Quando a ditadura portuguesa foi derrubada, depois de mais de quatro décadas de censura, aboliram-se de imediato a censura e o exame prévio e impôs-se a liberdade de expressão e de pensamento. Mas os novos poderes desejavam ardentemente aceder à opinião pública, e depressa se instalaram novas formas de controlo dos meios de comunicação social. Entre acusações de colaboracionismo e purgas de administrações e de jornalistas, comissões de trabalhadores, nacionalização dos órgãos de informação, casos República e rádio Renascença - a rádio e os jornais portugueses transformaram-se numa peça decisiva do processo revolucionário desencadeado pelo Movimento das Forças Armadas, a 25 de Abril de 1974. A Revolução nos Média procura fornecer novas respostas sobre este período histórico: De que forma lidaram os média e o seus profissionais com as liberdades conquistadas a 25 de Abril de 1974? Como se adaptaram ou resistiram às transformações em curso na sociedade portuguesa? Qual o seu grau de envolvimento e participação nas lutas do Portugal revolucionário? E que mudanças ocorreram nos próprios órgãos de comunicação social em 1974-1975?
MARIA INÁCIA REZOLA nasceu em Leiria, a 23 de Dezembro de 1967. É licenciada em História (1990); Mestre em História dos Séculos XIX e XX [Secção do Século XX] (1995) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea (2004), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde foi docente entre 2004 e 2009. É investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC/FCSH-UNL), Professora Coordenadora na Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa, integra o Conselho de Opinião da RTP e é, desde abril de 2022, Presidente da Comissão Executiva das Comemorações dos 50 Anos da Revolução de 25 de Abril de 1974. Foi coordenadora científica do projecto de investigação Os encontros Franco-Salazar. Política externa e relações peninsulares durante as ditaduras (1942-1963), consultora historiográfica da Fundação Mário Soares (1997/98) e consultora do projecto Os Católicos Portugueses na Política do Século XX do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica de Lisboa. Tem uma ampla experiência no domínio da investigação, tendo dirigido e integrado numerosas equipas de trabalho em colaboração com diferentes instituições. A sua área de especialização é a História de Portugal no século XX, com particular incidência nos períodos do Estado Novo e da Revolução de Abril.
(PT) Esta é uma nova visão sobre a imprensa no período que vai de abril de 1974 a novembro de 1975, o dito período revolucionário do 25 de abril, onde um golpde de estado derruba o regime ditatorial e atira Portugal para a democracia. Quatro autores, docentes, abordam a imprensa através de diversos episódios, a saber: O "caso República", a ocupação da Rádio Renascença, a imprensa desportiva e a RTP na sua "luta pela alma", entre comunistas e socialistas, ambos com o objetico de o controlar.
As explicações são tipicamente de uma teste de doutoramento, mas tentam ser o mais esclarecedor para o leitor sobre os eventos que então sucederam. Pessoalmente, gostei mais do capitulo sobre o projeto de "O Jornal" (1975-92) que mostrou uma geração de jornalistas que, sendo comprometidos politicamente, não tinham os vícios da geração anterior e nem foram perturbados com polémicas como aconteceu com o "república" ou o "Diário de Noticias" que durante o Verão Quente (e tinha josé Saramago como vice-diretor), pendeu perigosamente para o gonçalvismo.
Confesso que o capítulo sobre a imprensa desportiva causou-me alguma curiosidade, mas apesar de explicar bem, esperava mais. E de uma certa forma, o livro não traz assim nada de fantástico ou revelador, embora seja pedagógico e provavelmente interessante de ler para qualquer estudante de jornalismo ou de História Contemporânea, sobre um período que aconteceu há quase meio século.