guida. Insomma, siamo davanti a un romanzo improntato sulla dimostrazione delle cause e degli effetti delle azioni dei personaggi, in cui le parole dipingono delle istantanee di vita. Tutto ciò ci fa rivivere quel conflitto tra "colpa e assoluzione" che sempre affascina, perché pone al centro l'essere umano e la sua condizione.
Duro e intenso. Vivência vertiginosa à beira do abismo após um trauma. O isolamento social, o choro fácil, a necessidade das drogas para amenizar a dor, as buscas de uma saída… Começa por ser uma história sobre a violência e a destruição causada pela mesma. E o medo construído aí. Que se torna medo de tudo, medo de existir, medo de sair, medo de perder, medo de viver. Depois @davidmachado_oficial parte para um sublime exercício de escrita a três vozes, em que as histórias se entrelaçam, mas para falarem todas sobre esse medo e suas consequências.
Tocou-me profundamente, maravilhoso e doloroso em igual medida. Nao há um momento de descanso. Adorei a divisao em 3 partes e a forma como as várias personagens se cruzam. Sem duvida, o melhor livro portugues que li nos ultimos tempos, recomendo vivamente.