A Violência Gentil, de Daniel Longhi, é um livro que surpreende pela maneira como mistura densidade emocional e consciência histórica com uma escrita marcada pelo fluxo de pensamento. A escrita nos convida a entrar diretamente na mente de seus narradores — não por uma porta principal, mas por uma fresta, onde tudo é mais íntimo, mais cru, e, por isso mesmo, mais potente.
A combinação de questões pessoais como afeto, masculinidade, família e silêncio com elementos da história do Brasil é o que chama a atenção no livro. Sem recorrer a explicações didáticas ou narrativas históricas diretas, ele evoca traumas coletivos e ecos coloniais que atravessam o país e os corpos de quem o habita.
O resultado é um livro que provoca, mas de forma silenciosa. Como o título sugere, a violência aqui não grita — ela se insinua, se revela nas brechas, nas pausas, nos gestos pequenos. É uma força silenciosa, mas potente.