Já o quarto volume se foca nos mistérios de Sidonia e na vinda do gauna Benisuzume. O roteiro do Nihei continua muito bom e ainda estamos no quarto número e já sabemos algumas coisas. Ou seja, os mistérios são ainda maiores do que imaginamos. Até então estava tendo dificuldades para identificar os personagens porque as primeiras edições foram muito velozes. Agora temos alguns momentos mais intimistas ou desafiadores em que cada um dos personagens conseguiu o seu tempo para brilhar. Nos volumes 3 e 4 conhecemos mais sobre a capitã Kobayashi e a Shinatose. No primeiro caso a capitã acaba servindo como faísca para descobrirmos os segredos de Sidonia, algo que vem da sua geração. Já a Shinatose nos ajuda a humanizar mais o Nagate, além de ser uma personagem complexa em diversas camadas. Ao final dessa edição estaremos em um outro momento da história com algumas graves revelações que abrem novas possibilidades. Ou seja, não foi um momento de parada para avançar a história apenas mais tarde. O foco em núcleos específicos foi bastante benéfico para a narrativa como um todo e ajuda a dar aquele ar de mistério, tão necessário aqui.
Toda a ação deste quarto volume envolve uma ofensiva contra os gaunas e a nave Mass Union menor mais próxima de Sidonia. A Mass Union, apelidada de Ocarina, envia várias unidades em direção aos nossos personagens e é rechaçada por Nagate (que agora se tornou capitão) e outras unidades. Vemos Nagate se tornando um ponto diferencial nas forças guardiãs de Sidonia e seu estilo ofensivo de lidar com os gaunas inspira a capitã Kobayashi a alterar a sua abordagem sobre os problemas. Primeiro porque ela se torna mais pró-ativa do que defensiva e isso se reflete, por exemplo, nas pesquisas sobre as kabizashis artificiais. Segundo porque ela está receosa de que Nagate, com seu jeito ingênuo e idealista, possa se tornar uma liderança contrária a ela no futuro. Existem alguns mistérios sobre o protagonista que são revelados nesta edição e justificam os medos de Kobayashi.
O gauna apelidado de Benisuzume se torna um adversário recorrente dos humanos. Com uma particularidade específica, ele é um ponto de vulnerabilidade a alguns pilotos. E revela uma série de truques e artimanhas que desconcertam a todos e fogem dos padrões de combate das criaturas. O fato de Nagate ter recuperado um pedaço específico da placenta de um gauna fornece instrumentos de pesquisa adicionais aos que os cientistas de Sidonia já possuíam. É aí que surge um velho fantasma de alguns anos atrás: a pesquisa de quimeras entre humanos e gaunas. Algo que será amplamente abordado em edições posteriores, mas que começa a aparecer aqui. Ou seja, nesta edição continuamos a ver os gaunas ganhando mais e mais inteligência e utilizando formas de ataque que não se assemelham a situações anteriores. O comportamento deles já não é mais o mesmo. Falta descobrir o que mudou já que os ataques deles não eram tão comuns no passado.
Cresce a narrativa de coexistência com os gaunas. Segundo as pessoas ligadas a esse movimento, as criaturas atacam por causa das kabizashis usadas pelos guardiões. Por serem pedaços de órgãos deles, isso serviria como uma espécie de radar. Além de estimular seus ataques, já que os seres humanos poderiam ser vistos como hostis. Até mesmo Shinatose começa a pensar nessa possibilidade, cansada de ver pessoas queridas sendo mortas a cada nova investida. A guerra tem custado a todos no lado emocional. Várias equipes perdem integrantes valiosos nessa edição, algo que dá uma certa melancolia a todos. Principalmente quando os gaunas ficam mais e mais inteligentes e matá-los se torna ainda mais complicado. As vitórias de Nagate, por mais absurdas que algumas delas sejam, levanta a moral de todos e afirma a eles que não é para desistir agora. E que se todos unirem suas forças, os obstáculos podem e devem ser superados.
As duas edições são muito boas e tocam para frente uma história que se torna cada vez mais misteriosa. Ao final dela, somos deixados com mais perguntas do que tínhamos começado, apesar de obtermos algumas respostas como, por exemplo, a origem de Nagate, das kabizashis, os erros cometidos há cem anos e quem são os membros do Comitê Imortal. Claro que Nihei também dá umas quebradas no clima apresentando o cotidiano dos pilotos e o divertido triângulo amoroso entre Nagate, Chinatose e Midorikawa. Serve como um alívio cômico para uma história que vai ficando bastante pesada. A arte ficou meio lá e cá nestas duas edições: o volume 4 me agradou mais porque gosto dos designs de interior e de criaturas do Nihei. Quando ele se foca mais no combate espacial, o leitor se sente meio perdido porque não sabe bem o que está acontecendo.