É um livro sobre a época mais épica e sobre a geração mais gira: a nossa! É um álbum de crónicas divertidas à "A Minha Agenda" sobre os traumas, as saudades, os amores, as pancas, os medos, os filmes, as músicas e tudo o que vivemos! É uma ode, em jeito de sebenta, aos anos que nos pariram, nos educaram, nos adubaram, nos empastaram o cabelo de gel e poupas, nos vestiram com roupa que picava, nos encheram a cabeça de sonhos e a boca de açúcar. Os anos 80 e 90. Só pode ler este livro quem...Teve um Pega-Monstro, jogou ao Mata, sabe o que é um plinto, fingiu que era o He-Man, comeu bombocas, levou o penso-da-praia, usou borracha de tinta, penteou um Pequeno-Pónei, jogou ao Quarto Escuro, participou num sarau, chorou para ter um Game Boy, jogou com um yo-yo, trincou Calippos, teve bichinhos da seda, vomitou a comida da cantina, andou de skate, dançou um slow, foi ao clube de vídeo, teve varicela, ganhou ao Pac Man, teve um Bip, riu com o Herman, comeu Vianetta, tem a marca da BCG, foi à Feira Popular, teve um Pirilampo Mágico, teve piolhos, teve um walkman, trocou cromos, jogou com um Spectrum, chorou com o E.T, riu com o Aeroplano, falou no m.I.R.C, dançou o Bicho, foi para a cama com o Vitinho!
O mais recente livro da Mami Pereira tem o condão de nos fazer olhar para trás ora com nostalgia, ora com admiração, e generosas doses de humor. Um livro que percorre os anos 80 e 90 em Portugal, duas décadas marcantes desta geração “perdida” algures entre a geração X e os Millennials. Mais coisa menos coisa, todos os nascidos e crescidos neste tempo vão identificar-se em algum momento com as memórias da Mami, num livro que é sem dúvida um contributo para a memória colectiva.
Objectos, hábitos, vivências, modas e manias, medos e traumas, teorias sobre estratégias de consumo, enfim, uma mixórdia de temáticas (mas muito bem compartimentada) que nos leva numa incrível viagem, a um tempo “em que a qualidade de vida era inversamente proporcional à qualidade das fotos”.
Um livro que nos faz oscilar entre a euforia dos 80 e o mood urbano-depressivo dos 90, e que não li em 173 suaves prestações, como recomendou a autora, pois fica difícil dominar a sede de vasculhar o passado com a ajuda de alguém que sabe traduzi-lo com tanta mestria e graciosidade!
A Mami Pereira escreveu uma enciclopédia de memorabilia dos anos 80/90. Podia ter sido um almanaque levezinho para dispor bem. Mas, se fosse, não era um livro da Mami Pereira. Por isso mesmo ele oscila o tempo todo entre duas sensações que “calam fundo” (adoro esta expressão) no sentir nostálgico de qualquer pessoa nascida após 1970. Que sensações são essas? Por um lado a de “éramos felizes e não sabíamos.” e, por outro, a de “como raio crescemos sãos no meio de tamanha selvajaria, açúcar, palmadas e plásticos!” Ri-me à gargalhada com algumas passagens do livro, enquanto outras me incomodaram (tanta coisa estranhamente errada na nossa educação e, ainda assim, cá estamos mais ou menos funcionais), já para não falar das que, como no caso dos avós, me puxaram a lagrimita. Lê-se de trás para a frente, até para melhor misturar passado, presente e futuro. É esse, a meu ver, o maior triunfo deste livro.
"A walk down memory lane", este livro foi uma bela viagem ao passado e aos gloriosos anos 80 e 90, está lá tudo ou seja as alegrias e as tragédias que nos assolaram bem como os momentos épicos passando pelas coleções mais parvas, pela roupa que vestíamos, pelo que víamos na TV, dei por mim a rir a bom rir e emocionada em alguns momentos porque só quem viveu sabe...ótima leitura!