O volume inclui algumas das “estórias” (como o próprio Luandino as chama) mais conhecidas do autor: “Companheiros”; “O nascer do sol”; “A cidade e a infância” e “A fronteira de asfalto”. Engajado e radicalmente inovador, Luandino ajudou a consolidar a literatura angolana no período de luta contra a colonização portuguesa, criando uma dicção literária única (sua prosa madura é comparada à de Guimarães Rosa).
*destaque para a bela capa dessa edição (Mariana Newlands).
Passou toda a infância e juventude em Luanda, onde fez o ensino secundário. Exerceu diversas profissões até ser preso em 1959, sendo depois libertado. Posteriormente, em 1961, foi de novo preso e condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança. Transferido, em 1964, para o campo de concentração do Tarrafal, onde passou oito anos, foi libertado em 1972, em regime de residência vigiada em Lisboa. Iniciou então a publicação da sua obra, escrita, na grande maioria, nas diversas prisões por onde passou. Depois da independência angolana, foi nomeado para diversos cargos: organizou e dirigiu a Televisão Popular de Angola de 1975 a 1978; dirigiu o Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA até 1979; organizou e dirigiu o Instituto Angolano de Cinema de 1979 a 1984. No domínio da literatura, foi um dos fundadores da União de Escritores Angolanos, em 1975, sendo seu secretário-geral desde então até finais de 1980. Foi também secretário-geral adjunto da Associação dos Escritores Afro-asiáticos, de 1979 a 1984, tornando-se depois secretário-geral da mesma até Dezembro de 1989. Pertenceu à geração angolana da "Cultura" entre 1957 e 1963. A sua escrita é original, usa o falar crioulo e subversivo da linguagem para dar um retrato mais realista às suas personagens, enriquecendo-as e conferindo-lhes a expressão viva e colorida das gentes o dos lugares pobres que retrata. Do seu trabalho destacam-se as seguintes obras: A Cidade e a Infância (1960); A Vida Verdadeira de Domingos Xavier (traduzido para várias línguas, constituindo também a base do filme Sambizanga, realizado por Sarah Maldoror); Luuanda (traduzido também para várias línguas, recebeu o Prémio Literário angolano Mota Veiga em 1964 e o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1965, o que causou violenta reacção da parte do Estado Novo); Vidas Novas (narrativas escritas em 1962 no Pavilhão Prisional da PIDE em Luanda, e apresentadas ao concurso literário da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, tendo sido distinguidas com o Prémio João Dias, em 1962); Velhas Estórias e João Vêncio: Os Seus Amores.
The title "A Fronteira de Asfalto" has in its title one of the central images of the collection A Cidade e a Infância, by Angolan writer José Luandino Vieira. On one side of this border, there was the world of Portuguese colonizers in the post-World War II period - the city of asphalt; on the other, the Angolan city. The first, the white city, coloured by the repressive authoritarianism of the Salazar dictatorship, was impregnated with racism that was not present in the second - a hybrid city of the poor and coexistence between blacks, whites and mestizos. Critically mediating the two cities, where the first grew physically and symbolically over the second, were the cashew trees and their "twisted shadows" solidarity. The twisted cashew trees (roots and branches) also appear as natural resistance in a "Great Forest" - mythical memory of a children's universe of sharing between blacks and whites, rich and poor, occupied by the European city. The tales written between the years 1954 to 1956 and the cashew tree's image can be associated with the intelligence of the generation of José Luandino Vieira, who sought to take root in the earth and resisted the growth of the asphalt city. The symbolic tractors destroyed the huts (houses) of the musseques (popular neighbourhoods, of discontinuous streets and lines) and also the trees of the "Great Forest" of the children's imagination. Colonial tractors later marked the history of this writer and his books.
Um livrinho...livrão. Contos da década de 50 por um dos maiores escritores angolanos, que descrevem magistralmente as relações branco-negro, problemas sociais, etc., na Angola de então. Muito bom.